terça-feira, 2 de junho de 2015

Breve Introdução a Interpretação Sonhos ( Freud )

NOTAS DE  AULA
INTRODUÇÃO A INTERPRETAÇÃO  DOS SONHOS
TEMPO: - Somente depois de algum tempo de iniciado a terapia (psicanalítica) ou as sessões de análise, que será  comum o paciente (de análise) começar a se lembrar / recordar dos seus “sonhos” antes esquecidos ou sem importância. O relato desses sonhos podem fazer parte da análise e travessia do sujeito em sua terapia e auto-conhecimento do ( ics).   
LEMBRAR / RECORDAR: - o Lembrar ou recordar os sonhos se dará com o período da fidelização da “parceria psicanalítica” é quando o psicanalista é o cara que acolhe o saber inominado do analisado (de forma imparcial e amoral) e passa a fazer parte do  seu sintoma. (Se estabelece vínculos de confiança e passa fazer parte do discurso do sintoma (ics) )
- REPETIÇÃO / PESADELO: o Sonho (repetitivo) ou similar / ou mesmo pesadelo terríveis que incomoda. Está revelando algo muito importante e complexo na nossa vida fetal ou pós uterina. Também eventos traumáticos (não bem recalcados) pode vir em pesadelos.   
- DESLOCAMENTO: - Sonho de “deslocamento” de órgãos de partes do (corpo)  têm grande importância na terapia psicanalítica (sonhos)  e no tratamento sintomático psíquico, discurso de órgãos que se deslocam ou mudam de lugar no corpo têm uma simbolização específica e não universal.
- OBJETIVO E OBJETO: - O objetivo do sonho é a manutenção do sono e principalmente da manutenção da sanidade que é (objeto) inorgânico do sujeito (neurótico) para se sentir (ego/Eu) renovado para o dia seguinte.
- NEUROSE E PSICOSE: - Somente neuróticos “sonham” psicóticos não sonham eles (alucinam) a qualquer hora.
- ALIVIO AFLIÇÕES: O Sonho para nós “neuróticos” é uma tentativa de resolver no (plano simbólico)  pendências afetivas, traumáticas, sexuais ou tentar reorganizar nossa sanidade, nós passamos a vida sonhando e repassando o nosso Édipo em revista, realizando desejos e carimbando e recarimbando os recalques ao longo da vida. (Jung)
- LASTRO E TRATAMENTO DOS SONHOS:  Esse tratamento será a partir do  discurso simbólico (contido) nos sonhos por seu sonhador relatados nas (Sessões de Psicanálise) a interpretação pode se iniciar entre   mínimo de quatro meses a dois anos de terapia analítica o sonho passa a ter valor na terapia e isso inclusive respalda da (lastro) da “Psicanálise” de (Freud).
- RESISTÊNCIA: - O Sonho “montado” em “análise” pode virar uma resistência: Tanto o lembrar, o esquecer como o não contar diante disso ele passa a não ter valia efetiva momentânea, mas só na temporalidade que durar o tratamento. (as sessões de análise)      
- ESQUECIMENTO: Sonhos são esquecidos: Motivos: Censura Onírica, baixa oxigenação cerebral, acordar bruscamente, resistência, erotização inominada de um banquete sexual inaceitável para a realidade do sujeito na razão etc..
- AUTO-INTERPRETAÇÃO: Durante o processo de “Analise” o analisado pode sim, desenvolver a capacidade de Interpretar seus próprios sonhos (à medida que diminui a sua resistência e mecanismos de defesas), mas isso sempre dever ser “supervisionado” de tempos em tempos pelo Psicanalista.
- A ANÁLISE DO SONHO NÃO É UNIVERSAL: - O Sonho em “análise” não é universal  pertence a história e a anamnesse do analisado, por isso a interpretação de autoconhecimento de si e seus significantes pessoais e íntimos.
- INFLUÊNCIAS: - O Conteúdo onírico: sofre influencias: Resquícios do Dia, Comilança noturna, barulhos externos, necessidades fisiológicas ou efeito de medicação ((uso de bebida alcoólica, medicação psiquiátrica ou drogas).
- SIMBOLOGIA: - Existem símbolos universais, símbolos regionais, símbolos e culturais em cada sonho isso pode variar na interpretação de  pessoa para pessoa. Ou seja de (Sonhador para sonhador)
-CASO CLÍNICO PESADELO COM SERPENTE: - Relato e a interpretação da simbologia (sonhos ou pesadelos repetitivos): Paciente 29 anos quadro de (depressão e TOC) sonha desde 12 anos que uma (serpente) muito fina tenta sufocá-lo ou matá-lo. Descoberto na entrevista com a (mãe tentou aborto) e o bebezinho nasceu com o cordão umbilical todo (enrolado) no pescoço como se estivesse se extrangulando ou tentando se suicidar no (útero) para atender ao desejo da mãe. Na vida adulta esse bebezinho virou um rapaz aterrorizado pelo pesadelo da serpente.
Baseado em minha experiência de clínica de psicanálise chamo um (evento desse) de trauma de (memória inconsciente neuro-fetal) pode acontecer a partir do 4º mês gestação envolve a mãe, pai e ambiente do acolhimento da gestante.
- SUPORTAR/SUPORTE PSIQUICO: - No sonho eu posso rejeitar aquilo que (suporto e acato na razão / diurna) (pulsão)  de forma simbólica e aceita isso é uma espécie de (ética da sanidade)
- SEXUALIDADE: (IMAGINÁRIO) No Sonho as simbolizações de conteúdo de sexualidade ou sexuais, órgãos (sexuais) não necessariamente representam o (ato objetal sexual) em sim. Mas sim uma demanda simbólica da psique de cada um de nós. Coisas e  lugares ou bizarros também serve de substitutivo (simbólico) a essa visão psíquica da sexualidade (são opositoras em seus significados e produzem significantes) de cada sujeito mas não tem valia universal  a todos.   
 Complementação:
   - Lembrando que somente os “Neuróticos” sonham organicamente é saudável sonhar.  
- O “sonho é o guardião do sono” é a necessidade de “repousar, restabelecer-se organicamente para revitalizar-se física e emocionalmente para o novo dia ” L.M.
O Sonho: Pode receber influências (externas) tais como: excesso alimentar ou fome, frio ou calor, barulhos de chuva, carros, avião, sons, ruídos naturais, desconforto de acomodação e doenças graves. 
- Os psicóticos em sua maioria alucinam e têm delírios. (Psicose) não sonham.  
- (Freud) Sonho é a realização de um desejo inconsciente.
- Que pode revelar parte o real do Sujeito e sua linguagem.  (Lacan)
- O Sonho realiza algum desejo (inconsciente) como uma forma dar “solução, saída, simbolização da demanda do desejo. (solução de conflito) 
- Os Sonhos podem ser (Bons, Maus, de Amor e ódio, Luz e trevas, negação, punição, pecado, vivência do Édipo não resolvido ou fechado).
- Em Pesadelos: É o sonho de censura: necessidade de punição, também pode ter origens traumáticas, rejeição, emoções fortes, afetividade e relacionamentos conturbados, culpabilidade, traumas sexuais (violência psicológica, moral ou sexual).   
- A censura onírica pode alterar a forma e a simbolização do sonho para o (Consciente) ou mesmo para “terapia analítica”.
- O sonho em (psicanálise) não têm fórmula e nem deve ter “interpretação” de dimensão moral ou religiosa, disciplinadora; porém a estrutura psíquica “superego e id” de cada individuo pode influenciar na forma dos sonhos.
- A interpretação do Sonho em análise somente a “Psicanálise” é o que pode dar acesso ao inacessível e insabido do sujeito real dentro de cada um de nos.
Recomendação Importante: Não se de deve tentar “interpretar” o sonho de quem está fora do contexto terapêutico psicanalítico, os efeitos podem ser “negativos” e somáticos e induzir a pessoa a “mais repetição a erros e resistências”. O sonho é material terapêutico da psique do sujeito (único) e nele está seus traumas, Édipo e tudo que foi reprimido, esquecido e inominado.
 SOBRE AS IMAGENS DOS SONHOS
- As “imagens dos sonhos” não são reais (razão / racionais) (são representações e algumas opositoras do que não “deu certo ou não se realizou na (razão) elas são a linguagem simbólica do inconsciente e seus são conteúdos hermeticamente selados / e ou recalcados / traumas e desejos inclusive proibidos estão no universo do sonho que pertencem ao “sonhador”.
- Na terapia psicanalítica “O sonho” pertence exclusivamente ao “sonhador” e na análise quanto mais imparcial, amoral e isolada for à interpretação mais o “analisado” vai colher novas idéias, significações e insights para seus conflitos ou busca de conhecer a si mesmo.
Sonhos: Trazem solução de muitos conflitos internos (Jung)
Sonhos Espirituais: De sensitivos ou de alguns líderes religiosos mostrarem algum caminho a seus que seus seguidores ou o que estes devem seguir. (não objeto da nossa análise).
Sonhos eróticos: Serve para amenizar o sofrimento a angustia do proibido, do pecado e da interdição da e definição da vida sexual, serve para não se expor a “vergonha ou juízo na razão” e serve para solucionar conflitos de intensa “libido” recalcada e edipiana.        
 Sonhos (variam de cultura para Cultura).
Cada um de nós tem seus motivos e mecanismos para o aparente esquecimento ou não lembranças dos nosso sonhos que vão desde: Baixa oxigenação do cérebro, levantar muito rápido, o esquecimento (é um mecanismo de defesa / ou  resistência).
Sonhos repetitivos: (conflitos afetivos, emocionais pendentes e não solucionados por muito tempo, ou repetidos ações e atitudes “padrões” de tempos em tempos.
É muito importante e comum se observar que as pessoas (pacientes) de análise ou aspirantes estudantes candidatos ao lugar de “Psicanalista” que façam e se submetam a “análise” comecem a lembrar dos seus sonhos e aprenderem inclusive a “interpretá-los”.
Na laicidade da psicanálise tratar e interpretar os “Sonhos” é como se abrisse uma “porta” do Céu desconhecida até então a possibilidade de um “saber” da nossa verdadeira aspiração e desejo para melhor encarar a temporalidade da vida com mais sanidade, felicidade, paz e saúde por si mesmo.
Prof. Luiz Mariano

  Referências:

FREUD, S. A interpretação dos Sonhos, Edição C.100 anos,Imago-RJ.1999. FREUD, S. Obras psicológicas Completas versão 2.0-Vol.VII-O quadro clínico, o  primeiro sonho, o segundo sonho, posfácio.
FREUD, S. Esboço de psicanálise. Rio de Janeiro: Imago;1975.Links. Fisher, S. Greenberg R.P. Freud scientifically reappraised: testing the theories and therapy. New York: John Wiley & Sons, Inc.; 1996. Links.
Azevedo AMA. Validação do processo clínico psicanalítico: o papel dos sonhos. Rev. Bras. Psicanálise. 1994;28:775-96. Links. Revista de Psiquiatria do Rio Grande do Sul. Vol. 28 nº2 Porto Alegre May/Aug.2006. Artigos de Revisão. Freud, S. Esboço de psicanálise. Rio de Janeiro: Imago; 1975.    Andrade VM. Sonho e inconsciente original (não-reprimido): a conduta analítica em face de representações inacessíveis à consciência por método interpretativo. Boletim Científico da SPRJ. 2004;2:7-16.     Doin C. A psicanálise e as neurociências: os sonhos. Rev Bras Psicanal. 2001;35(3):687-716.  Cruz JG. A injeção de Irma, cem anos depois: algumas considerações sobre a função dos sonhos. Rev Psicanal. 1996;III:93-109.


terça-feira, 12 de maio de 2015

Quem Julga não pode Amar



“Na psicanálise o lastro do  amor não existirá e não suporta o juízo e julgamento do “outro” pois quem é esse outro?. E se assim fosse a justiça absolveria a réus e inocentes o tempo todo, porque conheceria e saberia de todos os “Outros” de cada um de nós. O amor não faz juízo e não  deveria ou pode julgar. Não pode Amar e nem conhecer o Amor quem julga ou faz juízo dentro de uma relação com os seus Outros”.  


sexta-feira, 24 de abril de 2015

O Latrocínio das Paixões em nome do Amor

“Em vinte anos da clínica de psicanálise, vejo que ainda existe muitos relacionamentos que são verdadeiros latrocínios da Alma, da liberdade, da saúde do “outro”  e da singularidade do desejo. 

São relacionamentos de dependência afetiva, dependência material, relacionamentos patológicos de transferências edipianas extremamente agressivas e doentias, tudo isso  destrói qualquer chance de compartilhar ou sentir Amor. 

As “paixões” e declarações “apaixonadas” estão afincadas suas raízes no “Édipo” não resolvido da primeira infância de cada um de nós e a Mulher tem sido a "presa" disso por centenas de anos. 

São paixões patológicas que afetam a todos do clã familiar. 

Como numa neurose moderna onde o respeito só se inscreve na “provisão” do que o outro pode “ofertar-me” como “provedor” e diante disso não há  auto-estima ou beleza que resista vai tudo para um abismo chamado adoecimento”.

E ainda "escuto" que a culpa é sempre das Sogras...


sexta-feira, 17 de abril de 2015

O PENSAMENTO NA PSICANÁLISE E O SINTOMA


"O Pensamento psicanalítico vai muito mais além que a teoria ou a prática clínica ele se oferece como um instrumento para repensar o Mundo e o repensar em nós mesmo no antes e depois de tudo. O pensamento Psicanalítico tem grande utilidade, pois quebra o nosso narcisismo do Pensar, e isso nos auxilia no “Connhece-te a ti Mesmo"  



O Sintoma em Psicanálise

A ortodoxia serve para aprendermos a teoria e a leitura psicanalítica para novos pensares e “pesares”.
Mas na prática a ortodoxia pode ser meio esterilizante para uma psicanálise pós moderna*, hoje precisamos mais de acolhimento a ética do desejo que de diagnóstico. 
A leitura e estudos dos ensinamentos de Freud que fez Lacan foram "essa liberdade de tratar um autor até recriá-lo diante da possibilidade de novos pensares e pesares".
·         Meus comentários *
·         Comentário do autor: (Nasio)  aborda neste (livro)  os grande s temas lacanianos.

Para Lacan os verdadeiros pilares da teoria psicanalítica de Jacque s Lacan:
"O inconsciente é estruturado como u ma linguagem"
  • “O inconsciente do sujeito analisável revela quem ele é para o Outro e não para Si”
Nesse livro enigmáticos em sua formulação axiomática, tais princípios fornecem a Nasio o ponto de partida par a o esclarecimento da tríade sintoma, ­saber­, gozo, básica na teoria lacaniana.
Sempre interligando a trama teórica pelo fio fecundo da experiência clínica.
Nasio consegue reproduzir neste livro o mesmo estilo que consagrou seu Lições sobre os 7 conceitos cruciais
Que é para nós (Psicanalistas) é um sintoma?
O sintoma é, propriamente falando, um evento na análise, uma das imagens através das quais a experiência se apresenta.
Nem todas as experiências analíticas são sintomas, mas todo sintoma que se manifesta no correr da análise constitui uma experiência analítica.
A experiência é um fenômeno pontual, um momento singularmente privilegiado que marca e baliza o percurso de uma análise.

A experiência é uma série de momentos esperados pelo psicanalista, momentos fugazes e, além disso, ideais, tão ideais quanto os pontos na geometria. No entanto, a experiência não é somente um ponto geométrico abstrato
A face empírica, eu diria até sensível, uma face perceptível pelos sentidos, que se apresenta como o instante em que o paciente diz e não sabe o que diz.
É o momento do balbucio, ali onde o paciente gagueja, o instante em que ele hesita e sua fala se subtrai.

Dizem que os psicanalistas interessam­ se pela linguagem, e eles são erroneamente assemelhados aos lingüistas.
Erroneamente, porque os psicanalistas não são lingüistas.

Os psicanalistas certamente se interessam pela linguagem (inconsciente), mas se interessam unicamente no limite em  que a linguagem tropeça.

Ficamos atentos aos momentos em que a linguagem se equivoca e a fala derrapa.
Exemplos (paciente relata seu sono ao analista):

Tomemos um sonho, por exemplo: atribuímos mais importância à maneira como o sonho é contado do que ao sonho em si; e não apenas à maneira como é contado, mas, principalmente, ao ponto exato do relato em que o paciente duvida e diz: "Não sei... não me lembro mais... talvez... provavelmente..."* (Mecanismo de censura onírica uma espécie de defesa do real) inadmissível.

É a esse ponto que chamamos experiência, a face perceptível da experiência: um balbucio, uma dúvida, uma palavra que nos escapa. (Lapsos de memória, Chiste, Atos falhos e esquecimentos (Freud).

A teoria analítica postula, efetivamente, que, no momento em que o paciente é ultrapassado por seu dito, surge o gozo*.

Por quê? Que é o gozo? Deixemos momentaneamente de lado essa pergunta, para voltar a ela quando abordarmos o segundo princípio, sobre a inexistência da relação sexual.
Vamos trabalhar, por enquanto, o conceito de sintoma, e enveredemos pelo caminho do primeiro princípio, que, como veremos, afirma que o inconsciente é um saber estruturado como uma linguagem. O inconsciente.

Formulemos novamente a pergunta:
Que é um sintoma?

Sabemos, comumente, que o sintoma é um distúrbio que causa sofrimento e remete a um estado doentio do qual constitui a expressão.

Mas, em psicanálise, o sintoma nos surge de maneira diferente de um distúrbio que causa sofrimento: ele é, acima de tudo, um mal­ estar que se impõe a nós, além de nós, e nos interpela.

 Um mal­ estar que descrevemos com palavras singulares e metáforas inesperadas.
Mas, quer seja um sofrimento quer uma palavra singular para dizer o sofrimento, o sintoma é  antes de tudo, um ato involuntário, produzido além de qualquer intencionalidade e de qualquer saber consciente. É um ato que menos remete a um estado doentio do que a um processo chamado inconsciente. O sintoma é, para nós, uma manifestação do inconsciente

Sintoma reveste­ se de três características
1). A primeira é a maneira como o paciente enuncia seu do sintoma sofrimento, os detalhes inesperados de seu relato e, em particular, suas palavras ditas de improviso.
Penso, por exemplo, numa analisada que me comunicou sua angústia ao atravessar pontes e disse: "É muito difícil eu ir, não consigo, a menos que esteja acompanhada...
As vezes, consigo atravessar sozinha, quando vejo do outro lado da ponte a silhueta de um policial ou de um guarda uniformizado..."
Pois bem, nesse caso, é o detalhe do homem uniformizado que me interessa, mais do que a angústia fóbica em si.

2º A segunda característica do sintoma é a teoria formulada pelo analisando para compreender seu mal­ estar, pois não há sofrimento na análise sem que a pessoa se pergunte por que está sofrendo.
Assim como Freud destacava a presença, nas crianças, de uma teoria sexual infantil, constatamos que o paciente também constrói sua teoria inteiramente pessoal, sua teoria de bolso, para tentar explicar seu sofrimento.
O sintoma é um acontecimento doloroso, sempre acompanhado da interpretação, pelo paciente, das causas de seu mal­ estar.
Ora, isto é fundamental.

 Tão fundamental que quando, numa análise, nas entrevistas preliminares, por exemplo, o sujeito não é espicaçado por seus próprios questionamentos, quando não tem idéia da razão de seu sofrimento, cabe
Teoria de Jacques Lacan Signo Significante (Si) ­«*­ SINTOMA Saber inconsciente (S2) • A maneira de exprimir meu sofrimento • A teoria sobre a causa de meu sofrimento • O analista faz parte de meu sintoma Gozo.

 O inconsciente é estruturado como uma linguagem Não existe relação sexual então ao psicanalista favorecer o surgimento de uma "teoria", levando o paciente a se interrogar sobre si mesmo.

Mas, à medida que, na análise, o paciente interpreta e diz a si mesmo o porquê de seu sofrimento, instala ­se um fenômeno essencial: o analista se transforma, progressiva e imperceptivelmente, no destinatário do sintoma.
Quanto mais explico a causa de meu sofrimento, mais aquele que me escuta torna ­se o Outro de meu sintoma.

3º Vocês têm aí a terceira característica do sintoma: o sintoma conclama e inclui a presença do psicanalista.

Modifiquemos os termos e formulemos isso de outra maneira: a característica principal do sintoma, na análise, é que o psicanalista faz parte dele.

Numa análise já bem encaminhada, o sintoma fica tão ligado à presença do clínico que um faz lembrar o outro: quando sofro, lembro ­me de meu analista; e, quando penso nele, o que me volta é a lembrança de meu sofrimento.

O psicanalista, portanto, faz parte do sintoma. É esse terceiro traço do sintoma que abre as portas para o que chamamos transferência analítica e distingue a psicanálise de qualquer psicoterapia.

Justamente, se vocês me perguntassem o que é a transferência em psicanálise, uma das respostas possíveis consistiria em defini-­la como o momento particular da relação analítica em que o analista participa do sintoma do paciente. 
(Na participação do sintoma haverá as transferências que podem ser (positiva, negativas e eróticas).

* Deixando esclarecido ao leitor e público em geral que tratar de “erotismo ou sexualidade na “Psicanálise” não significa necessariamente o tratar de envolvimento ou relação sexual objetal. (ou orgasmo).

Todo “objeto” em sessões de “Psicanálise” são “imaginários e pertencem a neurose da linguagem inconsciente de cada sujeito em sua análise*.

O Terapeuta/Psicanalista gradativamente nas sessões vai ocupar o lugar do (sujeito do suposto saber).
E isso que Lacan denomina de sujeito­ suposto ­saber. A expressão sujeito­ suposto­ saber não significa, unicamente, que o analisando suponha que seu analista seja detentor de um saber a respeito dele.

Para o paciente (analisado), não se trata tanto de supor que o analista sabe, mas de supor, principalmente, que ele está na origem de seu sofrimento, ou de qualquer acontecimento inesperado.

Quando sofro, ou então, diante de um acontecimento que me surpreende, lembro ­me a tal ponto de (conversa e escuta do meu analista), que não posso evitar perguntar a mim mesmo se ele não é uma das causas disso.  

Numa análise em curso, por exemplo, determinado paciente declara: "Desde que comecei a vir aqui, tenho a impressão de que tudo o que acontece comigo está relacionado com o trabalho que estou fazendo com você."

Uma mulher grávida nos diz: "Eu engravidei, mas tenho certeza de que minha gravidez está diretamente ligada à minha análise."

Mas, que significado a Teoria de Jacques Lacan.
O psicanalista é o “Outro”  do sintoma fica "diretamente ligada a minha análise"?

Significa que, de um certo ponto de vista, o analista seria o pai espiritual da criança, a causa do acontecimento. O fato de o analista fazer parte do sintoma significa, pois, que ele está no lugar da causa do sintoma.

Por isso, a expressão lacaniana sujeito ­suposto­ saber significa que o analista assume, inicialmente, o lugar de destinatário do sintoma * (passa em alguns casos a ser inclusive culpado), e depois, mais adiante, o de causa dele.

DR. LUIZ MARIANO

Fonte de Consulta Referências:
Cinco  Lições Sobre a Teoria de Jacques Lacan (J.D.Nasio) ZAHAR

Psicanálise a Clínica do Real (Jorge Forbes) MANOLE

quinta-feira, 9 de abril de 2015

Nunca perca a Esperança !



"A certeza é nunca e não perder a "esperança". Pois o contrário é o adoecimento da palavra não dita no corpo e é incerto se teremos salvação na psicose"  



sexta-feira, 3 de abril de 2015

Forclusão e Psicose

O que é forclusão ou foraclusão
* Psicose*
 Conceito comumente descrito pelo psicanalista francês Jacques Lacan para desig­nar um mecanismo específico da psicose.

A  forclusão é o mecanismo “psíquico” na qual se produz rejeição de um significante  (imagem acústica e simbólica)  que é fundamental (neurose) para fora do universo simbólico do sujeito (neurótico) e isso leva o sujeito direto a “Psicose”

Quando essa rejeição se produz, o signi­ficante é “foracluído” expulso.

Não é integrado no inconsci­ente, como no recalque (neurose)  e retorna sob forma alucinatória no real do sujeito. (Psicose).

No Brasil também se usam foraclusão, forclusão, repúdio,rejeição e pre­clusão visto que  o termo foraclusão foi introduzido por Jacques Lacan em 1956, na sessão de seu seminário dedi­cado às psicoses e à leitura do comentário de Sigmund Freud sobre a paranóia do jurista Daniel Paul Schreber.

Para compreender a gênese desse conceito, há que relaciona-Io com a utilização que Hip­polyte Bernheim fez, em 1895, da noção de alucinação negativa: esta designa a ausência de percepção de um objeto presente no campo do sujeito após a hipnose.

  
Freud retomou o termo, porém não mais o empregou a partir de 1917, na medida em que, em 1914, propôs uma nova classificação das neuroses, psicoses e per­versões no âmbito de sua teoria da castração.

Deu então o nome de Verneinung ao mecanismo verbal pelo qual o conteúdo recalcado (ics) é reconhecido de maneira negativa pelo sujeito, sem no entanto ser aceito:  "Não é meu pai." Em 1934, o termo foi traduzido em francês por négation  [nega­ção]. 

Na forclusão há (negação da inscrição do nome do pai (ics) que privilégio é outorga da fala da mãe)

Quanto à renegação (Verleugnung), Freud a caracterizava como a recusa, por parte do sujeito, a reconhecer a realidade de uma percepção negativa – por exemplo, a ausência de pênis na mulher.

Paralelamente, na França, Pichon intro­duzia o termo "escotomização", para designar o mecanismo de enceguecimento inconsciente pelo qual o sujeito faz desaparecerem de sua memória ou sua consciência fatos desagradá­veis. Em 1925, uma polêmica opôs Freud a René Laforgue a propósito dessa palavra. La­forgue propunha traduzir por escotomização tanto a renegação (Verleugnung) quanto um outro mecanismo, próprio da psicose e, em especial, da esquizofrenia. Freud recusou-se a aceitar  e distinguiu, de um lado, a Ver­leugnung, e de outro, a Verdrangung (recalque).

A situação descrita por Laforgue despertava a idéia de uma anulação da percepção, ao passo que a exposta por Freud mantinha a percepção, no contexto de uma negatividade: atualização de uma percepção que consiste numa rene­gação.Do ponto de vista clínico, a polêmica entre os dois homens revelou que faltava engendrar um termo específico para designar o mecanis­mo de rejeição próprio da psicose: essa palavra, com efeito, não figurava no vocabulário freu­diano, ainda que Freud procurasse elaborar seu conceito.
  
Embora houve um tempo polêmico e diversas discussões em torno do termo, as coisas estavam nesse pé quando Édouard Pichon publicou, em 1928, com seu tio Jacques Damourette, um artigo intitulado:
 "Sobre a sig­nificação psicológica da negação em francês".

A partir da língua, e não mais da clínica, ele tomou emprestado ao discurso jurídico o adje­tivo forclusif  [foraclusivo ou excludente (do uso de um direito não exercido no momento opor­tuno)] para expressar a idéia de que o segundo membro da negação em francês aplicava-se a fatos que o locutor já não encarava como fazen­do parte da realidade. Esses fatos eram como que foracluídos.

 O exemplo fornecido pelos dois autores não deixou de ter certo humor, tratando-se de dois membros da Action Fran­çaise. Com efeito, eles mencionaram a citação de um jornalista, extraída do Journal de 18 de agosto de 1923 a propósito da morte de Es­terhazy: "O caso Dreyfus, diz ele [Esterhazy], é doravante um livro fechado.

Deve ter-se ar­rependido de algum dia o ter aberto. Os autores sublinharam que o emprego do verbo arrepen­der-se implicava que um fato que realmente existira fora efetivamente excluído do passado.
  
E aproximaram a escotomização do foraclusi­vo: "A língua francesa, através do foraclusivo [forclusif], exprime esse desejo de escotomiza­ção, assim traduzindo o fenômeno normal do qual a escotomização, descrita na patologia mental pelo Sr. Laforgue e por um de nós [Pi­chon], constitui o exagero patológico." (psicanálise)

Em 3 de fevereiro de 1954, Lacan começou a atualizar a questão do foraclusivo e da esco­tomização, por ocasião de um debate com o filósofo hegeliano Jean Hyppolite (1907-1968), ele próprio confrontado com essa questão por intermédio da Verneinung,

a qual propunha tra­duzir por denegação, em vez de negação. La­can inspirou-se no trabalho de Maurice Mer­leau-Ponty (1908-1961) Phénoménologie de la perception, e, sobretudo nas páginas desse livro dedicadas à alucinação como "fenômeno de desintegração do real", componente da inten­cionalidade do sujeito.

Na análise do caso do “Homem dos Lobos” publicada em 1918, Freud explicou que a gê­nese do reconhecimento e do desconhecimento da castração em seu paciente passava por uma atitude de rejeição (ou, Verwerfung) que consis­tia em só ver a sexualidade pelo prisma de uma teoria infantil.

Para ilustrar sua colocação, ele evocou uma alucinação que seu paciente Serguei Cons­tantinovitch Pankejeff tivera na infância.
  
Este "vira" seu dedo mínimo cortado por seu cani­vete, apercebendo-se em seguida da inexis­tência do ferimento.

A propósito da "rejeição de uma realidade apresentada como inexistente", Freud sublinhou que isso não era um recalca­mento, porque um recalque é algo diferente de uma rejeição.

Comentando esse texto em seu diálogo de 1954 com Hyppolite, Lacan forneceu como correspondente francês de Verwerfung a palavra retranchement supressão, eliminação. Dois anos depois, retomou a distinção freudiana en­tre neurose e psicose, para lhe aplicar a termi­nologia segundo a qual, na psicose, a realidade nunca é realmente escotomizada.

Por fim, de­pois de comentar longamente a paranóia de Schreber e Lacan passou a usar o conceito de “Nome-do-­Pai” Lacan propôs traduzir Verwerfung por foraclusão.

Compreende-se com isso que o mecanismo (psíquico inorgânico) es­pecífico de estudo  de caso de  psicose (na psicanálise), aqui a ser definido é a partir da para­nóia (delirante), que consiste na rejeição primordial de um significante fundamental para fora do universo simbólico do sujeito. (Evitando assim a inscrição da instância da Neurose).

Lacan distinguia o  me­canismo do recalque, sublinhando que, no pri­meiro caso, o significante foracluído ou os si­gnificantes que o representam não pertencem ao inconsciente do sujeito, mas retornam (no real) por ocasião de uma alucinação ou um delírio (sem linguagem neurótica, culpa ou remorso) que invadem a fala ou a percepção do sujeito*. * (Psicose)

O conceito de foraclusão, (fora-clusão),  ora inserido nos estudos e em seminário de La­can e é um referencial para a investigação do inconsciente inominado do
(Psicótico) que ocupa um lugar não acessível pela via da “neurose” e isso é um desafio ao psicanalista ou aspirante de psicanálise que se deparar com o acolhimento para  casos de Psicose.  


Dr. Luiz Mariano


Fonte consultada /  referências Bibliográficas:
História de uma Neurose Infantil   “ Homem dos Lobos”  Sigmund Freud – Volume: 14  Ed. Editora: Imago Standart – Versão tradução Inglesa  

Dor, J. (1991) - O pai e sua função em Psicanálise.  Jorge Zahar Editor.
Lacan, J. (1985) - O Seminário. Livro 3.   Jorge Zahar Editor.
Rabinovitch, S. (2000). A Foraclusão – Presos do Lado de Fora.  Jorge Zahar Editor.

terça-feira, 17 de março de 2015

NENHUM DISCURSO POLÍTICO NOS SALVARÁ E NEM OS DISCURSOS DOS "OUTROS"

O Gozo do Outro é o impossível.

Infelizmente nenhum discurso político ou “outros” tantos nos salvará de nosso real, visto que vivemos tempos que e o lugar do “Pai” simbólico está desqualificado e desimpoderado analiticamente. 

O mundo que era vertical se tornou horizontal e a humanidade ta meio desbussolada. (Jorge Forbes)

 O *real não é o mundo. (*Real na clínica de Lacan)  

É o real do sujeito, Não há nenhuma esperança de alcançá-lo por meio da representação. 

O real não é o universal para todos os sujeitos, é singular em sua angustia, desejo e gozo.

O sintoma na psicanálise é a partir de algo do real que não cessa de se escrever em nossos pensamentos, emoções e sensações atemporais: a pré-maturação, o desamparo e a morte angustiam todo sujeito.

"A hipótese do inconsciente, sublinha Freud, só pode se manter na suposição do Nome do Pai. E talvez seja certo que supor o Nome do Pai é Deus.

Por isso a psicanálise, ao ser bem sucedido, prova que podemos prescindir e repensar o nosso nome do Nome do Pai de cada sujeito.

“Podemos, sobretudo prescindir com a condição de nos servirmos dele.”
Estudos sobre (LACAN, 1975/76-2011, p.133).

A psicanálise é uma ciência e o discurso analítico é uma práxis da palavra do inominado saber de si mesmo.

Ótima leitura e reflexões a todos.

Luiz Mariano

PSICOTERAPIAS BREVES - 2001

TRABALHO APRESENTADO EM 2001  PSICOTERAPIAS BREVES          Este trabalho terá   como objetivo mostrar a economia em se ter como práti...