quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

A CLÍNICA DO DESAMPARO..

 

“A Clínica do Desamparo”

Não é uma clínica física, mas um conceito psíquico, subjetivo e fundamental no percurso de psicanálise que explora o sentimento de desamparo humano, essencial para o desenvolvimento do sujeito e ligado a condições como o pânico e a depressão, solidão, falta de inteligência emocional, traumas infantis, sujeito com algum grau de psicose não diagnosticada ou tratada, isso tudo hoje já  estão sendo abordado em textos, teses e cursos de Psicologia, Psicoterapias e  Psicanálise e projetos de extensão, qualificação  que tratam do acolhimento, trauma e vulnerabilidade, especialmente de infância, adolescência, e adultos que nisso se incluam idosos, terceira idade.

O que é a Clínica do Desamparo?

  • Conceito Psicanalítico: O desamparo é visto como uma condição fundamental da vida, indicando nossa dependência de um “outro” para conforto e cuidado, sendo crucial para a formação, sanidade da subjetividade.
  •  
  • Relação com o Pânico: O transtorno de pânico é considerado uma manifestação paradigmática do desamparo na contemporaneidade, segundo vários autores e profissionais.
  •  
  • Desamparo Aprendido: Estudo em psicologia,  psicanálise que descrevam as dificuldade de aprendizagem após experiências traumáticas, incontroláveis, modelos repetidos por pais e tutores da nossa infância, tratável com Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), psicoterapias multidisciplinares, sessões de escuta psicanalítica e alguns casos medicalização por profissionais neurológia e psiquiatria  para promover aviar medicação clínica adequada.
  •  
  • Contexto Clínico: Em termos práticos, refere-se à abordagem terapêutica psicanalítica que acolhe e lida com o sofrimento, a angústia e a falta de suporte, sendo aplicado em projetos de extensão, qualificação para lidar com crianças e adolescentes em acolhimento. 

CLÍNICA DO DESAMPARO

 WINNICOTT COM LACAN

Juan Mitre


Há uma clínica subjetiva, psíquica do desamparo, ou melhor, uma clínica dos efeitos do desamparo.

Trata-se – para dizer de modo mais simples – da clínica daqueles sujeitos que não contaram com um “Outro” que trate, acolha, escute e “cuide” deles.

Sujeitos que se constituíram a partir de um “Outro” estilo  “malvado” favorito ou via síndrome de Estocolmo, (quer seja um Outro excessivo em sua presença ou em sua ausência).

Trata-se de crianças que foram abandonadas, que caíram da inscrição do seu Outro.

Crianças e adolescentes que “chegaram ao fim do caminho, ou os pais (ausentes) que não se inscreveram psiquicamente dentro do Édipo e vínculos parentais saudáveis nos anos iniciais da alfabetização ou linguagem.

Os efeitos deste “desamparo” (que é preciso situá-lo bem em cada caso, quer dizer, quais são os nomes do desamparo para cada um) é o que se diagnostica como transtorno anti-social, como patologia da conduta.

Se formos freudianos, podemos dizer que as marcas do desamparo põem em marcha, a repetição e que a repetição – também nestes casos, por que não?

é um modo de recordar, ainda que muitas vezes, um modo “selvagem” de recordar.

A estes “transtornos de conduta” convém lhes supor um texto, convém supor que nestas marcas (às vezes no real do corpo) há um texto a ser lido, um texto a produzir.

Mas também a chamada “conduta anti-social” (impulsões de todo tipo) é um modo de defesa diante da angústia.

É habitual que estas crianças e adolescentes se façam rechaçar, se apresentem “feios, sujos e maus” ou de alguma outra forma que seja “insuportável” para o Outro.

Mas, do que ali falam com seu comportamento e com seu corpo é do rechaço do Outro primordial, de algo que se inscreveu neles como rechaço.

O problemático – e lamentável – é que as instituições assistenciais tendem a repetir este rechaço, a “re-inscrever” este rechaço, ratificando-o e, inclusive, reforçando-o.

“Não suportam” estas crianças e as expulsam (às vezes as expulsões são chamadas de derivação ou traslado).

A posição de Winnicott

Parece que os valiosos desenvolvimentos de Donald Winnicott a esse respeito foram esquecidos.

Seu livro Privação e Delinquência é fundamental para nos orientar nesta clínica.

O criativo psicanalista inglês foi psiquiatra consultor no plano oficial de evacuação de pessoas da Segunda Guerra Mundial.

O que o levou a trabalhar em albergues destinados a crianças que não podiam viver em lares comuns.

Essa experiência o leva a teorizar sobre as crianças que sofrem uma privação em sua infância e sobre as manifestações clínicas que isto tem.

E também – o que nos interessa, sobretudo – a pensar sobre o tipo de tratamento possível.

Os desenvolvimentos de Winnicott implicam

 – ao meu ver

– também uma política diante da alteridade, o que é toda uma posição.

Ao desamparo, Winnicott chama de “privação”.

Os transtornos de conduta são as manifestações clínicas do transtorno anti-social e a tendência anti-social surge de uma privação sofrida na infância.

Explica que na base da tendência anti-social há uma “boa experiência precoce” que se perdeu e que a criança teve a capacidade de perceber que a causa do “desastre” (determinado caos) está baseada em uma falha ambiental.

É uma indicação interessante para pensar a questão do diagnóstico nestes casos: diz que o grau de maturidade do eu que esse tipo de percepção possibilita (que houve uma falha ambiental) faz com que desenvolva uma tendência anti-social ao invés de uma psicose.

E, portanto, como essa criança teve esta percepção da falha ambiental, é o ambiente que deve proporcionar uma nova oportunidade.

Ou seja, que a criança tem o registro de que perdeu algo que vinha funcionando, perdeu algo que para ele era bom.

Entre os sintomas anti-sociais típicos, Winnicott situa a voracidade, o roubo e o causar aborrecimento.

Quem quer que tenha trabalhado com crianças e adolescentes internos ou tenha tido acesso a essa clínica, não terá dúvidas a respeito.

Poderíamos agregar a esses sintomas típicos, o consumo de substâncias, mas, muitas vezes também, o consumo é um modo de causar aborrecimento.

Winnicott sustenta que o tratamento indicado para a tendência anti-social não é a psicanálise.

Esta é uma perspectiva que, certamente, é preciso considerar, ou melhor, tratar de entender o que ele está dizendo com isto.

Considerava que o método terapêutico adequado consiste em prover a criança de um cuidado que ela possa redescobrir e por à prova, ajudá-la a que volte a ter “confiança” no ambiente.

Trata-se de que o ambiente agora “sobreviva” ao embate antissocial e onde o sujeito põe à prova os andaimes, a estrutura, a instituição; põe à prova o Outro.

Que o Outro – desta vez – sobreviva.

Por isso diz que a palavra-chave não é “tratamento” ou “cura”, mas “sobrevivência. Inclusive, Winnicott diz que quando o sujeito começa a ter confiança novamente (o que é uma conquista,) despedaça as coisas para estar seguro de que o andaime aguenta.

Essa é a dimensão do tratamento (talvez a mais importante) que Winnicott quer acentuar, ao referir-se que a psicanálise não é o tratamento adequado para a tendência anti-social.

Sustenta que são fundamentais intervenções no ambiente. Intervindo sobre o ambiente, pode-se intervir também – se esta intervenção for bem orientada – sobre a realidade psíquica ou o fantasma.

Aqui é importante pensar que tipo de dispositivos se utiliza para tratar determinadas problemáticas.

Se são dispositivos criados em função da problemática em questão ou se pretende, ao contrário, adaptar o caso a dispositivos que não estão preparados.

Neste sentido, é crucial o funcionamento das instituições que alojam estes sujeitos; sejam lares, hospitais, casas de meio caminho, inclusive famílias substitutas ou que adotam.

Cabe perguntar-se a esse respeito, se realmente tal ou qual instituição se mostra confiável, se é capaz de alojar o bom e o mau do sujeito, se suporta que a aborreçam, se pode perdurar para esse sujeito no tempo e não ratificar a ideia de “destino de exclusão” que, em geral, se armou.

Se realmente está preparada para suportar que seja posta à prova com atos de todo tipo.

Trata-se – resumindo – de que a instituição possa suportar, ao mesmo tempo, que não seja derrubada; porque isso implica para o sujeito, uma nova queda do Outro.

Cabe aqui acrescentar a concepção de trauma para Winnicott.

Em termos tão simples quanto precisos, ele diz: “O trauma significa uma ruptura na continuidade da existência do indivíduo”.

 Algumas indicações clínicas

Agora, tentando articular a perspectiva de Winnicott com a posição clínica da psicanálise lacaniana, algumas indicações:

  • Não deixar-se oprimir pela dureza de uma história; é preciso sustentar o acolhimento da escuta mais além da pregnância imaginária do terrível.
  •  
  • Localizar a responsabilidade do sujeito. Não se pode esquecer que responsabilizar restitui a condição de sujeito, o tira do lugar de vítima, de um lugar de objeto.
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  • Assinalar ao sujeito do que não é responsável.
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  • Às vezes, é necessário assinalar primeiro esta dimensão para que em um segundo momento apareça a responsabilidade subjetiva.
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  • Temos o trauma, o abandono, o encontro com o real, a falha ambiental, como se queira chamar.
  • De tudo isso, o sujeito não é responsável.
  •  
  • Depois temos sua resposta diante disto. a responsabilidade implica um modo de resposta.
  • É impossível não responder; portanto, pela resposta, sempre se é responsável.
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  • Apostar na emergência do inconsciente como em qualquer neurótico.
  •  
  • Reconhecer o desejo em jogo, quer dizer, não abandonar a posição analítica.
  •  
  • Ao mesmo tempo (porque não é ou uma coisa ou outra), certo nível de holding – de apoio, de estar, de por o corpo – é necessário.
  •  
  • Suportar ou sobreviver ao embate da pulsão (é mais que manobrar com a “famosa” transferência negativa).
  • Situar com precisão o momento do desamparo para esse sujeito (o que muitas vezes é diferente das ideias que outros têm acerca do que tem sido catastrófico para ele).
  •  
  • Situar também com precisão o momento prévio à queda, onde algo bom havia, onde algo funcionava.
  • É preciso saber o que se perdeu.
  •  
  • Apostar na emergência de novas significações, assim como também é necessário “des-totalizar” outras.
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  • É preciso ajudar o sujeito a historicizar, mas levando em conta que é preciso produzir equívoco, produzir uma nova versão que situe o real e o separe do fantasma.
  • Pedir sonhos.
  • Quer dizer, apostar no inconsciente como defesa diante do real.
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  • Ser confiável.
  • É fundamental e leva tempo comprová-lo. Em geral, partem da desconfiança; não se pode esquecer que o
  •  
  • Outro os defraudou e isso sempre aparece na transferência. Winnicott dizia que a confiabilidade humana pode por fim a um grave sentimento de imprevisibilidade que persegue nestes casos, o tempo todo.
  •  

Para finalizar, algo que dizia Winnicott:

“Em minha experiência, há momentos em que um paciente necessita que lhe digam que o desmoronamento, cujo temor destrói sua vida, já aconteceu”.

Em resumo, “a clínica do desamparo” é um campo de estudo e prática clínica focado em como lidar com a vulnerabilidade humana, muitas vezes explorado através da psicanálise e de intervenções que visam restaurar a capacidade do sujeito de se relacionar e se sentir amparado. 

FONTE:

Tradução: Mª Cristina Maia Fernandes – AMP/EBP / REVISÃO DE PUBLIC. I.A.

Revisado: Prof. Luiz MD.- ABMPDF

NOTAS

  1. Publicado em La adolescencia: esa edad decisiva. Una perspectiva clínica desde el psicoanálisis lacaniano, Grama, 2014.
  2. Expressão de Clarice Winnicott na apresentação de “Privação e delinquência”.
  3. Winnicott, D. W., Deprivación y delincuencia, Paidós, Bs. As., 1990.
  4. Ibíd., p. 154.
  5. Ibíd., p. 154.
  6. Ibíd., p. 155.
  7. Ibíd., p. 263.
  8. Winnicott, D. W., “El concepto de individuo sano”, en Winnicott Insólito, Boushira, J. y Durieux, M-C. (Comp.), Nueva Visión, Bs. As., 2005
  9. Como disseram muito bem Elena Nicoletti e Fabiana Rousseaux no artigo “Psicoanalista en la trinchera donde se enfrenta el horror”, publicado no diario Página 12, Buenos Aires, 10-6-2003.
  10. Winnicott, D. W., La crainte de l´ effondrement et autres situations cliniques, París, Gallimard, 2000. Citado por Denys Ribas en “El uso de la escisión en Winnicott”, p. 170 en Winnicott Insólito, Boushira, J. y Durieux, M-C. (Comp.), Nueva Visión, Bs. As., 2005.

quinta-feira, 10 de julho de 2025

Raiva e grande irritação podem provocar doenças, especialmente no coração

 

Raiva e grande irritação podem provocar doenças, especialmente no coração

 

Alguns estudos estimam que pessoas raivosas tem quatro a cinco vezes mais chances de desenvolver doenças do coração que pessoas menos iradas. Segundo o médico psiquiatra Cyro Masci, na década de 1950, médicos e advogados americanos foram analisados através de questionários específicos para raiva. Entre os que tinham pontuação baixa para agressividade, 2% dos médicos e 4% dos advogados haviam falecido antes dos 50 anos de idade. Já entre os de pontuação elevada, 14% dos médicos e 20% dos advogados estavam mortos antes de completar 50 anos.

“Outros estudos relacionaram maior mortalidade entre indivíduos que desconfiavam das pessoas em geral ou que sentiam e expressavam raiva de maneira frequente”, explica o médico, ao acrescentar que determinadas características de personalidade, como tendência a evitar pessoas ou preocupação ansiosa, não ficaram relacionadas com morte precoce.

“No meio científico, portanto, é bastante aceito o princípio de que raiva mata, de que a agressividade não é o único fator emocional que leva a doenças, mas com certeza ocupa lugar de destaque”, afirma Cyro Masci.

Contra o senso comum

Isso contraria, segundo o psiquiatra, o senso comum de que “guardar” a raiva, deixar de colocá-la para fora, é o que faz mal à saúde. “Durante episódios de manifestação de agressividade explícita, a pressão arterial sobe, o pulso aumenta, o cortisol chega a ser secretado até 20 vezes mais que o normal e parece haver um aumento considerável na produção de radicais livres”, relata.

De acordo com Cyro Masci, pessoas que controlam a raiva podem sentir maior desconforto subjetivo do que os que a expressam, mas não têm tantas mudanças objetivas no organismo. Durante muito tempo, discutiu-se nos meios médicos se o melhor seria expressar a raiva e sentir alívio ou arrumar um jeito de dar fim à ira, sem expressá-la.

Essa última alternativa tem se mostrado francamente superior. Em poucas palavras, se a pessoa deseja viver mais e melhor, convém aprender a modular a agressividade, a aprimorar a tolerância, a controlar o “pavio curto”, aconselha o psiquiatra. Segundo Cyro Masci, “existem formas de tratamentos médicos integrativos que facilitam o controle dos impulsos emocionais, como fitoterápicos, homeopáticos ou nutracêuticos”. Tais procedimentos “podem auxiliar a modular as áreas cerebrais que controlam as reações emocionais de irritação e raiva, ajudando a diminuir a agressividade desproporcional, e desse modo ajudar a prevenir as doenças relacionadas à hostilidade”, finaliza.

Alguns estudos estimam que pessoas raivosas tem quatro a cinco vezes mais chances de desenvolver doenças do coração que pessoas menos iradas. Segundo o médico psiquiatra Cyro Masci, na década de 1950, médicos e advogados americanos foram analisados através de questionários específicos para raiva. Entre os que tinham pontuação baixa para agressividade, 2% dos médicos e 4% dos advogados haviam falecido antes dos 50 anos de idade. Já entre os de pontuação elevada, 14% dos médicos e 20% dos advogados estavam mortos antes de completar 50 anos.

“Outros estudos relacionaram maior mortalidade entre indivíduos que desconfiavam das pessoas em geral ou que sentiam e expressavam raiva de maneira frequente”, explica o médico, ao acrescentar que determinadas características de personalidade, como tendência a evitar pessoas ou preocupação ansiosa, não ficaram relacionadas com morte precoce.

“No meio científico, portanto, é bastante aceito o princípio de que raiva mata, de que a agressividade não é o único fator emocional que leva a doenças, mas com certeza ocupa lugar de destaque”, afirma Cyro Masci.

Contra o senso comum

Isso contraria, segundo o psiquiatra, o senso comum de que “guardar” a raiva, deixar de colocá-la para fora, é o que faz mal à saúde. “Durante episódios de manifestação de agressividade explícita, a pressão arterial sobe, o pulso aumenta, o cortisol chega a ser secretado até 20 vezes mais que o normal e parece haver um aumento considerável na produção de radicais livres”, relata.

De acordo com Cyro Masci, pessoas que controlam a raiva podem sentir maior desconforto subjetivo do que os que a expressam, mas não têm tantas mudanças objetivas no organismo. Durante muito tempo, discutiu-se nos meios médicos se o melhor seria expressar a raiva e sentir alívio ou arrumar um jeito de dar fim à ira, sem expressá-la.

Essa última alternativa tem se mostrado francamente superior. Em poucas palavras, se a pessoa deseja viver mais e melhor, convém aprender a modular a agressividade, a aprimorar a tolerância, a controlar o “pavio curto”, aconselha o psiquiatra. Segundo Cyro Masci, “existem formas de tratamentos médicos integrativos que facilitam o controle dos impulsos emocionais, como fitoterápicos, homeopáticos ou nutracêuticos”. Tais procedimentos “podem auxiliar a modular as áreas cerebrais que controlam as reações emocionais de irritação e raiva, ajudando a diminuir a agressividade desproporcional, e desse modo ajudar a prevenir as doenças relacionadas à hostilidade”, finaliza.

 

Fonte consultada: https://masci.com.br/raiva-e-grande-irritacao-podem-provocar-doencas-especialmente-no-coracao/

 

quinta-feira, 30 de janeiro de 2025

O LEGADO DE FREUD

 O LEGADO DE FREUD

 

O psicanalista Sigmund Schlomo Freud nasceu no dia 06 de maio de 1856, em um vilarejo, de nome Freiberg, situado na Morávia, cujo território pertencia a Alemanha.

 O mesmo se formou em medicina, se especializando em neurologia, em Viena, na Áustria.

 O professor Freud, como denominavam seus seguidores e discípulos, depois de muitas experiências em busca da cura das doenças neurológicas e psiquiátricas, o mesmo observou que seus doentes não sofriam apenas de sintomas fisiológicos, mas que também padeciam do sintoma da alma.

 É o que conhecemos hoje como sintomas psicossomáticos, a exemplo das ansiedades, pânicos, fobias e diversas queixas neuróticas que perturbam a alma e adoece o corpo, podendo manifestar estresse, depressão ou até mesmo o suicídio.

 Durante todas suas experiências, passagem por diversos métodos psicoterápicos, como o uso de hipnose, Sigmund Freud resolveu priorizar pela investigação do inconsciente e tornar seu principal objeto de estudo, onde fez desse caminho, diversos experimentos clínicos com seus próprios analisantes.

 Chegando à conclusão que a neurose seria um grande obstáculo e sofrimento das pessoas para encontrar respostas das dores que, muitas vezes, não eram dores físicas, mas sim, dores provenientes da sua própria alma.

 Depois dessas conclusões psicanalíticas, Freud começou a perceber que à repressão, os padrões originalmente de famílias autoritárias da sua época poderiam influenciar logo cedo no comportamento da criança e mais tarde viriam desencadear perturbações psíquicas de natureza inconsciente.

 A partir dessas investigações profundamente detalhadas acerca do inconsciente, Sigmund Freud, abandona a medicina, a hipnose e cria a Psicanálise, passando atender clientes que sofriam exclusivamente da subjetividade, do que estaria reprimido, recalcado no inconsciente, ou seja, o que os faziam sofrer da alma e não melhorava com os remédios psiquiátricos.

 Esses pacientes eram convidados ao seu consultório para falar das suas angústias, os sentimentos e experiências.  

*Conrado Matos é Psicanalista, Poeta, Escritor e Professor.

Fonte de Consulta e publicação:

Tribuna da Bahia, Salvador

15/05/2023 06:55
626 dias, 1 hora e 36 minutos


quinta-feira, 19 de dezembro de 2024

ENTÃO É NATAL....

 

Então é Natal...

 

Segundo Carl Jung o Natal carrega arquétipos de renovação, união e esperança, mas para quem vive traumas nessa época, há um conflito entre essas expectativas culturais e experiências pessoais dolorosas, como perdas ou solidão.


Jung veria isso como uma ativação de complexos emocionais e uma oportunidade para o autoconhecimento, incentivando o trabalho com sonhos e símbolos associados à data para integrar emoções reprimidas.


Além disso, ele exploraria como a sombra – partes rejeitadas da psique – pode ser projetada nessa época, intensificando o sofrimento, mas também oferecendo um caminho para a cura e a transformação através da individuação.

 

 

quinta-feira, 13 de junho de 2024

Individuação e Separação

 

Individuação X separação

 

Estudos das relações de objeto da primeira infância contribuíram para a compreensão do desenvolvimento da personalidade.

 Descreveram o processo de separação- individuação que resulta no sentido subjetivo de separação do indivíduo e o meio que o cerca.

 Processo que vai dos três ao quatro meses até 36 meses.

 Renê Spitz estabelece seu conceito de "organizador".

 Para ele, o primeiro organizador é a resposta de sorriso (seis meses), em que o bebê reage em resposta a uma face humana. Primeiro objeto não eu para o bebê.

 O segundo é a resposta ao estranho (sete meses).

 Fica apreensiva com uma pessoa estranha entrando em seu ambiente, sinalizando vínculo com alguém específico (mãe ou cuidador).

 O terceiro é o desenvolvimento do "não" que já sinaliza a presença de um ser separado, mostrando um centro de desejos separados da mãe.

 Penso poder incluir como reações correlatas as seguintes:

 

1-   tapinhas da criança.

2- não querer dividir seu lanche ou emprestar seu brinquedo 

3- em algum momento cuspir a comida.

 Bowby, um autor psicanalista, com sua teoria do apego ajuda a compreender essas relações.

 Ele considera que a resposta dos pais no sentido de estarem atentos, disponíveis, sensíveis às necessidades da criança e que a conforte amorosamente em situações de medo quando  ela busca proteção, sem limitar sua autonomia, seria fundamental   no desenvolvimento da sua personalidade.

 Pais, como uma base segura, permite que o indivíduo torne-se mais confiante e resistente às situações adversas. Um fator de resiliência, que facilitaria a adaptação do indivíduo às situações difíceis na vida adulta.

 No entanto, pais frequentemente indisponíveis ou que não reconhecem as necessidades da criança, estabelecem o que Bowby chamou de APEGO INSEGURO ANSIOSO RESISTENTE que torna a criança excessivamente ansiosa em relação às separações e em sua exploração do mundo.

 Outra possibilidade de apego inseguro é o tipo ANSIOSO-EVITATIVO, que tende a se estabelecer quando a criança não recebe conforto ao buscar ajuda e segurança, mas atitudes de rechaço e rejeição, levando-a a buscar viver  sentindo que não precisa de ninguém.

 Nesses casos, quando a criança e seus cuidadores falham a estabelecer o chamado apego seguro, o indivíduo estaria mais sujeito às sensações de descontrole e imprevisibilidade que, na vigência de um evento traumático, levariam ao aumento do risco de psicopatologia, ou seja, menor resiliência.

 Educar é bem mais difícil do que domesticar.

Há de se compreender a dificuldade de muitos pais, principalmente mães, de lidar com as atitudes consideradas "agressivas" da criança, e oferecer a ela aquilo que não teve, sensibilidade às necessidades das crianças.

 Muitos pais comentam no agora: esse meu filho parece que não tem vontade própria, é muito inseguro.

 Poderia ser diferente?

 

Dr. José Carlos M. M. Carvalho

Psicanalista / ABMPDF

quarta-feira, 1 de maio de 2024

A Força mais Destruidora não é o Ódio ...

 

“A Força mais Destruidora não é o Ódio."

 

 A força mais destruidora de uma relação a (dois) ou entre família não é o ódio porque o ódio é um mal fácil de identificar e tratar.

 Agora o tal “mascarado” amor é tão perigoso e pior que o ódio, desde tempos das cavernas ou de Adão e Eva mata-se em nome do amor.

 No cristianismo Jesus foi traído pelo seu apóstolo mais amoroso e amado.

 Na política somos amados e traídos no pós- eleições, os candidatos eleitos quase nada fazem por quem precisa, ou cumprem o que prometeram e somos jogados ao anonimato e silêncio por alguns anos.   

 Mahatma Gandhi foi assassinado por um seguidor que o amava e a história da civilização tem inúmeros exemplos de amores declarados, mas que matam, destroem seu objeto amado.

 Mata-se o "ser" (amado) ou que era declarado amado, seja na relação hétero ou outros gêneros do sexo politizado e segregado.

 Mata-se nas guerras religiosas em nome do amor a um determinado Deus ou a mando moral de um líder político ou espiritual, mata-se de sede, fome, flagelo e por ambição.

 Mata-se em guerras entre famílias em nome do o amor, já houve muitas guerras religiosas em nome do Amor entre reinados e tribos primevas da história da civilização e alguma tribos.

 O amor gera um desejo primitivo de autodestruição do “objeto” amado quando ele deixa de corresponder ao narcisismo, e  gozo edípico sexual inominado por isso ele (a) (objeto).

 Isso desperta ou ativa (pulsão de morte) que declara que o (objeto) foi ou está faltoso daí deve ser destruído, para poder-se justificar a “inscrição” de um “outro” ou novo objeto de manipulação. 

 Por isso muitos amores por aí são em sua maioria uma espécie de relação amorosa com o "carrasco na carceragem da sua solitária"

 Em sua maioria são relações tóxicas de muitas “transferências”  psicopatia, psicoses e obsessões “mascaradas” que se apresentam em nome de amor.”

 Como fica frágil e exposta qualquer pessoa que se “acha” amada ou que encontrou o “amor de sua vida” num estranho príncipe ou qualquer desocupado malandro que vai lhe salvar de que?

 A psicanálise é uma oportunidade de repensar às promessas, ilusões, fantasias, Édipo, ter tempo para de se descobrir a si e o outro (a)!

Será que esse o pretenso  amor vai ti salvar de alguma coisa que você não sabe dizer?

 Alguns “Amores e paixões” só vão lhe expor a beira do abismo parental, miséria, fome, desamparo ou na conjugal idade do conviver será um viver arriscadamente em risco de feminicídio.

 

Prof. Luiz MD

 

sexta-feira, 29 de março de 2024

UMA REFLEXÃO SOBRE A SABEDORIA

 

 

Sabedoria

Muitas vezes, no intuito de ensinar, alguns instrutores vendem ensinamentos de outros - sejam esses ensinamentos adquiridos através de livros, palestras, cursos etc.- como se fossem seus.

 Ou seja, reproduzem a experiência alheia, comportando-se como o autêntico experimentador.

 Abriu mão da própria experiência, apropriou-se de um conhecimento de segunda mão e passa a ensiná-lo. Nesse plágio, os ensinamentos passam de mente em mente, como se viessem do último instrutor.

 Isso não passa de viagens imaginárias.

 Só uma mente inocente e silenciosa é capaz de absorver e expressar o inimaginável.

 Como estudantes e inquiridores de nós mesmos, precisamos estar cônscios dessas manobras mentais na busca da auto-afirmação e da segurança psicológica. Pois, essas coisas impedem a reta percepção e o correto pensar." — Krishnamurti

 "Podeis, pois, sem hesitação, lançar fora todos os livros sagrados, para começardes de novo, porque eles, com seus intérpretes, seus instrutores e gurus, não vos trouxeram nenhum esclarecimento.

 Sua autoridade, sua disciplina compulsória, suas sanções, são absolutamente sem valor."

 O Novo Ente Humano - ICK 

 "Conhecer a si mesmo é sabedoria.

 

 Podeis ignorar todos os livros do mundo (e espero que sim), podeis ignorar as mais modernas teorias, mas isso não é ignorância. Não nos conhecermos profundamente, fundamentalmente, é ignorância; e não podeis conhecer-vos se não sois capazes de olhar-vos, de vos verdes exatamente como sois, sem nenhuma deformação, sem nenhum desejo de mudar nada.

 

Então, o que vedes se transforma, porque a distância entre o observador e a coisa observada desapareceu e, por conseguinte, não há conflito." - Krishnamurti 

 

- Onde está a bem-aventurança - Ed. ICK

Pergunta: Que é sabedoria? É diferente do saber?

 

 - Que é saber? Por certo, o saber é o princípio acumulador que existe em todos nós, e que é a memória. (…) Saber é um processo de verbalização; e tudo aquilo que foi acumulado, e que é experiência, memória, ou saber, nunca trará verdade.(1)

 

(…) A experiência, pois, é um processo de reação da mente condicionada; e onde há o saber ou o acúmulo de experiências, lembranças, palavras, símbolos, imagens, não pode haver compreensão. Só pode surgir a compreensão quando estamos livres do saber.(2) 

 

Assim, pois, a compreensão não é o resultado de acumulação, e sabedoria não é saber.

 

A sabedoria é independente do saber. (…) A sabedoria tem existência momento a momento, ao passo que o saber nunca pode livrar-se do passado, do tempo.

 

A sabedoria é livre do tempo, (…). O homem que sabe pode não ser sábio, porque o seu próprio conhecimento nega a sabedoria.(3)

 

A memória é experiência acumulada e o que está acumulado é o que se sabe, e o que se sabe é sempre coisa passada.

 

Com essa carga de lembrança é possível descobrir-se (…)

 

o Atemporal? Não é necessário estarmos libertos do passado para que possamos conhecer o Imensurável? (…)

 

A sabedoria não é memória acumulada, porém, antes, suprema receptividade para o Real.(4) 

 

Se tenho um problema e desejo realmente compreendê-lo, não devo aplicar-me a ele com a mente cheia de preocupação e agitação. Tenho de fazê-lo com a mente livre; porque só a mente passível, a mente vigilante, é capaz de compreensão.

 

A mente que é capaz de estar silenciosa está apta a receber a verdade. (…) A verdade é totalmente nova, livre. A ela não podemos chegar-nos com idéias preconcebidas, não é ela a experiência alheia.(5) 

 

Sabedoria não é acumulação de conhecimentos e experiência; a sabedoria não se adquire nos livros, (…).

 

Nasce a sabedoria só quando há liberdade da mente; e a mente que está tranqüila encontrará o Atemporal, que é Imensurável, surgido na existência.(6)

 

Sabedoria não é algo que se experimente ou se encontre em algum livro. A sabedoria não é coisa que se possa experimentar, (…) captar, acumular.

 

Pelo contrário, a sabedoria é um “estado de ser” em que não há acumulação de espécie alguma; não se pode acumular sabedoria.(7)

 

Digo que a sabedoria não pode ser comprada. A sabedoria não se encontra no processo de acumulação; não é o resultado de inúmeras experiências; nem é adquirida pelo estudo.

 

A sabedoria, a vida mesma, só pode ser entendida quando a mente estiver livre desse senso de busca, dessa procura de conforto, dessa imitação, pois estes são apenas meios de fuga.(8)

 

A sabedoria não é uma coisa que venha por meio de orientação, do seguir, por meio da leitura de livros.

 

Não podeis aprender a sabedoria de segunda mão; entretanto, é isto o que estais tentando fazer. Assim, dizeis: “guiai-me, auxilai-me, libertai-me”.(9) 

 

O conhecimento nada tem que ver com a sabedoria.

 

A sabedoria não pode ser comprada; é natural, espontânea, livre. Não é mercadoria que possais comprar de vosso guru, instrutor, ao preço de disciplinas.(10)

 

Ora, confiamos demais no saber. O homem que escreve um livro sobre a mente ou que disserta a respeito da mente, aceitamo-lo como autoridade.

 

Damos um nome ao seu pensamento, e o esposamos. Nunca nos pomos a investigar o inteiro processo do nosso pensar, para descobrirmos por nós mesmos.

 

E é por isso que temos tantos líderes, cada um fazendo valer a sua autoridade, e nos dominando.

 

E pode alguém lançar fora tudo isso e descobrir as coisas por si mesmo? Porque (…) o saber é um obstáculo à compreensão.(11) 

 

Se um homem deseja construir uma ponte, para isso ele necessita, naturalmente, de saber, (…) de uma certa capacidade técnica. Mas, pode-se ter de antemão o conhecimento, isto é, a compreensão, de uma coisa viva?

 

O que chamais “eu” é uma coisa viva, da qual não se pode ter conhecimento prévio.

 

Pode-se ter experiências a ele relativas, ou conhecer o que outros disseram a seu respeito, mas se um de nós se põe a examinar a si mesmo, com um conhecimento prévio, nunca descobrirá o que é realmente.(12)

 

Com nossa busca de saber, com nossos desejos gananciosos, estamos perdendo o amor, estamos embotando o sentimento do belo, a sensibilidade à crueldade; estamo-nos tornando cada vez mais especializados e cada vez menos integrados.

 

A sabedoria não pode ser substituída pela erudição.(13) 

 

Com nossa busca de saber, com nossos desejos gananciosos, estamos perdendo o amor, estamos embotando o sentimento do belo, a sensibilidade à crueldade; estamo-nos tornando cada vez mais especializados e cada vez menos integrados.

 

 A sabedoria não pode ser substituída pela erudição.(13) 

 

A erudição é necessária, a ciência tem o seu lugar próprio; mas se a mente e o coração estão sufocados pela erudição, e se a causa do sofrimento é posta de parte com uma explicação, a vida se toma vazia e sem sentido.(14)

 

O saber, o conhecimento de fatos, embora em constante crescimento, é por sua própria natureza limitado.

 

A sabedoria é infinita, abarcando o saber bem como a esfera da ação; se nos apoderarmos de um ramo, pensamos que temos a árvore toda.

 

O intelecto jamais nos levará ao todo, porque ele é apenas um segmento, uma parte.(15) 

 

Não é válida a experiência de outro para a compreensão da realidade.

 

Entretanto, as religiões organizadas, no mundo inteiro, baseiam-se na experiência de outro, e, por conseguinte, elas não estão libertando o homem, porém, ao contrário, prendendo-o a um determinado padrão e instigando os homens uns contra os outros.(16) 

 

Sabeis, a maioria de nós deseja adquirir sabedoria ou verdade por meio de outrem, mediante algo vindo do exterior.

 

Ninguém vos poderá transformar num artista; só vós próprios podereis fazê-lo.

 

É isto que desejo dizer: posso dar-vos tinta, pinceis e tela, mas vós próprios tendes de vos tornar o artista, o pintor.(17) 

 

Imaginais que qualquer sociedade ou livro vos pode dar sabedoria? Livros e sociedades podem fornecer-vos noções; (…). Se a sabedoria pudesse ser adquirida por meio de uma seita ou sociedade religiosa, todos seríamos sábios, (…).

 A sabedoria, porém, não se adquire por essa forma.

 

A sabedoria é a compreensão do fluxo contínuo da vida ou da realidade, e somente é aprendida quando a mente está aberta e vulnerável, isto é, quando a mente não está mais embaraçada pelos seus próprios desejos de auto-proteção, reações e ilusões.(18)

 

Vamos averiguar o que entendeis por sabedoria, (…).

 

Podeis conhecer, ou adquirir a sabedoria, ou só é possível conhecer fatos, e adquirir sapiência?

 

Por certo, sapiência e sabedoria são duas coisas diferentes. Podeis saber tudo a respeito de uma coisa; mas será isso sabedoria?(19)

 

A sabedoria terá de ser adquirida aos poucos, em vidas consecutivas?

 

Sabedoria será acumulação de experiência? Aquisição implica acumulação; experiência implica resíduo. (…)

 

Esse processo de acumulação será sabedoria (…)

 

Pode o homem que sabe ser sábio? O homem que sabe não é sábio, e o que não sabe é sábio.(20)

 

A acumulação, pois, nunca é sabedoria, porquanto só pode haver acumulação daquilo que se conhece; e o que se conhece não pode, nunca, ser o desconhecido.(21)

 

A verdade não pode ser acumulada. Ela não é experiência. Ela é “experimentar” - em que não há experimentador nem experiência. Conhecimento implica alguém que acumula, que junta; (…) A sabedoria é como o amor; e, privados desse amor, queremos cultivar a sabedoria.(22)

 

A sabedoria é sempre vigorosa, sempre nova. Como se pode conhecer o novo, quando há continuidade? (…) Só quando há findar, há o novo, que é criador.

 

Mas queremos continuar (…) e a mente em tais condições nunca pode conhecer a sabedoria. Pode conhecer, apenas, a sua própria projeção, suas próprias criações. (…)

 

A verdade não pode ser procurada.

 

A verdade só surge quando a mente está vazia de todo conhecimento, todo pensamento, toda experiência; e isso é sabedoria.(23) 

 

Assim, perceber o processo integral de nós mesmos é o começo da sabedoria.

 

A sabedoria não é algo que se possa comprar nos livros, (…) aprender de outras pessoas, (…) acumular pela experiência.(24)

 

A experiência é simples memória; e a acumulação de lembranças ou de conhecimentos não é sabedoria. A sabedoria, sem dúvida, é o experimentar a cada momento, sem condenação nem justificação; é a compreensão (…) de cada reação, de modo que a mente vá ao encontro de cada problema por maneira nova.(25) 

 

A erudição não é comparável com a inteligência, erudição não é sabedoria.

 

A sabedoria não é comerciável, não é artigo que se possa comprar pelo preço de estudo e da disciplina.

 

Não se encontra sabedoria nos livros; não pode ser acumulada, guardada ou armazenada na memória.

 

 A sabedoria vem pela negação do “eu”. Ter a mente aberta é mais importante do que aprender (…).

 

A sabedoria não pode ser adquirida pelo temor e pela opressão, mas só pelo exame e pela compreensão dos incidentes de cada dia, nas relações humanas.(26)

 

Uma vida primitiva não é uma vida espiritual.

 

O primitivo tem tanto medo como o chamado civilizado, e a diferença é só que seus temores são mais rudimentares, mais superficiais.

 

Mas, em certo sentido, é necessário que o indivíduo “sofisticado”, eminentemente culto, muito sabedor se torne primitivo.

 

Precisa tornar-se novo, “inocente”, morrer para todo o saber que acumulou.(27)

 

A compreensão do “eu” é o começo da sabedoria, e sabedoria não é reação.

 

Só quando compreendo todo o processo da reação, que é condicionamento, só então existe um centro sem ponto, que é a sabedoria.(28)

 

Por conseguinte, o autoconhecimento é o começo da sabedoria.

 

A sabedoria não se compra nos livros; (…) não é experiência; (…) não é a acumulação de nenhuma espécie de virtude, nem o evitar o mal.

 

A sabedoria só vem pelo autoconhecimento, pela compreensão de toda a estrutura, de todo o processo do “eu”(29)

 

Assim, pois, o autoconhecimento é o começo da sabedoria, e sem a sabedoria não pode haver tranqüilidade.

 

Sabedoria não é sapiência. A sapiência é um obstáculo à sabedoria, à revelação do “ego”, momento a momento.

 

A sabedoria não tem autoridade; ela vem à existência quando a mente começa a compreender as profundezas e amplidões da sua própria natureza, sobre as quais não é possível especular.(31)

 

Para descobrirmos o que é criador, precisamos proceder de maneira nova.

 

A mente deve estar vazia, livre de todo saber, livre da memória. Só então existe a possibilidade de relações de uma nova espécie, de um mundo novo.(32)

 

Não há caminho para a sabedoria.

Se algum caminho existe, então a sabedoria é coisa formulada de antemão, já imaginada, conhecida. (…).

 

A experiência e o saber, uma vez que são contínuos, abrem um caminho para suas próprias projeções, e por isso são sempre entraves.

 

A sabedoria é a compreensão do que é, momento a momento, sem acumulação de experiência e conhecimento. O que se acumula não dá liberdade para compreender, e sem liberdade não há possibilidade de descobrimento; (…).

 

A sabedoria é sempre nova, sempre fresca, e não há nenhum meio de a acumularmos. O meio destrói o que é novo, (…) espontâneo.(33)

 

 Vede, (…). Não interpreteis “sem conhecimento” como um estado de ignorância. Ser “sem conhecimento” é possuir a sabedoria; porque o conhecimento tem continuidade, e a sabedoria não tem.(34)

 

A mente silenciosa - mas não silenciada - só ela pode perceber o Imensurável.

 

A solução do problema (…) está na compreensão das relações; por conseguinte a meditação é o começo do autoconhecimento e o autoconhecimento é o começo da sabedoria. (…)

 

Nasce a sabedoria só quando há liberdade da mente; e a mente que está tranqüila encontrará o Atemporal, que é o Imensurável, surgido na existência. (…) A mente tem de ser induzida a recebê-lo de maneira nova, de cada vez; e a mente que acumula saber, virtude, é incapaz de receber o eterno.(35)

 

Textos de Krishnamurti, extraídos de: Seleta de Krishnamurti

 

Fontes das citações:

(1) Por que não te Satisfaz a Vida, pág. 79  (2) Por que não te Satisfaz a Vida, pág. 80  (3) Por que não te Satisfaz a Vida, pág. 80  (4)O Egoísmo e o Problema da Paz, pág.178-179 (5) Nosso Único Problema, pág. 74 (6) Nosso Único Problema, pág. 77 (7) Que Estamos Buscando?, 1ª Ed, pág. 217 (8) Palestras na Itália e Noruega, 1933, pág. 163-164  (9) Palestras na Itália e Noruega, 1933, pág. 194 (10) Palestras em Adyar, Índia, 1933-1934,pág. 101-102 (11) Viver sem Temor, pág. 14 (12) Viver sem Temor, pág. 14 (13) A Educação e o Significado daVida, 1ª ed, pág. 78 (14) A Educação e o Significado daVida, 1ª ed, pág. 78 (15) A Educação e o Significado daVida, 1ª ed, pág. 79 (16) O Caminho da Vida, pág. 27 (17) Palestras na Itália e Noruega, 1933, pág. 40-41 (18) Palestras no Brasil, pág. 48 (19) Que Estamos Buscando?, 1ª ed, pág. 84-85 (20) Que Estamos Buscando?, 1ª ed, pág. 85 (21) Que Estamos Buscando?, 1ª ed, pág. 86 (22) Que Estamos Buscando?, 1ª ed, pág. 86 (23) Que Estamos Buscando?, 1ª ed, pág. 86-87 (24) Viver sem Confusão, pág. 70 (25) Viver sem Confusão, pág. 71 (26) A Educação e o Significado daVida, 1ª ed, pág. 78 (27) O Homem eseus Desejos em Conflito, 1ª ed, pág. 59 (28) Que Estamos Buscando?, lª ed, pág. 215 (29) Viver sem Confusão, pág. 52 (30) O que te fará Feliz?,pág. 97 (31) Claridade na Ação, pág. 147 (32) Claridade na Ação, pág. 147 (33) Comentários sobre o Viver, pág.94 (34) O Homem e seus Desejos em Conflito, 1ª ed, pág. 29  (35) Nosso Único Problema, pág. 77 

A educação consiste no condicionamento de um indivíduo, através da promessa de várias compensações e vantagens, de modo a que ele adote um modo de pensar e se comportar que, logo que se tornem um hábito, instinto ou paixão, os dominarão “para o bem geral” mas, em última instância, para sua própria desvantagem.

Somos vítimas das nossas virtudes, que nos transformam numa mera função do todo social.

Friedrich Nietzsche 

Fonte Consultada: http://pensarcompulsivo.blogspot.com.br/p/sabedoria.html

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