quinta-feira, 30 de abril de 2026

PSICOTERAPIAS BREVES - 2001

TRABALHO APRESENTADO EM 2001
 PSICOTERAPIAS BREVES
        Este trabalho terá  como objetivo mostrar a economia em se ter como prática alternativa nos tratamentos de saúde mental, bem como a eficiência e a importância da Psicoterapia Breve em nosocômios públicos, visando minimizar o sofrimento psíquico dos pacientes que são mais carentes da sociedade.
 1.  PSICOTERAPIA
 Existem vários tipos de psicoterapias, tais como a Psicanálise (analítica), a Breve, a Infantil, a Não-Diretiva, a Centrada, a Comportamental etc. Porém, a definição será em linhas gerais, sendo contudo, dado ênfase à Psicoterapia Breve visto ser o tema deste trabalho.
 1.1.   Definição
Qualquer método de tratamento dos distúrbios psíquicos ou corporais que utilize meios psicológicos e, mais precisamente, a relação entre o terapeuta e o doente, a hipnose, a sugestão, a reeducação psicológica, a persuasão, etc.; neste sentido, a Psicanálise é uma forma de psicoterapia analítica.
 1.2.   Estrutura Dinâmica
 Sendo a psicoterapia o tratamento com a ajuda da comunicação humana, ela age com sugestões também no tratamento medicamentoso e instrumental, em sentido mais restrito, a Psicanálise é o empenho intencional de tratar somente ou prevalentemente doenças psicogênicas (1)  , sejam orgânicas ou mentais.
Aplica-se sobretudo na psicossomática e na Psiquiatria social e clínica de orientação psicodinâmica.

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(1)       é originado de processo psíquicos, mentais.

(2)       O conceito especialmente, distúrbios somáticos e anomalias do comportamento, baseados em causas psíquicas ou a que se atribui mais uma causalidade psicológica do que fisiológica .

      
Distinguem-se diversas psicoterapias segundo sua concepção teórica e seu exercício prático.
 Enquanto a Psicanálise aceita o constructo teórico do Inconsciente, a Terapia do Comportamento,  o rejeita pôr não poder prová-lo e se funda em concepções de Teoria da Aprendizagem,  Na prática, o psicanalista se comunica com o Inconsciente leva o paciente a exercer novos modos de comportamento em condições variáveis a serem  alteradas planejadamente.
      A psicoterapia pela fala ocupa uma posição intermediária : ajuda o cliente a aprender através da referência verbal e a perceber seus próprios sentimentos. Em oposição aos procedimentos psicanalíticos que descobrem a resistência acham-se as psicoterapias de apoio. Trabalham com sugestão alheia (hipnose) ou com auto-sugestão.
       A psicoterapia se exerce total ou parcialmente estacionária em clínicas, em geral, então ligada ao princípio da comunidade terapêutica ou ambulante em policlínicas, postos de aconselhamento ou práticas e de modo geral em tratamento individual, isto é, através da comunicação entre um profissional e um paciente.
  
2.  PSICOTERAPEUTA
2.1.   Definição
 É o especialista da psicoterapia. É um profissional com formação teórica específica e experiência prática, com um profundo senso de amor ao próximo ( seja este próximo um paciente ou não) e com traços firmemente estabelecidos de honestidade intelectual e emocional.
O bom terapeuta facilita a relação de ajuda ao tornar mais possível ao indivíduo-paciente de novos caminhos na vida.
  3.  PSICOTERAPIA BREVE
3.1.   Definição
 É o procedimento psicoterapêutico em sua maioria pela Psicologia do Profundo. Em oposição ao tratamento padrão psicanalítico, se renuncia a conscientizar e trabalhar terapeuticamente todos os conflitos inconscientes infantis que forma uma neurose, concentrando-se apenas em um conflito atual básico ( foco - que atinge o cerne, o centro, o alvo) do paciente. O procedimento chama-se pôr isso também de  'Terapia Focal'.
  
3.2.   Estrutura Dinâmica
 É utilizada em média, nesta técnica, entre cinco sessões a trinta sessões, e o tempo (prazo) entre as sessões é de 1 a 14 dias.
Existem várias modalidades de Psicoterapias Breves, porém, se destacam como referência; o atendimento de emergência, a internação na crise e as psicoterapias de curta duração ou breves.
 3.2.1.           Atendimento de Emergência
 Aplica-se àqueles casos em que, como decorrência do severo desequilíbrio, o próprio paciente ou os indivíduos de seu meio correm algum tipo de risco. Tem como objetivo protegê-lo, assim como ao meio, e recuperar o seu contato com a realidade.
  3.2.2.           A Intervenção na Crise
 Consiste  em restaurar o equilíbrio adaptativo do indivíduo, anterior à crise, e, quando possível, melhorá-lo. Esta modalidade terapêutica aplica-se aos sujeitos que ainda não atingiram o estágio de emergência, mas que correm o risco de descompensação.
Alguns teóricos defendem esta modalidade como ideal para ser empregada em sociedades que não tenham programas preventivos e de assistência à saúde mental, principalmente em países pobres , como é o Brasil.
O objetivo básico das Psicoterapias Breves consiste na melhora do padrão adaptativo dos pacientes. A forma de como esta melhora será buscada dependerá, naturalmente, do referencial teórico do psicoterapeuta, seja através da utilização de recursos reeducativos, como nas psicoterapias comportamentais, seja através da busca de 'Insights (Introvisão: uma  súbita compreensão de um problema previamente insolúvel) a partir de interpretações seletivas de conteúdos ao foco, como nas psicoterapias psicodinâmicas.
Freud, segundo alguns autores que se ocuparam em investigar as origens das Psicoterapias Breves, o consideram como um dos precursores, em virtude dele citar vários atendimentos breves realizados pôr ele, e , de  que os principais autores foram seus discípulos. Abaixo estão alguns atendimentos:
 1)  Catarina - realizado acidentalmente em um passeio pelas montanhas em um período de férias, em apenas uma sessão, em 1895.
 2)  O maestro Gustav Mahler -  teria sido curado de um problema de impotência sexual em um passeio de quatro horas que ambos apreenderam pelas ruas de Viena, em 1908.
 3)  Bruno Walter - em seis sessões de tratamento bem sucedido em 1906.
 E vários outros citados pelo próprio Freud. Mas, o que se observa é que, nesses casos retro citados, tratava-se de pacientes com queixas específicas ou com sintomatologia claramente configurada em uma categoria nosológica ( sintomatologia natural das doenças, das causas iguais, curso igual, achados iguais), e que Freud visava, sobretudo, a análise e compreensão de sua etiologia ( disciplina da medicina que pesquisa as causas das doenças), buscando a remissão dos sintomas. Eram tratamentos com fins específicos de ambas as partes e, uma vez alcançados esses fins, decide-se pela interrupção do tratamento.
 3.3.   Autores
 Além de Freud, que desnecessário se faz discorre de obras de sua autoria neste trabalho, haja vista ser ele parte integrante em todas as obras que aqui vão descritas; e, assim abre-se caminho para outros autores que saíram da teoria psicanalítica para constituírem um movimento que redundou na origem das Psicoterapias Breves, dentre os quais SANDOR FERENCZI e OTTO RANK, que tiveram maior destaque.
  3.3.1.           Sandor Ferenczi
 Houveram três fases no trabalho de Sandor Ferenczi, sendo a primeira caracterizada pelo assinalamento de situações clínicas cotidianas, familiares a todos os analistas, mas que todavia, não tinham merecido até então uma avaliação adequada.
Além dos conteúdos verbais das associações do paciente, Ferenczi propunha a observação sistemática dos elementos formais ampliando a teoria dos atos sintomáticos propostos pôr Freud em "Psicopatologia da Vida Cotidiana", de 1905.
Não apenas a ação dos músculos voluntários, mas também mudanças em funções corporais, tais como alterações do ritmo respiratório, entonação da voz, a necessidade repentina de urinar ou defecar, sensação de tontura, etc., deveriam ser compreendidas e interpretadas do mesmo modo que a comunicação verbal.
A segunda fase, refere-se às suas experiências com o que chamou de "Técnica Ativa",  e pelas quais ficou mais conhecido.
A Técnica Ativa  consistia de injunções feitas aos pacientes no sentido de dar um impulso ao tratamento temporariamente estagnado pela ação de resistências. Através da observação atenta, o analista deveria identificar para onde se deslocara o libido, anteriormente investida na relação transferencial e, então, intervir, procurando criar uma tensão ótima, capaz de remover as barreiras e retomar o processo.
As injunções defendidas pôr Ferenczi consistiam em induzir maior atividade no paciente, ora levando-o a enfrentar situações ansiógenas, provocando o desencadeamento de fantasias, tornando-as acessíveis à análise, ora proibindo-o de certas atividades que propiciavam gratificações e que pôr isso funcionavam como obstáculos ao trabalho. Essas atividades eram sobretudo práticas manipulatórias, de estimulação dos genitais e outras partes do corpo, estereotipais, tiques, etc.
Ferenczi reconheceu que a Técnica Ativa despertava sem dúvida maiores resistências, na medida em que o paciente era defrontado com situações ansiógenas, e que dependia, portanto, de um bom vínculo com a terapeuta para ser viabilizada. Mesmo quando empregada pôr analista bastante experiente, havia o risco de fracasso.
Pressionado pelas críticas e pêlos próprios fracassos Ferenczi acabou pôr restringir a indicação de medidas ativas a situações                                                                  - limite. E essa atitude de cautela e reserva marcou a terceira fase de sua obra, que se estendeu até a sua morte, em 1933.   
  3.3.2.           Otto Rank
 Dentre suas contribui, a mais conhecida refere-se  à não de "Trauma de Nascimento". A perda  da condição paradisíaca vivida pelo feto no útero materno acarretaria ao recém-nascido uma primeira e determinante situação de ansiedade, constituindo-se no protótipo de todas as outras situações traumáticas. Essa dolorosa experiência estabelece ou comporta o primeiro e mais fundamental sentimento de ansiedade que o ser humano conhece, a que Rank dá a designação de "ansiedade primordial".
A 'perda do paraíso" marcaria todas as ações humanas motivadas pelo desejo de recuperá-lo. Tomada como hipótese psicodinâmica, subjacente a todos os quadros de neurose, a busca do 'paraíso perdido" explicaria também a preocupação das crianças com a origem dos bebês, a alimentação, as funções excretoras, culminando com o ato sexual, vivido como  "a substituição final e mais sublime de reunião com a mãe".
Esta concepção estremada de trauma de nascimento foi rejeitada pôr Freud, em "Inibição, Sintoma e Angústia",  publicado em 1926 e mais tarde em "Analise Terminal e Interminável, publicado em 1937.
Rank, através dos anos, acabou pôr abandonar a noção de trauma de nascimento, focalizando então a questão da separação-individuação. Limitando o tempo da análise, pretendia favorecer de separação.   
 3.4.   Psicoterapias Breves na Atualidade
A partir das décadas de 50/60, o movimento das Psicoterapias Breves tornou-se presente, com diversos grupos realizando pesquisas sistemáticas, buscando definir critérios de seleção, alterações técnicas à Psicanálise e os resultados que se poderia esperar a partir delas.
   Neste contexto destacaram-se inicialmente dois grupos que trabalhavam independentemente. Um na Clínica Tavistock, em Londres, Inglaterra, dirigido por Michael Balint e David Mala, e o outro no Hospital Geral de Massachusetts, em Boston, EUA, dirigido pôr Peter E. Sifneos.
No Brasil, a orientação de David Malan é mais conhecida, pelo fato de se ter obras de sua autoria traduzidas. Sua técnica é a focal, de Balint.
Objetivando reencontrar o método original de Freud, o grupo da Clínica de Tavistock desenvolveu uma técnica de Psicoterapia Breve  que inclui todos os tipos de recursos técnicos disponíveis na psicanálise análise da resistência, interpretação transferencial, reconstrução genética, interpretação dos sonhos e fantasias.
Depois de uma avaliação psicodiagnóstica composta de entrevistas clínicas e utilização de testes, é estabelecida uma "hipótese psicodinâmica de base", que procura explicar a problemática principal do paciente. Esta hipótese supõe a identificação do conflito primário, do qual a problemática atual do paciente constitui uma reedição. Com base nela, estabelece-se o planejamento estratégico de um objeto limitado, que consiste no "tema específico para interpretação" ou "foco".
Na  posição face a face, a atitude ativa do terapeuta (traduzida pelas interpretações seletivas, atenção seletiva e negligência seletiva) procura manter a focalização sobre os elementos da hipótese psicodinâmica de base. Essas características levaram M. Baint a propor o nome de Psicoterapia Focal para esta técnica.
Do Hospital Geral de Massachusetts, onde Peter E. Sifneos estava à frente, foi desenvolvida uma técnica de Psicoterapia Breve denominada Psicoterapia Breve Provocadora de Ansiedade, indicada para lidar com casos em que os sintomas neuróticos são claramente delimitados e onde a problemática edipiana está em primeiro plana, como nas fobias e formas brandas de neuroses obsessivas.
O início do processo consiste em solicitar ao paciente que escolha, entre sua dificuldades emocionais, a que considera prioritária. A seguir, o terapeuta procede a um levantamento minucioso de sua história de vida, a fim de formular uma hipótese psicodinâmica que permita compreender os conflitos emocionais subjacentes àquela dificuldade.
Desempenhando o duplo papel de avaliador e professor, a atividade do terapeuta consiste basicamente em formular questões provocadoras de ansiedade, que estimulem o paciente a examinar áreas do conflito emocional que de outra forma evitaria. As sessões ocorrem na posição face a face, e desde o princípio é dito ao paciente que o processo deve variar entre doze e dezoito sessões, sem contudo fixar-se a data-limite.
Outro nome que se destacou foi James Mann, que em seu trabalho enumerou quatro situações conflitivas, de caráter universal, a que se podem reduzir os focos usualmente encontrados.
1) Independência (distância) X dependência(proximidade);
2) Atividade X passividade;
3) Auto-estima adequada X auto-estima diminuída ou a perda dela;
4) Luto não resolvido.
 
Estas situações conflitivas expressam diversos graus de tolerância e formas de lidar com a perda de objetos, que se reativam ao término da psicoterapia, quando se tem que renunciar a perda do terapeuta.
Apesar de utilizar as técnicas usuais de psicoterapia psicanalítica, sua atitude, contudo, não é de confronto. Ao contrario, atribui papel destacado à empatia, tanto no momento de estabelecer o tema central quanto durante todo o tratamento.
Ainda existem vários outros autores que muito contribuíram para o avanço das Psicoreapias Breves, quais sejam:
-        Habib Davanloo  - Sua técnica é conhecida por "Psicoterapia Dinâmica Breve".
-        Édmond Gilliéron - Sua técnica é conhecida por                             " Psicoterapia Breve de Inspiração Psicanalítica".
-        Ryad Simon  - Sua técnica é conhecida pôr " Escala Diagnóstica Adaptativa Operaciionalizada - EDAO  

  

CONCLUSÃO
 Nos países desenvolvidos, aqueles ditos do primeiro mundo, verifica-se       uma tendência ímpar em relação aos demais países; a de se buscar técnicas que contam com estratégias bem definidas e que se apliquem a públicos - alvo específicos, selecionando os pacientes, em psicoterapias de média e longa duração e aqueles atendidos em hospitais e centros de saúde públicos, de curta duração, as Psicoterapias Breves.
Daí já contarem com critérios psicodiagnósticos bem estabelecidos, orientando a seleção dos pacientes, para os quais cada uma delas apresenta maior eficácia.
      
       Nos países em desenvolvimento, como é o caso de vários países sul-americanos, incluído o Brasil, apesar do interesse crescente pôr técnicas breves, não que sejam mais qualitativas, mas pôr representarem uma economia para o Poder Público e um atendimento quantitativo, ainda prevalece o empirismo com que cada profissional procura corresponder à ampla demanda existente no campo da saúde mental, quando este existe em programas de assistências nas Secretarias de Saúde Estaduais e Municipais.
        Para que se perca a qualidade e a credibilidade dos atendimentos públicos, será necessário sistematizar os procedimentos técnicos, destacando-se opção pôr condutas flexíveis que correspondam às necessidades de cada paciente, bem como a valorização da formação técnica da cada terapeuta na escolha dos critérios psicodiagnósticos e de sua adaptação.  

 

BIBLIOGRAFIA

 

 

-        FIORINI, Héctor J. Teoria e Técnica de Psicoterapias - São Paulo - Ed. Francisco Alves - 1989.

 

-        LEMGRUBER, Vera - Psicoterapia Breve Integrada - Porto Alegre - Artes Médicas - 1998.

 

-        LEMGRUBER, Vera - Psicoterapia Focal o efeito carambola - Rio de Janeiro Ed. Revinter - sem data.

 

-        SMAL, Leonard - - As Psicoterapias Breves - Rio de Janeiro - IMAGO - 1974.

 

-        Sífneos E. Peter - Psicoterapia Dinâmica Breve - Porto Alegre - Artes Médicas 1989.

-         

-        RYAD Simonn - Psicologia Clínica Preventiva Novos Fundamentos - São Paulo - EPU - 1986.

  

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quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

A CLÍNICA DO DESAMPARO..

 

“A Clínica do Desamparo”

Não é uma clínica física, mas um conceito psíquico, subjetivo e fundamental no percurso de psicanálise que explora o sentimento de desamparo humano, essencial para o desenvolvimento do sujeito e ligado a condições como o pânico e a depressão, solidão, falta de inteligência emocional, traumas infantis, sujeito com algum grau de psicose não diagnosticada ou tratada, isso tudo hoje já  estão sendo abordado em textos, teses e cursos de Psicologia, Psicoterapias e  Psicanálise e projetos de extensão, qualificação  que tratam do acolhimento, trauma e vulnerabilidade, especialmente de infância, adolescência, e adultos que nisso se incluam idosos, terceira idade.

O que é a Clínica do Desamparo?

  • Conceito Psicanalítico: O desamparo é visto como uma condição fundamental da vida, indicando nossa dependência de um “outro” para conforto e cuidado, sendo crucial para a formação, sanidade da subjetividade.
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  • Relação com o Pânico: O transtorno de pânico é considerado uma manifestação paradigmática do desamparo na contemporaneidade, segundo vários autores e profissionais.
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  • Desamparo Aprendido: Estudo em psicologia,  psicanálise que descrevam as dificuldade de aprendizagem após experiências traumáticas, incontroláveis, modelos repetidos por pais e tutores da nossa infância, tratável com Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), psicoterapias multidisciplinares, sessões de escuta psicanalítica e alguns casos medicalização por profissionais neurológia e psiquiatria  para promover aviar medicação clínica adequada.
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  • Contexto Clínico: Em termos práticos, refere-se à abordagem terapêutica psicanalítica que acolhe e lida com o sofrimento, a angústia e a falta de suporte, sendo aplicado em projetos de extensão, qualificação para lidar com crianças e adolescentes em acolhimento. 

CLÍNICA DO DESAMPARO

 WINNICOTT COM LACAN

Juan Mitre


Há uma clínica subjetiva, psíquica do desamparo, ou melhor, uma clínica dos efeitos do desamparo.

Trata-se – para dizer de modo mais simples – da clínica daqueles sujeitos que não contaram com um “Outro” que trate, acolha, escute e “cuide” deles.

Sujeitos que se constituíram a partir de um “Outro” estilo  “malvado” favorito ou via síndrome de Estocolmo, (quer seja um Outro excessivo em sua presença ou em sua ausência).

Trata-se de crianças que foram abandonadas, que caíram da inscrição do seu Outro.

Crianças e adolescentes que “chegaram ao fim do caminho, ou os pais (ausentes) que não se inscreveram psiquicamente dentro do Édipo e vínculos parentais saudáveis nos anos iniciais da alfabetização ou linguagem.

Os efeitos deste “desamparo” (que é preciso situá-lo bem em cada caso, quer dizer, quais são os nomes do desamparo para cada um) é o que se diagnostica como transtorno anti-social, como patologia da conduta.

Se formos freudianos, podemos dizer que as marcas do desamparo põem em marcha, a repetição e que a repetição – também nestes casos, por que não?

é um modo de recordar, ainda que muitas vezes, um modo “selvagem” de recordar.

A estes “transtornos de conduta” convém lhes supor um texto, convém supor que nestas marcas (às vezes no real do corpo) há um texto a ser lido, um texto a produzir.

Mas também a chamada “conduta anti-social” (impulsões de todo tipo) é um modo de defesa diante da angústia.

É habitual que estas crianças e adolescentes se façam rechaçar, se apresentem “feios, sujos e maus” ou de alguma outra forma que seja “insuportável” para o Outro.

Mas, do que ali falam com seu comportamento e com seu corpo é do rechaço do Outro primordial, de algo que se inscreveu neles como rechaço.

O problemático – e lamentável – é que as instituições assistenciais tendem a repetir este rechaço, a “re-inscrever” este rechaço, ratificando-o e, inclusive, reforçando-o.

“Não suportam” estas crianças e as expulsam (às vezes as expulsões são chamadas de derivação ou traslado).

A posição de Winnicott

Parece que os valiosos desenvolvimentos de Donald Winnicott a esse respeito foram esquecidos.

Seu livro Privação e Delinquência é fundamental para nos orientar nesta clínica.

O criativo psicanalista inglês foi psiquiatra consultor no plano oficial de evacuação de pessoas da Segunda Guerra Mundial.

O que o levou a trabalhar em albergues destinados a crianças que não podiam viver em lares comuns.

Essa experiência o leva a teorizar sobre as crianças que sofrem uma privação em sua infância e sobre as manifestações clínicas que isto tem.

E também – o que nos interessa, sobretudo – a pensar sobre o tipo de tratamento possível.

Os desenvolvimentos de Winnicott implicam

 – ao meu ver

– também uma política diante da alteridade, o que é toda uma posição.

Ao desamparo, Winnicott chama de “privação”.

Os transtornos de conduta são as manifestações clínicas do transtorno anti-social e a tendência anti-social surge de uma privação sofrida na infância.

Explica que na base da tendência anti-social há uma “boa experiência precoce” que se perdeu e que a criança teve a capacidade de perceber que a causa do “desastre” (determinado caos) está baseada em uma falha ambiental.

É uma indicação interessante para pensar a questão do diagnóstico nestes casos: diz que o grau de maturidade do eu que esse tipo de percepção possibilita (que houve uma falha ambiental) faz com que desenvolva uma tendência anti-social ao invés de uma psicose.

E, portanto, como essa criança teve esta percepção da falha ambiental, é o ambiente que deve proporcionar uma nova oportunidade.

Ou seja, que a criança tem o registro de que perdeu algo que vinha funcionando, perdeu algo que para ele era bom.

Entre os sintomas anti-sociais típicos, Winnicott situa a voracidade, o roubo e o causar aborrecimento.

Quem quer que tenha trabalhado com crianças e adolescentes internos ou tenha tido acesso a essa clínica, não terá dúvidas a respeito.

Poderíamos agregar a esses sintomas típicos, o consumo de substâncias, mas, muitas vezes também, o consumo é um modo de causar aborrecimento.

Winnicott sustenta que o tratamento indicado para a tendência anti-social não é a psicanálise.

Esta é uma perspectiva que, certamente, é preciso considerar, ou melhor, tratar de entender o que ele está dizendo com isto.

Considerava que o método terapêutico adequado consiste em prover a criança de um cuidado que ela possa redescobrir e por à prova, ajudá-la a que volte a ter “confiança” no ambiente.

Trata-se de que o ambiente agora “sobreviva” ao embate antissocial e onde o sujeito põe à prova os andaimes, a estrutura, a instituição; põe à prova o Outro.

Que o Outro – desta vez – sobreviva.

Por isso diz que a palavra-chave não é “tratamento” ou “cura”, mas “sobrevivência. Inclusive, Winnicott diz que quando o sujeito começa a ter confiança novamente (o que é uma conquista,) despedaça as coisas para estar seguro de que o andaime aguenta.

Essa é a dimensão do tratamento (talvez a mais importante) que Winnicott quer acentuar, ao referir-se que a psicanálise não é o tratamento adequado para a tendência anti-social.

Sustenta que são fundamentais intervenções no ambiente. Intervindo sobre o ambiente, pode-se intervir também – se esta intervenção for bem orientada – sobre a realidade psíquica ou o fantasma.

Aqui é importante pensar que tipo de dispositivos se utiliza para tratar determinadas problemáticas.

Se são dispositivos criados em função da problemática em questão ou se pretende, ao contrário, adaptar o caso a dispositivos que não estão preparados.

Neste sentido, é crucial o funcionamento das instituições que alojam estes sujeitos; sejam lares, hospitais, casas de meio caminho, inclusive famílias substitutas ou que adotam.

Cabe perguntar-se a esse respeito, se realmente tal ou qual instituição se mostra confiável, se é capaz de alojar o bom e o mau do sujeito, se suporta que a aborreçam, se pode perdurar para esse sujeito no tempo e não ratificar a ideia de “destino de exclusão” que, em geral, se armou.

Se realmente está preparada para suportar que seja posta à prova com atos de todo tipo.

Trata-se – resumindo – de que a instituição possa suportar, ao mesmo tempo, que não seja derrubada; porque isso implica para o sujeito, uma nova queda do Outro.

Cabe aqui acrescentar a concepção de trauma para Winnicott.

Em termos tão simples quanto precisos, ele diz: “O trauma significa uma ruptura na continuidade da existência do indivíduo”.

 Algumas indicações clínicas

Agora, tentando articular a perspectiva de Winnicott com a posição clínica da psicanálise lacaniana, algumas indicações:

  • Não deixar-se oprimir pela dureza de uma história; é preciso sustentar o acolhimento da escuta mais além da pregnância imaginária do terrível.
  •  
  • Localizar a responsabilidade do sujeito. Não se pode esquecer que responsabilizar restitui a condição de sujeito, o tira do lugar de vítima, de um lugar de objeto.
  •  
  • Assinalar ao sujeito do que não é responsável.
  •  
  • Às vezes, é necessário assinalar primeiro esta dimensão para que em um segundo momento apareça a responsabilidade subjetiva.
  •  
  • Temos o trauma, o abandono, o encontro com o real, a falha ambiental, como se queira chamar.
  • De tudo isso, o sujeito não é responsável.
  •  
  • Depois temos sua resposta diante disto. a responsabilidade implica um modo de resposta.
  • É impossível não responder; portanto, pela resposta, sempre se é responsável.
  •  
  • Apostar na emergência do inconsciente como em qualquer neurótico.
  •  
  • Reconhecer o desejo em jogo, quer dizer, não abandonar a posição analítica.
  •  
  • Ao mesmo tempo (porque não é ou uma coisa ou outra), certo nível de holding – de apoio, de estar, de por o corpo – é necessário.
  •  
  • Suportar ou sobreviver ao embate da pulsão (é mais que manobrar com a “famosa” transferência negativa).
  • Situar com precisão o momento do desamparo para esse sujeito (o que muitas vezes é diferente das ideias que outros têm acerca do que tem sido catastrófico para ele).
  •  
  • Situar também com precisão o momento prévio à queda, onde algo bom havia, onde algo funcionava.
  • É preciso saber o que se perdeu.
  •  
  • Apostar na emergência de novas significações, assim como também é necessário “des-totalizar” outras.
  •  
  • É preciso ajudar o sujeito a historicizar, mas levando em conta que é preciso produzir equívoco, produzir uma nova versão que situe o real e o separe do fantasma.
  • Pedir sonhos.
  • Quer dizer, apostar no inconsciente como defesa diante do real.
  •  
  • Ser confiável.
  • É fundamental e leva tempo comprová-lo. Em geral, partem da desconfiança; não se pode esquecer que o
  •  
  • Outro os defraudou e isso sempre aparece na transferência. Winnicott dizia que a confiabilidade humana pode por fim a um grave sentimento de imprevisibilidade que persegue nestes casos, o tempo todo.
  •  

Para finalizar, algo que dizia Winnicott:

“Em minha experiência, há momentos em que um paciente necessita que lhe digam que o desmoronamento, cujo temor destrói sua vida, já aconteceu”.

Em resumo, “a clínica do desamparo” é um campo de estudo e prática clínica focado em como lidar com a vulnerabilidade humana, muitas vezes explorado através da psicanálise e de intervenções que visam restaurar a capacidade do sujeito de se relacionar e se sentir amparado. 

FONTE:

Tradução: Mª Cristina Maia Fernandes – AMP/EBP / REVISÃO DE PUBLIC. I.A.

Revisado: Prof. Luiz MD.- ABMPDF

NOTAS

  1. Publicado em La adolescencia: esa edad decisiva. Una perspectiva clínica desde el psicoanálisis lacaniano, Grama, 2014.
  2. Expressão de Clarice Winnicott na apresentação de “Privação e delinquência”.
  3. Winnicott, D. W., Deprivación y delincuencia, Paidós, Bs. As., 1990.
  4. Ibíd., p. 154.
  5. Ibíd., p. 154.
  6. Ibíd., p. 155.
  7. Ibíd., p. 263.
  8. Winnicott, D. W., “El concepto de individuo sano”, en Winnicott Insólito, Boushira, J. y Durieux, M-C. (Comp.), Nueva Visión, Bs. As., 2005
  9. Como disseram muito bem Elena Nicoletti e Fabiana Rousseaux no artigo “Psicoanalista en la trinchera donde se enfrenta el horror”, publicado no diario Página 12, Buenos Aires, 10-6-2003.
  10. Winnicott, D. W., La crainte de l´ effondrement et autres situations cliniques, París, Gallimard, 2000. Citado por Denys Ribas en “El uso de la escisión en Winnicott”, p. 170 en Winnicott Insólito, Boushira, J. y Durieux, M-C. (Comp.), Nueva Visión, Bs. As., 2005.

quinta-feira, 10 de julho de 2025

Raiva e grande irritação podem provocar doenças, especialmente no coração

 

Raiva e grande irritação podem provocar doenças, especialmente no coração

 

Alguns estudos estimam que pessoas raivosas tem quatro a cinco vezes mais chances de desenvolver doenças do coração que pessoas menos iradas. Segundo o médico psiquiatra Cyro Masci, na década de 1950, médicos e advogados americanos foram analisados através de questionários específicos para raiva. Entre os que tinham pontuação baixa para agressividade, 2% dos médicos e 4% dos advogados haviam falecido antes dos 50 anos de idade. Já entre os de pontuação elevada, 14% dos médicos e 20% dos advogados estavam mortos antes de completar 50 anos.

“Outros estudos relacionaram maior mortalidade entre indivíduos que desconfiavam das pessoas em geral ou que sentiam e expressavam raiva de maneira frequente”, explica o médico, ao acrescentar que determinadas características de personalidade, como tendência a evitar pessoas ou preocupação ansiosa, não ficaram relacionadas com morte precoce.

“No meio científico, portanto, é bastante aceito o princípio de que raiva mata, de que a agressividade não é o único fator emocional que leva a doenças, mas com certeza ocupa lugar de destaque”, afirma Cyro Masci.

Contra o senso comum

Isso contraria, segundo o psiquiatra, o senso comum de que “guardar” a raiva, deixar de colocá-la para fora, é o que faz mal à saúde. “Durante episódios de manifestação de agressividade explícita, a pressão arterial sobe, o pulso aumenta, o cortisol chega a ser secretado até 20 vezes mais que o normal e parece haver um aumento considerável na produção de radicais livres”, relata.

De acordo com Cyro Masci, pessoas que controlam a raiva podem sentir maior desconforto subjetivo do que os que a expressam, mas não têm tantas mudanças objetivas no organismo. Durante muito tempo, discutiu-se nos meios médicos se o melhor seria expressar a raiva e sentir alívio ou arrumar um jeito de dar fim à ira, sem expressá-la.

Essa última alternativa tem se mostrado francamente superior. Em poucas palavras, se a pessoa deseja viver mais e melhor, convém aprender a modular a agressividade, a aprimorar a tolerância, a controlar o “pavio curto”, aconselha o psiquiatra. Segundo Cyro Masci, “existem formas de tratamentos médicos integrativos que facilitam o controle dos impulsos emocionais, como fitoterápicos, homeopáticos ou nutracêuticos”. Tais procedimentos “podem auxiliar a modular as áreas cerebrais que controlam as reações emocionais de irritação e raiva, ajudando a diminuir a agressividade desproporcional, e desse modo ajudar a prevenir as doenças relacionadas à hostilidade”, finaliza.

Alguns estudos estimam que pessoas raivosas tem quatro a cinco vezes mais chances de desenvolver doenças do coração que pessoas menos iradas. Segundo o médico psiquiatra Cyro Masci, na década de 1950, médicos e advogados americanos foram analisados através de questionários específicos para raiva. Entre os que tinham pontuação baixa para agressividade, 2% dos médicos e 4% dos advogados haviam falecido antes dos 50 anos de idade. Já entre os de pontuação elevada, 14% dos médicos e 20% dos advogados estavam mortos antes de completar 50 anos.

“Outros estudos relacionaram maior mortalidade entre indivíduos que desconfiavam das pessoas em geral ou que sentiam e expressavam raiva de maneira frequente”, explica o médico, ao acrescentar que determinadas características de personalidade, como tendência a evitar pessoas ou preocupação ansiosa, não ficaram relacionadas com morte precoce.

“No meio científico, portanto, é bastante aceito o princípio de que raiva mata, de que a agressividade não é o único fator emocional que leva a doenças, mas com certeza ocupa lugar de destaque”, afirma Cyro Masci.

Contra o senso comum

Isso contraria, segundo o psiquiatra, o senso comum de que “guardar” a raiva, deixar de colocá-la para fora, é o que faz mal à saúde. “Durante episódios de manifestação de agressividade explícita, a pressão arterial sobe, o pulso aumenta, o cortisol chega a ser secretado até 20 vezes mais que o normal e parece haver um aumento considerável na produção de radicais livres”, relata.

De acordo com Cyro Masci, pessoas que controlam a raiva podem sentir maior desconforto subjetivo do que os que a expressam, mas não têm tantas mudanças objetivas no organismo. Durante muito tempo, discutiu-se nos meios médicos se o melhor seria expressar a raiva e sentir alívio ou arrumar um jeito de dar fim à ira, sem expressá-la.

Essa última alternativa tem se mostrado francamente superior. Em poucas palavras, se a pessoa deseja viver mais e melhor, convém aprender a modular a agressividade, a aprimorar a tolerância, a controlar o “pavio curto”, aconselha o psiquiatra. Segundo Cyro Masci, “existem formas de tratamentos médicos integrativos que facilitam o controle dos impulsos emocionais, como fitoterápicos, homeopáticos ou nutracêuticos”. Tais procedimentos “podem auxiliar a modular as áreas cerebrais que controlam as reações emocionais de irritação e raiva, ajudando a diminuir a agressividade desproporcional, e desse modo ajudar a prevenir as doenças relacionadas à hostilidade”, finaliza.

 

Fonte consultada: https://masci.com.br/raiva-e-grande-irritacao-podem-provocar-doencas-especialmente-no-coracao/

 

quinta-feira, 30 de janeiro de 2025

O LEGADO DE FREUD

 O LEGADO DE FREUD

 

O psicanalista Sigmund Schlomo Freud nasceu no dia 06 de maio de 1856, em um vilarejo, de nome Freiberg, situado na Morávia, cujo território pertencia a Alemanha.

 O mesmo se formou em medicina, se especializando em neurologia, em Viena, na Áustria.

 O professor Freud, como denominavam seus seguidores e discípulos, depois de muitas experiências em busca da cura das doenças neurológicas e psiquiátricas, o mesmo observou que seus doentes não sofriam apenas de sintomas fisiológicos, mas que também padeciam do sintoma da alma.

 É o que conhecemos hoje como sintomas psicossomáticos, a exemplo das ansiedades, pânicos, fobias e diversas queixas neuróticas que perturbam a alma e adoece o corpo, podendo manifestar estresse, depressão ou até mesmo o suicídio.

 Durante todas suas experiências, passagem por diversos métodos psicoterápicos, como o uso de hipnose, Sigmund Freud resolveu priorizar pela investigação do inconsciente e tornar seu principal objeto de estudo, onde fez desse caminho, diversos experimentos clínicos com seus próprios analisantes.

 Chegando à conclusão que a neurose seria um grande obstáculo e sofrimento das pessoas para encontrar respostas das dores que, muitas vezes, não eram dores físicas, mas sim, dores provenientes da sua própria alma.

 Depois dessas conclusões psicanalíticas, Freud começou a perceber que à repressão, os padrões originalmente de famílias autoritárias da sua época poderiam influenciar logo cedo no comportamento da criança e mais tarde viriam desencadear perturbações psíquicas de natureza inconsciente.

 A partir dessas investigações profundamente detalhadas acerca do inconsciente, Sigmund Freud, abandona a medicina, a hipnose e cria a Psicanálise, passando atender clientes que sofriam exclusivamente da subjetividade, do que estaria reprimido, recalcado no inconsciente, ou seja, o que os faziam sofrer da alma e não melhorava com os remédios psiquiátricos.

 Esses pacientes eram convidados ao seu consultório para falar das suas angústias, os sentimentos e experiências.  

*Conrado Matos é Psicanalista, Poeta, Escritor e Professor.

Fonte de Consulta e publicação:

Tribuna da Bahia, Salvador

15/05/2023 06:55
626 dias, 1 hora e 36 minutos


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