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Mostrando postagens de abril, 2019

A ESCUTA PSICANALÍTICA

A escuta psicanalítica No alicerce de toda palavra, é a pulsão que insiste. Seguindo de perto as repetições, pode-se rastrear as pegadas das identificações.    A escuta adquire um lugar central na psicanálise por ser esta uma coisa de palavras, ditas ou silenciadas.  Palavras que enganam, mas que abrem um acesso à significação.  No entanto, a psicanálise, ao inaugurar o campo da escuta, produz uma verdadeira ruptura epistemológica concernente ao pensamento psiquiátrico do momento. Citando Saurí em seu texto compilatório sobre histeria: “A trama das crenças no naturalismo, contexto no qual a histeria começa a ser estudada cientificamente, privilegia o modo visual de conhecer.  A metáfora da luz domina sua área expressiva e inquisitiva, enquanto a necessidade de ver e iluminar guia o esforço dos cientistas. O visto, e com maior razão o olhado, goza de uma prerrogativa relevante. Não é pois temerário afirmar que durante a vigência do naturalismo predomina epis

A (in) Certeza Cartesiana e a Peste freudiana.

A (in) certeza cartesiana e a Peste freudiana. Je pense, donc je suis. Cogito, ergo sum. Mal sabia Descartes que iria provocar tanto barulho na psicanálise com o seu: penso, logo existo, frase fundadora da modernidade. A (in) certeza cartesiana e a peste freudiana. Je pense, donc je suis.   Cogito, ergo sum. Mal sabia Descartes que iria provocar tanto barulho na psicanálise com o seu: penso, logo existo, frase fundadora da modernidade. Porém, ao mesmo tempo, fornece a exata oportunidade para que esta apresente sua contraproposta de formulação de um estatuto mais radical para o sujeito humano. Para o pensamento cartesiano, o lugar da verdade do sujeito está na consciência, isto é, o predicado está incluído no sujeito. O sujeito cartesiano é o sujeito da ciência. Para a psicanálise, o sujeito é sujeito do desejo. Para Descartes ser pensante equivale a ser consciente. Há uma identidade entre cogito e consciência. A partir desta forma tradicion