“Na psicanálise o lastro
do amor não existirá e não suporta o
juízo e julgamento do “outro” pois quem é esse outro?. E se assim fosse a
justiça absolveria a réus e inocentes o tempo todo, porque conheceria e saberia de todos os “Outros”
de cada um de nós. O amor não faz juízo e não deveria ou pode julgar. Não pode Amar e nem
conhecer o Amor quem julga ou faz juízo dentro de uma relação com os seus Outros”.
"As forças naturais que se encontram dentro de nós são as que realmente curam nossas doenças."(Hipócrates)
terça-feira, 12 de maio de 2015
sexta-feira, 24 de abril de 2015
O Latrocínio das Paixões em nome do Amor
“Em vinte anos da clínica de
psicanálise, vejo que ainda existe muitos relacionamentos que são verdadeiros
latrocínios da Alma, da liberdade, da saúde do “outro” e da singularidade do desejo.
São
relacionamentos de dependência afetiva, dependência material, relacionamentos
patológicos de transferências edipianas extremamente agressivas e doentias,
tudo isso destrói qualquer chance de
compartilhar ou sentir Amor.
As “paixões” e declarações “apaixonadas” estão
afincadas suas raízes no “Édipo” não resolvido da primeira infância de cada um
de nós e a Mulher tem sido a "presa" disso por centenas de anos.
São paixões patológicas que afetam a todos do clã familiar.
Como numa
neurose moderna onde o respeito só se inscreve na “provisão” do que o outro
pode “ofertar-me” como “provedor” e diante disso não há auto-estima ou beleza que resista vai tudo para
um abismo chamado adoecimento”.
E ainda "escuto" que a culpa é sempre das Sogras...
sexta-feira, 17 de abril de 2015
O PENSAMENTO NA PSICANÁLISE E O SINTOMA
"O Pensamento
psicanalítico vai muito mais além que a teoria ou a prática clínica ele se
oferece como um instrumento para repensar o Mundo e o repensar em nós mesmo no antes
e depois de tudo. O pensamento Psicanalítico tem grande utilidade, pois quebra
o nosso narcisismo do Pensar, e isso nos auxilia no “Connhece-te a ti Mesmo"
O
Sintoma em Psicanálise
A
ortodoxia serve para aprendermos a teoria e a leitura psicanalítica para novos
pensares e “pesares”.
Mas na prática a ortodoxia pode
ser meio esterilizante para uma psicanálise pós moderna*, hoje precisamos mais
de acolhimento a ética do desejo que de diagnóstico.
A leitura e estudos dos ensinamentos
de Freud que fez Lacan foram "essa liberdade de tratar um autor até recriá-lo
diante da possibilidade de novos pensares e pesares".
·
Meus
comentários *
·
Comentário do autor: (Nasio) aborda neste (livro) os grande s temas lacanianos.
Para Lacan os verdadeiros
pilares da teoria psicanalítica de Jacque s Lacan:
"O
inconsciente é estruturado como u ma linguagem"
- “O inconsciente do
sujeito analisável revela quem ele é para o Outro e não para Si”
Nesse livro enigmáticos em
sua formulação axiomática, tais princípios fornecem a Nasio o ponto de partida
par a o esclarecimento da tríade sintoma, saber, gozo, básica na teoria
lacaniana.
Sempre
interligando a trama teórica pelo fio fecundo da experiência clínica.
Nasio consegue reproduzir
neste livro o mesmo estilo que consagrou seu Lições sobre os 7 conceitos
cruciais
Que
é para nós (Psicanalistas) é um sintoma?
O sintoma é, propriamente
falando, um evento na análise, uma das
imagens através das quais a experiência se apresenta.
Nem
todas as experiências analíticas são sintomas, mas todo sintoma
que se manifesta no correr da análise constitui
uma experiência analítica.
A experiência é um fenômeno
pontual, um momento singularmente privilegiado que marca e baliza o percurso de
uma análise.
A
experiência é uma série de momentos esperados pelo psicanalista, momentos
fugazes e, além disso, ideais, tão ideais quanto os pontos na
geometria. No entanto, a experiência não é somente um ponto geométrico abstrato
A face empírica, eu diria
até sensível, uma face perceptível pelos sentidos, que se apresenta como o instante em que o paciente diz e não sabe o
que diz.
É
o momento do balbucio, ali onde o paciente gagueja, o instante em que ele
hesita e sua fala se subtrai.
Dizem que os psicanalistas
interessam se pela linguagem, e eles são erroneamente assemelhados aos
lingüistas.
Erroneamente,
porque os psicanalistas não são lingüistas.
Os
psicanalistas certamente se interessam pela linguagem (inconsciente),
mas se interessam unicamente no limite
em que a linguagem tropeça.
Ficamos
atentos aos momentos em que a linguagem se equivoca e a fala derrapa.
Exemplos
(paciente relata seu sono ao analista):
Tomemos um sonho, por
exemplo: atribuímos mais importância à maneira como o sonho é contado do que ao
sonho em si; e não apenas à maneira como é contado, mas, principalmente, ao
ponto exato do relato em que o paciente duvida
e diz: "Não sei... não me lembro mais... talvez... provavelmente..."*
(Mecanismo de censura onírica uma espécie de defesa do real) inadmissível.
É
a esse ponto que chamamos experiência, a face perceptível da experiência: um
balbucio, uma dúvida, uma palavra que nos escapa. (Lapsos de memória, Chiste,
Atos falhos e esquecimentos (Freud).
A
teoria analítica postula, efetivamente, que, no momento em que o paciente é
ultrapassado por seu dito, surge o gozo*.
Por quê? Que é o gozo?
Deixemos momentaneamente de lado essa pergunta, para voltar a ela quando
abordarmos o segundo princípio, sobre a inexistência da relação sexual.
Vamos
trabalhar, por enquanto, o conceito de sintoma, e
enveredemos pelo caminho do primeiro princípio, que, como veremos, afirma que o
inconsciente é um saber estruturado como uma linguagem. O inconsciente.
Formulemos
novamente a pergunta:
Que
é um sintoma?
Sabemos,
comumente, que o sintoma é um distúrbio que causa sofrimento e remete a um
estado doentio do qual constitui a expressão.
Mas,
em psicanálise, o sintoma nos surge de maneira diferente de um distúrbio que
causa sofrimento: ele é, acima de tudo, um mal estar que se impõe a nós, além
de nós, e nos interpela.
Um mal estar que descrevemos com palavras
singulares e metáforas inesperadas.
Mas, quer seja um sofrimento
quer uma palavra singular para dizer o sofrimento, o sintoma é antes de tudo, um
ato involuntário, produzido além de qualquer intencionalidade e de qualquer
saber consciente. É um ato que menos remete a um estado doentio do que a um
processo chamado inconsciente. O sintoma é, para nós, uma manifestação do
inconsciente
Sintoma
reveste se de três características
1). A primeira é a maneira como o paciente enuncia seu do sintoma
sofrimento, os detalhes inesperados de seu relato e, em particular, suas
palavras ditas de improviso.
Penso, por exemplo, numa analisada
que me comunicou sua angústia ao atravessar pontes e disse: "É muito
difícil eu ir, não consigo, a menos que esteja acompanhada...
As vezes, consigo atravessar
sozinha, quando vejo do outro lado da ponte a silhueta de um policial ou de um
guarda uniformizado..."
Pois
bem, nesse caso, é o detalhe do homem uniformizado que me interessa, mais do
que a angústia fóbica em si.
2º
A segunda característica do sintoma é a teoria formulada pelo
analisando para compreender seu mal estar, pois não há sofrimento na análise
sem que a pessoa se pergunte por que está sofrendo.
Assim
como Freud destacava a presença, nas crianças, de uma teoria sexual infantil,
constatamos que o paciente também constrói sua teoria inteiramente pessoal, sua
teoria de bolso, para tentar explicar seu sofrimento.
O
sintoma é um acontecimento doloroso, sempre acompanhado da interpretação, pelo
paciente, das causas de seu mal estar.
Ora, isto é fundamental.
Tão fundamental que quando, numa análise, nas
entrevistas preliminares, por exemplo, o sujeito não é espicaçado por seus
próprios questionamentos, quando não tem idéia da razão de seu sofrimento, cabe
Teoria
de Jacques Lacan Signo Significante (Si) «* SINTOMA Saber inconsciente (S2) • A
maneira de exprimir meu sofrimento • A teoria sobre a causa de meu sofrimento •
O analista faz parte de meu sintoma Gozo.
O inconsciente é estruturado como uma
linguagem Não existe relação sexual então
ao psicanalista favorecer o surgimento de uma "teoria", levando o
paciente a se interrogar sobre si mesmo.
Mas, à medida que, na
análise, o paciente interpreta e diz a si mesmo o porquê de seu sofrimento,
instala se um fenômeno essencial: o analista
se transforma, progressiva e imperceptivelmente, no destinatário do sintoma.
Quanto
mais explico a causa de meu sofrimento, mais aquele que me escuta torna se o
Outro de meu sintoma.
3º
Vocês têm aí a terceira característica do sintoma: o sintoma conclama e inclui
a presença do psicanalista.
Modifiquemos
os termos e formulemos isso de outra maneira: a característica principal do
sintoma, na análise, é que o psicanalista faz parte dele.
Numa análise já bem encaminhada, o sintoma fica tão ligado à presença
do clínico que um faz lembrar o outro: quando sofro, lembro me de meu analista; e,
quando penso nele, o que me volta é a lembrança de meu sofrimento.
O
psicanalista, portanto, faz parte do sintoma. É esse terceiro traço do sintoma que abre as portas
para o que chamamos transferência analítica e distingue a psicanálise de
qualquer psicoterapia.
Justamente, se vocês me
perguntassem o que é a transferência em psicanálise, uma das respostas
possíveis consistiria em defini-la como o momento
particular da relação analítica em que o analista participa do sintoma do
paciente.
(Na participação do sintoma haverá as transferências que podem ser
(positiva, negativas e eróticas).
*
Deixando esclarecido ao leitor e público em geral que tratar de “erotismo ou
sexualidade na “Psicanálise” não significa necessariamente o tratar de
envolvimento ou relação sexual objetal. (ou orgasmo).
Todo
“objeto” em sessões de “Psicanálise” são “imaginários e pertencem a neurose da
linguagem inconsciente de cada sujeito em sua análise*.
O
Terapeuta/Psicanalista gradativamente nas sessões vai ocupar o lugar do
(sujeito do suposto saber).
E
isso que Lacan denomina de sujeito suposto saber. A expressão sujeito suposto saber não
significa, unicamente, que o analisando suponha que seu analista seja detentor
de um saber a respeito dele.
Para
o paciente (analisado), não se trata tanto de supor que o analista sabe, mas de
supor, principalmente, que ele está na origem de seu sofrimento, ou de qualquer
acontecimento inesperado.
Quando
sofro, ou então, diante de um acontecimento que me surpreende, lembro me a tal
ponto de (conversa e escuta do meu analista), que não posso
evitar perguntar a mim mesmo se ele não é uma das causas disso.
Numa
análise em curso, por exemplo, determinado paciente declara: "Desde que
comecei a vir aqui, tenho a impressão de que tudo o que acontece comigo está
relacionado com o trabalho que estou fazendo com você."
Uma mulher grávida nos diz: "Eu engravidei, mas tenho certeza
de que minha gravidez está diretamente ligada à minha análise."
Mas,
que significado a Teoria de Jacques Lacan.
O
psicanalista é o “Outro” do sintoma fica
"diretamente ligada a minha análise"?
Significa que, de um certo
ponto de vista, o analista seria o pai espiritual da criança, a causa do
acontecimento. O fato de o analista
fazer parte do sintoma significa, pois, que ele está no lugar da causa do
sintoma.
Por isso, a expressão
lacaniana sujeito suposto saber significa que o analista assume, inicialmente, o lugar de destinatário do
sintoma * (passa em alguns casos a ser inclusive culpado), e depois, mais
adiante, o de causa dele.
DR. LUIZ
MARIANO
Fonte
de Consulta Referências:
Cinco
Lições Sobre a Teoria de Jacques Lacan
(J.D.Nasio) ZAHAR
Psicanálise
a Clínica do Real (Jorge Forbes) MANOLE
quinta-feira, 9 de abril de 2015
Nunca perca a Esperança !
"A certeza é nunca e não perder a "esperança". Pois o
contrário é o adoecimento da palavra não dita no corpo e é incerto se teremos
salvação na psicose"
sexta-feira, 3 de abril de 2015
Forclusão e Psicose
O que é forclusão ou foraclusão
* Psicose*
Conceito comumente descrito pelo psicanalista francês Jacques Lacan para
designar um mecanismo específico da psicose.
A forclusão é o mecanismo “psíquico”
na qual se produz rejeição de um significante
(imagem acústica e simbólica) que
é fundamental (neurose) para fora do universo simbólico do sujeito
(neurótico) e isso leva o sujeito direto a “Psicose”
Quando essa rejeição se produz, o significante é “foracluído” expulso.
Não é integrado no inconsciente, como no recalque (neurose) e retorna
sob forma alucinatória no real do
sujeito. (Psicose).
No Brasil também se usam foraclusão, forclusão,
repúdio,rejeição e preclusão visto que
o termo foraclusão foi introduzido por Jacques Lacan em 1956, na sessão
de seu seminário dedicado às psicoses e à leitura do comentário de Sigmund Freud sobre a paranóia do jurista
Daniel Paul Schreber.
Para compreender a gênese desse
conceito, há que relaciona-Io com a utilização que Hippolyte Bernheim fez, em
1895, da noção de alucinação negativa: esta designa a ausência de percepção de um objeto presente
no campo do sujeito após a hipnose.
Freud retomou o termo, porém não mais
o empregou a partir de 1917, na medida em que, em 1914, propôs uma nova
classificação das neuroses, psicoses e
perversões no âmbito de sua teoria da castração.
Deu então o nome de Verneinung ao mecanismo verbal pelo
qual o conteúdo recalcado (ics) é reconhecido de maneira negativa pelo sujeito, sem no entanto
ser aceito: "Não é meu pai."
Em 1934, o termo foi traduzido em francês por négation [negação].
Na forclusão há (negação da inscrição do nome do pai (ics) que
privilégio é outorga da fala da mãe)
Quanto à renegação (Verleugnung), Freud a
caracterizava como a recusa, por parte do sujeito, a reconhecer a
realidade de uma percepção negativa – por exemplo, a ausência de pênis na
mulher.
Paralelamente, na França, Pichon
introduzia o termo "escotomização", para designar o mecanismo de enceguecimento inconsciente
pelo qual o sujeito faz desaparecerem de sua memória ou sua consciência fatos
desagradáveis. Em 1925, uma polêmica opôs Freud a René Laforgue a
propósito dessa palavra. Laforgue propunha traduzir por escotomização tanto a
renegação (Verleugnung) quanto um
outro mecanismo, próprio da psicose e, em especial, da esquizofrenia. Freud
recusou-se a aceitar e distinguiu, de um
lado, a Verleugnung, e de outro, a Verdrangung (recalque).
A situação descrita por Laforgue
despertava a idéia de uma anulação da percepção, ao passo que a exposta por
Freud mantinha a percepção, no contexto de uma negatividade: atualização de uma
percepção que consiste numa renegação.Do ponto de vista clínico, a polêmica
entre os dois homens revelou que faltava engendrar um termo específico para designar o mecanismo de rejeição próprio
da psicose: essa palavra, com efeito, não
figurava no vocabulário freudiano, ainda que Freud procurasse elaborar seu
conceito.
Embora houve um tempo polêmico e
diversas discussões em torno do termo, as coisas estavam nesse pé quando Édouard
Pichon publicou, em 1928, com seu tio Jacques Damourette,
um artigo intitulado:
"Sobre
a significação psicológica da negação em francês".
A partir da língua, e não mais da
clínica, ele tomou emprestado ao discurso jurídico o adjetivo forclusif
[foraclusivo ou excludente (do uso de um direito não exercido no momento oportuno)]
para expressar a idéia de que o segundo membro da negação em francês
aplicava-se a fatos que o locutor já não encarava como fazendo parte da
realidade. Esses fatos eram como que foracluídos.
O exemplo fornecido pelos dois autores não
deixou de ter certo humor, tratando-se de dois membros da Action Française.
Com efeito, eles mencionaram a citação de um jornalista, extraída do Journal de
18 de agosto de 1923 a propósito da morte de Esterhazy: "O caso Dreyfus,
diz ele [Esterhazy], é doravante um livro fechado.
Deve ter-se arrependido de algum dia
o ter aberto. Os autores sublinharam que o emprego do verbo arrepender-se
implicava que um fato que realmente existira fora efetivamente excluído do
passado.
E aproximaram a escotomização do
foraclusivo: "A língua francesa, através do foraclusivo [forclusif],
exprime esse desejo de escotomização, assim traduzindo o fenômeno normal do
qual a escotomização, descrita na patologia mental pelo Sr. Laforgue e por um
de nós [Pichon], constitui o exagero
patológico." (psicanálise)
Em 3 de fevereiro de 1954, Lacan
começou a atualizar a questão do foraclusivo e da escotomização, por ocasião
de um debate com o filósofo hegeliano Jean Hyppolite (1907-1968), ele próprio
confrontado com essa questão por intermédio da Verneinung,
a qual propunha traduzir por
denegação, em vez de negação. Lacan inspirou-se no trabalho de Maurice Merleau-Ponty
(1908-1961) Phénoménologie de la perception, e, sobretudo nas páginas
desse livro dedicadas à alucinação como "fenômeno
de desintegração do real", componente da intencionalidade do sujeito.
Na análise do caso do “Homem dos Lobos” publicada em 1918, Freud
explicou que a gênese do reconhecimento e do desconhecimento da castração em
seu paciente passava por uma atitude de rejeição (ou, Verwerfung)
que consistia em só ver a sexualidade pelo prisma de uma teoria infantil.
Para ilustrar sua colocação, ele
evocou uma alucinação que seu paciente Serguei Constantinovitch Pankejeff
tivera na infância.
Este "vira" seu dedo mínimo
cortado por seu canivete, apercebendo-se em seguida da inexistência do
ferimento.
A propósito da "rejeição de uma
realidade apresentada como inexistente", Freud sublinhou que isso não era
um recalcamento, porque um recalque é
algo diferente de uma rejeição.
Comentando esse texto em seu diálogo
de 1954 com Hyppolite, Lacan forneceu como correspondente francês de Verwerfung a
palavra retranchement supressão, eliminação. Dois anos depois,
retomou a distinção freudiana entre neurose
e psicose, para lhe aplicar a terminologia segundo a qual, na psicose, a realidade nunca é realmente
escotomizada.
Por fim, depois de comentar longamente a paranóia de Schreber e Lacan
passou a usar o conceito de “Nome-do-Pai” Lacan propôs traduzir Verwerfung por
foraclusão.
Compreende-se com isso que o mecanismo (psíquico inorgânico) específico
de estudo de caso de psicose (na psicanálise), aqui a ser definido é
a partir da paranóia (delirante), que consiste na rejeição primordial de um significante fundamental para fora do universo simbólico do sujeito. (Evitando
assim a inscrição da instância da Neurose).
Lacan distinguia o mecanismo do
recalque, sublinhando que, no primeiro caso, o significante foracluído ou os
significantes que o representam não pertencem ao inconsciente do sujeito, mas retornam (no real) por ocasião de uma alucinação ou um delírio (sem linguagem
neurótica, culpa ou remorso) que invadem a fala ou a percepção do sujeito*. *
(Psicose)
O conceito de foraclusão, (fora-clusão),
ora inserido nos estudos e em seminário de Lacan e é um referencial
para a investigação do inconsciente inominado do
(Psicótico) que ocupa um lugar não acessível pela via da “neurose” e
isso é um desafio ao psicanalista ou aspirante de psicanálise que se deparar
com o acolhimento para casos de Psicose.
Dr. Luiz Mariano
Fonte consultada / referências Bibliográficas:
História de uma
Neurose Infantil “ Homem dos
Lobos” Sigmund Freud – Volume: 14 Ed. Editora: Imago Standart – Versão tradução
Inglesa
Dor, J. (1991) - O
pai e sua função em Psicanálise. Jorge
Zahar Editor.
Lacan, J. (1985) - O Seminário. Livro 3. Jorge Zahar Editor.
Rabinovitch, S. (2000). A Foraclusão – Presos do Lado de Fora. Jorge Zahar Editor.
Lacan, J. (1985) - O Seminário. Livro 3. Jorge Zahar Editor.
Rabinovitch, S. (2000). A Foraclusão – Presos do Lado de Fora. Jorge Zahar Editor.
terça-feira, 17 de março de 2015
NENHUM DISCURSO POLÍTICO NOS SALVARÁ E NEM OS DISCURSOS DOS "OUTROS"
O Gozo do Outro é o impossível.
Infelizmente nenhum discurso político ou “outros” tantos nos salvará de
nosso real, visto que vivemos tempos que e o lugar do “Pai” simbólico está
desqualificado e desimpoderado analiticamente.
O mundo que era vertical se
tornou horizontal e a humanidade ta meio desbussolada. (Jorge Forbes)
O *real não é o mundo. (*Real na
clínica de Lacan)
É o real do sujeito, Não há nenhuma esperança de alcançá-lo
por meio da representação.
O real não é o universal para todos os sujeitos, é
singular em sua angustia, desejo e gozo.
O sintoma na psicanálise é a partir de
algo do real que não cessa de se escrever em nossos pensamentos, emoções e
sensações atemporais: a pré-maturação, o desamparo e a morte angustiam todo
sujeito.
"A hipótese do inconsciente, sublinha Freud,
só pode se manter na suposição do Nome do Pai. E talvez seja certo que supor o
Nome do Pai é Deus.
Por isso a psicanálise, ao ser bem sucedido, prova
que podemos prescindir e repensar o nosso nome do Nome do Pai de cada sujeito.
“Podemos, sobretudo prescindir com a condição de
nos servirmos dele.”
Estudos sobre (LACAN, 1975/76-2011, p.133).
A psicanálise é uma ciência e o
discurso analítico é uma práxis da palavra do inominado saber de si mesmo.
Ótima leitura e
reflexões a todos.
Luiz Mariano
quinta-feira, 5 de março de 2015
O Bebê que queria Morrer....
O Bebê que queria Morrer...
“A
psicanalista, A mulher, A interpretação.
O que vou lhes contar ocorreu na Maison Verte, instituição parisiense de
acolhimento de crianças de zero a três anos, criada pela psicanalista Françoise
Dolto.
Quando
na juventude de minha formação psicanalítica, tive a oportunidade de passar
algumas tardes naquele local, acompanhando o trabalho de Dolto, já, então,
ícone da psicanálise dita infantil.
Em uma tarde, um casal relativamente jovem chegou para a consulta com cara de
desespero.
Traziam
um bebê nos braços, o qual aparentava uma fraqueza importante.
Deveria
ter uns três ou quatro meses de vida.
Dolto, cheia de atenção vigilante e afetuosa, ficou sabendo dos pais que ao
desespero da criança que não comia, razão por estar esquálida, somava-se a
preocupação com o desemprego do pai, a sobrecarga da mãe, e as contas que não
fechavam no mês.
Assisti, em seguida, Françoise Dolto se dirigir diretamente ao bebê, sem
qualquer atenção ao fator compreensão, e lhe explicar, olhos nos olhos, que
ela, Dolto, entendia muito bem que ele não quisesse comer, uma vez que sua
chegada poderia ser pensada como em má hora, e que o melhor talvez fosse
desaparecer.
Contestou,
no entanto, afirmando que ele estava enganado, pois sendo tão querido e
esperado, sua morte precoce retiraria dos seus pais o único efetivo alento
naquele momento difícil de vida.
E
assim se despediu dos três – filho, mãe e pai – dando-lhes um retorno para a
semana seguinte.
Quando
saíram, Dolto me disse: - “Você vai ver só o que vai acontecer”.
No segundo encontro, confirmando a previsão da analista, eram outras pessoas
que estavam ali.
O
bebê estava comendo, e bem.
Ao final do atendimento, a doutora me falou:
-“Você viu como os bebês falam?
Você viu a prova?”.
Aí,
para mim, foi demais.
Com a delicadeza devida, contestei que não era que bebês
falassem, mas que – como Lacan havia demonstrado no estádio do espelho...
–
ao ela falar com o bebê, estava realmente falando a seus pais que, por
conseguinte, tinham mudado sua posição e possibilitado a alteração sintomática.
Dolto não me deixou avançar muito em minha peroração.
–“Sim, sim – me retorquiu
– eu também conheço o ‘seu Lacan’ e bastante bem.
Além
de companheiros de toda uma vida, somos mesmo muito amigos.
Agora, que ele o
diga com o espelho, é interessante, quanto a mim, digo e mostro – como você viu
– que os bebês compreendem e sabem falar”.
Pano rápido.
Jorge
Forbes é Psicanalista e Escritor
* Meu comentário:
* Dr. Jorge Forbes um dos melhores Psicanalista, Professor e de ilibada referência ética, da escrita e fala Psicanalítica da nossa Era Pós Moderna. Vale "ouro" suas Palestras, Aulas, Livros e todas as falas para a pedagogia da Alma amoral do nosso pensar psicanalisante.
Françoise Dolto é um ensinamento consagrado da Psicanálise Infantil no mundo.
* www.drluiz.com
segunda-feira, 2 de março de 2015
As 13 datas e tempos dos Relacionamentos
"As 13 datas e tempos dos Relacionamentos"
Alguns têm data de validade, um dia
vence, um dia acaba.
Alguns vêm estragados e você tenta
salvar e morre junto.
Alguns você não consegue devolver na
data.
Alguns vêm com a data de validade
ilegível.
Alguns estão embrulhados você não
consegue tempo p/ desembrulhar.
Alguns vêm com defeito e é difícil de
trocar.
Alguns são tóxicos nos adoecem o
tempo todo.
Alguns são tão familiares que você
nem lembra datas.
Alguns não têm remédio para mudar a data.
Alguns ti confundem a data de odiar e
a data de amar.
Alguns duram só instantes e nem data
tem.
Alguns só servem para devolver ao Édipo.
Alguns dizem que amor é assim mesmo,
feito de tempo e datas e não queremos
acreditar.
Alguns passam, e talvez algum pode
ficar
se houver singularidade na língua e ouvidos
mudos.
Não se preocupe na vida;
Sempre haverá novos
amores
e novas datas.
domingo, 1 de março de 2015
Sessões de Psicanálise
As sessões de Psicanálise
A terapia psicanalítica não é
indicada para psicoses agudas, loucuras ou pacientes com diagnostico de comprometimento
neurológico (clínico) na capacidade da fala, do pensar, do sentir remorso ou
culpa por condições orgânicas (clínicas) ação de medicamentos ou de patologias
que afetem a fala e o pensar do inconsciente.
Psicanálise não é terapia para “loucos”
é indicada para tratamento de diversas neuroses desde sua teorização e prática
freudiana e dos pós freudiana, é uma via de auto-conhecimento de si.
A Psicanálise é um caminho laico,
singular, apolítico e amoral para autoconhecimento do desejo do seu desconhecido
de si para si mesmo.
A sessão de psicanálise parece ser construída
de bobagens e falas soltas, mas é somente nessas falas soltas que o
inconsciente vai criar uma via de confiança e dar se oportunidade de e
ressignificar nossos traumas, resolver parte do Édipo e descatexizar nossos
sintomas e queixas
E tese a psicanálise não remove a
neurose, sem neuroses nós vamos direto para “loucura ou algum grau de psicose”.
A psicanálise não promete uma cura orgânica ou
fisiológica que é objeto da medicina e outras formas de terapias. O psicanalista é o intermediador diplomata da
fala do inconsciente do sujeito que se se submete corajosamente às sessões de
análise.
Na caminhada da permissão da “associação
livre de idéias”, chistes, atos falhos, interpretação dos sonhos e outras
técnicas da psicanálise coloquial e laica é que se ajudará ao sujeito em análise
a remover o conflito, adoecimento em função da neurose, na medida em que haja
transferências e insights nas sessões de análise e pós sessões.
O sujeito psicanalisado; nunca
mais será o mesmo.
E poderá sim viver com mais sanidade, saúde e felicidade
porque aprende e empreende uma nova ética do seu e sentir do seu desejo.
E onde está esse sujeito da
psicanálise.
É onde esta seu inconsciente sua
história esquecida, recalcada e suas emoções reprimidas e seus sintomas e
queixas seja no contexto familiar, social e do meio de trabalho.
Bem vindos à ética do pensar e do
desejo...
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