domingo, 24 de agosto de 2014

Como a Medicina da Doença Funciona ( Artigo de Médico Urologista)

Como a Medicina da Doença Funciona

Aos 30 anos, você tem uma depressãozinha, uma tristeza meio persistente: prescreve-se FLUOXETINA. 

A Fluoxetina dificulta seu sono.

Então, prescreve-se CLONAZEPAM, o Rivotril da vida. O Clonazepam o deixa meio bobo ao acordar e reduz sua memória.

 Volta ao doutor. Ele nota que você aumentou de peso. Aí, prescreve SIBUTRAMINA.

A Sibutramina o faz perder uns quilinhos, mas lhe dá uma taquicardia incômoda. Novo retorno ao doutor. Além da taquicardia, ele nota que você, além da "batedeira" no coração, também está com a pressão alta.

Então, prescreve-lhe LOSARTANA e ATENOLOL, este último para reduzir sua taquicardia.

Você já está com 35 anos e toma: Fluoxetina, Clonazepam, Sibutramina, Losartana e Atenolol.

E, aparentemente adequado, um "polivitamínicos" é prescrito.
Como o doutor não entende nada de vitaminas e minerais, manda que você compre um "Polivitamínico de A a Z" da vida, que pra muito pouca coisa serve.

Mas, na mídia, Luciano Huck disse que esse é ótimo. Você acreditou, e comprou. Lamento!

Já se vão R$ 350,00 por mês.
Pode pesar no orçamento. O dinheiro a ser gasto em investimentos e lazer, escorre para o ralo da indústria farmacêutica.

Você começa a ficar nervoso, preocupado e ansioso (apesar da Fluoxetina e do Clonazepam), pois as contas não batem no fim do mês.

Começa a sentir dor de estômago e azia. Seu intestino fica "preso". Vai a outro doutor. Prescrição: OMEPRAZOL + DOMPERIDONA + LAXANTE "NATURAL".

Os sintomas somem, mas só os sintomas, apesar da "escangalhação" que virou sua flora intestinal.

Outras queixas aparecem. Dentre elas, uma é particularmente perturbadora: aos 37 anos, apenas, você não tem mais potência sexual.

Além de estar "brochando" com frequência, tem pouquíssimo esperma e a libido está embaixo dos pés.

Para o doutor da medicina da doença, isso não é problema.

Até manda você escolher o remédio: SILDANAFIL, TADALAFIL, LODENAFIL ou VARDENAFIL, escolha por pim-pam-pum.

Sua potência melhora, mas, como consequência, esses remédios dão uma tremenda dor de cabeça, palpitação, vermelhidão e coriza.

Não há problema, o doutor aumenta a dose do ATENOLOL e passa uma NEOSALDINA para você tomar antes do sexo.

Se precisar, instila um "remedinho" para seu corrimento nasal, que sobrecarrega seu coração.

Quando tudo parecia solucionado, aos 40 anos, você percebe que seus dentes estão apodrecendo e caindo. (entre nós, é o antidepressivo). 

Tome grana pra gastar com o dentista.

Nessa mesma época, outra constatação: sua memória está falhando bem mais que o habitual. Mais uma vez, para seu doutor, isso não é problema: GINKGO BILOBA é prescrito.

Nos exames de rotina, sua glicose está em 110 e seu colesterol em 220. Nas costas da folha de receituário, o doutor prescreve METFORMINA + SINVASTATINA. "É para evitar Diabetes e Infarto", diz o cuidador de sua saúde (?!).

Aos 40 e poucos anos, você já toma: FLUOXETINA, CLONAZEPAM, LOSARTANA, ATENOLOL, POLIVITAMÍNICO de A a Z, OMEPRAZOL, DOMPERIDONA, LAXANTE "NATURAL", SILDENAFIL, VARDENAFIL, LODENAFIL ou TADALAFIL, NEOSALDINA (ou "Neusa", como chamam), GINKGO BILOBA, METFORMINA e SINVASTATINA (convenhamos, isso está muito longe de ser saudável!). Mil reais por mês! E sem saúde!!!

Entretanto, você ainda continua deprimido, cansado e engordando. O doutor, de novo.

Troca a Fluoxetina por DULOXETINA, um antidepressivo "mais moderno". Após dois meses você se sente melhor (ou um pouco "menos ruim").

Porém, outro contratempo surge: o novo antidepressivo o faz urinar demoradamente e com jato fraco.

Passa a ser necessário levantar duas vezes à noite para mijar. Lá se foi seu sono, seu descanso extremamente necessário para sua saúde. Mas isso é fácil para seu doutor: ele prescreve TANSULOSINA, para ajudar na micção, o ato de urinar.

Você melhora, realmente, contudo... não ejacula mais. Não sai nada! Vou parar por aqui. É deprimente. Isso não é medicina. Isso não é saúde.

Essa história termina com uma situação cada vez mais comum: a DERROCADA EM BLOCO da sua saúde. Você está obeso, sem disposição, com sofrível ereção e memória e concentração deficientes.

Diabético, hipertenso e com suspeita de câncer. Dentes: nem vou falar. O peso elevado arrebentou seu joelho (um doutor cogitou até colocar uma prótese). Surge na sua cabeça a ideia maluca de procurar um CIRURGIÃO BARIÁTRICO, para "reduzir seu estômago" e um PSICOTERAPEUTA para cuidar de seu juízo é aconselhado.

Sem grana, triste, ansioso, deprimido, pensando em dar fim à sua minguada vida e... DOENTE, muito doente! Apesar dos "remédios" (ou por causa deles!!).

A indústria farmacêutica?

"Vai bem, obrigado!", mais ainda com sua valiosa contribuição por anos ou décadas.

E o seu doutor?

"Bem, obrigado!", graças à sua doença (ou à doença plantada passo-a-passo em sua vida).
***

Dr. Carlos Bayma
É Médico Urologista




"A Psicanálise e o Esvaziar-se de Si"

“A Psicanálise e o Esvaziar-se de si”

Gilberto Safra



“A palavra foi dada ao homem para encobrir seu pensamento”, Stendhal
Por André Toso

Entre as inúmeras contribuições da psicanálise para a humanidade, talvez a que mais se destaque é a abertura da possibilidade de escutar o outro.
A figura do analista representa um esvaziar-se de si mesmo e abrir-se para as inquietações, conflitos e, fundamentalmente, para o discurso do paciente.
Para tanto, é necessário que o analista deixe do lado de fora de seu consultório todas as suas opiniões morais e escute as demandas do paciente sem julgamentos ou concepções pré-definidas.
É escutar o outro em sua inteireza, de forma depurada e sem misturar-se com o que é falado. É ouvir por ouvir, sem a ansiedade de uma resposta que se enquadre em um diálogo. É ouvir sem sequer pensar em construir um diálogo racional.
O diálogo se constrói por si mesmo, nas entrelinhas, sensações e naturalidades da fala do paciente. É essa fala do paciente que leva à resposta do analista, como num eco. Não se trata de um diálogo construído: trata-se de um diálogo que simplesmente nasce em si mesmo.
Por isso mesmo, o psicanalista inglês Donald Woods Winnicott (1896-1971) diz que a sessão psicanalítica é um momento sagrado.
Sagrado, pois consiste em uma tentativa de encontrar a verdade que não está nas palavras e sim na essência do que é cada ser humano.
A verdade que não pertence nem ao analista nem ao paciente.
A verdade que pertence à própria experiência humana.
Uma verdade intangível, que se estabelece diante da singularidade de cada um e escapa a teorias ou enquadres.
Uma verdade que transcende – própria da experiência de cada paciente.
Uma verdade que nunca é totalmente revelada, mas pode ao menos ser parcialmente iluminada.
Uma boa análise objetiva libertar o paciente de suas próprias amarras fantasiosas e das amarras do meio social em que ele vive.
É libertar o paciente do discurso do Outro – como diria Jacques Lacan (1901-1981) –, do discurso dos pais e mães.
Mas esses pais e mães ultrapassam em muito a barreira familiar e não são apenas os biológicos.
A psicanálise busca libertar o paciente do discurso do poder, das instituições, tradições, imposições e até mesmo das leis que regem a vida social.
É libertar o paciente do discurso inventado pela própria história humana.
É desintoxicar a mente do excesso de discurso, do excesso de palavras, do excesso de regras estabelecidas que se estendem ao longo da trajetória humana.
O papel da psicanálise é reinventar a experiência humana contestando tudo que até então foi imposto ao sujeito pelo discurso externo.
É limpar os signos e símbolos em excesso que sufocam o humano e lhe tiram seu caráter misterioso, subjetivo, essencial e quase místico. A psicanálise trabalha com a palavra narrada para desgastá-la a ponto de ela perder sua importância central e restar apenas a essência. A palavra – que muitas vezes cega – é substituída pelo sentir.
É esse sentir que levará o paciente a criar sua própria ética.
Uma ética que não responde a instituições ou regras estabelecidas, mas que ecoa dentro de sua essência.
Uma ética que dispensa a obrigação e o apalavrado – que é essência em si mesma.
O paciente, ao estar diante de um analista que se esvazia para contê-lo, aprende também a esvaziar-se para conter todos que o cercam na comunidade.
Aprende a olhar o outro sem barreiras morais, respeitando as singularidades, experiências e vivências de cada um.
Um ser humano analisado aprende a respeitar o espaço de si e do outro, separando o seu querer e poder do querer e poder do outro.
Ele aprende a delimitar-se na relação com o outro, respeitando-o e sabendo instintivamente que para construir-se é preciso do outro, mas que esse outro também está ali para construir-se com ele.
Esse paciente aprende a olhar a si e ao outro respeitando o mistério da experiência humana.
Respeita-se a si, respeita-se o outro e respeita o próprio mistério do existir humano. É um ser que consegue esvaziar-se de si para acolher o outro.
É alguém preparado a conviver com unidade e em comunidade.

Gilberto Safra

Psicanalista .   Mestre e  Doutor em Psicologia Clínica e professor titular da Universidade de São Paulo (USP), docente do programa de pós-graduação da Pontifícia Universidade Católica (PUC), coordenador do Laboratório de Estudos da Transicionalidade (LET) e do Programa de Formação Continuada (Profoco).Destaca-se na atualidade por uma abordagem que vai além da própria psicanálise na integração de várias áreas do saber, tendo contribuído no diálogo entre disciplinas tais como a psicologia, literatura, filosofia, antropologia e teologia. Safra desloca o pensamento inicial da psicanálise edipiana para as questões fundamentais da constituição do Humano.


quarta-feira, 13 de agosto de 2014

“Ebola- Pânico e Histeria”

“Ebola- Pânico e Histeria”

Artigo de Médico – Membro da ABMP-DF


 Sei que provocarei discordâncias e polêmicas a respeito deste tema porem não posso deixar de opinar desta forma. 
Enquanto o ramo da Ciência que trata de doenças infecciosas permanece na busca incessante de uma vacina para tratamento ou cura desta virose maldita, as pessoas que contraem o Ebola continuam, na sua maioria, morrendo aos poucos e deixando em pânico o resto do mundo que imagina poder também vir a ser vítima dessa doença.
Certamente o achado de uma vacina não é a resposta mais efetiva contra a virose.
Mesmo que a vacina possa ser encontrada e introduzida no corpo para prevenir a doença, ela servirá em nada para o paciente que se encontrar severamente doente e com enorme quantidade de vírus no seu interior.
Também não ajudará aqueles que superarem a doença e se mantiverem debilitados em função das seqüelas adquiridas.
Existe sempre uma postura catastrofista frente à iminência de epidemias e parece até que existe a intenção de colocar a população em pânico e histericamente preocupada com a situação que se apresenta, muitas das vezes, como inevitável. Isso ocorreu há alguns anos com a perspectiva avassaladora da gripe suína que nunca ocupou lugar nas verdadeiras epidemias.
Soou um alarme falso em todo o mundo e as pessoas passaram a temer a desgraça. É claro que Ebola é uma virose assustadora e catastrófica porem a intensidade dos avisos alarmantes está chegando a uma proporção preocupante. A população mundial está chegando à beira de um “ataque de nervos” . 
Quando uma campanha de vacinação, seja de qual virose for, é lançada, os governos se preocupam em imunizar as pessoas porque sabem bem que a maioria da população é portadora de vários tipos de deficiência imunológica.
Caso a imunidade fosse bem aprumada, muitas doenças infecciosas nem mesmo existiriam porque os organismos seriam perfeitamente capazes de colocar os “exércitos celulares de defesa” para combatê-las.
Qualquer epidemia tem início em segmentos de populações que são imunodeficientes e, pasmem, nenhum vírus é imune a tratamentos com altas doses de VITAMINA C.
Esta vitamina, no campo das células, ativa uma reação biológica chamada “reação de Fenton”.
De forma resumida, esta reação se propaga para o interior dos microorganismos e promove a formação de um radical chamado “hidroxila” que tem o mais poderoso efeito oxidativo conhecido, levando à morte dos vírus.
Alem disso, esta vitamina também estimula a produção de outras células biológicas de defesa, (Vitamina C)  levando o corpo à vitória na batalha contra os vírus agressores. Lògicamente, esse tipo de tratamento não oferece resultados nos indivíduos portadores da doença em estado avançado em que vários órgãos internos já foram atacados e lesados. Serve, sim, para o tratamento da doença em estado inicial, antes que seqüelas possam ser estabelecidas.
Entretanto, os esforços maiores se dão no sentido de se conseguir a vacina.
É claro que isto tem importância capital na prevenção da epidemia porem o que fazer efetivamente para aqueles que já são infectados e devem lutar para que a morte não seja a vitoriosa?
Ebola é uma doença que se propaga principalmente entre populações mais pobres e com deficiência nutricional evidente. Com certeza, uma exposição a grande quantidade desse vírus pode trazer conseqüências devastadoras mesmo em pessoas bem nutridas porem não é o mais comum de se ver.
Ademais, verificou-se que muitos profissionais da área de saúde que convivem com pacientes vítimas do Ebola, são imunes à doença.
Isto corrobora a afirmação que frisa a boa nutrição e conseqüente boa condição de imunidade para evitar que a doença possa invadir seus organismos ou, pelo menos, que se manifeste de forma bem mais branda e não consiga evoluir para seqüelas e morte.

Para concluir, se as autoridades e a mídia querem induzir o pânico e a histeria, não se preocupe.
Você tem as armas necessárias para se colocar sob boas condições clínicas para não vir a ser uma vítima dessa doença. Mesmo que as medidas de prevenção se mostrar pouco eficientes, a cura poderá ser atingida mediante a aplicação de altas doses de vitamina C, o que serve também para qualquer outro tipo de virose que venha a atacar o organismo. O fato relevante é que as autoridades mais ortodoxas no campo da Ciência relutam imensamente na admissão dessa verdade.
Agosto de 2.014
Dr. Sérgio Vaisman

É médico, especialista em Cardiologia e Nutrologia e se Medicina Preventiva. É professor de pós-graduação nas áreas de Bioquímica e Bio-molecular, autor de várias publicações científicas, palestrante em cursos, congressos, simpósios, empresas e escolas, além de membro de várias associações científicas nacionais e internacionais. Profere aulas em Universidades de Portugal e Itália. Comentarista e consultor de saúde em vários veículos de comunicação. Autor do livro MULHERES E SEUS HORMÔNIOS - Uma Forma de Retardar o Envelhecimento.


Membro Efetivo de Honra da ABMP-DF



sábado, 9 de agosto de 2014

PARA PENSAR...

"A DOENÇA É SUPORTE, É O SINTOMA QUE VEIO COM O ADVENTO DA NÃO CONSTRUÇÃO DO DISCURSO ANALÍTICO DO SUJEITO".  

L. M. 

quinta-feira, 7 de agosto de 2014

NA PSICANÁLISE "COMO FICA FORTE UMA PESSOA QUE SE SENTE AMADA" (FREUD 1856/1939)




Você quer ser vítima ou criador de sua realidade?


Ao adotar uma atitude de abertura e receptividade, estamos prontos para começar a destruir as ilusões que nos impedem de acordar do pesadelo do sofrimento.
Quando eu digo destruir soa como algo negativo, mas a verdade é que a sabedoria vem da destruição.

O vácuo vem da destruição da nossa conversa interna-das ideias, opiniões, juízos e conceitos que estão lutando para ter a vanguarda da nossa atenção.
Este ruído de fundo, esse zumbido de estática é o que nos mantém distraídos, cegos, ignorantes de nossa verdadeira natureza, da glória e da beleza de ser.

Presentes em nós mesmos é onde descobrimos o assombro.

Sendo -sem nada mais, apenas o ser puro- é onde achamos a satisfação. Nesse vazio se descobre o indescritível e podemos conseguir tudo aquilo pelo que estivemos lutando, controlando, obtendo e nos queixando no intento de realizá-lo, para ser alguém, para nos superarmos.

Esteve aí o tempo todo, esperando por nós para levantar as mãos com desespero e, finalmente, parar de buscar a satisfação fora de nós.

Quando achamos esse estado interior, a alegria do amor-consciência começa a penetrar cada momento, cada uma das nossas ações.

Nós nos tornamos artistas, criadores, entregando ao mundo nossa própria expressão tão única.
Não estamos tentando tomar, nem nos concentramos em como podemos nos beneficiar. Nós só estamos dando e adicionando nosso próprio sabor à mistura.
Nesta troca é que cada um começa a encontrar a felicidade e a satisfação.

Nesta seção, é que destruindo as ilusões que turvam nossa visão de nós mesmos e do mundo, aprenderemos a transformar o vitimismo em criatividade, descobrindo as limitações da comodidade, destruindo a falsa noção da carência, superando a passividade, transcendendo a discriminação, olhando para além da aparente separação, transcendendo o próprio julgamento, entendendo a natureza sufocante do controle e começando a nos libertar de nossa própria repressão.

As circunstâncias que moldaram nossas vidas são tão únicas e individuais como a nossa personalidade - não há duas pessoas iguais.

No entanto, a nossa capacidade de crescer como indivíduos, para evoluir como pessoas mais compassivas, amorosas e conscientes, não depende do que nos aconteceu, mas da nossa atitude em relação a essas situações.

Diante das dificuldades nos encolhemos ou crescemos?

Resistimos ou usamos a situação para crescer?

 Em última análise, só há duas atitudes que podemos tomar na vida: a atitude de vítima ou de criador.

A vítima não pode ver a beleza, a abundância nem a perfeição inerente de cada momento porque tem uma ideia de como as coisas deveriam ser, uma ideia que tem sido inevitavelmente violada, uma ideia que está em desacordo com o que é.
Este sentimento de descontentamento gera raiva -raiva perante a vida, perante Deus- mas manifesta-se na vítima como passividade, peso depressivo, inércia e aparente falta de interesse, mostrando-se mais como tristeza que como raiva.

Em última análise, representa o ódio e a violência contra si mesmo.

É a rejeição suprema ao que é: a violência em relação à vida.

A única maneira de quebrar com este padrão de vitimização é pegando o papel de criador. Um criador aprecia sua criação, a vítima a crítica.
O criador vive em apreciação, uma vítima reclama, sem assumir a responsabilidade.
São totalmente opostos.

O criador abraça tudo o que se apresenta.

Responde sim para tudo, o que lhe permite viver uma vida em abundância. A vítima, por outro lado, é ressentida e negativa.

Não pode ver a perfeição e beleza inerentes à vida porque tem uma ideia rígida de como as coisas deveriam ser.

Envolto em um cobertor de passividade fervente, transforma-se na ira suprema: a rejeição à existência, a negação ao que é.

Toda vez que olho para a minha vida com um não ou com uma ideia melhor de como as coisas deveriam ser, estou rejeitando a vida.

A consciência vive na unidade do coração.

Quando você é criativo, vive no amor e a necessidade desesperada de entender desaparece; o medo e sofrimento desaparecem, absorvidos pela alegria plena do ser puro.
ISHA

Fonte: Somos Todos  Um

quinta-feira, 31 de julho de 2014

VOCÊ ESTÁ DOENTE DE QUE...?



VOCÊ E ESTÁ DOENTE DE QUE?

DOENÇAS PSICOSSOMÁTICAS

UM NOVO OLHAR PARA O MEDO E RAIVA DA VIDA DO SUJEITO.
No Processo Humano as doenças rotuladas como "psicossomáticas" resultam da fuga de psicose transitória. 

Os pacientes pelo temor da vida psíquica convertem as manifestações emocionais reprimidas em lesões do soma, de cujos sintomas se queixam.

Durante tratamento analítico a psicose vivida entre analisando e analista permite desaparecimento dos sintomas e abrandamento das lesões estruturais.
Advertência na Investigação do Doente Psicossomático

Em princípio não existiria relação de objeto nos transtornos psicossomáticos pelo bloqueio existente no inconsciente que impede a filtragem de seus produtos. Estabelece-se uma regressão como se estendesse até o corpo, dando ilusão de comunicação direta com o inconsciente, o que é inteiramente falso.Sabemos que os sintomas somáticos traduzem irregularidades no funcionamento mental, todavia não há contato com o inconsciente, de tal modo que a transferência supostamente proporcionada pelo paciente é uma armadilha para o analista, que ouve palavras de simpatia, amor, aversão, atração, ódio, rejeição, etc. mas nada de conteúdo inconsciente.
Explica-se tal ocorrência porque o paciente tem falhas na elaboração psíquica.
Os sintomas somáticos, a semelhança de um acting traduzem essa lacuna do psiquismo.
Dimensão do Funcionamento Mental.

Nesta altura, para entendimento dos fenômenos psicossomáticos cabem noções do funcionamento mental, sobretudo quando se considera a prática clínica do processo analítico em duas visões: de globalização e de diferenciação.

No exercício da analise sob visão de globalização a pratica se realiza em função da relação de objeto com mecanismos de transferência e contratransferência, diminuindo-se o papel da pulsão. Trata-se de comunicação onde o paciente é tomado como um todo e traduzida em termos de ansiedade, angústia, fantasias e mecanismos de defesa, perdendo-se a dimensão do funcionamento mental pelo não aproveitamento de pormenores dos mecanismos psíquicos. São a favor dessa pratica da relação de objeto não só o seu introdutor Fairbarn, Widlocher e Melanie Klein.

No exercício da análise sob visão de diferenciação a prática inclui o conceito de pulsão dispondo-se o afeto como seu componente de descarga podendo estar ligado a uma representação como no exemplo clássico descrito por Joan Riviérie: Um bebê ficava muito ansioso quando a mãe entrava no quarto. Após três anos, a criança pode falar sobre esse episódio, quando encontrou, no armário de sua mãe, um sapato velho, com sola solta dando impressão que a genitora poderia comê-lo.
Tem-se conceito de energia na descrição desse episodio, bem como conceito de representação e de palavra.

Freud pode reconhecer a importância de uma só palavra, fazer analise em torno dela e concluir que em certo momento o inconsciente sofre modificações por um só vocábulo.

Reconhece-se o valor da comunicação pela linguagem em função dos inúmeros enunciados que uma só palavra encerra. Leva-se em conta de forma rigorosa o significado das palavras, pois a cadeia da linguagem nos dá acesso ao inconsciente. A interpretação segue a trilha dos vocábulos que a associação livre fornece.

A favor do conceito de pulsão e conseqüentemente ligados aos conceitos de energia e diferenciação se alinham Greenl Laplanche e Anzieu.
Procura-se na prática clinica acoplar a teoria da relação de objeto com visão globalizada com a teoria da diferenciação mental.
Representação

Poder-se-ia dizer que alguma excitação pode partir da esfera somática e ir de encontro a barreira somatopsíquica e a seguir penetrar no psiquismo, onde vai encontrar excitação, que chegam derivadas da pulsão.
Seria descrito o conceito limite entre o somático e o psíquico quando aparece a pulsão, que surge como representante psíquico das excitações que nascem no interior do corpo e chegam ao psíquico.
A pulsão surge como medida de exigência de trabalho imposta ao psíquico devido seu vinculo com o corporal.

Tudo se passa como mensagem de noticias pouco alvissareiras do corpo, pedindo ajuda ao se ouvir uma paciente exclamando: "se o senhor tem méritos, pelo que eu li em revista cientifica, posso aceitar ter em mim uma perturbação psicossomática".
A paciente parece dizer que algo não vai bem com ela. Seria o primeiro sinal psíquico da pulsão manifestada sob a forma de tensão, mas sem representação. E, todavia, mensagem de quem espera uma resposta em função de sofrimento.

O que vai ocorrer?
O que vai suceder com a tensão da pulsão?
Procurar no psiquismo um objeto que outrora trouxe alívio?
Começamos tirando do latim a palavra representatione na procura de algo que se reproduz apreendido pelo pensamento, pela imaginação ou pelos sentidos.
Assim o representante psíquico ao aliar-se com a representação da coisa vai constituir o representante-representação investido de grande energia econômica, dinâmica e tópica.
Seria este o caráter do desejo, o caráter da compulsão, o caráter da manifestação inconsciente contra a qual a vontade nada pode fazer.
Mas, o representante-representação estando ainda insatisfeito tenta passar para a consciência mas encontra a segunda barreira somatopsíquica ou o limite inferior do inconsciente.

O representante-representação, face às relações com a repressão, é reprimido e obrigado a trabalhar porque uma representação não permanece no inconsciente como estava no inicio. Há grande dinamismo, pois se transforma, disfarça-se, condensa-se, desloca-se por ser o único modo de ter êxito para atravessar a fronteira.
Toda representação em estado bruto não passa pela barreira. Será reprimida. Ultrapassará somente com nome falso.

Na passagem ao sistema consciente devemos lidar não apenas com representações de coisas mas com a relação:
representação de palavras
representação de coisa + afeto
quando se dá a passagem para a linguagem do sistema primário para secundário.

A representação da coisa inconsciente é carregada de onda energética e tem relação com a representação da coisa consciente, que traz consigo energia, portanto dispondo de potencial dinâmico e potencial de transferência. Existiria, assim representação de transferência e transferência de representação.
Todos esses potenciais se encontram na linguagem. O analista procura servir-se de todas as ambigüidades possíveis, pois através da linguagem encontra o único caminho do inconsciente.

O trabalho analítico, rico em analise de transferência, se faz com o confronto da representação da coisa com a coisa inconsciente.

A representação da coisa é o único elemento comum entre o sistema inconsciente e o sistema consciente. Nesse espaço, nessa diferença encontramos o acesso aos conflitos inconscientes.
Suas Lacunas e Necessidade de Ajuda
O doente psicossomático não tendo emoções foge do mundo interno e faz , adaptações em posição distante da realidade externa.
Ele ilude e se ilude, em relação ao principio da realidade. Não suporta frustrações porque não agüenta a dor mental e foge da experiência emocional porque tem medo da vida e chora pelo corpo (3).
Ele não percebe, não sente, não ouve e não fala porque não usa a sua mente.
Tudo é percebido, sentido, ouvido e falado pelo analista, utilizado como instrutor, que usa sua mente.
O paciente perdeu tudo, só tem o corpo. Necessita de ajuda pois encontra- se sem palavras para as emoções e sem símbolos para os estados somáticos, Montagna (5).
Agora, quer recuperar o que o corpo tomou conta, a representação, mas não sabe recuperar sozinho.
O analista serve de instrumento. Cabe a ele entrar em sintonia com o paciente e, ao mesmo tempo, fazer sentir como ter postura, expressão facial, amor, ódio, fantasias, etc.
O paciente vai sentir o que o analista sente, onde todos, com experiência reafirmam essa assertiva Pally (6).

O analista, quando em sintonia, organiza o paciente anatomicamente, ao abrir espaço para o psíquico, onde só havia corpo. Vai substituir a mãe que falhou na função de pensar e usou o paciente como extensão de si própria, com características narcisicas MC Dougall (4).
O analista vai recriar dentro do paciente o que está morto dentro dele, organizando sua memória, abrindo espaço para novas representações. O pai estaria possivelmente, desqualificado e ausente em seu mundo de representações.
O paciente e o analista estariam, guardadas as devidas proporções, a disposição do "reverie", deficiente ou incapaz de atenção, memória, julgamento, imagens capazes de propiciar associações, etc.

Estratégia dos Distúrbios Psicossomáticos

O doente psicossomático faz adaptações em posição distante da realidade externa, sem contato emocional e fugindo do mundo interno. Ele ilude o desenvolvimento do principio da realidade, não tolera a dor mental e foge da experiência emocional, porque não sabe falar. O que ele percebe, sente ouve e fala não é dele. Tudo é percebido, sentido, ouvido e falado pelo analista. Não usa sua mente, mas a do analista. Tudo ele perdeu e agora quer recuperar o que o somático tomou conta, a criação da representação.

O analista serve de instrumento. Ele vai sentir, fantasiar, ter afetos, etc. para o paciente. Tudo vai sendo despertado dentro do paciente para que este possa perceber dentro de si e apreender a realidade.

A chave dos distúrbios psicossomáticos deve ser procurada no funcionamento pré-natal, que deixa vestígios na vida uterina, mas obscurecidas pela cisão do nascimento.
Esses vestígios pré-natais parecem derivados de uma herança indesejável, porque constituem parte das forças hostis ao crescimento mental.
Seria de se supor que a sensibilidade do feto não agüentaria certas tarefas excessivas por serem ainda muito precoces.

O bebê intra-uterino, muito sensível ao desprazer, tenta ficar livre da “proto-idéias", que possibilitam, no futuro, pôr-se em contato com os “fatos" da experiência da realidade.
Captar, em análise, os elementos pré-natais dependeria da capacidade de percepção, cujo alcance é muito rudimentar.

Os estados mentais pré-natais e as proto-emoções podem romper barreiras (cisões) e produzir manifestações psicossomáticas.  (Winnicoot)

As forças hostis ao crescimento mental e ao conhecimento podem propiciar irrupções psicossomáticas, uma vez que a mente é aquisição tardia e pouco evoluída em relação a herança animal. Talvez, por esse motivo, as manifestações psicossomáticas compartilham com o funcionamento psicótico, como o "modelo" da mente constituída por personagens pré e pós-natais.

Sofrimento Proporcionando Simbolização

A mente enfrentando o sofrimento ganha o desenvolvimento simbólico. A oposição entre amor, ódio, conhecimento e o pensar, acerca da experiência emocional, permite a construção de símbolos. Tal acontecimento decorre da possibilidade de tolerar a depressão da posição depressiva.

Os símbolos, despojados do significado e da emoção, criam a desmentalização e a mentira.
O encontro entre a mente do bebê e a mente da mãe com capacidade de devaneio propicia a operação mental que é o pensamento. A mentira é vinculo que destrói a mente de ambas.
Os signos indicam objetos, coisas, etc. e também os representa.

A simbolização é uma capacidade inata que só pode se desenvolver num vinculo humano. As progressivas qualidades simbólicas partem do corpo com dados sensoriais em estado bruto e carente de significado. Mas, na seqüência, com a percepção da experiência emocional é possível alcançar os ideogramas oníricos, equiparações simbólicas como o pré-simbolo, chegando aos pensamentos ligados em narrativas e aos novos pensamentos.

Essa transformação simbólica é necessidade básica como atividade primaria.

O paciente e o analista, diz Bucci (2) põem na sua relação núcleos afetivos que são
compartilhados na experiência bi-pessoal, que se renova continuamente, através de códigos de processamentos sub-simbolico, simbólico não verbal e simbólico verbal como levando do corpo ao psíquico.

A satisfação de expressar idéias, e o prazer de simbolizar constituem capacidades inatas da espécie humana.

Em uma relação parasitaria, a mente primitiva despoja a mente evoluída das conquistas simbólicas.O processo de simbolização tem duplo sentido: por ser observado em uma direção tornando-se cada vez mais complexo em sua evolução e em outro sentido caminhando para degradação, deteriorando-se.

É sabido que a onipotência, a violência e a mentira exacerbam o ódio à verdade da mente. O desenvolvimento simbólico pode ser usado a serviço de conseguir mentiras e enganar as pessoas. Têm-se exemplos nacionais, o execrável, mestre em criticas destrutivas, desejando sempre o mal a alguém e a malvadeza, impiedosa provocando intrigas, confusão e revolta.
A passagem de alterações do corpo para mente, tal como o não verbal para expressão simbólica retira o peso e liberta o fenômeno do processo humano, antes aderido ao soma.
O alivio do sofrimento seria desligar, do corpo alterado, o sintoma, e, conectá-lo ao símbolo não verbal e depois o símbolo verbal, em última instância tirando do soma e conduzindo ao psíquico.

Poder-se-ia supor, dentre múltiplos códigos de pensamentos, retirar o signo da concretude somática, através da energia das emoções, para a abstração simbólica onde há significação.
Considerações sobre Experiência Clínica.

As experiências com o corpo, difíceis de serem expressas por palavras, seriam como palpá-lo, toca, cheirá-lo, talvez como elementos sub-simbólicos. (Lacan)

Paciente de 35 anos, casada, com um filho, engenheira, portadora de gastroenterocolopatia funcional, chega ao consultório, e andando, antes de acomodar-se, diz "sua casa é agradável e gostosa". Logo, a seguir, entra em narrativa, descrevendo episodio do dia anterior, quando muito ansiosa, esperava a chegada, com muito atraso, do marido, para jantar. "o senhor não pode supor, quanta coisa eu disse, dentro da minha cabeça, sobre essa espera. Todavia, antes dele chegar, tive diarréia com três a quatro evacuações pastosas, precedidas de cólicas abdominais terríveis. Na hora em que meu marido chegou, não disse uma palavra.
Em seguida, olha-me dizendo: "ele chegou e tudo foi aqui, e, aponta o abdômen todo. Olha, foi aqui mesmo e nada mais".

A- mostra-me que perdeu tudo, até o bom de sua casa. Possui somente o corpo, onde o ruim se localiza.
Sua indicação parece mostrar desejo de transformação da opção significa para sub-símbolos, ainda em concretude.

Criação de Espaço Mental Rara Memorizar

Em outra oportunidade, consegue lembrar-se de palavras proferidas em sessão e que diziam respeito à pessoa da paciente, atendida por mim, quando de um impedimento dela. Por outro lado, acha curioso, em certo dia, ter-se esquecido de levar seu filho ao escritório do marido, pois ambos iriam à uma reunião.

Como analista estaria, como nos conta Montagna (5), em disponibilidade para recriar em sua mente alguma área obtida por afeto, para memorizar, ficando surpresa por sentir em sua mente algo diferente do que acontece com o aparelho digestivo.

Organização mental

Como moldura dos episódios clínicos dessa paciente, destaque-se a organização em sua mente, quando percepção, visão e audição vinculadas abrem caminho significativo: "ontem, me foi possível, quando daqui sai, ter percebido, olhando para o senhor e ouvindo suas palavras, a chegada de uma idéia jamais ocorrida em minha vida: eu também existo como meu marido e meu filho".

No dia seguinte, ao entrar, caminhando para sentar-se, ainda de pé, disse: "como está muito frio, creio, para vir para cá, devo-me cobrir com uma manta".
Depois de acomodada, poucos instantes a seguir, principia a falar: "não sai da minha cabeça aquele episodio, já lhe contei quando eu esperava muito inquieta o chegar, usei o celular e desabafei, mesmo estando longe, falei, falei, falei,... na hora eu não disse. Formidável o celular!!!"

Perguntei-Ihe sobre o receio daquele momento. Responde-me ter medo das palavras, no sentido geral!!.
Manifestei-me dizendo: agora, ao chegar, conta-me que percebendo que existe, pede-me ampara-Ia cobrindo-a com uma manta pelo receio de que eu possa falar e minhas palavras possam machucá-la, neste momento.

Comentários

Propõe, pela sua grande ansiedade, que falemos pelo celular, seu instrumento de proteção, que pode usá-lo, desligando-se de mim, quando não lhe agrado ao falar.
A paciente parece não poder admitir que depende de um objeto externo. O celular é instrumento, em que ela produz e consome, de tudo que depende em sua vida, por essa razão é... formidável.
O processo psicossomático é dominado por consequências de fatos físicos. Ficam distantes as seqüências dos episódios mentais, porque nenhum é conseqüência de outro.
Pode-se partir do soma para o psiquismo, como da conseqüência para a seqüência.
A paciente esta muito distante para superar a tripeça: frustrações, depressão e culpa.

A expectativa de evolução favorável da paciente consiste na sua capacidade de suportar a dor da frustração, de ouvir o que não deseja.

Sua capacidade de verbalizar somente vai aparecer, o que queremos comprovar, somente depois de passar por depressão e reconhecer-se culpada pelos acontecimentos específicos de sua vida.

A ligação entre paciente e analista não é mensurável. Há algo profundo na comunicação. Às vezes, falamos sem saber o que falamos. Talvez, a conotação mais fácil seria a procura de palavras simples indicadoras de dois objetos relacionados.
A interpretação reside na analise das palavras, sua trajetória e no jogo bi-pessoal analista-analisando como caminho para o inconsciente.

Quem é o sujeito?

Na exposição desta experiência clinica cabe dizer: "você e eu e não você- isto (abdômen) e eu", numa relação racional entre dois seres humanos, sem um intruso (abdômen)!
O intruso interrompe a percepção dela própria e a minha.
A paciente reside em outro município. A distancia é grande para chegar ao consultório e nunca chega atrasada. Chegar depois do horário marcado talvez não agradasse a ela e nem à mim, com o sinal que estaria errando.
Mas quem é o sujeito? Ela, o abdômen ou eu?

Abre-se novo espaço em sua mente

Em nova sessão, introduz-se na sala e ainda de pé, fala: "tive muitas saudades de sexta-feira para cá. Não me foi possível vir, pois submeti-me à uma endoscopia. Nesse intervalo de tempo pensei no que estávamos conversando aqui e, ao mesmo tempo, o que acontece entre eu e o meu marido. Eu quando vou responder, procuro antes escolher as palavras para falar o que é certo. Tenho constantemente essa preocupação porque fico espremida dentro de minha cabeça para selecionar aquilo que é correto".

Respondo-lhe, que me pede aumentar sua capacidade mental, abrindo espaço, para receber- e não evacuar pelos intestinos -palavras por mim pronunciadas, diferentes das suas.
Ao que, a paciente logo comunica: "se o senhor abre espaço na minha mente eu não preciso mais ficar espremida, angustiada!!!"
Então, poderia me ouvir, sem medo?
Diz a paciente: '\enquanto o senhor falava de novo espaço -eu senti qualquer coisa na barriga, mas logo passou..."

A Violência de nossos dias

Acho terrível a violência nos dias de hoje. Não poucas vezes, quando saio de carro, de repente paro em um semáforo. Olho para um lado e vejo alguém - um sujeito, em outro carro, observando-me como se fosse me assaltar!
Subitamente, o sinal verde permite me livrar desse susto! Penso ser um assalto de brincadeira. Eu entrego o meu relógio e pago minhas culpas.
Esse seu relato está ligado a nossa relação aqui? Eu contei por contar uma brincadeira como outra qualquer...
Parece, em sua h isto ria, pagar para livrar-se de alguma coisa sua? Não sei bem o que seja...
Receia que seja eu o sujeito que assalte por atributos que tem?
Bem, bem, bem. Temo uma coisa dentro de mim e não sei o que é. Talvez, um receio que sempre tive, desde moça, de provocar atenção e ser atraída por muitos rapazes...
Um desejo seu posto em mim?
Talvez... não sei.

Uso de antidepressivos durante as férias

Um dia antes de entrar em férias esteve em consulta com gastroenterologista, que lhe receitou antidepressivo, podendo tomar quando necessário.
A paciente relata que decidiu tomar desde o primeiro dia de férias. Começou com meio comprimido tendo diarréia durante cerca de uma semana. Cessada a diarréia, passou a tomar um comprimido ao dia, na suposição de que poderia encurtar o processo analítico.
Chega no primeiro dia, após as férias, cerca de 30 minutos antes, dizendo que vem fazendo sobre si mesmo um processo de pressão para abreviar o tratamento comigo, uma vez que está muito tensa sobrecarregada de tarefas muito numerosas em seu trabalho, queixando-se da distancia de onde mora e dificuldades de transito que enfrenta e que isso não dá para agüentar!

A- O que pensa sobre a coincidência de tomar antidepressivo a partir do primeiro dia de férias?
P- Penso que o antidepressivo apressa o processo do tratamento!
A- Sua diarréia coincide com alguma coisa?
P- Não sei. Não tenho idéia!
A- Se o antidepressivo melhora o aparelho digestivo não acha estranho ter diarréia?
P- Não sei nada. Apenas tensa, confusa, ansiosa e preocupada de que não dou conta do trabalho exatamente, agora, que dispensaram vários funcionários e tudo cai em cima de mim!*

Descobre a hostilidade de um homem

Na sessão seguinte, encontra explicações em um homem agressivo. 

Desde criança, minha mãe fazia criticas, porque eu punha tudo para fora, com muita raiva e ódio! Me transformou em outra mulher que devia ouvir e não rechaçar as pessoas intempestivamente. Quando comecei a trabalhar como advogada, tinha colega sócia, que tolerava desaforos por uma ou duas horas de algum cliente muito perturbado. Eu seguia no mesmo tom. 

Desfiz a sociedade. 

Passei, em concurso, para Oficial de Justiça. Nessa função, encontrei hoje, um homem muito agressivo, quando lhe fiz entrega de uma intimação. Soltou impropérios que me abalaram incontinente aqui na minha barriga. Entendi na hora que devo ser diferente e não aquela que tolera tudo.

A- Não seria eu o homem agressivo que disse algo que não gostou, e que lhe teria feito alguma pressão?
P- Não o senhor falou o que é justo. Pode ter sido duro, mas foi carinhoso. Esse homem não, foi rude, tempestuoso e mau. Senti logo a dor na barriga. Percebi que devo mudar, não devo continuar assim. Agora, parece que estou entendendo.
Suas tarefas

Desde cedo estou preocupada se consigo dar conta do que tenho afazer durante o dia. Fico ansiosa com o volume de processos à despachar, e, se tudo vou fazer no prazo que estipulei! A minha preocupação é desde que acordo até à noite. Estou sempre assim!
Lembro-me quando criança tinha alergia bem aqui na barriga. Depois de desaparecer a alergia veio a coceira no mesmo lugar e é aqui hoje que estou me lembrando de ter cólicas intestinais e diarréia.
A- Fala-me de coisas e do corpo, que me mostra tomando conta de tudo. Parece que nada sente ao estar junto comigo?
P- Eu falo sobre as tarefas Que desenho de manhã até à noite. Sou assim!
* Com essas perguntas, procurei emprestar, sem êxito, meu Ego para elaboração psíquica de suas funções somáticas.

Medo de viver a vida

P-
 O senhor parece um lorde. ..sua observação sobre o uso de antidepressivo me pareceu tê-Io chocado e, ao mesmo tempo, decepcionado com minha evolução até o inicio das férias.
A- O antidepressivo afogou possibilidades de viver sua separação comigo, mas neste momento consegue me ver... mas sem dizer o que sente.
P- Refleti sobre a tolice que fiz, como se eu tivesse me proposto a perder minha identidade com o uso de antidepressivo.
Eu recebi informação por telefone, que meu sobrinho sofrera um acidente e fora hospitalizado. De repente, tive uma sensação estranha dentro de mim, como alguma coisa já experimentada no passado e que não sei o que é! Nada senti no abdômen.
Não tive repercussão alguma no aparelho digestivo. Mas, essa sensação... Incontinenti, tive desejo de ir vê-Io no Hospital.
A- o receio de viver uma emoção foi dissipado ao fazer alguma coisa concreta: ir ao Hospital?
P- Não tinha pensado nisso. Ao chegar ao Hospital vejo o rosto de meu sobrinho: uma metade cheia de escoriações, sangue,olho saltado avermelhado, impressionante, a oub"a metade normal, sem qualquer lesão, lisa, perfeita.
A- Poderia perceber as suas duas metades: uma, a mente que lhe causa muito medo e a outra, o corpo domesticado por suas exigências?
P- Puxa! Que coisa! Olho para o sobrinho vejo seus olhos vermelhos como se fosse chorar. Eu me contenho, faço tudo para não impressioná-lo. Consigo não chorar!
A- Supõe o choro como alguma coisa má?
P- Ele poderia, ao me ver chorando, pensar: "eu enlouqueci!!!"
A- Sentimentos e emoções traduziram loucura! Por essa razão se empenha na separação da mente louca com o corpo supostamente sadio?
P- Começo a entender o meu medo de viver a vida!
A- Sua experiência parece ajuda-Ia a conhecer-se um pouco mais.

Considerações

Não se ajustam as mensagens corpo-mente. O soma não consegue representação simbólica no aparelho mental. O seu corpo parece anulado como fonte vital de informações provocando lacunas no crescimento mental.
Em conseqüência, seu plano de vida, não oferecendo episódios de sensações e emoções, gera crises somáticas.
O imaginado "viver a vida" esconde pulsão de morte como tributo a ser pago pela sua grande capacidade de trabalho.

Sua linguagem pré e paraverbal fornecem dados sobre a cisão mente-corpo.

Quando o corpo não consegue representação simbólica ( episódios do acidente do sobrinho, quando hospitalizado) a paciente é impulsionada a fazer coisa!.
-Perdeu tudo. Só tem o corpo, parecendo ter vida regida por código visceral.Talvez, o medo de viver abriria caminho do soma ao símbolo.
 A analise, em sua evolução, pode proporcionar transformações com o surgimento de mensagens com significados.

É idéia estimulante do crescimento, que pode, segundo Bion, envelhecer rapidamente.


 Resumo

O grande desafio da Medicina Psicossomática, de nossos dias, é descobrir conexões sinápticas que articulem as emoções geradas pelos sistemas neurais, ainda não registradas pela nossa percepção profunda, com as mesmas emoções de nossas constelações psíquicas que utilizamos nos cuidados bi-pessoais ou grupais dos transtornos psicossomáticos.
A grande esperança é transmitir a todas as pessoas capacitadas para esses cuidados não esqueceram que o doente psicossomático tem uma impotência régia : não usa a sua mente e, como tal, foge de toda experiência emocional porque o que percebe, sente, ouve e fala, não pertencem a ele.

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Referências bibliográficas:

1. Bion, W. (2000) Cogitações, edição Francesca Bion. Tradução de E.H.Sandler e P.C.Sandler, Imago Ed, 16 -30.2. Bucci, W (1997) Symptoms and symbols.
A multiple code theory of somatization. psychoanalytic Inquiry, 151- 72.3. Capisano, H. (1978) Afetos na enfermidade psicossomática.
Contribuições psicanalíticas a Medicina Psicossomática. II Encontro Argentino Brasileiro de Medicina Psicossomática. Vol. 1.21 -49.4. MC Dougal, J. (2001)
Teatros do Corpos, Ed, Martins Fontes, S.Paulo.5. Montagna, P (2001) Afeto, somatização, simbolização e a situação analítica.
Ver. Brás. Psicanalítica, Vol. 35(1) : 77 -88.6. Pally, R. (1998) Emotional processing: the mind-body connection. Internat. Joum. Psycho-Anal, 349- 62.  Fonte de Imagens: Sites Internet Aberta




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TRABALHO APRESENTADO EM 2001  PSICOTERAPIAS BREVES          Este trabalho terá   como objetivo mostrar a economia em se ter como práti...