quinta-feira, 11 de setembro de 2014

A CURA PELO PERDÃO...

A CURA PELO PERDÃO

Pesquisas e estudos vêm comprovando os benefícios, tanto mentais quanto físicos, do ato de perdoar. Entrevistamos o Dr. Fred Luskin, autor de O Poder do Perdão, que estuda o assunto há mais de quatro anos.

Camilla Salmazi

Segundo o dicionário (Dicionário Michaelis) a palavra perdão significa “conceder perdão, absorver, remitir (culpa, dívida, pena, etc), desculpar e poupar-se”. Sim! O ato de perdoar envolve tudo isso e ainda muito mais.

Pesquisas e estudos vêm sendo desenvolvidos nesses últimos anos para mostra e comprovar o poder e os benefícios do perdão.

Porém, não é justo dizer que somente agora o mundo está se dando conta do poder do perdão.

No aspecto científico, talvez, mas crença e religiões já pregam a importância do perdão há muitos e muitos anos, principalmente como um ato importante para a saúde do espírito.

No ano passado, Charlotte Van Oyen Witvliet, professora de psicologia do Hope College, em Michigan, EUA, e seus colega, fizeram uma experiência com 71 voluntários. Nela, foi pedido a eles que se lembrassem de alguma ferida antiga, algo que os tivesse feito sofrer. Nesse instante, foi registrado o aumento da pressão sanguínea, dos batimentos cardíacos e da tensão muscular, reações idênticas às que ocorrem quando as pessoas sentem raiva.

E quando foi pedido que eles se imaginasse entendendo e perdoando as pessoas que lhes haviam feito mal, eles se mostraram mais calmos, e com pressão e batimentos menores.

A questão principal, porém, é que o nato de perdoar não é uma das tarefas mais fáceis para nós, seres humanos. Tribos, sociedades, países, famílias e
amigos já travaram e ainda travam batalhas, e verdadeiras guerras, por causa de diferenças entre as pessoas, ou devido a algum ato que desagradasse ou prejudicasse, espalhando pelo mundo ainda mais rancor e nem um pouco de paz. Mas o perdão não é impossível, nem mesmo nos casos mais graves, como vem tentando comprovar o Dr. Fred Luskin, autor de O Poder do Perdão e doutor em aconselhamento clínico e psicologia da saúde pela universidade de Stanford.

Após ter sido muito magoado por um grande amigo, Luskin conseguiu, sozinho, achar uma forma de perdoar-lhe, e quis investigar se a sua técnica funcionaria com outras pessoas em casos semelhantes ou em casos mais graves. E desde então, deu início a suas pesquisas.




EM 1999, ELE CRIOU O PROJETO DA UNIVERSIDADE DE STANFORD PARA O PERDÃO, tendo combinado em sua pesquisa dissertativa uma técnica psicoterapêutica, focando e emotividade racional, com alguns estudos sobre o impacto das emoções negativas, como raiva, magoa e ressentimento no sistema cardíaco.

Suas técnicas foram aplicadas em várias experiências, sendo uma delas com dois grupos de pessoas que foram atingidas pelos conflitos entre protestantes e católicos, na Irlanda: um grupo, de mães que tiveram seus filhos mortos; outro, de homens e mulheres que perderam algum parente. Para esse projeto, Luskin contou com a cooperação de Carl Thoreses, PhD em Psicologia, e contou com o apoio de uma militante irlandesa que há trinta anos trabalha pela paz em seu país.

Os participantes foram separados em grupos experimentais e supervisionados, e passaram seis semanas tendo aulas sobre as técnicas de perdão de Luskin. Os primeiros resultados, segundo Thoresen, indicaram que os participantes apresentavam redução do nível de estresse, viam-se menos irados e mais confiantes de que, no futuro, eles perdoariam mais e mais facilmente.

Além disso, o estudo mostrou que o perdão pode promover uma melhora na saúde física, pois esse grupo de pessoas apresentou uma diminuição significante em sintomas como dores no peito, na coluna, náuseas, dores de cabeça, insônia e perda de apetite. Luskin e Thoresen afirmam que essa melhora psicológica e física persiste pelo menos por quatro meses; em alguns casos, ao longo desses quatro meses, a melhora continua a progredir.

Luskin descreve o perdão como sendo uma forma de se atingir a calma e a paz, tanto com o outro quanto consigo mesmo.

A terapia que ele propõe encoraja as pessoas a terem maior responsabilidade sobre suas emoções e ações, e serem mais realistas sobre os desafios e quedas de suas vidas.

Em O Poder do Perdão, ele explica p processo de formação de uma mágoa e demonstra como tal fato possui um efeito paralisante na vida das pessoas, baseado suas afirmações em suas investigações e pesquisas, principalmente em seu Projeto da Universidade de Stanford para o Perdão. Por meio de nove etapas (ver Box), o autor ensina a sua técnica de perdão.

Nessa entrevista exclusiva para a Sexto sentido, Luskin apresenta suas idéias sobre o ato de perdoar, e tudo o que está envolvido nesse processo.


Como pode ser definido, de fato, o ato de perdoar?

É simples. Perdoar é a arte de fazer as pazes quando algo não acontece como queríamos.
Dizermos que é fazer as pazes com a palavra NÃO.
O acúmulo de mágoas pode causar problemas físicos e psicológicos?

Claro... rancor e desesperança são particularmente perigosos para o bem-estar. A vida tem dificuldades freqüentes.

Precisamos de um caminho para superá-las e, assim, nos libertarmos... é para isso que existe o perdão.

E o perdão pode ser considerado como uma cura para doença físicas e mentais advindas de problemas emocionais ou psicológicos?

O perdão reduz a agitação que leva a problemas físicos.

Perdoar reduz o estresse que vem de pensar em algo doloroso, mas não pode ser mudado. Ele também limita a ruminação que leva a sentimento de impotência que reduzem a capacidade de alguém cuidar de si mesmo.

O perdão é uma cura... às vezes. Ajuda? Sim, muitas vezes.

É possível que pessoas possa perdoar alguém, mesmo ainda estando irada ou magoada com ela?

A diminuição da ira e de mágoa vem de se vivenciar o perdão. O perdão é a experiência interior de se recuperar a paz e o bem-estar. Pode acontece de alguém perdoar um dia, e a raiva volta depois, e isso é normal. Dessa forma, o perdão é um processo que deve ser praticado. Se você permanece falando ou pensando com rancor de alguém, então o perdão ainda não aconteceu.


Existe um momento certo para dar início ao processo do perdão?

O momento é logo depois do tempo necessário para vivenciar a perda.

Se a pessoa perdoar, ela pode ficar com a sensação de que a pessoa perdoada estava com a razão, ou com a sensação de que um direito seu foi atingido. Como afastar ou ultrapassar essa idéia?

Às vezes, a pessoa foi realmente prejudicada. O perdão não elimina esse fato; apenas o torna menos importante.

O perdão implica que se pode ficar em paz mesmo tendo sofrido um mal. Não podemos escapa de todos os males, faz a pessoa continuar intranqüila porque o problema ainda persiste. O perdão reconhece o mal, mas permite que o prejudicado leve a vida em frente. O perdão pode conviver com a justiça e não impede que se faça as coisas justas ou adequadas. Você apenas não as faz de uma perspectiva rancorosa ou transtornada.

Quando a pessoa se encontra num “processo” de perdoar alguém, pode acontecer dela perceber que ela mesma também tem culpa na situação e pode ter causado algum mal ao outro. Como ela deve agir num caso desses?

Muitas situações são complexas e não se pode simplesmente distinguir nelas uma pessoa boa e uma ruim, mas sim duas pessoas que criaram juntas uma situação difícil. É bom lembrar que o perdão pode ser estendido à própria pessoa e que, ás vezes, o perdão implica em reconciliar um relacionamento, e outras vezes, em abrir mão desse relacionamento.

Como a falta de perdão pode prejudicar as pessoas?

A ausência de perdão causa estresse sempre que se pensa em alguém que nos feriu e com quem não fizemos as pazes. Isso prejudica o corpo e provoca emoções negativas.

Como foi idealizado o Projeto do Perdão?

Eu fui seriamente magoado por um amigo próximo, e tive de encontrar sozinho uma forma de me recuperar. Quando consegui, resolvi verificar se isso funcionava com outras pessoas. Foi o começo do meu primeiro projeto de pesquisa.

Essas descobertas são universais, aplicáveis a todos os grupos de sociedades?

Até o momento, a pesquisa que eu e outros temos conduzido sugere que o perdão tem valor em dificuldades muito variadas; podem envolver esposas ou maridos que enganam maridos ou esposas, crianças que sofreram abuso, sócios fraudulento e até pessoas que tiveram seus filhos assassinados. Também trabalhamos com uma grande variedade de nacionalidade aqui em São Francisco e região e tivermos bons resultados.

Existem outros cientistas no mundo realizando o mesmo tipo de pesquisa?

Existem alguns que pesquisam o ensina do perdão, como nós. Outros pesquisam as características que tornam as pessoas mais propensas ao perdão, e outros tentam entender como o perdão pode ser benéfico à saúde.


OS NOVE PASSOS DO PERDÃO - Segundo o Dr. Fred Luskin

1. Saiba exatamente como você se sente sobre o que ocorreu e seja capaz de expressar o que há de errado na situação. Então, relate a sua experiência a umas duas pessoas de confiança.

2. Compromete-se consigo mesmo a fazer o que for preciso para se sentir melhor. O ato de perdoar é para você e ninguém mais. Ninguém mais precisa saber sua decisão.
3. Entenda seu objetivo. Perdoar não significa necessariamente reconciliar-se com a pessoa que o perturbou, nem se tornar cúmplice dela. O que você procura é paz.

4. Tenha uma perspectiva correta dos acontecimentos. Reconheça que o seu aborrecimento vem dos sentimentos negativos e desconforto físico de que você sofra agora, e não daquilo que o ofendeu ou agrediu dois minutos - ou dez anos - atrás.

5. No momento em que você se sentir aflito, pratique técnicas de controle de estresse para atenuar os mecanismo de seu corpo.

6. Desista de espera, de outras pessoas ou de sua vida, coisa que elas não escolheram dar a você. Reconheça as “regras não cobráveis” que você tem para sua saúde ou para o comportamento seu e dos outros. Lembre a si mesmo que você pode esperar saúde, amizade e prosperidade e se esforçar para consegui-los. Porém você sofrerá se exigir que essa coisa aconteçam quando você não tem o pode de fazê-las acontecer.

7. Coloque sua energia em tenta alcançar seus objetivos positivos por um meio que não seja através de experiência que o feriu. Em vez de reprisar mentalmente sua mágoa, procure outros caminhos para seus fins.

8. Lembre-se de que uma vida bem vivida é a sua melhor vingança. Em vez de se concentrar nas suas mágoas – o que daria poder sobre você à pessoa que o magoou – aprenda a busca o amor, a beleza e a bondade ao seu redor.

9. Modifique a sua história de ressentimento de forma que ela o lembre da escolha heróicas que é perdoar. Passe de vítima a herói na história que você contar.

O Poder do Perdão

Dr. Fred Luskin


Fonte Consultada:

(Extraído da revista Sexto Sentido 50, páginas 20-24)


terça-feira, 2 de setembro de 2014

O que é o Sexo "Parafraseando de Freud a Lacan"

Parafraseando de Freud a Lacan
O que é o sexo

"O Sexo é instintivo e sempre individualista,  gozo idílico que é o herdeiro da insatisfação, por isso nos movimenta. Mas é na instância neurótica do prazer que nos inscrevemos para o  Amor necessitamos  sempre de presença e do reconhecimento do "Outro", porque é dessa referência que cada um de nós a herdamos dos nossos pais e a solucionamos ou não em nosso  Édipo”
 Prof. Luiz Mariano 

domingo, 24 de agosto de 2014

Como a Medicina da Doença Funciona ( Artigo de Médico Urologista)

Como a Medicina da Doença Funciona

Aos 30 anos, você tem uma depressãozinha, uma tristeza meio persistente: prescreve-se FLUOXETINA. 

A Fluoxetina dificulta seu sono.

Então, prescreve-se CLONAZEPAM, o Rivotril da vida. O Clonazepam o deixa meio bobo ao acordar e reduz sua memória.

 Volta ao doutor. Ele nota que você aumentou de peso. Aí, prescreve SIBUTRAMINA.

A Sibutramina o faz perder uns quilinhos, mas lhe dá uma taquicardia incômoda. Novo retorno ao doutor. Além da taquicardia, ele nota que você, além da "batedeira" no coração, também está com a pressão alta.

Então, prescreve-lhe LOSARTANA e ATENOLOL, este último para reduzir sua taquicardia.

Você já está com 35 anos e toma: Fluoxetina, Clonazepam, Sibutramina, Losartana e Atenolol.

E, aparentemente adequado, um "polivitamínicos" é prescrito.
Como o doutor não entende nada de vitaminas e minerais, manda que você compre um "Polivitamínico de A a Z" da vida, que pra muito pouca coisa serve.

Mas, na mídia, Luciano Huck disse que esse é ótimo. Você acreditou, e comprou. Lamento!

Já se vão R$ 350,00 por mês.
Pode pesar no orçamento. O dinheiro a ser gasto em investimentos e lazer, escorre para o ralo da indústria farmacêutica.

Você começa a ficar nervoso, preocupado e ansioso (apesar da Fluoxetina e do Clonazepam), pois as contas não batem no fim do mês.

Começa a sentir dor de estômago e azia. Seu intestino fica "preso". Vai a outro doutor. Prescrição: OMEPRAZOL + DOMPERIDONA + LAXANTE "NATURAL".

Os sintomas somem, mas só os sintomas, apesar da "escangalhação" que virou sua flora intestinal.

Outras queixas aparecem. Dentre elas, uma é particularmente perturbadora: aos 37 anos, apenas, você não tem mais potência sexual.

Além de estar "brochando" com frequência, tem pouquíssimo esperma e a libido está embaixo dos pés.

Para o doutor da medicina da doença, isso não é problema.

Até manda você escolher o remédio: SILDANAFIL, TADALAFIL, LODENAFIL ou VARDENAFIL, escolha por pim-pam-pum.

Sua potência melhora, mas, como consequência, esses remédios dão uma tremenda dor de cabeça, palpitação, vermelhidão e coriza.

Não há problema, o doutor aumenta a dose do ATENOLOL e passa uma NEOSALDINA para você tomar antes do sexo.

Se precisar, instila um "remedinho" para seu corrimento nasal, que sobrecarrega seu coração.

Quando tudo parecia solucionado, aos 40 anos, você percebe que seus dentes estão apodrecendo e caindo. (entre nós, é o antidepressivo). 

Tome grana pra gastar com o dentista.

Nessa mesma época, outra constatação: sua memória está falhando bem mais que o habitual. Mais uma vez, para seu doutor, isso não é problema: GINKGO BILOBA é prescrito.

Nos exames de rotina, sua glicose está em 110 e seu colesterol em 220. Nas costas da folha de receituário, o doutor prescreve METFORMINA + SINVASTATINA. "É para evitar Diabetes e Infarto", diz o cuidador de sua saúde (?!).

Aos 40 e poucos anos, você já toma: FLUOXETINA, CLONAZEPAM, LOSARTANA, ATENOLOL, POLIVITAMÍNICO de A a Z, OMEPRAZOL, DOMPERIDONA, LAXANTE "NATURAL", SILDENAFIL, VARDENAFIL, LODENAFIL ou TADALAFIL, NEOSALDINA (ou "Neusa", como chamam), GINKGO BILOBA, METFORMINA e SINVASTATINA (convenhamos, isso está muito longe de ser saudável!). Mil reais por mês! E sem saúde!!!

Entretanto, você ainda continua deprimido, cansado e engordando. O doutor, de novo.

Troca a Fluoxetina por DULOXETINA, um antidepressivo "mais moderno". Após dois meses você se sente melhor (ou um pouco "menos ruim").

Porém, outro contratempo surge: o novo antidepressivo o faz urinar demoradamente e com jato fraco.

Passa a ser necessário levantar duas vezes à noite para mijar. Lá se foi seu sono, seu descanso extremamente necessário para sua saúde. Mas isso é fácil para seu doutor: ele prescreve TANSULOSINA, para ajudar na micção, o ato de urinar.

Você melhora, realmente, contudo... não ejacula mais. Não sai nada! Vou parar por aqui. É deprimente. Isso não é medicina. Isso não é saúde.

Essa história termina com uma situação cada vez mais comum: a DERROCADA EM BLOCO da sua saúde. Você está obeso, sem disposição, com sofrível ereção e memória e concentração deficientes.

Diabético, hipertenso e com suspeita de câncer. Dentes: nem vou falar. O peso elevado arrebentou seu joelho (um doutor cogitou até colocar uma prótese). Surge na sua cabeça a ideia maluca de procurar um CIRURGIÃO BARIÁTRICO, para "reduzir seu estômago" e um PSICOTERAPEUTA para cuidar de seu juízo é aconselhado.

Sem grana, triste, ansioso, deprimido, pensando em dar fim à sua minguada vida e... DOENTE, muito doente! Apesar dos "remédios" (ou por causa deles!!).

A indústria farmacêutica?

"Vai bem, obrigado!", mais ainda com sua valiosa contribuição por anos ou décadas.

E o seu doutor?

"Bem, obrigado!", graças à sua doença (ou à doença plantada passo-a-passo em sua vida).
***

Dr. Carlos Bayma
É Médico Urologista




"A Psicanálise e o Esvaziar-se de Si"

“A Psicanálise e o Esvaziar-se de si”

Gilberto Safra



“A palavra foi dada ao homem para encobrir seu pensamento”, Stendhal
Por André Toso

Entre as inúmeras contribuições da psicanálise para a humanidade, talvez a que mais se destaque é a abertura da possibilidade de escutar o outro.
A figura do analista representa um esvaziar-se de si mesmo e abrir-se para as inquietações, conflitos e, fundamentalmente, para o discurso do paciente.
Para tanto, é necessário que o analista deixe do lado de fora de seu consultório todas as suas opiniões morais e escute as demandas do paciente sem julgamentos ou concepções pré-definidas.
É escutar o outro em sua inteireza, de forma depurada e sem misturar-se com o que é falado. É ouvir por ouvir, sem a ansiedade de uma resposta que se enquadre em um diálogo. É ouvir sem sequer pensar em construir um diálogo racional.
O diálogo se constrói por si mesmo, nas entrelinhas, sensações e naturalidades da fala do paciente. É essa fala do paciente que leva à resposta do analista, como num eco. Não se trata de um diálogo construído: trata-se de um diálogo que simplesmente nasce em si mesmo.
Por isso mesmo, o psicanalista inglês Donald Woods Winnicott (1896-1971) diz que a sessão psicanalítica é um momento sagrado.
Sagrado, pois consiste em uma tentativa de encontrar a verdade que não está nas palavras e sim na essência do que é cada ser humano.
A verdade que não pertence nem ao analista nem ao paciente.
A verdade que pertence à própria experiência humana.
Uma verdade intangível, que se estabelece diante da singularidade de cada um e escapa a teorias ou enquadres.
Uma verdade que transcende – própria da experiência de cada paciente.
Uma verdade que nunca é totalmente revelada, mas pode ao menos ser parcialmente iluminada.
Uma boa análise objetiva libertar o paciente de suas próprias amarras fantasiosas e das amarras do meio social em que ele vive.
É libertar o paciente do discurso do Outro – como diria Jacques Lacan (1901-1981) –, do discurso dos pais e mães.
Mas esses pais e mães ultrapassam em muito a barreira familiar e não são apenas os biológicos.
A psicanálise busca libertar o paciente do discurso do poder, das instituições, tradições, imposições e até mesmo das leis que regem a vida social.
É libertar o paciente do discurso inventado pela própria história humana.
É desintoxicar a mente do excesso de discurso, do excesso de palavras, do excesso de regras estabelecidas que se estendem ao longo da trajetória humana.
O papel da psicanálise é reinventar a experiência humana contestando tudo que até então foi imposto ao sujeito pelo discurso externo.
É limpar os signos e símbolos em excesso que sufocam o humano e lhe tiram seu caráter misterioso, subjetivo, essencial e quase místico. A psicanálise trabalha com a palavra narrada para desgastá-la a ponto de ela perder sua importância central e restar apenas a essência. A palavra – que muitas vezes cega – é substituída pelo sentir.
É esse sentir que levará o paciente a criar sua própria ética.
Uma ética que não responde a instituições ou regras estabelecidas, mas que ecoa dentro de sua essência.
Uma ética que dispensa a obrigação e o apalavrado – que é essência em si mesma.
O paciente, ao estar diante de um analista que se esvazia para contê-lo, aprende também a esvaziar-se para conter todos que o cercam na comunidade.
Aprende a olhar o outro sem barreiras morais, respeitando as singularidades, experiências e vivências de cada um.
Um ser humano analisado aprende a respeitar o espaço de si e do outro, separando o seu querer e poder do querer e poder do outro.
Ele aprende a delimitar-se na relação com o outro, respeitando-o e sabendo instintivamente que para construir-se é preciso do outro, mas que esse outro também está ali para construir-se com ele.
Esse paciente aprende a olhar a si e ao outro respeitando o mistério da experiência humana.
Respeita-se a si, respeita-se o outro e respeita o próprio mistério do existir humano. É um ser que consegue esvaziar-se de si para acolher o outro.
É alguém preparado a conviver com unidade e em comunidade.

Gilberto Safra

Psicanalista .   Mestre e  Doutor em Psicologia Clínica e professor titular da Universidade de São Paulo (USP), docente do programa de pós-graduação da Pontifícia Universidade Católica (PUC), coordenador do Laboratório de Estudos da Transicionalidade (LET) e do Programa de Formação Continuada (Profoco).Destaca-se na atualidade por uma abordagem que vai além da própria psicanálise na integração de várias áreas do saber, tendo contribuído no diálogo entre disciplinas tais como a psicologia, literatura, filosofia, antropologia e teologia. Safra desloca o pensamento inicial da psicanálise edipiana para as questões fundamentais da constituição do Humano.


quarta-feira, 13 de agosto de 2014

“Ebola- Pânico e Histeria”

“Ebola- Pânico e Histeria”

Artigo de Médico – Membro da ABMP-DF


 Sei que provocarei discordâncias e polêmicas a respeito deste tema porem não posso deixar de opinar desta forma. 
Enquanto o ramo da Ciência que trata de doenças infecciosas permanece na busca incessante de uma vacina para tratamento ou cura desta virose maldita, as pessoas que contraem o Ebola continuam, na sua maioria, morrendo aos poucos e deixando em pânico o resto do mundo que imagina poder também vir a ser vítima dessa doença.
Certamente o achado de uma vacina não é a resposta mais efetiva contra a virose.
Mesmo que a vacina possa ser encontrada e introduzida no corpo para prevenir a doença, ela servirá em nada para o paciente que se encontrar severamente doente e com enorme quantidade de vírus no seu interior.
Também não ajudará aqueles que superarem a doença e se mantiverem debilitados em função das seqüelas adquiridas.
Existe sempre uma postura catastrofista frente à iminência de epidemias e parece até que existe a intenção de colocar a população em pânico e histericamente preocupada com a situação que se apresenta, muitas das vezes, como inevitável. Isso ocorreu há alguns anos com a perspectiva avassaladora da gripe suína que nunca ocupou lugar nas verdadeiras epidemias.
Soou um alarme falso em todo o mundo e as pessoas passaram a temer a desgraça. É claro que Ebola é uma virose assustadora e catastrófica porem a intensidade dos avisos alarmantes está chegando a uma proporção preocupante. A população mundial está chegando à beira de um “ataque de nervos” . 
Quando uma campanha de vacinação, seja de qual virose for, é lançada, os governos se preocupam em imunizar as pessoas porque sabem bem que a maioria da população é portadora de vários tipos de deficiência imunológica.
Caso a imunidade fosse bem aprumada, muitas doenças infecciosas nem mesmo existiriam porque os organismos seriam perfeitamente capazes de colocar os “exércitos celulares de defesa” para combatê-las.
Qualquer epidemia tem início em segmentos de populações que são imunodeficientes e, pasmem, nenhum vírus é imune a tratamentos com altas doses de VITAMINA C.
Esta vitamina, no campo das células, ativa uma reação biológica chamada “reação de Fenton”.
De forma resumida, esta reação se propaga para o interior dos microorganismos e promove a formação de um radical chamado “hidroxila” que tem o mais poderoso efeito oxidativo conhecido, levando à morte dos vírus.
Alem disso, esta vitamina também estimula a produção de outras células biológicas de defesa, (Vitamina C)  levando o corpo à vitória na batalha contra os vírus agressores. Lògicamente, esse tipo de tratamento não oferece resultados nos indivíduos portadores da doença em estado avançado em que vários órgãos internos já foram atacados e lesados. Serve, sim, para o tratamento da doença em estado inicial, antes que seqüelas possam ser estabelecidas.
Entretanto, os esforços maiores se dão no sentido de se conseguir a vacina.
É claro que isto tem importância capital na prevenção da epidemia porem o que fazer efetivamente para aqueles que já são infectados e devem lutar para que a morte não seja a vitoriosa?
Ebola é uma doença que se propaga principalmente entre populações mais pobres e com deficiência nutricional evidente. Com certeza, uma exposição a grande quantidade desse vírus pode trazer conseqüências devastadoras mesmo em pessoas bem nutridas porem não é o mais comum de se ver.
Ademais, verificou-se que muitos profissionais da área de saúde que convivem com pacientes vítimas do Ebola, são imunes à doença.
Isto corrobora a afirmação que frisa a boa nutrição e conseqüente boa condição de imunidade para evitar que a doença possa invadir seus organismos ou, pelo menos, que se manifeste de forma bem mais branda e não consiga evoluir para seqüelas e morte.

Para concluir, se as autoridades e a mídia querem induzir o pânico e a histeria, não se preocupe.
Você tem as armas necessárias para se colocar sob boas condições clínicas para não vir a ser uma vítima dessa doença. Mesmo que as medidas de prevenção se mostrar pouco eficientes, a cura poderá ser atingida mediante a aplicação de altas doses de vitamina C, o que serve também para qualquer outro tipo de virose que venha a atacar o organismo. O fato relevante é que as autoridades mais ortodoxas no campo da Ciência relutam imensamente na admissão dessa verdade.
Agosto de 2.014
Dr. Sérgio Vaisman

É médico, especialista em Cardiologia e Nutrologia e se Medicina Preventiva. É professor de pós-graduação nas áreas de Bioquímica e Bio-molecular, autor de várias publicações científicas, palestrante em cursos, congressos, simpósios, empresas e escolas, além de membro de várias associações científicas nacionais e internacionais. Profere aulas em Universidades de Portugal e Itália. Comentarista e consultor de saúde em vários veículos de comunicação. Autor do livro MULHERES E SEUS HORMÔNIOS - Uma Forma de Retardar o Envelhecimento.


Membro Efetivo de Honra da ABMP-DF



sábado, 9 de agosto de 2014

PARA PENSAR...

"A DOENÇA É SUPORTE, É O SINTOMA QUE VEIO COM O ADVENTO DA NÃO CONSTRUÇÃO DO DISCURSO ANALÍTICO DO SUJEITO".  

L. M. 

quinta-feira, 7 de agosto de 2014

NA PSICANÁLISE "COMO FICA FORTE UMA PESSOA QUE SE SENTE AMADA" (FREUD 1856/1939)




Você quer ser vítima ou criador de sua realidade?


Ao adotar uma atitude de abertura e receptividade, estamos prontos para começar a destruir as ilusões que nos impedem de acordar do pesadelo do sofrimento.
Quando eu digo destruir soa como algo negativo, mas a verdade é que a sabedoria vem da destruição.

O vácuo vem da destruição da nossa conversa interna-das ideias, opiniões, juízos e conceitos que estão lutando para ter a vanguarda da nossa atenção.
Este ruído de fundo, esse zumbido de estática é o que nos mantém distraídos, cegos, ignorantes de nossa verdadeira natureza, da glória e da beleza de ser.

Presentes em nós mesmos é onde descobrimos o assombro.

Sendo -sem nada mais, apenas o ser puro- é onde achamos a satisfação. Nesse vazio se descobre o indescritível e podemos conseguir tudo aquilo pelo que estivemos lutando, controlando, obtendo e nos queixando no intento de realizá-lo, para ser alguém, para nos superarmos.

Esteve aí o tempo todo, esperando por nós para levantar as mãos com desespero e, finalmente, parar de buscar a satisfação fora de nós.

Quando achamos esse estado interior, a alegria do amor-consciência começa a penetrar cada momento, cada uma das nossas ações.

Nós nos tornamos artistas, criadores, entregando ao mundo nossa própria expressão tão única.
Não estamos tentando tomar, nem nos concentramos em como podemos nos beneficiar. Nós só estamos dando e adicionando nosso próprio sabor à mistura.
Nesta troca é que cada um começa a encontrar a felicidade e a satisfação.

Nesta seção, é que destruindo as ilusões que turvam nossa visão de nós mesmos e do mundo, aprenderemos a transformar o vitimismo em criatividade, descobrindo as limitações da comodidade, destruindo a falsa noção da carência, superando a passividade, transcendendo a discriminação, olhando para além da aparente separação, transcendendo o próprio julgamento, entendendo a natureza sufocante do controle e começando a nos libertar de nossa própria repressão.

As circunstâncias que moldaram nossas vidas são tão únicas e individuais como a nossa personalidade - não há duas pessoas iguais.

No entanto, a nossa capacidade de crescer como indivíduos, para evoluir como pessoas mais compassivas, amorosas e conscientes, não depende do que nos aconteceu, mas da nossa atitude em relação a essas situações.

Diante das dificuldades nos encolhemos ou crescemos?

Resistimos ou usamos a situação para crescer?

 Em última análise, só há duas atitudes que podemos tomar na vida: a atitude de vítima ou de criador.

A vítima não pode ver a beleza, a abundância nem a perfeição inerente de cada momento porque tem uma ideia de como as coisas deveriam ser, uma ideia que tem sido inevitavelmente violada, uma ideia que está em desacordo com o que é.
Este sentimento de descontentamento gera raiva -raiva perante a vida, perante Deus- mas manifesta-se na vítima como passividade, peso depressivo, inércia e aparente falta de interesse, mostrando-se mais como tristeza que como raiva.

Em última análise, representa o ódio e a violência contra si mesmo.

É a rejeição suprema ao que é: a violência em relação à vida.

A única maneira de quebrar com este padrão de vitimização é pegando o papel de criador. Um criador aprecia sua criação, a vítima a crítica.
O criador vive em apreciação, uma vítima reclama, sem assumir a responsabilidade.
São totalmente opostos.

O criador abraça tudo o que se apresenta.

Responde sim para tudo, o que lhe permite viver uma vida em abundância. A vítima, por outro lado, é ressentida e negativa.

Não pode ver a perfeição e beleza inerentes à vida porque tem uma ideia rígida de como as coisas deveriam ser.

Envolto em um cobertor de passividade fervente, transforma-se na ira suprema: a rejeição à existência, a negação ao que é.

Toda vez que olho para a minha vida com um não ou com uma ideia melhor de como as coisas deveriam ser, estou rejeitando a vida.

A consciência vive na unidade do coração.

Quando você é criativo, vive no amor e a necessidade desesperada de entender desaparece; o medo e sofrimento desaparecem, absorvidos pela alegria plena do ser puro.
ISHA

Fonte: Somos Todos  Um

PSICOTERAPIAS BREVES - 2001

TRABALHO APRESENTADO EM 2001  PSICOTERAPIAS BREVES          Este trabalho terá   como objetivo mostrar a economia em se ter como práti...