quarta-feira, 23 de abril de 2014

QUEM É ESSE OUTRO E O CULPADO DE TUDO DE MIM.....

Quem é esse Outro que “habita” em mim?
Situações embaraçosas, escolhas de caminhos tortuosos, pensamentos repetitivos, sofrimentos que poderiam ser evitados...
Quem é o causador? (leia-se causa-dor).
O porquê disso tudo? É o destino? É carma? É azar?
Porque mesmo querendo fazer diferente algumas pessoas não conseguem?
Porque não conseguem ser senhores de suas escolhas?
Alguns buscam a resposta na ciência, na religião, no cosmo ou nas estrelas, etc.
Outros, inconformados e cansados de tanto sofrer munem-se de coragem (pois é preciso ter coragem para enfrentar os próprios fantasmas) e encaram uma análise.
Chegam um pouco desacreditados em relação ao que vão encontrar.
Perguntam se é melhor tomarem remédios...
Pois o problema pode ser um hormônio enlouquecido ou uma enzima que não funciona.
Mas essa é uma tarefa difícil, pois existe todo um percurso a percorrer, já que “é mais fácil procurar culpados” e o culpado primeiramente é sempre o outro: o pai, a mãe, o chefe, o namorado, namorada, o gene ou uma molécula, etc.
Um outro fala além de mim?
“Não sou dono de todas as minhas vontades?”, perguntam-se.
Somente depois é que descobrem que esse outro que governa seus pensamentos, seu eu e sua vida é um outro dele mesmo, é um outro que “habita” dentro dele á ponto de fazê-lo tomar essa ou aquela atitude.
Custam a acreditar que essa força que é maior que sua vontade e que os impulsionam a sofrer, provém deles mesmos e quando finalmente não conseguem mais negar, começam a se responsabilizarem pelo que dizem e fazem.
Quando isso acontece, surpreendem-se e até se divertem com as descobertas.

Esse outro, responde pelo nome de Inconsciente. Inconsciente esse, que Freud descobriu nos idos de 1889 com suas pacientes histéricas, quando escutou que o sofrimento delas transcendia ao seu organismo e tinha uma força tão grande que era capaz de controlar a vontade e o corpo delas.
O inconsciente é uma instância simbólica, que é autônoma em relação ao eu do sujeito.
É algo que governa ou desgoverna a vida do sujeito, é o que não descansa nunca, pois ele conta, reconta, calcula, conta a dor, a morte, a vida do sujeito.
Até quando dormimos ele está de plantão, “como um capitalista que não pára nunca”, e que produz os mais belos sonhos e bizarros pesadelos.
Esse inconsciente, o freudiano, é o inconsciente que traz o selo das palavras escutadas na infância, dos significantes primordiais que marcaram o sujeito desde que ele nasceu.
Aliás, desde antes dele nascer, pois tem relação com sua história familiar, com os costumes de sua família, pois assim como os traços genéticos, eles também são transmitidos através das gerações.
É verdade que desde a filosofia falava-se de inconsciente, como contrário a consciência, na antiguidade ele foi interpretado como uma força demoníaca vinda do além, ou algo das profundezas das águas infernais.
Mas, o inconsciente freudiano é um inconsciente que representa um saber insabido.
As pessoas falam diversas vezes e não escutam verdadeiramente o que dizem, tem um desconhecimento tão grande em relação ao que dizem que é como se fosse uma “língua estrangeira” para eles.
Realmente a surpresa que demonstram é grande quando escutam e entendem que o que eles dizem tem relação com o que sentem em seu corpo e seu sintoma, que suas palavras falam mais do que eles intencionavam.
Esse é o inconsciente do qual estamos falando.
As repetições que tantas vezes os sujeitos incorrem e que são considerados destinos, azar ou carma (dependendo das crenças) são efeitos e resultados de repetições inconscientes.
Muitas vezes repetições que respondem ao que foi escutado na infância do sujeito.
Sendo o sintoma algo mais forte que o sujeito, maior que sua vontade, algo que o incomoda, faz sofrer, e traz prejuízos, isso o desconcerta, o desequilibra e faz dele um fantoche de seu inconsciente.
A análise deste “terreno” inconsciente, que traz á tona os equívocos, os tropeços de linguagem e as armadilhas, faz com que cada um, o descortine, e saiba quais são os significantes que marcam sua existência e que os empurra a fazer suas escolhas, seu modo de amar e de gozar (entendam aqui gozo no sentido psicanalítico como uma satisfação que nem sempre é prazerosa).
E quando o sujeito consegue decifrar em análise seu sintoma, descobre a causa de seu sofrimento, o porquê de suas repetições, das rupturas dos laços afetivos, do uso de entorpecentes, das doenças repetitivas, etc.
No trabalho analítico, o analista escuta algo além da intencionalidade, escuta aquilo que na palavra do sujeito o trai, o que lhe atravessa.
É como se as palavras pulassem de minha boca, mas não era o que eu queria dizer”, disse um paciente.
Ora, é exatamente o que ele queria dizer, porém não sabia que o queria. E saber sobre isso lhe abre uma nova perspectiva, pois ele pode fazer algo diferente agora.
Nos tempos atuais encontramos um grande número de sujeitos que são acometidos de patologias, doenças e sintomas que levam a uma destruição de seu corpo.
Doenças muitas vezes que desconcertam o saber médico e quando essas mesmas pessoas estão em análise e se questionam sobre o que sentem, falam sobre a doença que tem, sobre seu corpo adoecido e assim, se colocam como sujeitos, não se reduzindo a ser um corpo ou uma doença.
Questionam-se e dessa forma não creditarão mais o que sentem ao seu cérebro e a seu funcionamento orgânico e sim a seu pensamento, afetos e seus ditos.
Quando o sujeito se interessa em saber o porquê de seu sofrimento, não mais se oferecerá como objeto de estudo para outros.
Sendo o inconsciente um saber não sabido, um saber que o sujeito têm, mas que não está acessível para ele conscientemente, ele necessita de um Outro - o analista – que o escute e marque em seu discurso onde ele tropeça, o que ele repete, as armadilhas e as “sabotagens” que se faz.
Esse acesso é possível porque é registro do inconsciente que o analista opera. 

"Você pode saber o que disse, mas nunca o que outro escutou" 

 Lacan 


Andreneide Dantas é Psicanalista
Fonte Consultada: Clínica Escuta Analítica

quinta-feira, 27 de março de 2014

Neuróticos, Psicóticos e Psicopatas

“Neuróticos Amam e Odeiam com medo e culpa”
“E somente os Neuróticos sabem “adoecer, curar-se, perdoar e sofrer em seu Perdão”

“Psicóticos desconhecem a inscrição do Amor na maioria das vezes, o sintoma é insanidade e sem os sintomas das doenças do neurótico"
"Não há em sua maioria inscrita a (maternagem do amor). "
Mas psicóticos podem odiar sem sentir e há uma ausência do Nome ou o Lugar do Pai que é desocupado pela mãe.

“Psicopatas não amam e não odeiam, não sentem nada além de si."
 Não há o sintoma do neurótico: Doença, Culpa, Medo, Remorso; Não conseguem elaborar tamponamento, “em muitos casos não há o lugar da maternagem e do Pai desde a concepção.”


Prof. Luiz Mariano M. D.


sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

O Lugar do Psicanalista...


O Lugar do Psicanalista...


 
“Para exercer a psicanálise é preciso tempo e manter o tempo todo mente aberta. O Analista se sujeita de corpo e Alma ao “Tripé Psicanalítico”. E depois no “lugar” desse sujeito do suposto saber tem que se afastar da vaidade para dar nascimento à “aptidão” do acolhimento da escuta e do olhar psicanalítico que é solitário, imparcial e amoral. Somente a esses se é reservado “ocupar”- se o lugar do Psicanalista com dignidade e respeito desde os tempos de Freud e Lacan.”   


“Se a vaidade e as resistências não forem ultrapassadas, elas é que vão limitar o nosso sujeito para Felicidade e para ocupar muitos lugares e posições na temporalidade de nossa Vida” L.M.  

 
                                                               Prof. Luiz Mariano M.D.
 

Ano: 20 de Atendimentos e Supervisões de Percurso de Psicanálise

 

 

Por que a Psicanálise ?


Por que a Psicanálise?

 
“A discrição é incompatível com uma boa exposição sobre a psicanálise. 

 
É preciso ser sem escrúpulos, expor-se, arriscar-se, trair-se, comportar-se como o artista que compra e queima os móveis para que o modelo não sinta frio. 

 
Sem algumas dessas ações criminosas, não se pode fazer nada direito”.  (Carta de Freud a Oskar Pfister, 1910). 

 
Raskólnikov, personagem da grande obra do mestre Dostoyévski, Crime e Castigo (2001), vaga pelas ruas de São Petersburgo.

 
Num lapso de olhar ele vê fugidiamente os passantes das ruas. Cotidianamente ele nem se dá conta de que passa por ruas onde há passantes que vão para cá, para aqui, para acolá...

 
Mergulhado em seu “ensimesmamento”  tenso e inquieto, Raskólnikov conversa consigo mesmo – mas como assim?

 
Desejoso de sofrer, ele se entrega, folga em gozar de sua dor.
Sem escapatória, insistentemente ele se pergunta:

Serei eu o culpado?
Perdido em seus solilóquios, oscila, pensa, hesita, quase sem consciência; enquanto isso, os passantes passam...

 Sua única possibilidade é essa: conversar consigo mesmo.

Mas de que se trata?  
Freud nos legou uma linguagem que articula tais pensamentos desgarrados.

 

Pedaços de sentimentos que não encontram uma palavra para se dizer, nem para si próprio, se “Isso” houvesse, quanto mais para um outro qualquer.

 Falar consigo é quase como uma voz que fala dentro de mim, mas como assim?

Quem se dirige a mim?

Meu pensamento conversa comigo?

Quem escuta sou eu ou esse Outro que me habita criando monstruosidades e estranheza dentro de mim?

 Uma perturbação toma conta do meu pensamento, um Outro fala, me acusa, parece íntimo; familiar e estranho, me julga...

 Isso é tão antigo quanto a humanidade e foi tratado no decorrer dos tempos através de diversos recursos.

A  tragédia grega é um deles: a psicanálise também!

 Mas... o que o alvorecer do século XXI nos apresenta é uma sociedade que nega sua condição trágica, mergulha na festa da mídia, na “geléia geral brasileira” (Torquato, 2003, p. 63), em que a exclusão comanda o espetáculo.


O que vale então é estar incluído no mercado de capitais, ter cartões de crédito na bolsa com limites a se perderem de vista e mais ainda, a ilusão, é claro, de que em breve, em tempo de ainda estarmos vivos, a tecnologia aliada à ciência vai dar um jeito de acabar com a morte.

 
As células tronco estão aí a prometer...

Ao revés dessa corrente, naquilo que se chama sociedade depressiva neo-liberal, a melancolia como uma peste se espalha pelo cotidiano dos lares.
 

As moedas no bolso não pagam as moedas de carne que a depressão exige e denuncia; a impossibilidade de todos se incluírem nessa sociedade: levantar, ir para o trabalho, voltar para casa com “a boca cheia de dentes esperando a morte chegar...” (Seixas, s/d faixa 3).

 
O corpo do deprimido pesa.
 

Ele não consegue, nem como Raskólnikov, vagar pelas ruas.
Ele fica suspenso dentro de seu vazio, em que a angústia o contagia. Ele não consegue se levantar, sequer trabalhar.

 

Ele é a prova de que alguma coisa na rede social se esburaca: não funciona!

 Mas...não tem problema, as drogas nos salvarão, curarão nossa alma e poderemos seguir adiante, evitando os conflitos, acreditando numa pretensa harmonia e em que esse é o único método eficaz nestes tempos “pós pós”...

 

A indústria farmacêutica tem vários méritos.

Entre eles, o de diminuir o sofrimento psíquico.

 

Mas ela não tem recursos para revelar, articular aquilo que de dentro comanda o espetáculo da neurose.

 

O pensamento não se reduz a um neurônio, nem o desejo é feito de um líquor químico.

 
A repetição é o fermento principal para que a neurose cresça e apareça, nos fazendo escorregar por um tobogã no qual continuamente deslizamos por incessantes equívocos, jogando a força de vontade para um campo onde ela, anêmica, não tem potência para lidar com um fracasso que não sabemos de onde vem, com um mal estar que nos consome.

 
Escorregamos nas horas mais inadequadas, escolhendo, em vez de atalhos, vias enviesadas. Mas ora, ora...
Existem vários bálsamos que a realidade nos oferece: distrair-se, fazer aquela viagem - sabe qual? - sair do stress, fazer caminhadas e tantas outras coisas...

 Nada disso serve para aquele que está tomado pela melancolia.

 A paralisia o toma, no sentido literal do termo, mal consegue se pôr de pé, por exemplo...

E “Isso” num tempo “pós pós”, em que os recursos se ampliaram; em que a tecnologia caminhou no sentido de facilitar nossa vida, suprir nossos desejos; afinal, a realidade virtual existe e pode nos oferecer um mundo sensacional, ao gosto de cada um.

 
Mas então por que a psicopatologia do cotidiano revela um índice crescente de depressão?

Deixando essa pergunta no ar, sigo em frente, posto que é preciso falar mais disso que é o psíquico e dos recursos que a psicanálise vem criando desde o séc. XIX.

 A Psicanálise restaura o princípio de que o homem pode se liberar por sua fala: não pode se curar, porque a condição humana é sem cura, mas pode, inaugurando uma estética do duplo, saber que seu sujeito padece da linguagem.

 
Outras forças advindas do campo do inconsciente o surpreendem a cada dia.

 
Atravessado por atos falhos, ele diz “resisto ao desejo”, em vez de dizer o que pensava querer dizer, “registro o desejo”.

 A Psicanálise vem construindo um saber que não tem estatuto de ciência, um saber que vai atrás de rastros quase imperceptíveis, tropeços, sonhos; material desprezado aos olhos de hoje e mais; ainda por cima, a Psicanálise não acompanha a hiper velocidade atual.
 

Ela tem o tempo de uma escavação, o tempo em que um arqueólogo precisa para achar os primeiros traços rupestres daquele sujeito, como lá em São Raimundo Nonato, no Piauí.

 Voltando ao início, o sujeito pode continuar a falar consigo mesmo, só que em voz alta e na presença de um analista que flutuantemente o escuta.
 
Só existe uma regra: falar tudo que pensa, sem deixar escapar aqueles flashes que atravessam o pensamento, uma espécie de cometa que presentifica o inconsciente e que tem sua própria lógica, um nonsense que num só depois alcança um sentido.

 

Parece ridículo em tempos de provas tão contundentes e consistentes, conforme a ciência oferece através de suas máquinas - tomografias, ressonâncias magnéticas e outras coisas mais -, que a regra de tudo falar tenha alguma consistência.

 Entretanto... as mazelas da alma, infelizmente, não se revelam por essas imagens.

 O analisando é convidado a falar o mais livre possível.

 Permissão para que o seu lado sombrio, ou canalha, se manifeste.

A moral não nos interessa, nosso lume é a ética do desejo que não se preocupa com os bens.

O analisando é convidado a não reter nenhum pensamento, mesmo que ele seja desagradável – “eu vi a cara da morte e ela estava viva” (Cazuza, 2001, p.169), mesmo que o julgue sem sentido, mesmo que ele o considere desimportante. A regra é: pensou, falou.

 
Da centelha que atravessa o seu pensamento, o sujeito pode construir um Outro sentido.

 
Ele, que sempre pensou que papai e mamãe não o amavam, portanto teria sido melhor nascer de um ovo, começa a se dar conta da sua conta, da sua contribuição na inflação desmesurada que a sua neurose lhe cobra.

 Diante disso, que aparentemente parece tão pouco, sua vida pode tomar um outro rumo: o menininho já crescido pode ver por exemplo que queria que os seus irmãos não viessem ao mundo para ele continuar a ser sua majestade, o bebê.

 Desejos fratricidas só para ele reinar sozinho no coração de mamãe nos dando a certeza de que a idade adulta não passa de um projeto inacabado, ao qual tentamos nos agarrar.

 
Nesse novo enquadre, ele não passa de um menininho renitente que bate o pé diante das perdas e exigências que a vida apresenta. Ou melhor, alguma coisa que estava recalcada, guardada numa gaveta antiga e empoeirada surgiu aos seus olhos.

 Mas... para que esse novo enquadre promova efeitos de deslocamento simbólico, é preciso que ele tenha valor de ato, ou seja, que o sujeito apareça, onde o eu adormece.

 Então, nessa nova cena uma Outra pessoa que ele desconhecia aparece.

 Mas quem?

 Seu sujeito, é claro, aquele que o neoliberalismo juntamente com a moda atual quer ver desaparecer, porque o sujeito é amalgamado pela particularidade e esta pode não estar nos enquadres das exigências atuais.

 À Psicanálise não correspondem as adaptações do mercado, esse ser invisível que comanda o espetáculo.

 Pelo contrário, ela está mais afeita ao que nunca se viu, ao que não se sabe, material recalcado que retorna apresentando o sujeito do desejo que não necessariamente passa a ver o pior de si; aquela moça feia que sempre se viu sem atrativos pode ver através da estética do duplo – do seu sujeito dividido

 
– Uma Outra mulher que “passa com graça, fazendo pirraça, fingindo inocente, tirando o sossego da gente”...(Barroso, 1994, faixa 02).

 

Elisabeth Bittencourt é Psicanalista

 


 

Bibliografia:

Cazuza. Preciso dizer que te amo. Texto e edição: Regina Echeverria. São Paulo: Globo, 2001.

Dostoiévski, F. Crime e Castigo. Tradução de Paulo Bezerra. São Paulo: Editora 34, 2001.

Neto, Torquato. TORQUAtália (DO LADO de dentro). Rio de Janeiro: Rocco, 2003

Seixas, Raul. “Ouro de Tolo”. Minha história. Remasterizado. São Paulo: Polygram, s/d.

Barroso, Ary. “Mulata assanhada”. Elis Regina no fino da bossa. São Paulo: Vela, 1994.
 
 
DIVULGANDO E REPASSANDO: www.drluiz.com

domingo, 26 de janeiro de 2014

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

"O Universo, mascarado e Invisível do Inconsciente Humano....."

"Neuróticos Amam e Odeiam com Medo e Culpa."

"Psicóticos Desconhecem o Amor, mas podem odiar sem sentir, não conseguem fazer simbolização no ego."

"Psicopatas não amam e não odeiam não sentem nada na maioria da vezes têm o ego todo crivado" 




domingo, 15 de dezembro de 2013

A Verdade toca o real sem Palavras....( Lacan )

Digo sempre a verdadeNão toda... poisdizê-la todanão se consegue... . 

Dizê-la toda é impossívelmaterialmente... faltam as palavras

É justamente por esse impossível... que a verdade toca o Real.”.  

Lacan (1973)

Ho....Ho...Ho....estou indo revisitar o édipo parental.....mas volto logo....

Estou indo revisitar o meu Édipo parental, mas volto logo... 

Claro não sou Louco de ficar por La... HO...HO....HO.....

Quero agradecer especialmente a você; nessa travessia de engrandecimento humano do ano de 2013 e toda essa caminhada psicanalítica e de amizade e expansão do pensamento da psicanálise que muito têm nos feito amadurecer e enxergar a Alma humana, compreender suas aflições para busca de alívio e estabilidade afetiva e viver bem.

Espero que em 2014 estejamos juntos na travessia cada vez mais descobrindo que Freud explícita e Lacan implícita, essas muitas verdades da Alma e psique humana, doa a quem doer.

Mas a “dor” na psicanálise depois de algum tempo é anestésico para viver o dia a dia;  e enfrentar muitos “venenos” seja no ambiente de trabalho, na família e em nossas relações sociais, afetivas e parentais.

Durante todo processo de se sujeitar-se a fazer a “análise” dói em mim (analisado) depois de algum tempo da sua “análise”,  você já poderá afirmar que doa em quem doer, mas dói mais no outro. (Lacan).

Já no psicanalista que acolhe a escuta do “doa a quem doer ou dói em mim”. O analista acolhe todas as dores, mas não habita nelas para não entrar em colapso. 

E falando em Alma e dor, coisa de “analista”.

“Recentemente fui lavar umas “louças” na cozinha de casa, e não pude deixar de observar que a “medida que lavava” as louças” minha coluna vertebral travava e ficava inflexível e dolorida, de repente sem nenhuma doença ou lesão.

Claro eram apenas “algumas louças” para lavar para esposa “gestante”.

Mas vejo que sempre que me aproximo de uma “pia” com “louças para lavar” minha coluna vertebral têm uma reação “histérica” conversiva, que me arremete a “muitas louças e panelas” da infância que algumas vezes eram lavadas distantes de casa, num riacho, coisa de quem morou em roça, sítio.

Podia ser até divertido, levar, lavar e trazer a louça de volta; mas o ato da “repetição” como se nunca fossemos chegarmos ao tempo de água encanada na torneira de casa e hoje a geração da máquina de lavar louça, isso fez com que minha coluna vertebral “travasse” e essa conversão é o aviso de alerta e resistência a “ameaça de voltar a lavar louças e panelas no riacho” que antes era perto e hoje é longe. 

(O inconsciente não apaga nada, mas é sendo neurótico que a gente “negocia” com essas lembranças na psicanálise).

E minha coluna vertebral dolorida  “me avisa” olha o riacho e as panelas lá gente ti esperando... HO....HO.....HO.....

Que droga no meu “imaginário” papai Noel ainda ri de minha lembrança.

E ao final de um ano de trabalho qual a coluna que não dói um pouco.
Por isso é bom ser de certa forma ser meio “neurótico”

Neurótico lembra e volta. Já o  psicótico não lembra ele mora na lembrança, além de ficar lá lavando louças e panelas para sempre ficaria o tempo todo ouvindo papai Noel HO....HO...Ho.....

 O riacho e as louças podem estar lá no inconsciente, meu inconsciente me leva e trás de lá a cada aproximação de uma pia de louças ou do Ho...Ho...Ho...

 Pior seria um surto “psicótico” ir ao riacho e ficar lá sempre lavando as louças e panelas para sempre. 

Na psicose talvez eu estaria  esperando o pai ou a mãe “faltante, ausente ou o outro ou tantos outros” para me buscar e me salvar.

O inconsciente deve ser a “Alma” ou têm uma Alma própria porque as nossas lembranças, sejam elas felizes, dolorosas ou traumatizantes estão lá.

A Psicanálise é a formação “diplomática” para livrar a gente dessas demandas da mente humana.

A histeria “conversiva” ou somática serve para dar um sinal de “alerta”: - Olha você está “lavando muitas louças e panelas” no riacho de novo, hora de se afastar do riacho e dessas louças e panelas... panelas pesadas de ferro...

Bom com esse relato confesso que o lado extremamente bom da “psicanálise” é ter essa capacitação de “acolhimento” de si, dessa diplomacia analítica.

Somente com essa capacitação do acolhimento de “si mesmo” de suas demandas e lembranças é que de fato poderemos ajudar e auxiliar qualquer um que venha para o nosso acolhimento na psicanálise, seja para buscar alivio, compreensão do seu mal estar, do seu vazio ou infelicidade seja ela com inúmeros sintomas neuróticos, sejam somáticos conversivos ou dissociativos.

Freud dizia que a psicanálise torna a pessoa muito forte e apta para amar de verdade.  (1856/1939)

Boas festas e até 2014.
Dr. Luiz Mariano

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

A Psicanálise Liberta as Crianças Daquilo que Elas Ouvem de Pais e Educadores

A Psicanálise liberta as crianças daquilo que elas ouvem

Quando atendemos crianças em psicanálise podemos libertá-las através das palavras daquilo que elas ouviram e ouvem dos seus pais e familiares, como bem nos lembrou, Françoise Dolto, psicanalista francesa.

Palavras que podem ter sido enunciadas em momentos de raiva, sofrimento ou quando suas mães não “sabiam” que aquilo que elas diziam, afetariam negativamente seus filhos.

Pois á maioria das vezes as pessoas dizem brincando algo que faz muito mal.

Lembro-me de uma mãe que chamava seu filho de “porcaria” e acreditava que era algo carinhoso, uma outra quando queria fazer um carinho no filho dava  “palmadinhas” nele, “de forma leve para não doer”, ela dizia.

Na verdade tanto em um exemplo quanto no outro, os filhos foram marcados em seu corpo por esses atos e os repetiam na vida adulta, e isso os atrapalhavam.

Pois acreditar que se é uma porcaria ou que palmadas são carinhos, não pode trazer nenhum benefício.

Na análise com crianças temos a possibilidade de desfazer esses equívocos enquanto eles estão acontecendo, diferente da análise com adultos onde alguns ditos na infância já tiveram um longo tempo de fertilização e consequências negativas.

Com crianças, o jogo, o desenho, a encenação tem lugar.

Ela fala, joga, desenha. À vezes faz um, ás vezes faz os dois: joga e fala ou desenha e fala, ou até encena em silêncio.

Os pais se surpreendem, pois não entendem como que seus filhos tão pequenos têm o que dizer, e acreditem: eles falam.

Contam sobre o que lhes acontecem, falam sobre os desejos que têm, sobre as angústias que sentem, sobre seus medos, seus sonhos com bruxas e monstros, sobre o que seus pais disseram e fizeram, etc. (esses sonhos representam angústia de castração).

Através dos desenhos eles representam o que está em seu psíquico, e os convidamos a falarem sobre sua produção.  

Com eles, nos indicam como está o entendimento delas em relação ao seu meio: á sua família, sua escola, seus amigos, irmãos e também mostram como respondem em relação ao que o outro quer deles.

Vão mostrando através do jogo, como se posicionam em relação aos seus semelhantes.

Ás  vezes convidam-nos para que joguemos juntos, outras vezes querem jogar sozinho, intentam burlar as regras dos jogos ou querem deixar que o analista ganhe o jogo.

E o mais importante de tudo isso é o fato de que todos os jogos têm suas regras, que determinam o que pode ou não ser feito, e isso nos dá a oportunidade para mostrar para a criança que vivemos em uma sociedade que também têm leis e que é muito importante que nós as respeitemos.  

E não são raras á vezes em que nos deparamos com o fato de que essas crianças não estão tendo em casa o estabelecimento das regras e dos limites, pois seus pais acreditam que não o podem!

E acreditam nisso por não se autorizarem a ocupar o lugar de autoridade.
Com o jogo mostramos também que não é possível ganhar sempre, que na vida temos perdas e ganhos.

Com a encenação de uma brincadeira a criança coloca em cena um real que muitas vezes é ameaçador ou que trouxe sofrimento, ou algo que viveu e que foi angustiante e que finalmente conseguem colocar em palavras.

Colocam no simbólico algo que foi vivido e sentido no real de seu corpo. Pois a criança geralmente entende os desejos da mãe como uma ordem que ela têm que cumprir.

Outras vezes escutam algo que não entendem direito e tomam como se fosse algo verdadeiro e passam a agir de acordo com aquilo que elas acham que seus pais querem para elas.

E como elas dependem dos adultos tanto para que eles a ajudem a realizar as necessidades quanto os desejos, não resta outra alternativa para elas.

Portanto, em análise as crianças podem falar e mostrar o que elas entenderam em relação aos desejos de seus pais e através das encenações, dos desenhos e dos jogos, podem elaborar sentimentos que não lhes fizeram bem.

Aprendem na experiência analítica, que elas podem dizer “tudo” o que se passa em sua cabeça, que sentem em seu coração e em seu corpo, para que assim possam se livrar de sofrimentos que as impedem de avançar psíquica e fisicamente.

Mas, não podem fazer tudo o que elas querem, e que isso é uma condição para todo ser humano. 

Andreneide Dantas
 Psicanalista



PSICOTERAPIAS BREVES - 2001

TRABALHO APRESENTADO EM 2001  PSICOTERAPIAS BREVES          Este trabalho terá   como objetivo mostrar a economia em se ter como práti...