quarta-feira, 26 de junho de 2013

A Mulher Não Existe (Lacan)

Por que Lacan disse que “A Mulher não existe”?

Creio que essa frase seja uma das mais polêmicas já proclamadas pelo psicanalista Jacques Lacan.
Mas creio também que isso se deva ao fato de a maior parte das pessoas não entenderem porque Lacan a disse e considerá-la apenas como mais uma justificativa para o preconceito segundo o qual a Psicanálise é machista.
Portanto, vamos tratar de botar os pingos nos “is”.
Uma das características mais geniais de Lacan era a sua capacidade de pegar as teorias elaboradas por Freud e tirar delas algumas frases de efeito.
Esse é o caso de “A Mulher não existe”.
É óbvio que Lacan não está dizendo que os seres do sexo feminino (com vulva, vagina, ovários e etc.) não existam.
Ele não era psicótico a esse ponto.
O que ele está dizendo é que as mulheres existem, mas A Mulher não.
Para entender de onde ele tirou isso, convido meus caros leitor e leitora para um exercício de imaginação.
Imaginem que vocês se encontram por volta das idades de 4 ou 5 anos.
Agora, se imaginem (nessa idade) vendo os corpos nus de um menino e de uma menina. Qual a primeira diferença que vocês irão notar?
É óbvio: que no menino há uma coisa entre as pernas e que na menina não há uma coisa no meio das pernas.
Lembrem-se: nessa época (4 a 5 anos) a gente, mesmo que tenha lido os livros de ciência, ainda não tem como certa a existência do órgão sexual feminino (a vagina).
Então, o que a gente vê é que no menino há uma coisa e na menina não há uma coisa.
Qual a conclusão mais óbvia a ser tirada dessa visão?
A de que o menino possui aquilo que na menina falta.
Então, senhoras e senhores, como vai se inscrever na cabecinha de todos nós a diferença entre os sexos, quer dizer, como é que a gente vai interpretar o que é homem e o que é mulher?
A partir desse objeto que o homem tem e a mulher não tem.
Portanto, na nossa cabeça (Lacan diria, na ordem simbólica) a gente tem como dar uma resposta para a pergunta “O que é o homem?”.
Qual resposta?
“O homem é aquele que possui o objeto”.
Agora, para saber o que é a mulher a gente só tem uma definição negativa:
“A mulher é aquele ser que não é homem, ou seja, que não tem o objeto”. Mas essa resposta não serve!
Afinal, a gente poderia dizer: “Beleza, se a mulher não é o homem então o que ela é?”
É uma pergunta para a qual não se tem a resposta porque no caso da mulher não há esse objeto que a represente.
Conclui-se então que a idéia do que é a mulher, de sua essência, de seu desejo realmente não existe. Por quê?
Porque diferentemente do homem ela não tem um objeto que a represente – esse objeto Freud chamou de “falo”.
Então, na nossa cabeça, no mundo simbólico, a mulher não tem representação.
Por isso, Lacan diz que “A Mulher (e aí a gente pode completar com: “A mulher enquanto representação do que é a mulher”) não existe”.
Isso é ruim?
Ao meu ver, muito pelo contrário!
Meus alunos e alunas de aulas particulares conhecem muito bem o que penso a respeito disso.
Se a mulher não tem uma representação de si mesma, isso significa que ela pode inventar sua essência! (e o homem não)
É por isso, por exemplo, que nenhuma mulher gosta de encontrar numa festa outra mulher com o mesmo vestido dela.
Mulher gosta de se sentir única, singular, exatamente porque ela não tem uma definição padrão do que é ser mulher.
Já homem não.
Homem gosta do mesmo, do padrão.
Numa festa de gala, estão todos de terno. São raríssimas exceções os que querem se diferenciar – e não são vistos com bons olhos.
Por isso, quando ouvir por aí um lacaniano dizer que “A Mulher não existe”, dê graças a Deus, pois ao “não existir” ela precisa “se fazer existir”, cada uma a seu modo…
Lucas Nápoli

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P Antes de imprimir pense na responsabilidade e compromisso com o MEIO AMBIENTE

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Reflexões em Análise....

“Então poderíamos ainda dizer que “há” totemismo no clã familiar moderno. 
Assim sendo é possível fazer o “Édipo” sobreviver para muito “Além da Infância” porque ele é alimentado via totêmica por pais provedores”.
Dr. Luiz  Mariano

terça-feira, 21 de maio de 2013

"A Lanterna, a luz e a Psicanálise"


A lanterna, a luz e a psicanálise.

A criança estava em sua cama, tentando dormir sem conseguir, pois pirava em sua imaginação pelo que podia estar embaixo de sua cama. Então, resolveu enfrentar seu medo: pegou uma lanterna, desceu da cama e jogou um feixe de luz por debaixo de sua cama e descobriu que não havia nada que justificasse seu infundado medo.
Depois foi dormir tranquila.
A psicanálise é como aquela lanterna, e não mais do que isso.
O método apenas proporciona luz para que a pessoa descubra o que há no recôndito de sua mente, tal qual aquela criança fez.
Tenho presenciado profissionais de algumas áreas, em especial , da psicologia comportamental criticar a psicanálise como conhecimento inútil ou técnica banal e improdutiva, como se a aplicabilidade dos saberes psicanalíticos fosse por si só responsáveis pela sua eficácia.
A idéia que me vem à mente é mesmo a de uma lanterna que está disponível a quem queira de forma competente alocar luz em um ponto obscuro de um determinado lugar desconhecido.
Nesse caso, não se pode culpar a luz da lanterna pelos objetos encontrados ou não no ponto escuro que se direciona o foco da lanterna.
A psicanálise não pretende e nunca teve a pretensão de ser plenamente eficaz a quem quer que dela se utilize. No máximo, a psicanálise é aquela lanterna que somente os sujeitos corajosos a utilizam para poder iluminar e desvelar as razões de um comportamento desproporcional, infundado e aparentemente sem explicação, tal qual o medo daquela criança.
Assim como a criança tem medo do que imaginariamente pode encontrar no escuro embaixo de sua cama, da mesma forma, adultos temerosos ao conteúdo recalcado ao longo de sua infância e juventude preferem criticar e desqualificar a lanterna ao invés de tentar descobrir o que, eventualmente, pode ser revelado pela luz.
A própria resistência e mecanismo de defesa em utilizar a lanterna é forte indício do medo pelo desconhecido.
Saber o que provável e realmente tem no escuro é muito melhor do que continuar com a angústia da fantasia daquilo que imaginariamente poderia ou não haver lá.
O Dr. Menetrier, professor-chefe e supervisor do grupo que fazia residência médica no hospital Salpetriè, em Viena, foi ferrenho crítico das idéias do jovem Freud que, naquela época, estava iniciando seus ensaios sobre a teoria psicanalítica.
Menetrier chegou a proibir Freud continuar empunhando a lanterna da psicanálise por medo de enfrentar o desconhecido, mas depois de algum tempo acabou reconhecendo a importância e eficácia da luz psicanalítica sobre o lado obscuro do inconsciente e sugeriu ao pai da psicanálise que “deixasse os escorpiões na caixa escura”.
Tal conselho só é pertinente quando não se tem maturidade, coragem e, principalmente, suporte técnico profissional adequado para desvelar conteúdos obscuros recalcados no inconsciente e, depois descobri-los e reconhecê-los, para então elaborá-los, se assim avaliado necessário.
Me encabula tanto quanto me surpreende ouvir discursos vazios de profissionais da área psi contra a teoria, método e técnica psicanalítica.
Mesmo que tais profissionais não sejam simpáticos ou fluentes no saber e prática psicanalítica, pelo menos como cientistas deveriam considerar a técnica como mais uma opção na busca pela possibilidade saúde abstrata mental das pessoas.
Nem toda técnica e método se mostra eficiente para todos os casos e em todas as pessoas. Pessoas diferentes e com diagnósticos semelhantes reagem diferentemente a determinados princípios ativos medicamentosos e também a determinadas técnicas psicoterápicas, portanto gostando ou não da psicanálise quando o profissional da área psi descarta a psicanálise como técnica, ao mesmo tempo diminui e restringe as possibilidades de amenizar o sofrimento de seus clientes.
Nem todas as técnicas são eficazes para todas as pessoas e em todos os casos.
A psicanálise nunca pretendeu ser a melhor ou a mais indicada para amenizar o sofrimento psíquico de todas as pessoas, mas sempre se colocou à disposição de quem, independentemente de sua formação, teve interesse estudá-la, compreendê-la, dominá-la e, por conseguinte, aplicá-la para o bem comum, individual e coletivo.
Negar a luz não muda ou interfere o que há no escuro. Porém, quando alguém corajosamente decide usar a lanterna da psicanálise e lançar luz em seu lado obscuro da mente pode se surpreender, como a maioria se surpreende, em descobrir que de fato pouco ou nada existia de muito grave a ser resolvido, mas que por sorrateiramente operar no escuro, fora do campo da consciência, era de fato conteúdo exponencialmente potencializador dos efeitos colaterais das vivências mal elaboradas ou mal compreendidas durante o Édipo e a  infância.
Quando a ciência pretere técnicas e fecha portas para a diversidade de possibilidades também se contradiz e encerra sua qualidade e propriedade científica transformando-se em doutrinas dogmáticas  particulares formadoras de prosélitos ao invés de consolidar-se como fonte de saber formadora de profissionais competentes.
     Prof. Chafic Jbeili

quinta-feira, 16 de maio de 2013

O Sexo saiu do Armário


“O Sexo Saiu do Armário”
O sexo saiu do armário não para liberdade, mas saiu do armário para transgredir a prisão do desconhecimento da instância do prazer.  
Esse sexo que na estruturação do sujeito em sua infância não obteve a castração de sua overdose incestuosa dos tempos do Édipo, muitos talvez também não tivessem a figura simbólica masculina do pai que é nomeado e apresentado pela mãe na instância da psicanálise lacaniana.
O sexo saiu do armário porque perdeu seu sentido e sua significação de Prazer.
Agora todos querem “gozar” transgredir, e o transgredir está da instância do “gozo” e isso tem um custo segundo Lacan falando sobre o “Gozo” da sexualidade humana e seus paradigmas. 
Mas parece que ninguém quer pagar essa conta dessa transgressão para “Gozar” sem prazer; a banalização da sexualidade é em função de diversos fatores que se iniciam no Édipo da criança e na vida adulta; há apenas uma deformação desse Édipo não resolvido para outras apresentações que vão desde bizarras a conversões histriônicas mais modernas.
Com isso cria-se uma espécie de heterofobia culposa onde nela será debitado o preço desse gozo perverso e quem sabe às vezes até patológico e meio psicótico subliminar.
Onde a instância do prazer não se estabeleceu por causa figuras simbólicas faltantes no Édipo, pode se estabelecer o “gozo” como algo negativo para procriação inclusive da espécie humana num futuro próximo estaríamos fadados à extinção. Isso é algo para se repensar.
Corremos um risco de num futuro de se unificarem inclusive os partidos políticos e as religiões para defender e proteger-nos “Uns dos sexos dos Outros” E para que cada sujeito tenha e encontre o seu “gozo”, mas nunca mais ache seu prazer.
Inclusive a política, a mídia e o capitalismo sabem disso, nós consumimos e gastamos muito mais dinheiro na instância do “Gozo” e não na instância do prazer.  Já que no gozo a transgressão é o único fim e não me preocupo com a necessidade de alguma reserva ou educação financeira.
No prazer tenho que doar amor, sentir raiva, magoar, perdoar, relacionar-se e investir com a possibilidade inclusive da perda do objeto amado ou desejado tudo “isso” para que em algum momento possa sentir prazer, no prazer tenho que me aceitar como nasci e não no que me transformei.
No “Gozo” não.
Nessa instância nós transgredimos, transformamos a tudo e a todos é uma espécie de rebeldia em busca de uma completude que “Lacan” diz que o “gozo” não serve para nada.
Na instância do “Gozo” é que acontecem as coisas mais bizarras da vida do sujeito e em sua prática da sexualidade.
No prazer tenho que pensar e  repensar inclusive dentro de um contexto mais tradicional em sociedade, família, religião e político para não agredir de forma sublimar o "outro".
No gozo não preciso pensar, usa-se toda libido (energia) para mostrar-se, impor-se e promover-se inclusive publicamente, sem se preocupar com quem paga a conta educacional, antropológica, pedagógica ou religiosa do meu gozo.
Na psicanálise mais coloquial gozar a vida é uma instância bem distinta de ter prazer na vida.
É preciso ficar atento ao cunho dogmático e quase educacional e antropológico que esse assunto: Homofobia, Homossexualismo, Lesbianismo e heterossexualismo estão demandando tempo na mídia e nos noticiário em geral destaca-se somente algumas pessoas famosas e artistas que necessitam de estar na mídia e na TV para aumentarem sua fonte de renda.
Isso anda gerando desperdício de dinheiro público da forma com que hoje tratamos assuntos sobre questões que antigamente era de cunho de tabu e de uma escolha particular entre quatro paredes do exercício da preferência de sexualidade.
Eram somente os amigos e pessoas de muita confiança no qual se confidenciava a sua preferência, orientação ou a sua prática sexual, isso era legal e não havia banalização da sexualidade humana. 
Hoje parece existir um gozo perverso que é vir a público de forma narcísica se expor histrionicamente causando vergonha e banalizando a utilidade do sexo na sociedade e não mais entre quatro paredes.
Negar o “falo” hoje parece que virou bandeira de tentativa de conquistar alguma forma poder e status. Isso é uma forma mascarada e sublimada de tentar criar uma demanda constragendora e clima de tensão, para uma possível guerra de nervos entre os heterofobicos e homofóbicos.
O sexo objetal seja ele hetero, homossexual ou lésbico que há algum tempo era algo de quorum muito intimo privativo hoje saiu às ruas, saiu aos noticiários e inclusive é alvo de demanda e gastos de logística e mídia junto ao poder público.
É preciso tomar cuidado, porque daqui algum tempo todos sairão às ruas “pelados” porque algum grupo de pessoas que se sentiam discriminadas resolve assumir o poder, criar direitos e leis e obrigar a todos andar “pelados”.
E o pior vão investigar se você se sente pelado e pensa de forma pelada e ninguém não vai poder falar nada, nem crítica e a liberdade de pensamento será a primeira prisioneira do sujeito que pensar fora do formato sexual do “Outro”, voltaremos à ditadura de uma forma moderna e mascarada onde seremos proibidos de pensar, falar e expor minha opinião sobre a sexualidade que saí às ruas como fazem animais irracionais; exemplos cães na rua.
Os pelados terão que pensar e comer de forma igual a mando da lei. Já imaginou isso é o fim da liberdade de sexualidade, liberdade de pensamento e liberdade da palavra.
Nada tenho contra a quem prática sua sexualidade seja homossexual ou lésbica, ao longo de quase vinte de acolhimento da escuta, tenho atendido a pessoas de diversas preferências sexuais e a grande maioria delas com dignidade declaram que não gostam de exposição pública, seja na mídia, ou seja, em locais públicos sobre sua preferência ou prática sexual.
Alerto aos pais, educadores, juristas e políticos do perigo social, educacional e cultural que é querer que tudo isso que antes era “privativo” saia às ruas como uma bandeira de aquisição de poder, de política e de uma nova forma de cultura para nossos estudantes, filhos e netos.
O Sexo não é cultura, não é educação pública, não deveria ser um novo partido político querendo assumir o poder.
Saber se o Sexo é “prazer ou gozo” não é objeto de política pública, do estado e da justiça.
Isso hoje é explorado para aumentar o ibope nas emissoras, desvia-nos a atenção da violência de menores, o desemprego e a saúde pública do país estão agonizando na UTI a espera de algum milagre.
O estado e a justiça não deveria se preocupar se os heterofobicos ou homofóbicos estão tendo prazer ou gozo seja em público, nas quatro paredes do seu quarto ou de um motel.
Isso está saindo do normal para uma exposição ridícula desnecessária.
Uma coisa é a discriminação, preconceito e outra coisa é usar isso como álibi para uma exposição que ridiculariza a sociedade, as famílias, as religiões e afronta os heteros.
Na psicanálise o “prazer” está na instância do neurótico e o gozo na maioria das vezes é a instância da transgressão do prazer, e segundo Lacan há seis paradigmas para o “Gozo” do sujeito.
O que está acontecendo é que ninguém mais quer prazer, todo mundo quer é transgredir e obter “gozo” imediato a qualquer custo e sem assumir nenhum custo, seja ético, educacional, político ou religioso.
Essa sexualidade “fora do armário” é na verdade uma forma subliminar de tentar assumir o poder que não se “tem”.
E que sabe no final ainda querer mandar ainda essa conta para os cofres públicos, os legisladores vão criar leis e mais impostos por conta disso em breve.
O Psicanalista Francês Lacan; já dizia se você está em busca de realizar seu “Gozo” se prepare para arcar com seus custos. 
Já que a instância do “prazer” dentro do contexto psicanalítico exige a demanda do se auto-conhecer, de auto-estima e da sexualidade instintual e não da sexualidade da banalização do “Falo do Outro”. 
Recomendo a receita antiga que cada um use a seu “gosto” ou preferência sexual na privacidade das suas quatro paredes de seu quarto ou de algum motel, é aí o ambiente ideal para seu gozo.
Assim poderemos ter vida sexual sem fazer com que todos sintam vergonha e ou nos sintamos expostos por ter determinada preferência ou orientação de atividade sexual.
Não é necessário vir escrito em minha identidade civil qual a minha preferência sexual, nem o estado e nem a constituição precisa se preocupar se estamos tendo prazer sexual ou algum gozo perverso ou bizarro sexual.
O estado, a política e a justiça deve se preocupar sim com os bilhões de Reais que oneram o tesouro nacional em campanhas preventivas e tratamentos de saúde das doenças do sexo.
A questão das DSTs (Doenças Sexualmente Transmissíveis) já ocupa muitos profissionais de saúde e demanda milhões do orçamento da união para saúde pública no que se relacionam as doenças da sexualidade humana.
A preocupação se tem “prazer”, “gozo” desprazer para isso já existe uma vasta literatura de Freud a Lacan e muitos outros que já há anos escrevem e estudam a sexualidade humana.
Se vivemos tempos de liberdade e inclusão, mas é preciso “repensar” inclusive as campanhas de DST, que em sua maioria é direcionada para o público hetero.
Sou a favor de uma ampla campanha pública de Dsts transmissíveis da Homossexualidade e Lesbianismo, visto que a maioria das campanhas a culpa fica debitadas sempre aos heteros se os direitos são iguais os deveres de esclarecimento e informação devem ser iguais também. 
 É preciso que o poder público informar aos pais, educadores e estudantes através de palestras e campanhas de saúde das possíveis DSTs de práticas homossexuais ou lésbicas sem a devida prevenção e orientação de saúde da sexualidade humana.
Os heteros estão levando todo o ônus e a fama das DSTs passa-se a impressão que exercer a opção do lesbianismo ou da homossexualidade é algo muito seguro, com assepsia, higiene e saúde, e isso não é verdade em nenhum país ou cultura do Mundo.
É preciso que essa bandeira da regulamentação do homossexualismo, bissexualismo ou lesbianismo assuma com dignidade sua opção sexual para a instância do prazer entre as quatro paredes.
E não fiquem querendo criar com isso uma forma de poder paralelo, partido político ou mesmo uma forma de cultura pública de sexo de obrigar a existência de adeptos e seguidores do seu “Gozo”.
Sexo não é cultura e nunca será, sexo não deveria ser prioridade do estado ou da igreja, é um assunto de quorum muito íntimo e pessoal, que fica vulgar se exposto a público sem um norteamento a faixas etárias.
Esclarecendo que não sou contra e nem a favor de casamento dos homossexuais, lésbicas e  até acho que isso pode ser algo moderno. E quem sabe no futuro esses casais modernos possam através de implantes de (órgãos) inclusive terem úteros e produzir leite maternal e constituírem seu próprio clã familiar.
O que fica bizarro e vergonhoso é usar-se desse meio para atingir na verdade outras finalidades sublimadas que são alheias ao preconceito e a discriminação sexual.
                                  "Amor é Dar oque Não se Têm a quem Não o Quer"  (LACAN)

”Hoje temos liberdade de pensamento e de sexualidade, mas muitos de nós vivemos desqualificando o desejo”.
Prof. Dr. Luiz Mariano
Psicanalista Clínico




domingo, 24 de março de 2013

Porque Fazer Análise ?


A Psicanálise é a Clínica do Acolhimento da Palavra
Porque fazer Análise?
A Psicanálise serve para Acolhimento do Sofrimento amoral do discurso da Alma Humana*  *(inconsciente). Isso sem julgo e sem Medo.
A Psicanálise em sua essência é a clínica do acolhimento da Escuta, da Palavra.
Acolhimento da Palavra não dita, palavra que não tevê oportunidade de construir seu discurso próprio na sua estrutura psíquica.
Na análise o "discurso" remendado é gradativamente levado para uma recostura "per si".   Se a religião é o porto seguro para o exercício da fé e também da culpa do nascimento da transa dos nossos pais, visto que onde tem sexualidade. A religiosidade se insere com a culpa., como cunho de domínio e controle da família e individualidade do ego.
Vive-se o medo e a temência de ser   julgado por amores e paixões que fazem parte natural da existência humana.
A psicanálise dá asas para voar além do “porto” do pecado, além do purgatório e nessa perspectiva “de voo” podemos descobrir o quanto somos capazes, fortes para reeditar nossa existência com o "outro e sem o outro" num viver ético.
E mesmo que ainda nos sentimos culpado e com medo,  na caminhada da análise seremos capazes de exercer a sexualidade sem medo do pecado e sem medo de ser feliz. Logo sem necessitar de nenhum “intermediário” que venha me desautorizar o desejo e a libido da sexualidade da minha vida. 
"Freud dizia que as religiões são excelentes abrigos das neuroses humanas" (1856/1939) Livro: Mal Estar da Civilização.
Na Psicanálise existe o Acolhimento da Palavra sem medida, fazer análise é o lugar onde o “palavrão” é desmascarado e  desmistificado é onde ele pode ser inclusive falado.  Na clínica de Psicanálise  esse "palavrão" são todas as palavras que deixei de dizer algum dia para alguém desde de infância.

Na "análise" o sujeito constrói esse palavrão através do seu discurso.   
Fazer “análise” é "estar-se"  sujeito a descobrir que um “grande amor” nem era ou foi é um grande amor assim, fazer análise é descobrir que uma grande paixão nem é mais tão uma grande paixão.
Fazer “análise” é descobrir que as instâncias do se apaixonar e amar, não devem  existir como vinculação de “partilha” do “indivíduo” em sua totalidade, gerando assim relações de dependência afetiva e possessividade.
Mas amar analítico é para “compartilhar” e esse compartilhar deve se apontar para o amadurecer, crescer e evoluir para existência dessa vida compartilhada.
Na paixão “partilhamos” o caminho, no “Amor” compartilho o caminho sem renunciar minha individualidade e liberdade; mas se tiver resquícios de um complexo de Édipo mal resolvido vou sofrer e fazer alguém sofrer.
É no Édipo e na infância com nossa mãe que a maioria de nós aprende a referência para amar e com nosso pai aprendemos a disciplinar "isso" para esse amar.   
O Amor é aquilo que dou (doação, ágape).  A paixão é aquilo que exijo para “tamponar” uma lacuna uma brecha que me falta e é preenchida pelo “outro” ( é uma sensação de bem estar por receber e perceber- se a si (narciso)  e não dar quase nada para o outro).
No amor eu "doou" sem pedir nada em troca porque "Amor" é luz refletida "vai e volta".  Na paixão exijo inclusive exclusividade e é na paixão que inclusive manipulo a individualidade do "outro" exijo "luz" mas posso por meu "Outro" em trevas.
Grandes conquistas acontecem na instância da paixão mas também  crimes passionais e hediondos também moram na possessão da paixão e não do amor.
Por isso é muito importante o candidato e aspirante a formação para  “Analista” fazer sua análise pessoal continuada, fazer suas supervisões de atendimentos antes de se tornar psicanalista de fato.
É preciso reeditar sua caminhada, sua história é preciso conhecer sua neurose e tratá-la primeiro para depois tratar do "Outro".

A Psicanálise é das poucos ou únicas especialidade ou ocupação laboral em que se experimenta primeiro do seu método para depois se utilizar no outro.
Não há restrições médicas, contraindicações e efeitos colaterais indesejados em se fazer análise sendo neurótico.  Haverá alguns  sintomas e reações como mecanismo de defesa e resistência a mudanças de si para si mesmo.
Mas ninguém vai a "óbito" ou fica com sequelas clínicas indo fazer "análise. Por isso não há emergência clínica médica em se fazer análise de neuroses inorgânicas e da instância do inconsciente.
O psicanalista (não médico) não pode ou deve aviar nenhum tipo de indicação de tratamento medicamentoso e nem pode suspender nenhum tipo de tratamento clínico ou de exames clínicos do seu analisado.
Psicanálise é Psicanálise: (Associação livre de ideias, Interpretação de Sonhos, Pontuar, Interpretar e Confrontar os achados do Inconsciente pela palavra)
Nesse artigo tenho intento de levar aos pacientes de psicanálise como também aos alunos (as)  e candidatos a formação para a clínica de acolhimento da psicanálise a importância de se fazer sua análise e da supervisão.
O Divã não é o leito para o corpo, mas é a acomodação do corpo para o acolhimento do inconsciente do sujeito.
E é nisso que vai se permitir "o vir da fala"  que através da escuta do "Analista" via associação livre, se criará condições e tempo propício para o “inconsciente” se fazer presente pela “palavra” que deverá ser pontuada com imparcialidade e amoralidade pelo seu psicanalista.
“O Psicanalista é o Poliglota da Alma Humana” (Chafic)
A psicanálise serve para a desconstrução do olhar e reeditar o sentir do sujeito, do seu “outro” e do seu sofrimento como “sujeito”.
Porém na análise não é recomendável e nem o objetivo visar cura de algum sintoma clínico médico ou doença.
Fazer análise é se submeter não só a confiança e experiência do Psicanalista, mas a ao método da psicanálise tradicional e coloquial.
E é nesse viés que temos um construto novo semelhante a um homeopático abstrato onde vamos alcançar o insabido gradativamente e descobrimos, e  aos poucos saberemos que nossa consciência e nossa razão, nem sempre têm consciência e razão de sermos assim inclusive infelizes e vitimados pela infelicidade.
Na análise vamos descobrir que inclusive podemos nos reeditar  para a possibilidade de um novo sentir e um novo “ser assim”  inclusive em instâncias novas da consciência e razão.  
A estrada da psicanálise é direcionada sempre ao universo abstrato e inorgânico individual do inconsciente humano;  e cada sujeito é um universo único em sua análise e sua história de vida.
A análise é possibilidade de me “permitir” fazer a travessia por uma nova estrada para aquilo que já existe na minha história desde infância, é um passo onde me permito conhecer meu sofrer sem me arruinar.
Embora o objeto da psicanálise não é eliminar o sintoma a análise  e se inicia após toda representação simbólica da queixa. É na elaboração do sintoma que o sujeito faz sua análise gradativamente e (cada um tem o seu tempo) por isso fazer "análise" demanda tempo.
Na análise vai se permitindo vencer resistências e mecanismos de defesas  descobrindo-se o quanto havia em seus sintomas, o quanto de tempo ou desperdício energia e libido com coisas que podem ser  "ressignificadas" e tratadas pela psicanálise. 
E isso é a indicação da possibilidade da construção de um novo olhar, uma nova ética para viver sem culpa, sem medo exagerado.
A análise é a possibilidade de um novo viver mesmo sendo neurótico, um Viver "Real"  sem tamponamento vai-se descobrindo o que somos e o que realmente desejamos nesta Vida.
Fazer análise é um desafio para conhecer-se a "si mesmo" é estar disposto a verdade insondável  que habitava a palavra e seu discurso do cotidiano.
 No discurso existo e enquanto que simbolização da existência do individuo está na interpretação dos conteúdos simbólicos da fala.
É no discurso que fazer análise é a libertação do seu sujeito de si e do seu “outro”. (Lacan)
Enquanto que no cristianismo a máxima: “Conhecereis a Verdade e a Verdade vos Libertará”

Na Psicanálise poderíamos usar o jargão:
“Conhecereis a si mesmo e seu desejo que isso vos Libertará de si e do outro”.
É claro que na análise diferenciamos as instâncias morais e religiosas das instâncias do prazer e tratado do desejo no contexto da estrutura psíquica individual de cada um de nós.
A Psicanálise não é imoral porém deve tratar de todas as questões e conflitos humanos de forma imparcial e amoral dentro do método psicanalítico tradicional e coloquial.

Luiz Mariano
Member Doctor Psychoanalyisis Theories and Clinical Psychopathology 
Percurso de Psicanálise da ABMP-DF & Uk Psychoanalysis Society - London
Doutorado Psicanálise Clínica EPCRJ - American World University
Mestrado Psicanálise Clínica do Acolhimento EPCRJ - Soul Open University London  



quarta-feira, 6 de março de 2013

DIZEM QUE SOU LOUCO.....


Crônica da loucura
Por Mário Prata


O melhor da Terapia é ficar observando os meus colegas loucos.

Existem dois tipos de loucos. O louco propriamente dito e o que cuida do louco: o analista, o terapeuta, o psicólogo e o psiquiatra.
Sim, somente um louco pode se dispor a ouvir a loucura de seis ou sete outros loucos todos os dias, meses, anos. Se não era louco, ficou.

Durante quarenta anos, passei longe deles.
Pronto, acabei diante de um louco, contando as minhas loucuras acumuladas. Confesso, como louco confesso, que estou adorando estar louco semanal.

O melhor da terapia é chegar antes, alguns minutos e ficar observando os meus colegas loucos na sala de espera.
Onde faço a minha terapia é uma casa grande com oito loucos analistas.
Portanto, a sala de espera sempre tem três ou quatro ali, ansiosos, pensando na loucura que vão dizer dali a pouco.
Ninguém olha para ninguém.
O silencio é uma loucura.

E eu, como escritor, adoro observar pessoas, imaginar os nomes, a profissão, quantos filhos têm, se são rotarianos ou leoninos, corintianos ou palmeirenses. Acho que todo escritor gosta desse brinquedo, no mínimo, criativo.
E a sala de espera de um "consultório médico", como diz a atendente absolutamente normal (apenas uma pessoa normal lê tanto Paulo Coelho como ela), é um prato cheio para um louco escritor como eu.
Senão, vejamos: Na última quarta-feira, estávamos: (1) eu, (2)um crioulinho muito bem vestido, (3) um senhor de uns cinqüenta anos e (4)uma velha gorda.

Comecei, é claro, imediatamente a imaginar qual seria o problema de cada um deles.
Não foi difícil, porque eu já partia do principio que todos eram loucos, como eu. Senão, não estariam ali, tão cabisbaixos e ensimesmados.
(2) O pretinho, por exemplo.
Claro que a cor, num país racista como o nosso, deve ter contribuído muito para levá-lo até aquela poltrona de vime.
Deve gostar de uma branca, e os pais dela não aprovam ou não conseguiu entrar como sócio do "Harmonia do Samba"?

Notei que o tênis estava um pouco velho. Problema de ascensão social, com certeza.
O olhar dele era triste, cansado. Comecei a ficar com pena dele.
Depois notei que ele trazia uma mala. Podia ser o corpo da namorada esquartejada lá dentro. Talvez apenas a cabeça.

Devia ser um assassino, ou suicida, no mínimo. Podia ter também uma arma lá dentro.
Podia ser perigoso.
Afastei-me um pouco dele no sofá. Ele dava olhadas furtivas para dentro da mala assassina.
(3) E o senhor de terno preto, gravata, meias e sapatos também pretos? Como ele estava sofrendo, coitado.
Ele disfarçava, mas notei que tinha um pequeno tique no olho esquerdo.
Corno, na certa. E manso. Corno manso sempre tem tiques. Já notaram? Observo as mãos. Roía as unhas. Insegurança total, medo de viver.
Filho drogado? Bem provável.
Como era infeliz esse meu personagem. Uma hora tirou o lenço e eu já estava esperando as lágrimas quando ele assoou o nariz violentamente, interrompendo o Paulo Coelho da outra. Faltava um botão na camisa.
Claro, abandonado pela esposa.

Devia morar num flat, pagar caro, devia ter dívidas astronômicas. Homossexual?
Acho que não.
Ninguém beijaria um homem com um bigode daqueles. Tingido.

(4) Mas a melhor, a mais doida, era a louca gorda e baixinha.
Que bunda imensa. Como sofria, meu Deus.

Bastava olhar no rosto dela. Não devia fazer amor há mais de trinta anos.
Será que se masturbaria? Será que era esse o problema dela? Uma velha masturbadora?
Não! Tirou um terço da bolsa e começou a rezar.

Meu Deus, o caso é mais grave do que eu pensava.
Estava no quinto cigarro em dez minutos. Tensa.
Coitada. O que deve ser dos filhos dela?

Acho que os filhos não comem a macarronada dela há dezenas e dezenas de domingos.
Tinha cara também de quem mentia para o analista. Minha mãe rezaria uma Salve-Rainha por ela, se a conhecesse.

Acabou o meu tempo. Tenho que ir conversar com o meu psicanalista.
Conto para ele a minha "viagem" na sala de espera. 

Ele ri, ri muito, o meu psicanalista e diz:

"(2 ) O Ditinho é o nosso office-boy.
(3) O de terno preto é representante de um laboratório multinacional de remédios lá no Ipiranga e passa aqui uma vez por mês com as novidades.
4) E a gordinha é a Dona Dirce, a minha mãe.
E (1) você, não vai ter alta tão cedo..."

PSICOTERAPIAS BREVES - 2001

TRABALHO APRESENTADO EM 2001  PSICOTERAPIAS BREVES          Este trabalho terá   como objetivo mostrar a economia em se ter como práti...