domingo, 28 de dezembro de 2014

Comer Meleca do Nariz

Comer meleca do Nariz!

Recebi um vídeo pelo watsApp de um estudante de psicanálise no qual uma moça sentada no trem; comia compulsivamente meleca do seu nariz, no qual ele afirma que é um processo autofágico de fixação na fase oral.

Respondi que talvez sim ou talvez não.·.

Na psicanálise coloquial e sem dogmas morais e religiosos, toda a gama de representação de um sintoma não é uma regra geral.

E não serve como um uniforme onde se podem vestir as pessoas de forma igualitária dentro de um processo terapêutico de psicanálise adulta ou infantil para um diagnóstico de juízo de cada um.
Caso estejamos aqui falando de psicanálise ciência do inconsciente humano e não da ciência do comportamento ou das emoções humanas.

Há muito anos atrás dei aula uma escola rural, e meus pequenos alunos e alunas por vez ou outra comiam as melecas, cada um tinha um jeito de comer suas melecas.
Na época observei que comiam melecas, quando se atrasava um pouco o horário do intervalo (recreio) no qual era servida quase sempre uma suculenta sopa dos tempos da ditadura militar nessa escola a sopa era a salvação alimentar e de saúde dessas crianças.

Também tive pequenos alunos e alunas que comiam escondidos giz, chicletes colados debaixo das carteiras ainda de madeiras da época, alguns raspavam com as unhas lasquinhas de madeira ou do barro da parede da escola rural.

Por um lado essa comilança de coisas nada nutritivas e bizarras poderia ser um mecanismo de alivio de alguma ansiedade, medo ou angustia da pobreza e carência alimentar em que viviam essas crianças em seus núcleos familiares.

Mas por outro lado o inconsciente buscava a realização (substitutiva) simbólica para suprir uma emergente carência nutricional ou vitamínica dessas crianças.

Para a psicanálise infantil essa carência nutricional e vitamínica pode sim se iniciar nessas “crianças” já na gestação, na concepção.
Muitas dessas “mães” tiveram má alimentação que foi (alimentação carente em valores) nutricionais e vitamínicos para seu feto, para que seu bebezinho se se desenvolve plenamente saudável em seu útero.

São mães que não tiveram uma maternagem adequada, bem assistida tanto no aspecto alimentar, principalmente no aspecto do acolhimento afetivo familiar, apoio do pai e na época algumas “mães” nem sabiam o que era um pré-natal.

Essas “mães” tiveram seus bebes com essas carências, biopsicofamiliar então o ato de comer meleca em nível do inconsciente poderíamos chamar isso de uma espécie de memória celular neuropsicológica fetal.

Para a psicanálise o bebê ou a criança (sendo adulto) ele vai comer meleca no seu inconsciente, ele come a meleca do nariz na tentativa de salvar a si e a mãe desse perigo da carência nutricional, vitamínica e principalmente a falha de maternagem com acolhimento e toda preparação adequada para a chegada do bebezinho.

Visto que teço aqui meu comentário dentro de uma visão psicodinâmica do inconsciente baseado em minha experiência com a psicanálise infantil.
Não se trata aqui de uma “análise” terapêutica, mas sim de um norteamento por onde caminharia a “análise” de uma pessoa adulta que come melecas e outras coisas bizarras.

Na vida adulta muitos homens e mulheres, meninos e meninas desenvolvem quase sempre algum tipo alérgico, e isso no inconsciente está ligado à rejeição, a fronteiras, os fetos rejeitados na gestação pela mãe se tornam em bebês com algum tipo de alergia.

Nas famílias mais abastadas, lares fartos em alimentação os comedores de melecas foram rejeitados porque deixaram os corpos sarados e jovens das mães fora de forma ou da moda de cada época, ou porque foram muito cedo para as creches ou cuidados das babas entre 0 a 5 anos seguindo aqui o pensamento de Lacan.

Lembrando que estamos falando de “rejeição” inconsciente não necessariamente proposital ou por uma mãe má ou mãe bruxa.

Cada mãe têm seus motivos específicos seja cruel ou não para indesejar a gravidez e a gestação, dentre esses motivos podemos citar alguns a pobreza extrema, falta de apoio e acolhimento pelos familiares, presença de um pai viril para o sexo, mas fraco ou desqualificado para ocupar o lugar de pai que fica além do lugar do macho sexual.

Então com esse indesejo na gestação e uma maternagem falha, juntaremos a isso as tendências; a carga de memória genética de cada um, essa mãe pode sim ter muitos motivos para rejeitar (inconscientemente) esse feto e essa gestação.

Aliam-se também fatores predisposições culturais e de ideias religiosas de cada comunidade ou cultura local.
Por isso dificilmente uma mulher adulta ou moça gostaria desejaria comer meleca em público.

Mas nesse vagão de trem quem come a meleca de nariz não é a bela moça, mas sim a “criança ou o bebezinho que está dentro dessa moça”.
Esse deve ser o norteamento e o olhar da psicanálise; ao acolher um jovem ou adulto nessa situação.

A despeito dos aspectos clínicos, neurológicos e comportamentais, verdade é que para a psicanálise da infância a meleca do nariz nos remete a nossa primeira infância e para alguns autores isso pode vir da gestação.
Existe um significado para comer essas melecas e vários significantes que estão inconsciente, adormecidos e recalcados no na pessoa adulta.

Esses significantes podem ser inclusive ódio recalcado de alguém a quem se deva somente amar, mas o ódio e amor na psicanálise é uma linha muito fina e quase invisível e insabida.

Já tive inúmeros pacientes que relataram coisas bizarras que comiam ou beliscava em seus momentos de estresse ou de situação de carência afetiva que se arremete a busca de socorro inconsciente pela figura da mãe, já que o pai muitas vezes nem sempre existiu dentro da dinâmica; imaginário, simbólico e real.
Dr. Luiz Mariano
Psicanalista Clínico
Especialista Medicina Psicossomática e Neurociência Livre 
Ano: 20 de Atuação Profissional 

sábado, 13 de dezembro de 2014

A FÓRMULA DO AMOR ?

Será que descobrirmos a fórmula do Amor?
A ocitocina é um hormônio que uma vez liberado pelo cérebro com saúde e em saudável ambiente familiar, existe e estimulado tanto em homens e mulheres desde bebês.
Nosso primeiro contato com esse hormônio do amor é com a nossa mãe se inicia na primeira mamada, há pesquisas que ele pode se iniciar ainda na gestação quando a mãe têm uma boa maternagem, bons cuidados afetivos e clínicos durante a gestação e em todo seu pré natal *.
* Numa linguagem psicanalítica é o inicio da sanidade neurótica que é uma saída para o trauma do nascer e viver e a imunização gradativa contra a “psicose” infantil ou na vida adulta.
É na infância com a  estruturação mental psíquica do “futuro sujeito adulto” que se inicia o imaginário (sem linguagem ainda) se constrói o principio do prazer, ou melhor dizendo seja o bebezinho tem sua compensação imediata da vivência e do desconforto de estar fora da mãe e  do trauma do nascimento nas mamadas iniciais;  que deveria ser  um o ato do acolhimento essencial da maternagem liberando assim a ocitocina que vêm compensar esse desconforto simbólico de se estar fora da barriga da mãe.  
A ocitocina não vende em farmácia; mas seu benefício positivo para a saúde tanto física quanto mentalmente depende de cada sujeito. O lançamento da ocitocina no corpo promove fortes vínculos nos relacionamentos; pessoas com dificuldades repetitivas de vínculos afetivos têm mais cortisol no sangue que ocitocina; e descobre-se muito isso indo às sessões de análise voltando a primeira infância.
É uma boa sensação hormonal e uma vez libertados a partir do cérebro, as suas vantagens podem ser sentidas durante até duas semanas.
Embora sem comprovação clínica ou ainda científica se sujeitar a fazer psicanálise (ir para setting psicanalítico) pode abrir caminhos para liberação da ocitocina do sujeito em análise. O excesso de cortisona usada para bloquear as revivências de traumas da infância, maternagem e gestação de extrema carência afetiva e de assistência a saúde da mulher futura mamãe.
Para quem é obsessivo compulsivo ao extremo, tem algum tipo t.o.c, mania de limpeza ou mesmo uma leve mania de perfeição a imagem acima do piso é de adoecer veja se descobre.
Os pensamentos repetitivos, t.o.c., manias, ciúmes ou vivência de algum relacionamento de muita carência afetiva e patológica; libera uma descarga de cortisona em nosso organismo.
A ocitocina afeta nossa saúde e funcionamento do cérebro descrevo algumas não médicas e não clínica de como aumentar os seus níveis de ocitocina.
Como já sabemos os níveis de ocitocina no organismo são secretadas a partir do cérebro após o nascimento da criança e, particularmente, quando a mãe está amamentando em ambiente de acolhimento, paz e saúde.
O hormônio cria laços fortes entre a mãe e o bebê. * ver (Psicanálise Infantil)
Tanto a mãe quanto o pai ao sentir amor, carinho e cuidado para com o bebê e inicia-se espaço para ação e benefícios desse hormônio no cérebro.
A Ocitocina reestrutura neurotransmissores no cérebro criar mudanças positivas.
Muitos alegam que esse é o hormônio do “Amor”.
Talvez seja uma forma “clínica de se tipificar o amor.
Em minha opinião não é necessariamente o hormônio do: “Amor” até porque existe uma sabedoria psicanalítica para o amor em análise.
Mas a ocitocina é o hormônio que produz bem estar (prazer), talvez ele sim nos leve a termos condições de amar desinteressadamente algum dia sem sentir a falta.
Embora tenha sido muitas vezes referido como o hormônio do amor; porque a sua presença estimula boas e positivas relações familiares, sociais e de trabalho os sentimentos de respeito, amor, atração, carinho, proteção, bondade, excitação e cria boas relações entre familiares, amantes e amigos.
 A oxitocina é eficaz em reduzir os níveis de estresse, uma vez que reduz os níveis de cortisol que ocorrem naturalmente no corpo em nosso dia-dia ou desde nossa gestação e o nascimento.
O cortisol é liberado durante períodos de estresse e é responsável por nos fazer sentir desconfortáveis e com mal estar geral
Durante períodos de estresse.
O estresse faz com que nosso sistema imunológico abaixar e a falhar o que muitas vezes leva à doença após longos períodos de níveis de estresse elevados, longos períodos de muito cortisol.
Oxitocina neutraliza cortisol, diminuindo o seu volume no sangue, reduzindo assim os seus efeitos sobre o corpo, mente e de maneira geral estabiliza ou melhora a saúde.
Oxitocina também reduz a pressão sanguínea, que pode ser útil na prevenção de doenças cardíacas e outras patologias.
A ocitocina não está disponível como um medicamento de prescrição no presente.
Há estudos científicos no exterior realizados em ratos descobriram que a ingestão de comprimidos ou injetando a ocitocina tem um efeito muito curto prazo, antes de serem eliminados do corpo, também paliativamente sprays nasais foram também utilizados, mas novamente os efeitos são de curto prazo e, possivelmente, prejudicial.
A melhor fonte de ocitocina é segregada a partir do próprio cérebro.
Na seqüência cito alguns estimulantes naturais e sem contra-indicações que podem levar seu cérebro a maior liberação de ocitocina de forma natural:
Fazer caminhadas.
Se sujeitar a alguma psicoterapia ou mesmo a análise como um investimento para se conhecer-se melhor a si mesmo, aprendendo a lidar e conviver melhor com o “outro”
No caso das mulheres há possibilidade de amamentar seu bebê.

Na relação sexual prazerosa: A ocitocina é liberada durante o orgasmo, que é responsável por isso sentimos o arrebol quente que experimentamos depois do sexo há um aumento da ocitocina no corpo para duas vezes o seu nível normal.
Comer alimentos de conforto: Comer sua comida favorita, como chocolate, sorvete ou qualquer refeição que você realmente gosta vai liberar ocitocina
Ser gentil com os outros: Esse sentimento que você começa a sentir é quando você consegue ter dito ou feito algo de bom para outra pessoa de forma desinteressada e fraterna isso é devido à liberação de ocitocina.
Ter contato físico com os outros, como um abraço carinho, beijando e tocando todos a promove a liberação da ocitocina.
Massagem: Durante o relaxamento muscular e toque, a ocitocina é liberada.
Cercar-se de amigos aumenta a ocitocina, uma pessoa hostil e negativa diminui ocitocina.
Meditação ou Oração de acordo independente da religião ou fé de cada um: Meditar ou Orar diariamente aumenta a ocitocina principalmente quando temos mais a agradecer que pedir.
O tratamento com medicina alternativa tem sido comprovado para aumentar os níveis de ocitocina, que é por isso que pode ser tão eficaz em algumas pessoas como um tratamento para doenças. Embora desaconselhável ignorar exames clínicos periódicos e recomendações médicas
Havendo ocitocina no sangue há um efeito calmante sobre o corpo, isso tem sido usado em estudos científicos para reduzir os efeitos de abstinência experimentados por ratos sejam viciados em heroína, morfina, cocaína e metanfetamina.
Dependentes químicos ou alcoólatras são carentes de afeto infantil e amor.
A ocitocina reduz cravings que suprimem o apetite, levando à perda de peso.
Sua ansiedade o hormônio bodys antidepressivo natural.
  Quanto mais você dá, mais você recebe.
Ocitocina pode ter um efeito profundo sobre como você se sente e como você vê o mundo.
Ao se relacionarmos com os outros, o ser gentil e carinhoso é a chave para se sentir bem e prolongar a vida com sanidade e saúde.
A capacidade do cérebro a liberar a ocitocina é a chave para saúde, sanidade e viver uma vida com tempos com mais saúde e felicidade.

Prof. Luiz Mariano
M. D. Psicanálise Clínica Institucional
 Especialização Neurociência e Psicossomática

 "O Homem se esquece, a mulher se lembra de tudo, por isso amar é para aqueles que sem lembram um do outro, mas são esquecidos, re-significados muitas coisas que um fez ou deixou de fazer ao “Outro."

 Dr. Luiz Mariano 

domingo, 30 de novembro de 2014

Psicanálise é a ciência da Libertação Humana

“A psicanálise é, para mim, a ciência da libertação humana. 

Quem fala em liberdade humana fala sempre em comunicação e encontro. 

A psicanálise é,  portanto, a ciência da comunicação e do encontro. 

O trabalho psicanalítico visa a construção de um encontro entre duas liberdades. Isto significa que a psicanálise visa o encontro entre duas pessoas, já que o centro da pessoa é a liberdade.

 Não há liberdade sem abertura ao Outro, sem consentimento na existência do Outro como tal e enquanto tal.
 

Os distúrbios emocionais podem ser conceituados como limitações estruturais dessa abertura, implicando uma perda em disponibilidade com respeito ao Outro.
 

Se minhas ansiedades básicas exigem de mim que faça do Outro um instrumento do meu esquema de segurança,  já não posso aceitar o Outro em sua essência de ser-outro.
 

Vou inventá-lo à imagem e semelhança de meus temores, torno-me o eixo da referência ao qual o Outro deve referir-se e submeter-se.

A psicanálise, sendo um longo convívio humano antiautoritário, é um chamamento à liberdade e à originalidade do paciente e do analista, para que ambos assumam a alegria da comunicação autêntica”.
 

 O Outro é o que importa, antes e acima de tudo. 

Por mediação dele, na medida em que recebo sua graça, conquisto para mim a graça de existir.

É esta a fonte da verdadeira generosidade e do autêntico entusiasmo:  Deus comigo.

 O amor ao Outro me leva à intuição do todo e me compele à luta pela justiça e pela transformação do mundo. 

*Hélio Pellegrino era Psicanalista  ( in memorian)


Nasceu em Belo Horizonte, em 1924 e morreu no R.J em 1988. Foi Psicanalista , Escritor e Poeta brasileiro, célebre por sua militância de esquerda e por sua amizade com os  Fernando Sabino,  Paulo Mendes Campos  e Otto Lara Rezende.

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Gostar de Sofrer.
O psicanalista declara: -“O sujeito goza em seu sofrimento”.
O povo traduz: - “As pessoas gostam de sofrer”.
 Todo mundo sabe disso, usa a expressão com frequência, mas acha que é brincadeira por não ser possível, em sã consciência, alguém gostar de sofrer.

E, no entanto, isso é muito comum.
Como ninguém quer dar recibo, nem para si mesmo, do seu gosto do sofrimento, acaba incorrendo em uma prática dolorosa.
Não querendo ser descoberta, a pessoa intensifica suas queixas e dores para melhor justificar seu momento sofredor.

Assim, aquela que sofre pela velhice de um parente próximo, ou de uma doença grave, ou de uma perda importante, a cada dia, se surpreende com esse fato, como se fosse algo novo.

É um modelo geral que se aplica às mais diversas situações da vida.
Isso explica, em parte, o crescimento do diagnóstico de depressão.  Estamos vivendo uma epidemia de depressão.
A pessoa não está muito bem, anda triste, esquecida, dorme mal ou dorme muito, lá vem a explicação: está deprimida.

Entre não saber o que tem e aceitar um rótulo que todo mundo compreende e respeita, a pessoa se agarra ao segundo.

Assim foi com Maria. Ela não poderia ter outra coisa se não estar deprimida.
Com distrofia muscular nos braços e nas pernas, andando em cadeiras de rodas e dependente do seu marido cheio de saúde, o diagnóstico estava pronto só faltando o psiquiatra-psicanalista avalisar, medicar, e explicar como ela deveria melhor se resignar a seu estado depauperado. 

Mas não foi nada disso que ocorreu.

Na primeira consulta entraram os dois, Maria e seu marido. Era um homem de forte envergadura, vistoso, contrastante com o estado e o aspecto de sua mulher. Começada a entrevista, Maria mal falava, nem mesmo levantava a cabeça.
O analista perguntou se ela queria que o marido se retirasse. Ela não respondeu.
Ele, o marido, repetiu a pergunta. Frente ao insistente silêncio dela, afirmou o analista: - “Sim, ela quer que o senhor se retire”. Surpreso, ele saiu. Ato contínuo, ela levantou pela primeira vez a cabeça e declarou:
 - “Doutor, como é que alguém pode estar bem com um traste desses do lado?”. Começou a se queixar do traste que a cansava, pois, medroso de andar sozinho, a forçava a acompanhá-lo em suas visitas de vendedor.

Solicitada a contar a história de seus relacionamentos amorosos, com cara de desalento, explicou que aquele homem era o seu segundo marido e que tinha se separado do primeiro, pelo fato do anterior ser um traste maior ainda.

A repetição da nomeação “traste” levou à pergunta se o seu problema não seria a “trastite”, ou seja, a escolha repetitiva de trastes como objetos amorosos.

Ela abriu um sorriso radioso de confirmação do sintoma e vontade de falar a respeito. Seu tratamento começou assim, bem distante do sofrimento padronizável.

Moral da história: muitas pessoas se aferram a um sofrimento de alto valor social, para se justificarem em suas dificuldades.

Por isso gozam no sofrimento, perdendo a sua singularidade.

Cada um de nós chora ou sorri por detalhes irrelevantes aos olhos dos outros. Difícil é reconhecer e sustentar isso.

Dr. Jorge Forbes é Psicanalista e Escritor


Fonte consultada:Artigo publicado na revista IstoÉ Gente, julho de 2014.

terça-feira, 18 de novembro de 2014

Ao encontro do Verdadeiro Amor

“A instância do amor romântico na psicanálise só serve para se devolve-lo a sua origem o Édipo. Esse amor romântico se devolvido ao Édipo poderá resolver-se, solucionar-se lá no insabido. E é isso  é que vai permitir o sujeito em “análise”  se liberte de amores adoecidos e patológicos, livrar-se do seu romantismo imaginário,  narcísico em sofrimento edipiano. Assim após e nesse seu assujeitamento corajoso em sua análise; O amor romântico é  devolvido e tratado, se cura no Édipo. Diríamos que daí para frente o sujeito estaria apto, pronto, forte e independente para construir um ou mais amores no real do seu desejo e não no desejo do “outro”..

Prof. Dr. Luiz Mariano

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

O Desamor do Amor

“O DESAMOR DO AMOR.”


O evitar amar de novo, ou mesmo errar sempre no amor não é azar e nem é evitar envolver-se de novo para não sofrer novamente.
Isso pode-ser uma defesa, preservação e resistência que ao longo do processo analítico vai se descobrindo a quanto a pessoa pode estar sendo prejudicada e afetada em sua qualidade de vida e prazer por ter essa questão não resolvida.

Essa sutil defesa e preservação só serve para não tirar o  sujeito de sua imobilidade em seu narcisismo primário e ostracismo edipiano inconsciente.

A psicanálise é essa ciência arte do inconsciente que cria a possibilidade de tirar-nos de nosso ostracismo de modelos de relacionamentos ruins com a descoberta da pérola interior do amor de cada um de nós.

Nas neuroses há sempre uma  busca incessante e insatisfeita para o  tamponamento por figuras parentais e de vivências edipianas e  berçarias, é desse contexto que surge futuramente vários modelos de relacionamentos  na vida adulta com histórias de sofrimentos, ressentimentos repleto de repetições e processos de somatizações.

O amor do narcísico apenas necessita do semelhante para se re-afirmar em seu imaginário; como macho ou como fêmea, e isso para ele (ela) é tão importante para si; Saber o quanto é belo ou bela, *só não sabe porque e para quem ? * (complexo de Édipo)

O amar de um narcisista é um tanto quanto é auto-suficiente, orgulhoso.

E nesse caso o semelhante ou próximo é um mero mecanismo de me permitir ver a mim mesmo em duplicidade. (reforço) é uma tentativa de tamponar.

O Amar ou conviver com um narcísico (a) é mergulhar nesse lago e se afogar em sofrimento enquanto o amado (a) fica apreciando seu corpo, vaidade e pretensa beleza eterna vendo apenas seu  próprio reflexo e sua temporal.

Enquanto o Édipo e o narcisismo primário não estiverem curados, resolvidos terapeuticamente de alguma forma, não há nenhuma garantia de que a relação amorosa por mais que seja prazerosa e saudável que dure sem adoecimento ou desgaste emocional que a remete sempre a questões narcísicas e edipianas não fechadas e não resolvidas.

O narcísico gosta tanto de si que o ódio dele vai em direção ao semelhante disfarçado de muita educação, cuidado e sedução menos amor.

Sabe-se que não há prazer que valha a pena e que resista a crise transferencial negativa de um Édipo mal resolvido, não fechado dentro de um relacionamento a dois e quem dirá isso no clã familiar.

Os possessivos e ciumentos, fazem suas transferências edipianas e parentais que são de ordem de sofrimentos e somatizações terríveis quando não terapeutizadas e ressignificadas. 

O amor do narcísico é uma ferida aberta, e eis que ao mesmo tempo esse eu deseja a cura pelo amar, ele repugna o semelhante porque a cura lhe vai tirar de sua cegueira da beleza eterna que espera por alguém faltante ou faltoso no fechamento do édipo.

Esse “ostracismo” emocional narcísico só se permite enxergar a sua verdade; Só ele tem valor e só ele (a) se reconhece na relação em seu próprio ostracismo; e sempre usando o seu semelhante.

É tal como uma ostra que desconhece qual é o valor da sua pérola, porque vive sempre só olhando para si,  achando que é a única pérola do mundo,  desvalidando todas outras possibilidades de alguém amar além de si.
  
Para Lacan o inconsciente é o pensamento e a ação do “outro” por isso na tentativa de amar sempre há uma preocupação em controlar o que o “outro” pensa desse amor.

O gozo real só existe na instância do imaginário e não existe (sem a intervenção analítica) a possibilidade de um significante desse gozo.

No anseio neurótico de amor as pessoas se apaixonam, se casam, descasam e casam de novo porque acreditam em crenças e valores tais como Deus, valores morais e princípios que nos levam a essa busca desse êxtase maior., por não conseguir permanecer em seu labirinto neurótico sem a referência do “outro”. 

O amor é algo que deveria nos levar para além do pensar si, essa sensação de presença mágica de amar nos torna sujeitos únicos de desejos insatisfeitos, anseios e individualidade que quando não ressignificadas  e não valorizadas torna-nos  escravos e adoecidos de um amor patológico de algo  faltante que não sabe o que lhe falta.

Prof. Luiz Mariano M.D.
Ano: 20


terça-feira, 7 de outubro de 2014

A Psicanálise é Uma travessia libertária para Muitos Males e Aflições...para audaciosos e corajosos !

“A psicanálise é a terapêutica do inconsciente, na análise se construirá gradativamente uma ponte do diálogo com o discurso do insabido. E será nessa travessia da ponte para o real do desejo desconhecido e inconsciente onde o o mesmo pode ser ressignificado. E é isso que pode nos libertar de muitos males e aflições da vida.” 

Pscn. Dr. Luiz Mariano   

www.drluiz.com

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

O Paradoxo do Amor e a Dor das Paixões


 A história da nossa civilização humana é feita de “o amor e muitas paixões isso sempre foi um paradoxo aqui tema de nosso estudo de psicanálise.

Lacan diz: O que falta ao amante é justamente o que o amado não tem.

A construção dessa ponte ou desse analítico (um saber de mim, autoconhecimento de si) é o encontro, um convite para investigar os fundamentos do amor, vemos que o mesmo se apresenta, de várias formas que é quase a mesma forma artística dos poetas que já sabiam disso em suas poesias.

Na psicanálise nem sempre o encontro da verdade com o saber não decifra toda a verdade, até porque nós somos seres simbólico que nos expressamos e existimos pela linguagem do insabido. . 

E é nessa angústia do desejo de saber o que é o amor, que se esbarra com algo indizível.

Por isso o que não pode ser dito ou escrito se converte como que numa mágica em suposto amor, ou numa maldição de uma paixão.

Seria esse amor: “Um mal, que mata e não se vê”, em “um não sei quê, que nasce não sei onde, vem não sei como, e dói não sei por quê” como diz  (Camões).

Amar e saber o que é Amar ou se apaixonar são coisas distintas na psicanálise.

O Amar é um momento bom que nunca se esquece; é reinventar-se para a Vida tomar novo sentidos na existência do indivíduo do seu mundo, quem ama vê o mundo com um olhar mais adocicado e vivo o amor.

Agora Saber o que é amar é impossível. Porque “quem ama nunca sabe o que ama; nem sabe por que ama, nem o que é amar” (Fernando Pessoa). 
  

E nessa caminhada incerta que estamos diante da impossibilidade de saber toda a verdade, então com isso fala-se muito de amor.

Isso é o que vem sendo feito há séculos.
O filósofo Platão, em O Banquete, retrata os lugares do discurso: o do amante e o do amado.

O Psicanalista Francês (pós/Freud) Jacques Lacan (1901-1981) baseia-se no amor grego para articular o par amante-amado com a estrutura do amor.

O sujeito que ama é aquele que experimenta a sensação de que alguma coisa lhe falta na sua vida, mesmo não sabendo o que é essa “coisa” ocupa o lugar de sujeito do desejo (amante); aquele que sente que tem alguma coisa, mesmo não sabendo o que é, ocupa o lugar de objeto (amado).

O paradoxo do amor reside justamente no fato de que o que falta ao amante é precisamente o que o amado não tem. (Lacan)

Se a pulsão de Eros nasce de uma aspiração impossível, que se deseja de dois fazer um, uma unicidade do Amor. Nos seres humanos inventaríamos o mito do amor, sustentado na promessa de felicidade eterna para ambos, e para isso nesse jogo do amar, vale quase tudo.

E, enquanto isso não vem (o amar e amar) o bem se transforma em mal, inaugurando uma escola de amor infeliz chamada “Paixão” e é nas paixões que temos as inscrições de incertezas, medos, infelicidade, carência afetiva, faltas, questão do Édipo não resolvida adoeceu e quase tudo em nome dessas paixões

 Nessas paixões muitos líderes políticos e religiosos também podem se usar desse expediente para manipular a direção de seus subordinados para obter seu gozo perverso do poder. 

Freud e a teoria da Sexualidade Humana

Em O Mal estar na Civilização, Sigmund Freud (1856-1939) adota a versão do amor que se encontra no poema “Sobre a Natureza”, do filósofo grego Empédocles (490-430 a.C.):

Eros é uma força que tende para a unificação.

Freud em seu escrito As Pulsões e Suas Vicissitudes (traduzido em português por Os Instintos e Suas Vicissitudes). O pai da Psicanálise cria o conceito de pulsão para construir uma teoria da sexualidade humana: as pulsões são os representantes psíquicos de estímulos internos, (individuais de cada sujeito) isso se situando no limite entre o psíquico e o somático, (entre o Corpo e a Alma) e a essas se apresentam divididas em pulsões sexuais e pulsões do eu (pulsões de autoconservação/preservação). 

As pulsões sexuais infantis (oral, anal e genital) (Eros e Tânatos) são constituídas por quatro elementos (impulso, fonte, alvo e objeto), passam por quatro processos de transformação: reversão a seu oposto, retorno em direção ao próprio eu, recalque e sublimação.

A reversão o seu oposto caracteriza-se pela transformação do Amor em Ódio.


Essa transformação a que se refere aqui é um tanto quanto o tempo arcaico, regido pelo auto-ergotismo que têm suas origens em nosso (narcisismo primário) o qual também é dividido em duas fases.

Primeira fase, as pulsões do (Ego) e as pulsões sexuais têm o mesmo alvo, porque ainda não se separaram: é a satisfação autoerótica.

Sob o domínio do princípio de prazer, constitui-se um eu primitivo, interessado pelo que lhe dá prazer e desinteressado do que lhe dá desprazer.
  
E é nessa indiferença, nomeada de “repúdio primordial do ego narcísico” que se inaugura o ódio e o sujeito passa a precisar de um objeto. 

Na segunda fase, o ego sai da sua realidade e pode ser transformado em Ego do prazer purificado (sem culpa e sem pecado).

O Neurótico assim consegue realizar a distinção entre o fora e o dentro pela via da fantasia:

Via de regra o que causava desprazer e era odiado é expulso do próprio corpo, passando a constituir, então, o campo dos objetos; o que causava prazer passa a ser amado e, como tal, incorporado ao próprio corpo (prazer).

É importante ressaltar que a precedência do ódio sobre o amor está diretamente ligada às suas fontes primárias e maternais e do complexo de (Édipo).

O ódio nasce sob o domínio do princípio de prazer e o amor inaugura-se no momento em que se constitui a pulsão ao princípio de realidade do sujeito.

É dessa fusão do amor ao ódio que se resulta no ser humano a capacidade e força da primeva do amor, nascem assim à ambivalência a que todos estamos sujeitos a períodos de (amor / ódio). 

Sobre o Narcisismo: uma Introdução, Freud aborda o amor a partir da escolha de objeto.

  
Nós seres humanos “neuróticos” temos sempre dois objetos sexuais (Pai e Mãe) eles desempenham as funções simbólicas de alimentação e de proteção a que desejamos e buscamos por toda nossa vida.
  
Em função disso, temos sempre duas escolhas:

A narcísica e Analítica. (Na analítica o sujeito descobre que é responsável por si, na Narcísica o sujeito é responsabilizado para ser um “Objeto” e não um sujeito / indivíduo por si. 

Na escolha narcísica, ama-se o que se é normalmente (a si mesmo) e ou / o que se foi ou o que se gostaria de ser.

Aqui, o objeto é amado com a mesma intensidade que outrora o ego do prazer fora amado no auto-erotismo.

Na escolha analítica, Ama-se a parte do eu que foi renunciada e transferida para o objeto, fazendo com que o objeto seja revestido das funções materna e paterna: a mulher que alimenta ou o homem que protege. 

Sigmund Freud retoma, em Psicologia de Grupo e Análise do Ego, a escolha do objeto amado pelos mecanismos de idealização e de identificação.

 Na conceituação da idealização haverá o engrandecimento do objeto e a identificação pela forma mais arcaica de laços afetivos com o objeto. (Édipo)

Esse ideal será o investimento (amor) o ego vai à busca do objeto o que implica não só o empobrecimento desse Ego, mas também a sua ligação com o objeto, mesmo depois da perda ou do abandono.

A questão da separação é vivida como uma espécie de espedaça mento do objeto amado, fazendo com que o Ego experimente a dolorosa sensação de que uma parte de si mesmo foi arrancada para sempre é um fim e não o “Fim”.

Com isso na identificação, a perda ou o abandono do objeto leva à incorporação de suas propriedades pelo ego.

Assim, nessa conceituação de idealização, o objeto é colocado no lugar do ideal do Ego, e, na identificação, o objeto é colocado no lugar do seu próprio Ego. (Os perigos de Paixões Ciumentas e possessivas). 

Com isso o “sujeito” que dizia ou se declarava “amar” ingressa com seu “Objeto” no reino da paixão (Narciso), onde o amante, encantado pelo “objeto amado” é levado à escravidão emocional ou sexual ou servirá de algum um tipo de servidão perversa sem limite e sem ética ou compaixão.
  
A paixão é cega e nessa escuridão da paixão, o enamorado pode inclusive ser arrastado ao impulso do crime * (Pulsão de Morte) isso por não corresponder ao imaginário do meu amor.

A perda do objeto da paixão converte o amor em ódio (em segundos) fazendo com que o desejo de posse se transforme em desejo de destruição. 

Para Lacan, em seu projeto de retorno à obra de Freud, faz questão de enfatizar que é preciso distinguir entre o amor como sentimento da paixão e o amor como dom ativo.

O amor como paixão inscreve-se no plano das relações imaginárias, nível das relações especulares, em que as imagens do eu e do outro se confundem.

Ao se inscrever no plano das relações “imaginárias” de cada um de nós a pergunta é o que será que falta ou sobra nessas relações imaginárias de cada um nós (Édipo).

O amor é um dom ativo inscreve-se no plano das relações simbólicas, dimensão da palavra, cujo registro é o da verdade, da mentira, da equivocação e do erro, quem ama terá que se assujeitar-se a tudo isso 

A paixão visa ao “Outro” como “Objeto” e o amor visa ao “Outro” como sujeito tendo sua individualidade. 

Nas paixões não “interessa” a individualidade para aquele se declara amar.

Na paixão, sempre há as exigências de provas de amor das mais bizarras, violentas e agressivas.

E nessa lista de exigências das provas de amor, quase nunca o apaixonado se dá por satisfeito, porque não se trata de ser amado, mas, sim, de querer ser amado do modo pelo qual se “imagina” que se deva ser amado.

Qualquer particularidade do outro amado tem de ser apagada para que se mantenha a fantasia de que de dois se faz um.

E nesse embrolho ao fracassar o sonho de amor, torna-se a causa do sofrimento de amor, o qual se transforma em ódio de si mesmo e do outro.

Na paixão, amar é querer apossar-se do objeto, capturando-o; e o odiar é querer desvencilhar-se do objeto, aviltando-o ou o destruindo se ele não corresponder ao meu imaginário.

  
Lacan afirma:

“O ódio não se satisfaz com o desaparecimento do adversário”. 

Para isso não vai bastar o exílio, a prisão, o assassinato; é preciso a injúria para denegrir o ser do outro odiado.

Se não se pode eliminar a existência do outro odiado na linguagem, o caminho da difamação é a via pela qual se tenta associar um nome à indignidade e à vilania.

Um terceiro elemento é acrescentado ao par amor-ódio:. a ignorância

O desejo de não querer saber está para a paixão assim como o desejo de querer saber está para o amor.

O amor como dom ativo está para além da fascinação imaginária, porque se dirige ao ser do outro em sua particularidade e respeitando seu sujeito.  

Talvez esse seja um Amor ideal; um amor que se inscreve no regime da diferença, onde dois não fazem um, mas dois continuam sempre dois. 


Em seu Seminário 4: a Relação de Objeto.

Lacan aborda outra modalidade do amor, aquele concebido como recusa do dom e situado em torno do que o objeto amado não tem.

Três elementos entram em cena: amante, objeto amado e para além do objeto.

O que se ama está para além do objeto.

E o que estaria nesse além senão a própria falta?

Lacan diz que o dom dado em troca não é nada:

o nada por nada é o princípio da troca”.

Na dialética da recusa do dom, o sujeito sacrifica-se para além daquilo que tem.

Então, amar é dar o que não se tem, e o acento está no amor, não no objeto amado.


Esse acento comparece no amor cortês (o trovadorismo dos séculos 12 e 13), na concepção barroca de amor, em Fernando Pessoa.

O que se ama é o próprio amor. 

                                                            “Na psicanálise amar é incompatível com a Paixão, a primeira precisa de um sujeito para preencher a falta e tentar transformar dois em “Um” isso é missão impossível e a outra (narcísica) precisa apenas de um mero objeto para exercer seu narcisismo e seu amor imaginário faltante” 

Dr.  Luiz Mariano

M.D. Psicanálise 
Clínica do Acolhimento de Escuta do Inconsciente 

Site do Consultório: www.drluiz.com

Fonte Consulta e Referências:  Psicologia de Grupo e Análise do Ego (Freud), O Banquete (Platão), Mal Estar na Civilização (Freud), Seminário 4  J. Lacan