sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

"SOMOS O QUE AMAMOS"

"SOMOS O QUE AMAMOS"

 

"Somos o que amamos"
é uma expressão que está incluída
na fraseologia de Santo Agostinho.
Uma frase lapidar
e da qual aprecio esse Saber.
Uma frase que traduz de maneira
ímpar essa experiência
e vivência dessa Vida
e o Amor
 Afinal
o que é o Amor.
 
O amor se identifica com
o cotidiano e se
estende para
toda a eternidade.
Uma leveza infinita que habita
em nossos corações
e invade nossa Alma!
 
É uma alegria suave que nos atravessa
o corpo e invade nossa Alma.
Por que não dizer
que o amor é uma realidade
bem maior que
nos arranca de
nós mesmos? 
 
E, com isso, fazemo-nos
dom para aqueles que
amamos.
Quando aprendemos
que
"somos o que amamos"
 
Descobrimos que por tantos e quantos
caminhos andarmos estaremos
sempre na companhia da pessoa amada.
Nosso corpo se transforma
no corpo dela.
Nossos sonhos
são extensão dos sonhos dela.
Nossos desejos
confundem-se com os dela.   
 
Gabriel Marcel disse:
"Amar é dizer a alguém - Tu não morrerás".
Tú não morrerás dentro de mim jamais...
Amor é Fantasia,
imaginação, afetividade,
inteligência prendem-nos ao processo
de amar e de nos transformar
na pessoa amada.
 
Nosso ser fica cativo do amor.
Lendo Rumi, um místico muçulmano,
meu coração ficou acelerado
 com suas belas palavras:
"Teu amor chegou ao meu coração e partiu feliz.
Depois retornou e se envolveu
com o hábito do amor,
mas retirou-se novamente.
Timidamente, eu lhe disse:
 Permanece dois ou três dias!
Então veio,
assentou-se junto a mim e esqueceu-se de partir." 
Fico pensando
que o amor
nos leva a viver uma pontinha
de ego as vezes.
Afinal, desejamos a
eternidade
para a pessoa que amamos e
para nós mesmos,
que estamos amando.
 
Diante do amor renunciamos a
interrupção, o cansaço,
o término e o passageiro e abraçamos
a eternidade como projeto
único e suficiente de vida.
 
 "Somos o que amamos"
Revela que a força do amor
reside no desejo interior
de ajudar no crescimento do
outro fazendo-o melhorar
e superar seus limites...e medos...
 
O Amor não
teme a espera, o tempo e a saudade,
O Amor não teme
enfrentar o lado obscuro do
outro e não desanima.
Ao contrário, fala quando
acredita na força de uma
conversa
brotada do amor.
 
 O amor é capaz de gerar um clima
de empatia no qual os gestos
e as palavras, nascidos
do conhecimento do outro,
penetram suave
como a chuva fina e leve.
****
 
Paz e Bem !!!
 

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

"O AMOR É UM PRESSENTIMENTO"

 

"ENTRE NESTE NOVO MUNDO O AMOR É UM PRESSENTIMENTO

Dr. J. A. Gaiarsa - Psiquiatra e Escritor

"Pensou em casamento, sentou-se na poltrona e ligou a TV depois do exaustivo dia na luta - enquanto ela põe o jantar. Quem sabe até uma princesinha no colo! Lindo, não é?"

 

Dissemos que o encantamento amoroso era mais um pressentimento do que um sentimento.

Precisamos esclarecer esse ponto. Pressentimento de quê? De troca de influências entre os dois - influências transformadoras. Havendo encantamento, saem os dois modificados de cada encontro: é o famoso e verdadeiro "estado de graça".

Mas ele diminui e de regra se desfaz em poucos dias ou, no máximo, em poucas semanas. Será que a relação acabou? Às vezes sim; é ótimo se os dois se derem conta de que não têm mais o que trocar - não agora, quando menos.

Vezes outras, por gosto, costume, preconceito (matrimonial - "aquele namoro deu certo!"), os dois continuam se encontrando, esperando talvez o retorno do encantamento, além de outras esperanças. De que "dê certo" - casamento, relação estável, morar junto…

Aí é a hora de pensar em cultivar o amor, idéia simpática mais bem pouco praticada e na certa bem difícil. O que atrapalha é a expectativa de casamento-eternização-um lar-filhos…

Pensou em casamento, sentou-se na poltrona e ligou a TV depois do exaustivo dia na luta - enquanto ela põe o jantar. Quem sabe até uma princesinha no colo! Lindo, não é? Então por que sou tão chato insistindo que casamento é péssimo? Porque sendo bom ele impede o melhor - ele disse sabiamente um de meus mestres, Jung.

Espero que você esteja impaciente perguntando-me como se cultiva o amor? Fale logo, estou interessado demais! É simples de falar e é a linha mestra e o principal deste livro (e da vida): Não repita a mesma briga mais do que dez vezes.

Desencanto, não é? Só isso? Só isso, mas antes de começar a discutir tente fazer. Por que dez vezes? Tem que ser dez mesmo? Não. Dez vezes quer dizer: deixe-se pela vontade de brigar e brigue até se tornar bem claro que você, ela ou os dois estão se repetindo. Aí não brigue mais aquela briga.

O que fazer se você estiver estourando de raiva? Vá dar um passeio, use mordaça, chute almofadas, vá torcer no estádio de futebol ou veja um filme do Rambo. Qualquer ação é ótima, menos a agressão física a ela e a repetição da briga.

Vou demonstrar o valor da regra analisando seu contrário - a repetição das brigas, na certa e de longe a mais comum e ao mesmo tempo a pior maldição e o maior desespero da vida amorosa e familiar. "Como sair deste inferno?" é o pensamento/sentimento de todos os envolvidos, inclusive dos que "ganham" a briga (se é que alguém ganha alguma coisa com isso). Como sair do inferno das repetições?

Fazendo diferente, não é? Se o mal está na repetição, pelo amor de Deus não repita. Só seres humanos fazem assim - repetir cegamente comportamentos dolorosos e inúteis. Masoquismo socialmente condicionado. Difícil não é entender - difícil é fazer, como assinalamos desde o começo.

O mais fácil nessa situação difícil é sair da arena - afastar-se, sair de casa, dar uma volta, visitar um amigo, ir a um cinema. É o melhor que se tem a fazer.

Quando você voltar - se voltar - vai se sentir diferente, possivelmente mais aliviado e com certo senso de senhor da situação - ao invés da vítima (vítima da raiva que o impelia a brigar, até contra sua vontade).

Pode dar-se, então, de você olhar para ela com outros olhos - menos prevenidos - e iniciar-se assim outra relação entre os dois, o que seria ótimo. O povo conhece a caricatura dessa descrição. É comum ouvir: o melhor da briga é a reconciliação. Mas de novo e sempre, nas brigas comuns, repetidas, não ocorre mudança mas apenas desabafo.

Na segunda-feira recomeçarão - como sempre… Caso ao voltar você se sinta mal outra vez, e mais uma, e mais uma, cada vez com mais vontade de recomeçar a peleja, aí começa uma separação e depois de cinco a dez repetições, por amor a você tanto quanto por amor a ela, afaste-se!

No mínimo dê um tempo. Quanto tempo? Até você ou ela sentir falta do outro e, pondo o orgulho no lixo, dizer ao outro que deseja recomeçar. Veja bem: recomeçar, e não continuar.

Após dias ou semanas de separação, ao voltar vocês se tornarem e, se atentos, se sentirão diferentes um com o outro. É como se começasse outro encantamento amoroso - outro namoro, agora entre duas pessoas que não são mais as… antigas. Aí pode começar outra briga - outra, entendeu?

Se durante o afastamento você se esquecer dela pouco a pouco, sem nenhuma vontade bem clara de revê-la, então o namoro acabou. Mas olho no orgulho, o pior inimigo do amor por ser a pior caricatura do amor por si mesmo.

Desse modo o amor vai servindo ao desenvolvimento de suas aptidões e qualidades - boas e más, veja lá! As pessoas pensam sempre poder se apefeiçoar desenvolvendo o que têm de melhor e tentando acabar com o que têm de pior. Não é bom projeto, aliás, é impossível. Tudo o que somos tem mais do que razão de ser.

A função número 1 de todos os seres vivos é a adaptação ao ambiente próximo. Em vez de se condenar por algum "defeito", tente isolá-lo, examine-o com vagar e veja se ele de fato não serve para nada. Com paciência, você descobrirá que em certas circunstâncias, ou bem usado, esse defeito funciona com qualidade.

A inveja pode ser um poderoso estímulo no desenvolvimento, o medo pode ser um ótimo conselheiro (se não exagerar), a raiva é essencial como instrumento ou energia para a autodefesa - para dar alguns exemplos.

Além de ter razão de ser, muito do que temos ou somos pode ser bem ou mal usado, mas não muito modificado. Quando pretendemos torcer demais uma de nossas aptidões ou um "defeito", ele pode se vingar. Muito da psicanálise consiste em mostrar o que aconteceu com você quando não permitiram que fizesse assim porque mamãe proibia ou porque o patrão não gostava ou porque sua mulher abomina.

Voltamos aos vários cursos do amor. O ciclo afastamento/ aproximação pode ocorrer muitas vezes, sempre, neurótico (repetitivo) ou transformador (criador). - Mas, Gaiarsa, se podem ser muitos ciclos, por que não casar? Isso não pode acontecer dentro do casamento?

- Pode, mas é difícil demais. Primeiro porque afastar-se quando você é namorado e tem sua casa é fácil. Ao casar você tem de ficar lá - o que é péssimo. O afastamento físico periódico pode ser a garantia de saúde do amor, pois, ao voltar, voltam os dois com vontade.

Sem contar que é mil vezes melhor afastar-se do que repetir pela milionésima vez as mesmas frases e caras de raiva. - Não é? Afastamento físico significa: de corpos e de espaço - não adianta nada estar em quartos separados na mesma casa! É preciso que a separação seja tida como definitiva, mesmo que seja a trigésima - a para isso a distância efetiva é imperativa.

Se não há desligamento, não há transformação. Só a distância podemos avaliar quanto precisamos, gostamos, desejamos, sentimos saudade - em suma, quanta falta ela nos faz.

Quando próximos, é dificílimo abafar as rusgas e os atritos crônicos a ponto de poder sentir quanto há - ou quanto resta - de bom no relacionamento. Tão ruins quanto as exigências ideais do casamento são as exigências convencionais, ainda mais restritivas do que as poucas paredes do lar, transformando-o em prisão com vigilância contínua ( dos vizinhos, parentes, amigos...).

Ainda hoje, separar não pode - e custa demais, em dinheiro, em sentimentos, em rancores. E então, como separar às vezes não pode, os atrasados vão-se empilhando, as brigas azedando, os rancores se adensando até o grande dia da separação definitiva - a legal.

Se as pessoas tivessem um pingo de sensatez, e não tivessem sido completamente robotizadas pela propaganda a favor da família, perceberiam quanto separar-se várias vezes é bem melhor do que separar-se de uma vez. Mesmo porque, tantas vezes e para tantos, acontece assim mesmo.

Mas com muito azedume, muito sofrimento, ambos achando que fracassaram na vida ou que "aquele bandido é o culpado de todos os meus sofrimentos". O sofrimento é grande porque somos todos culpados.

Na separação as pessoas ou se sentem pesadamente culpadas ou acusam demais o outro. Porque carregar a cruz pessoal é possível, mas carregar a cruz coletiva é pesado demais.

E separar uma da outra não é fácil. Quem se separa de regra não acredita seja o casamento difícil ou péssimo, mas que o seu casamento foi ruim - ele não teve sorte... Mas a Família continua sendo Maravilhosa! A separação periódica não exclui a definitiva, mas mesmo então ela amenizaria uma passagem de vida sempre por demais sofrida.

A solução é boa para todos - para os filhos também. Não há pior veneno para a alma do que ser obrigado a conviver, sem alternativas, com pessoas que se odeiam, desprezam, se ofendem e se humilham - quando não chegam a se espancar. Nem mesmo quando dois, mais civilizados, acreditem poder disfarçar.

Os pais são importantes demais para as crianças, e por isso elas não se enganam - nem podem ser enganadas - quanto ao que estão vendo na cara, nos gestos e ouvindo nas vozes. E fazendo de conta que não estão vendo - como os adultos esperam ou acreditam. Até nisso elas são muito mais obedientes do que se crê: fazem o que você gostaria que fizessem - se fingem de bobas para tranqüilizá-lo.

Depois, em suas vidas farão o mesmo, ou o contrário. Orgulhar-se-ão disso ( de ser o pai autoritário ou a mãe submissa ) ou lutarão contra isso a vida toda. Essa é a história mais ouvida em todos os consultórios de psicoterapia do mundo - a dos filhos cujos pais não se separaram apesar dos maus sentimentos.

Cansei de ler sobre as desgraças que acontecem com filhos de casais separados até o dia em que ouvi de uma pesquisa americana (1996/7) de grande amplitude o que acontece com filhos de casais briguentos ( e quais não são? ) que não se separam.

Em cerca de 3.500.000 ( é isso mesmo, três milhões e quinhentos mil ) casais americanos, há violência física, e a pesquisa mostrou que os filhos exibem todos os sinais de uma neurose de guerra: alheados, "nervosos", desinteressados, bonzinhos demais ou rebeldes incontroláveis, todos praticamente inadaptados sociais irrecuperáveis.

Para crianças - aliás, para qualquer pessoa - é melhor viver em dois mundos disponíveis do que em um só, sendo bem recebida nos dois, vendo duas pessoas que se desentendem mas se respeitam e estão fazendo o possível para reacertar.

Os filhos não poderiam ter melhor lição de vida do que essa. Lição de coragem, com baixo nível de encenação e hipocrisia, com certo realismo e honestidade diante de sentimentos, aceitando-os como são, sempre diferentes, flutuantes, vivos.

O que os pais se permitem, os filhos se permitirão - e vice versa. Já antes e muitas vezes, daqui para a frente, iremos alinhando sugestões para que uma relação pessoal possa dar tudo o que pode dar, enriquecendo e ampliando a consciência de ambos ou facilitando um afastamento quando for o caso; afastamento sem culpa e sem acusações recíprocas.

Texto do Livro:
"Lições de Amor: Briga de Casal"
J. A. Gaiarsa
Editora Gente

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

"A diferença básica entre a Psiquiatra, Psicólogo e Psicanalista".


"A diferença básica entre a Psiquiatria, Psicologia e Psicanálise".

O Psiquiatra é na verdade um Médico com especialização em Psiquiatria ele que trata das doenças Mentais através de prescrição de medicação e pode até recomendar internações, o Psicólogo tem formação superior em Psicologia trabalha com o comportamento suas adequações e tendência Compotamentais.

O Psicanalista é um profissional que segue alguma escola ou associação de Psicanálise ou de seus precursores. A Psicanálise foi criada pelo Médico Neurologista Austríaco Dr. Sigmund Freud. (1856-1939) que é considerado seu fundador.

A Psicanálise é a ciência humana que estuda e lida com o inconsciente humano e seu conteúdo psíquico, ela trata das repreensões e neuroses humanas não orgânicas.

De semelhante, pode-se dizer que todos eles se dedicam lidar com a cabeça das pessoas e lidam indiretamente com Saúde Mental com diferentes aspectos e formas de intervenção cada um seguindo a sua formação e respeitando o espaço profissional de cada um .

A partir de sessões de conversas com seu paciente o Psicanalista analisa o conteúdo "Incosnciente" do seu paciente em sessões (individuais) e assim poderá ajudá-lo a resolver seus problemas e conflitos inconsciente.

Tanto o Psicólogo quanto o Psiquiatra podem escolher a Psicanálise como especialização para suporte teórico, profissional e prático para seu trabalho na área de saúde Mental.

O Psicólogo estuda, analisa e procura adequar o comportamento humano ao ideal do ambiente a sua volta.

O Psiquiatra é o Médico que trata das doenças mentais está apto a prescrever medicações e determinar internações.

O Psicanalista é uma formação especializada da Ciência do Inconsciente humano segundo Dr. Freud para tratar as neuroses humanas sem intervenção medicamentosa ou internação.

A Psicanálise segue princípios, processos e procedimentos definidos pelas instituições de Psicanálise existentes, podendo o Psicanalista ter diferentes formações tais como: Médico, Psicólogo, Psiquiatra, Médico, Filósofo, Educador, Advogado etc.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

" Todo Mundo quer Amor" Dr. Jorge Forbes-Psicanalista

 
 
 
 
 


"TODO MUNDO QUER AMOR..."


( Entrevista com Dr. Jorge Forbes - para Revista Marie-Claire)

Todo ser humano necessita de alguém que
o incomode,
que o
desafie todos os dias.
 
Quando acontece o encontro, um
acorda o outro e é bom,
 as pessoas precisam
de alguém
que as
retire do comportamento
individualista.

A mulher deve ser "a pedra no caminho" do homem,
como nos versos de
 Carlos Drummond de Andrade.
É ela quem
alerta o homem, porque ele é mais acomodado
e ela é mais inquieta.
O encontro faz com que os dois tenham motivo
para reinventar
a vida todos os dias.
Mas felicidade dá trabalho.

Idealizar que o parceiro é
a fonte da felicidade
tem dois lados ruins:

Primeiro)  Enquanto está sem par, a pessoa desvaloriza as outras
conquistas da vida, que também
são importantes, mas
acabam passando
despercebidas.

Segundo)  Se, por acaso, consegue que seu relacionamento amoroso
 atinja seu ideal de felicidade,
está fadada a perder
essa situação, já que nenhum
relacionamento é ideal eternamente.


Tentar ser feliz é obrigatório.
 
Realizar é uma sorte.
 
Para chegar um pouco mais perto,
aí vão alguns lembretes:

1. Não acredite em conselhos que tenham
em sua composição a palavra
 "dever".

2. Esqueça regras pré-concebidas.
As formas de satisfação a dois só podem ter uma regra
- o comum acordo entre
os parceiros.
podem ter uma regra
- o comum acordo entre os parceiros.

3. Os parceiros podem contar todas as fantasias amorosas um para o outro:
contar sempre, realizar quando der.

4. Jamais tente compreender a felicidade.
É preciso suportar o inusitado dela, mesmo se você não compreende o
que está acontecendo!
Com medo de que a felicidade acabe, as pessoas
ficam tentando descobrir a receita para
repetir exatamente o que aconteceu,
na tentativa de aprisionar o momento feliz.
Mas toda vez que se constrói
uma prisão, a felicidade acaba.

5. A base da felicidade é o novo,
a originalidade.
Ela é a possibilidade de viver fora
do padrão e de
reinventar a vida.
Quem ousa tem mais
chance de
 ser feliz.


A felicidade é poder manter algo dos 5 anos de idade e não
ser taxado de débil mental.
Felicidade é a força
bruta do desejo, que dá o impulso para que as coisas se realizem.


Há sempre uma diferença radical entre dois parceiros:
amor é o nome que se dá à ponte que recobre
temporariamente essa distância entre eles.
Mas a diferença sempre vai reaparecer, é inevitável.
A felicidade é
tênue, um encontro provisório.
Não é standard, nunca é fixa.


Tratar a relação amorosa como um tapa-buraco para as dificuldades
da vida é exigir demais do parceiro, que
acaba tendo uma responsabilidade
que desconhece e com a qual não pode arcar.

Não existe garantia.
 
Todo amor é um contrato de risco e nisso reside sua graça e sua desgraça.
Graça, quando contribui para aumentar
o entusiasmo na vida.
 
Desgraça quando deixa a pessoa desarvorada
- a pior reação de uma
mulher frente à perda de um amor,
segundo [a escritora] Marguerite Duras.


Felicidade é uma responsabilidade pessoal e intransferível.
Quem espera que o outro lhe traga a felicidade é
porque se acomodou.
Colocou o parceiro no lugar da mãe que levava o Toddy na cama.


Transformar amor em remédio é perigoso,
felicidade não é artigo de consumo.
A relação amorosa tem duas
vertentes: a afetiva e a sensual.
 
A afetiva é cuidado, segurança, companheirismo - é repetição.
A sensual é invenção e nada tem a ver com o cuidar
- envolve surpresa, uso sexual recíproco e tem uma vertente enigmática.

Quando as pessoas estão carentes,
tendem a desenvolver a corrente amigável e sufocar a sensual.
Aí o amor acaba.
Quem se preocupa demais com o dia-a-dia
costuma fazer mal amor à noite.


Quando se gosta de alguém, a tendência é ficar vulnerável.
Amar é suportar ser ridículo.
A partir dos 30 anos
as pessoas estão escaldadas, já tiveram decepções amorosas.
Daí o medo.
Mesmo assim, vale a pena arriscar
novamente, ainda sabendo que pode se ferrar de novo.
 
Mas se a pessoa só se ferra, é hora de desconfiar de suas
más escolhas.
Tem gente que
tem prazer em sofrer.


A paixão pode ser chamada de felicidade,
mas, quando se transforma em um ideal de vida, fica supervalorizada e
representa um perigo.
Fica bonito no teatro, mas é muito triste na vida real.
Daí personagens como Romeu e
Julieta, Tristão e Isolda, Abelardo e Heloísa...
Morreram porque tentaram eternizar a paixão.
 
Quando os envolvidos querem manter intocável a paixão, quando não suportam mudança
ou interferência, acabam selando um
compromisso de morte. 



 
Instituto Brasileiro de Direito de Família
Projeto Análise - São Paulo - SP


 

"O Afeto que Afeta" - artigo de Psicanalista

 

O Afeto que Afeta

Luiz Psyc - Psycneurosciense

As nossas emoções podem alterar o equilíbrio natural das nossas glândulas endócrinas, prejudicar a circulação sangüínea e a estabilidade da pressão arterial, podendo ainda impedir a regularidade da digestão, modificar o ritmo respiratório e a temperatura do nosso corpo.

Algumas pessoas que apresentem traços de caráter mais neuróticos e ações repetitivas são mais sucessíveis a probabilidade de contrair determinadas doenças psicossomáticas.

Como exemplo, pode ser citado pela medicina, caso de pessoas que sofrem de úlcera péptica e que comumente anseiam por afeição.

Alguns tipos de câncer (quando não genéticos (orgânicos ou por outras contaminações biofísicas) estão associados a pulsões anteriores, repreendidas sem cenário atual aparente. No câncer às células se reúnem para revoltar-se contra o próprio corpo e nessa guerra celular do "chorar", "protestar" e que sinaliza e resulta no "cân-sei" de viver.

Os sentimentos de frustrações e desespero (estressantes) de muitas pessoas, quando não verbalizados e expressados adequadamente leva a este caos. O pior é que a maioria das pessoas, nem se lembram mais (em nível consciente) o que aconteceu anteriormente para este caos se instalar. O corpo faz com que as células se reúnam e simbolicamente reagem com o protesto no próprio corpo.

Surge o Câncer = por causa do cân-sei (de saber sem sabor, de sentir sem tesão só com tensão, desprazer .cansamos).

A hipertonia (aumento da tonicidade dos músculos) é uma das doenças mais freqüentes e um fator de risco de doenças cardiovasculares. Estudos da psicanálise clínica, já sinalizam que existe de fato uma incapacidade dos hipertônicos se expressarem adequadamente a sua "raiva e agressão".

Além dessas investigações, existem outras mais recentes que partem mais para uma deficiência geral de controle e o estresse cultural como fatores patogênicos importantes.

Vê-se asma brônquica como um fator psíquico importante que se equivale de uma forte ligação com a "mãe e relações familiares perturbadas".

No estudo da Psicanálise, vemos a asma como o "Grito chamando pela Mãe".

Já o problema do hipertireoidismo demonstra a maneira ampla e sem fronteiras com as emoções traumáticas, que perturbam e desequilibram o nosso emocional (Exemplificando: preocupação exagerada, desapontamentos ou tristeza profunda). Alguns estudos indicam que o hipertireoidismo feminino pode decorrer do desejo insistente da mulher em "Ter filhos" (seja gestação uterina ou na vivência do dia a dia).

Enfim, às doenças psicossomáticas estão sendo um desafio para a Medicina, psiquiatria, psicologia, terapias alternativas e até mesmo a Psicanálise. Não se pode mais negligenciar tal fato e talvez este seja o verdadeiro mal estar da civilização moderna.

Ninguém, praticamente pode estar imune e livre de influências psíquicas, visto que numa atitude pouco usual, podemos ter, no âmago de nosso ser, a ligação a conflitos instintivos "inconscientes e recalcados".

Isso pode gerar ou gerenciar certo comportamento, a qual por sua vez, pode ser a causa de alterações psicossomáticas ao longo de uma vida.

Na grande maioria, essas alterações não são necessariamente psicogenéticas, mas são comportamentais, de fundo emocionais. As emoções e atitudes da pessoa no dia a dia, no convívio com outros no trabalho ou na família, podem desencadear todo um processo já existente "angustiante e desprazeroso".

A melhor forma de compensação para todo esse processo é a inscrição psicossomática no corpo e na psique, então podemos encontrar muitos aliados antigos e novos para isso.

O pedido de socorro e protesto vai manifestar-se no Corpo, nos gestos, falas, atos falhos, etc. Vem do corpo a mensagem do pedido de socorro psíquico. A descarga, a válvula de escape passa a ser no corpo.

O corpo fala ditatoriamente tudo aquilo que não escrevo, não falo, não exalto para fora de mim mesmo. Fica inscrito em mim mesmo e muitas vezes se inscreve ainda na infância (recalcada e reprimida), apesar de estarmos adultos.

A "emoção", o "pensamento" é o lápis; as células são a tinta; o papel é corpo. E se duvidar (quando o mal que me acomete) ainda vou redistribuir para quem estiver bem próximo: na família, no trabalho e ou toda a sociedade.

Aliviar a pressão interna, alivia também sintoma psicossomático. Porém acompanhamento clínico não deve ser desprezado.

O acompanhamento terapêutico pode ser algumas das saídas para o sofrimento.

Reestruturar o prazer pela vida com o essencial para se viver, com satisfação de ser (EU) e não em Ter (EU).

Aceitar com naturalidade a vida e seus dilemas conflitantes, os altos e baixos da vida, encarando às perdas e ganhos, neste mundo consumista e materialista sem nos agredir e nos cobrarmos além do limite suportável do nosso corpo e psiquismo é outra saída. Isso tudo são possibilidades alcançáveis.

Vejo os Homens no trânsito hoje. Eles têm simbolicamente uma verdadeira e narcísica ejaculação precoce no Trânsito. Basta observar e ter um olhar mais analítico.

Vejam inclusive, como as coisas podem mudar rápido demais em nossas vidas. Tenho uma filosofia de vida e cultura formacional que passa diante dos meus olhos em frações de segundos ou minutos. Nem sempre posso comprar, ter, desejar e até satisfazer-me de coisas porém é algumas são oferecidas gratuitamente. O "oferecimento" da realização do prazer de ter, comprar, ver têm um custo muitas vezes, além de nossa realidade de "Poder aquisitivo".

Não podemos ser tudo que mostra "ser e Ter". Com este estigma posso até ter um "ganho" um "reforço" psico-hipnótico repetitivo e é como se existisse sutilmente uma técnica psico-hipnótica que nos provoque uma alucinação e vai aumentando cada vez. Com isso a neurose da "caixinha de pandora" pode se desencadear.

Podemos sofrer por não Ter e deixar de ser (EU MESMO, o meu desejo) para ser o outro. O seu desejo é melhor que o meu ou parece ser. Isto pode acontecer no poder, na beleza física ou status.

A mídia é aquilo que vemos e sentimos no dia-dia. É uma apelação psico-hipnótica às milhares imagens, tons, cheiros, barulhos e sons que passam a ter mais poder que às palavras do EU.

Em plena era da cultura do "consumismo", o reforço diário erotizante pode atrair cada vez mais o tânatos. Nós podemos ser enganados por nosso próprio psiquismo. E Isso, com certeza pode ser o cultivo da doença psicossomática.

Somos conduzidos por uma beleza e realidade muito artificial, se compararmos ao nosso mundo real.

A sutil substituição da palavra, do ouvir, do olhar humano pela imagem multicolorida de coisas, parece querer anseiar substituir nossos anseios naturais e nossos sonhos de menino.

A prazerosa imagem pode até reforçar os nossos conflitos internos. Pode também gerar mais condições e terrenos para minar as condições de doenças psicossomáticas que se externam gradativamente. Então passo a exigir de mim, culpar a sociedade, a família ou a escola daquilo que não sou e não posso ser satisfeito instantaneamente.

Isto talvez seja apenas um detalhe que têm aumentado os índices de violência no mundo ultimamente.

É importante "Conhecer-se a si mesmo", buscar ajuda, e apoio enquanto ainda temos tempo para reajustarmos o nosso equilíbrio emocional e psíquico.

Amar é uma decisão...

Amar é uma decisão...

 


O sábio recebeu a visita de um homem que dizia
que já não sabia mais amar ...
O sábio ouviu...

Olhou-o nos olhos, disse apenas
uma palavra,
e calou-se:

- Mas Ame de Novo... recomece...

- Mas eu já disse:
Não sinto mais Amor
não sei mais Amar ninguém...!

- Simplesmente Ame..!
 
Amor é doação...
 
- disse novamente o sábio.

E percebendo o desconforto do homem,
depois de um breve silêncio,
 
o Sábio explicou:


- Amar é uma decisão,
não um sentimento;
 
Amar é dedicação e entrega.
 
Amar é um verbo e o fruto dessa ação é o amor.

- O amor é um exercício de jardinagem:
arranque o que faz mal, prepare o terreno,
semeie, seja paciente,
regue e cuide.

- Esteja preparado porque haverá pragas,
secas ou excesso de chuvas
mas nem por isso abandone o seu jardim.
Ame o seu par, ou seja, aceite-o, valorize-o,
respeite-o, dê-lhe afeto e ternura,
admire-o e compreenda-o.
Isso é tudo.
Ame!


A inteligência sem amor, faz-te perverso.

A justiça sem amor, faz-te implacável.

A diplomacia sem amor,
faz-te hipócrita.
O êxito sem amor, faz-te arrogante.

A riqueza sem amor, faz-te avaro.

A docilidade sem amor faz-te servil.

A pobreza sem amor, faz-te orgulhoso.

A beleza sem amor, faz-te ridículo.

A autoridade sem amor, faz-te tirano.

O trabalho sem amor, faz-te escravo.

A simplicidade sem amor, deprecia-te.

A oração sem amor, faz-te introvertido.

A lei sem amor, escraviza-te.

A política sem amor, deixa-te egoísta.

A fé sem amor deixa-te fanático.

A cruz sem amor
converte-se em tortura.

A vida sem amor...
não tem
sentido...



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" Ria muito e não Infarte "

 

Estudo mostra efeito benéfico do riso para o coração

Pesquisa demonstra como a camada interna de capilares permite maior fluxo de sangue quando se assiste a uma comédia

São Paulo - "Trinta minutos de exercício, três vezes por semana, e 15 minutos de riso todos os dias são muito bons para o sistema vascular", recomenda Michael Miller, da Universidade de Maryland, co-autor de um estudo que alerta para o risco de problemas cardíacos em pessoas com mau humor.

Os resultados desta pesquisa e de outra sobre o mesmo tema foram apresentados num encontro do Colégio de Cardiologia dos EUA. As conclusões revelam como fatores psicológicos incidem diretamente na saúde das pessoas.

Segundo a agência Efe, o grupo liderado por Miller exibiu partes de dois filmes, uma comédia e um drama, a 20 voluntários que teriam seu sistema vascular observado. Em 14 dos 20 dos voluntários que assistiram ao filme drama, verificou-se que o endotélio - a camada interna dos vasos capilares - se contraiu, reduzindo a passagem do sangue.

Quando as cenas eram da comédia, a passagem do sangue foi muito maior em 19 dos 20 risonhos espectadores. Na maioria das vezes, a aterosclerose (endurecimento das artérias) começa no endotélio.

"A magnitude das mudanças que vimos no endotélio é similar ao benefício da atividade aeróbica, mas sem as dores, moléstias e tensões musculares associadas ao exercício", disse Miller.

No segundo estudo, médicos da Universidade Duke, na Carolina do Norte, examinaram 1.005 doentes cardíacos para determinar seu nível de depressão. Os investigadores, encabeçados por Wei Jian, descobriram que os que sofriam de depressão leve tinham 44% mais chances de morrer.

As razões ainda não estão claras, mas Jian disse que pacientes com depressão em geral se abstêm de fazer exercícios físicos e de tomar seus remédios de maneira adequada.

"Da mesma forma, os pacientes com depressão também tomam decisões negativas relativas à sua saúde, como aquelas que têm a ver com a dieta ou o consumo de cigarro."

FONTE: ESTADÃO



"Todos dizem eu te amo" - artigo de Psicanalista

 
 
 

Todos Dizem eu te amo.....? - artigo de Psicanalista

Pensamos por meio de palavras e frases.
Em nosso processo de reflexão elas desempenham um papel semelhante ao dos números na matemática.
Qualquer erro no uso das palavras determina um engano que, na seqüência dos pensamentos, tenderá a se amplificar e nos conduzirá a conclusões cada vez mais equivocadas.
Não se trata de insistir para que sejamos mais atentos ao significado das palavras que utilizamos apenas por purismo ou por um anseio perfeccionista. Trata-se de não utilizarmos mal nossa mente, já que ela funciona a partir das palavras, frases e suas conclusões que delas extraímos. Qualquer erro poderá ter conseqüências desastrosas para nosso futuro.
O mais grave é que teremos cada vez mais dificuldade para detectar onde ele está, já que ele costuma se perder na cadeia das nossas reflexões.

A forma mais comum de engano no nosso sistema de pensamento deriva de usarmos uma mesma palavra com mais de um sentido. No caso em questão, a palavra é AMOR.
 
Na linguagem coloquial, amor é usado como sinônimo de solidariedade, como amor por tudo e por todos aqueles que estão sobre a Terra. "Eu te amo" é uma expressão usada por um sedutor que conheceu sua "vítima" há poucos minutos e deseja levá-la para a cama.
 
Pessoas alegres e pouco criteriosas se dizem encantadas e amam com facilidade cada nova pessoa que conhecem.
Uma pessoa egoísta empenhada em se mostrar feliz consigo mesma não titubeia em afirmar: "eu me amo".
Estamos diante de diferentes usos da mesma palavra: uso equivocado, vazio, idealizado ou maroto.
Usamos a palavra amor como o coringa em certos jogos: ela serve para todos os momentos e para todas as situações.

Amor é palavra usada e abusada.
É dita por quem tem alguma idéia acerca do seu significado e também por aqueles que a repetem apenas por imitação.
 
Usa-se mais a palavra amor do que vive-se o sentimento. E quantas são as pessoas que se sentem felizes no amor? Pouquíssimas. E quem é capaz de definir o que seja o amor?
Quase ninguém.
 
E como podemos pretender nos dar bem nesse campo se não sabemos nem mesmo como conceituar o sentimento?
 
Peço licença para propor uma definição de amor. Sugiro que acompanhem com atenção a seqüência do pensamento para que possamos iniciar a desenrolar esse intrincado novelo de lã. A questão é fundamental, pois envolve emoções que nos são fundamentais e em torno das quais temos sofrido muito.
 
Envolve também um exercício de reflexão, uma introdução à arte de pensar com rigor e precisão, condição importantíssima a ser respeitada quando pretendemos nos aprofundar em qualquer setor da nossa subjetividade -- ao menos por aqueles que pretendam desenvolver uma vida íntima rica, gratificante e criativa.

Defino o amor como o sentimento que vivenciamos em relação àquela pessoa cuja presença nos provoca a agradável sensação de aconchego.
 
O aconchego é fundamental para nós, já que, desde o nascimento, nos sentimos desamparados, ameaçados, inseguros e incompletos.
 
Nosso primeiro objeto do amor é nossa mãe. O objeto do amor vai se modificando ao longo da vida, mas em cada fase corresponde a um objeto definido. Assim, o amor é um fenômeno interpessoal, já que amamos alguém cuja presença nos aconchega. De acordo com essa definição, não pode existir amor por si mesmo, posto que não me sinto completo e aconchegado quando estou sozinho. Se me sentisse assim pleno em mim mesmo, o mais provável é que não existiria o amor por outra pessoa, uma vez que o convívio íntimo implica em concessões e dificuldades que só são enfrentadas em decorrência dos benefícios que experimentamos a partir dessa intimidade.

Não tenho a menor dúvida de que sexo e amor correspondem a impulsos completamente diferentes, apesar de que sempre foram tratados com parte de um mesmo instinto, especialmente por parte da psicologia psicanalítica tão influente no século XX. Temos que ter a coragem de discordar até mesmo dos grandes mestres.
 
Não podemos continuar a repetir suas falas como papagaios. Temos que poder pensar por conta própria.
 
Do meu ponto de vista o sexo corresponde a um fenômeno instintivo que se caracteriza pela sensação de excitação que experimentamos ao tocarmos nossas zonas erógenas.
 
Essa é sua manifestação primeira e que se dá pelo fim do primeiro ano de vida. É evidente que o processo se sofistica principalmente a partir da puberdade, quando surgem as diferenças físicas entre os sexos e onde entra em cena a excitação que deriva dos estímulos visuais e também aqueles que derivam de fantasias que nossa mente é capaz de construir.

De todo o modo, as diferenças entre amor e sexo são gritantes: amor é a sensação de prazer que deriva do fim da dor relacionada com o desamparo; sexo é um prazer positivo, já que independe da existência prévia de uma dor ou desconforto.
 
O amor é interpessoal, uma vez que o aconchego depende da presença de uma outra pessoa; o sexo é pessoal, posto que a estimulação das zonas erógenas pode ser feita pela própria pessoa. O amor é sentido por um objeto definido, ao passo que a excitação sexual independe de objeto definido e pode ser despertada por múltiplas pessoas em um tempo muito curto. Amor e sexo são impulsos completamente diferentes, que podem ser vivenciados separadamente. É claro também que combinam muito bem e nada é mais agradável do que trocar carícias eróticas com aquela pessoa que também nos provoca a sensação de aconchego!

A partir dessas definições precisas -- e que podem não ser as melhores, substituíveis a qualquer momento por outras igualmente rigorosas -- fica claro como é difícil sustentar como interessantes as expressões "amor próprio", "amor ao próximo" e principalmente "fazer amor".
 
Fica difícil também entender como é que se perpetuou o uso de "auto-estima", já que, de alguma forma significa o mesmo que amor por si mesmo. Vamos tentar desfazer essa confusão passo por passo.

Fazer amor é expressão usada como sinônimo de trocas eróticas, o que não tem nada a ver com o fenômeno amoroso.
 
Acredito que a expressão foi cunhada com o intuito de "purificar" os "pecados" do sexo, uma vez que a palavra "amor" daria dignidade e beleza ao que era visto como sujo e indigno.
 
 Amor é um sentimento e não se "faz" um sentimento.
 
É comum que as trocas eróticas se dêem entre aqueles que se amam. Porém, não sei se a prática sexual não é mais comum entre os que não se amam -- e que muitas vezes nem mesmo se conhecem.
Transar é expressão bastante mais adequada para descrever as trocas eróticas que envolvem um relacionamento sexual.

Amor ao próximo pressupõe um sentimento difuso de amor por todas as pessoas, o que não está de acordo com a idéia de que o sentimento só se manifesta em relação a quem nos provoca aconchego. Pode existir uma certa sensação de aconchego quando nos sentimos integrados em um grupo maior, como por exemplo quando nos sentimos parte de um povo, de uma pátria. Penso que a melhor palavra para definir esse outro tipo de aconchego derivado de nos sentirmos integrados em um todo maior é solidariedade.

Solidariedade é um sentimento humano sofisticado, através do qual nos integramos em uma dada comunidade. Nos sentimos parte dela, co-responsáveis por seu destino e dispostos mesmo a morrer em sua defesa. Nossa identidade se afrouxa, de modo que nos tornamos antes uma ínfima parte daquele todo e depois nós mesmos. Nosso destino se identifica com o destino daquele grupo. O sentimento pode nos fazer integrado a toda a humanidade, o nos permite entender as palavras do poeta quando ele fala "desses pobres de nós seres humanos".

Outras vezes usamos, inadequadamente, a expressão amor ao próximo para descrever situações nas quais não estamos integrados mas estamos preocupados com as pessoas que nos cercam.
 
Compaixão descreve um sentimento derivado de nos sentirmos sofridos em virtude de nos identificarmos com o sofrimento daqueles que estão à nossa volta. Determina um desejo de ajudar aqueles que estão necessitados. É um sentimento vivido por alguém que se encontra em uma boa condição mas que se incomoda com o fato dela não ser compartilhada por outros membros do grupo.

Na solidariedade, somos parte do grupo e nos sentimos integrados nele. Na compaixão, estamos fora do grupo e sofremos com as dores dele. Em nenhum dos casos cabe a expressão "amor ao próximo", quase sempre usada quando nos preocupamos com o destino daqueles que nos cercam e principalmente quando nos preocupamos em ajudar os que estão próximos. Daí outra confusão, através da qual se costuma dizer que "amar é dar". Amar é amar e dar é dar! Trata-se de dois verbos com significado completamente diferente.

Amor próprio e auto-estima derivam da idéia de que existiria um efetivo amor por si mesmo, o que contraria frontalmente a definição de amor que venho defendendo há 25 anos.
 
Acontece que existe alguma coisa que sentimos em relação a nós mesmos. Só que não se trata de um ingrediente amoroso e sim sexual.
 
Não existe amor por si mesmo mas existe um importante elemento auto-erótico. Existe um tipo de excitação sexual que deriva de nos sentirmos importantes, valorizados, olhados com admiração.
 
Corresponde ao que chamo de vaidade. Vaidade é conceito mais útil do que narcisismo, já que esse último implica na continuidade da confusão entre sexo e amor. Narcisismo não seria amor por si mesmo mas sim erotismo focado em si mesmo; para esse fim, a palavra vaidade presta melhores serviços.

Por força da interferência da razão, a vaidade também está a serviço da preservação da nossa integridade. Ela nos protege contra ofensas sutis à nossa pessoa, aquelas que ferem nossa vaidade. Ela nos protege porque, quando ofendidos , sentimos o oposto da sensação positiva da vaidade, que é a humilhação. Humilhação é a dolorosa sensação que vivenciamos quando somos depreciados, olhados com desprezo ou desdém.

Dizemos que temos amor próprio quando nos insurgimos contra situações de humilhação.
 
O termo ideal para substituir amor próprio talvez seja orgulho - ou seria honra? Nos sentimos ofendidos e gravemente feridos quando somos tratados de modo desconsiderado, o que nos provoca a sensação de humilhação, o que ofende nosso orgulho. O fenômeno não é amoroso e a ofensa nos incomoda mesmo quando vem de alguém que mal conhecemos. É claro que nos magoa mais quando somos agredidos por aqueles que nos são caros -- e mais ainda pelo amado.

Auto-estima, apesar de estima significar afeição, diz respeito ao juízo que fazemos de nós mesmos. Nossa auto-estima é boa quando somos e agimos de uma forma que nós próprios aprovamos; a auto-estima é baixa quando nós mesmos não estamos concordando com nossos procedimentos. É claro que a opinião dos outros pode interferir em nossa auto-estima. Porém, um elogio ou qualquer ação externa que nos enalteça não nos provocará nenhum efeito se não estivermos satisfeitos com nossas posturas. É fato também que uma crítica vinda de fora, dirigida a quem já está tendo um juízo negativo de si mesmo, será muito mais facilmente absorvida.

Não consigo pensar numa boa expressão que substitua "auto-estima" com vantagem. Reafirmo, porém, que não se trata de gostar de si mesmo e que uma boa auto-estima depende de estarmos vivendo de acordo com nossas próprias convicções.

O que pensar quando se ouve uma multidão de indivíduos repetir, sem qualquer esforço reflexivo, que "para ser capaz de amar uma pessoa tem que, antes, amar a si mesma"?
 
A frase lembra aquela que se lê na Bíblia, que pede que amemos o próximo como a nós mesmos.
 
Não sou um bom entendedor do texto bíblico mas creio que o termo amor foi usado num sentido muito mais amplo do que descrevi nesse texto. Penso que o texto bíblico pede às pessoas que tratem seus semelhantes com a consideração, respeito e zelo que esperam ser tratados.
 
A reflexão é antes de tudo moral, na qual uma pessoa não deveria se atribuir mais direitos do que aqueles atribuídos às outras. Não creio que esteja se referindo ao relacionamento íntimo entre duas pessoas.

Por outro lado, se refletirmos sob a ótica da psicanálise, o narcisista -- aquele que, segundo essa teoria, ama a si mesmo -- não é capaz de amar outras pessoas. O amor se concentra em si mesmo por medo de se deslocar em direção ao outro. Medo sim, pois sabemos que o amor envolve risco de sofrimento derivado de uma eventual perda; sabemos que o narcisista é criatura imatura e que, por tolerar mal dores e frustrações, não se arrisca. Assim, não tendo capacidade para amar, apenas espera receber amor dos outros, além de amar a si mesmo.

Essa também não é minha convicção, já que pessoas assim imaturas e medrosas não têm boa auto-estima. Fingem estar bem consigo mesmas mas é só aparência. No fundo, sabem que são um blefe e porisso mesmo se tornam invejosas daqueles que são mais corajosos.
 
Assim, não creio que se amem, de modo que, mesmo se respeitarmos as teses psicanalíticas, não deveriam ser chamadas de narcisistas.
 
Se existisse amor por si mesmo, como já escrevi, provavelmente não existiria o amor como o vivenciamos.
 
Quem é corajoso, ousa amar e tenta aliviar o desamparo através do aconchego que a presença do outro determina.

Quem tiver boa auto-estima -- e isso é muito diferente de amar a si mesmo --
será, isso sim, capaz de escolher melhor o parceiro, uma vez que se
considerará com direito a uma companhia à
altura do julgamento que faz de si mesmo.

*Flávio Gikovate é Psicanalista





"Não Fuja da Dor" revolução na Psicologia tese do Dr. Steven Hayes

 
 

                          UM SUPER IMPACTO NA PSICOLOGIA TRADICIONAL

A revista VEJA esta semana traz um tema polêmico. Uma entrevista com o também polêmico Steven Hayes.

Não fuja da dor: Para um dos psicólogos mais polêmicos dos Estados Unidos, é preciso aceitar a tristeza porque felicidade não é normal.


"As artimanhas que usamos para escapar da aflição nos desviam de nossos objetivos de vida. E é por eles que vale a pena viver".Steven Hayes.

Timothy Archibald
O psicólogo americano Steven Hayes, de 57 anos, está causando alvoroço entre seus colegas de profissão. Em seu novo livro, Saia de Sua Mente e Entre em Sua Vida, publicado no fim do ano passado nos Estados Unidos, ele rompe com um método em voga na psicologia há trinta anos: a terapia cognitiva, que instrui pacientes a se livrar de seus pensamentos e sentimentos negativos. Hayes diz que, ao contrário, é preciso aceitar a dor e o sofrimento como parte da vida. Suas teorias causam especial impacto no tratamento de distúrbios como a depressão e os transtornos de ansiedade. Autor de 27 livros e centenas de artigos científicos, nos últimos dez anos Hayes recebeu mais de 5 milhões de dólares do governo americano para avançar em seus estudos. Ex-presidente da Associação de Terapias Cognitivas Comportamentais, ele está há onze anos sem ter um ataque de síndrome do pânico, que o aflige desde os 29 anos. Hayes concedeu a seguinte entrevista a VEJA de sua casa no estado de Nevada, onde mora com a mulher, a psicóloga gaúcha Jacqueline Pistorello, e três de seus quatro filhos.

Veja – Por que o senhor diz que felicidade não é normal?
Hayes – Muita gente tem um conceito distorcido de felicidade. O mais comum é vê-la como ausência completa de dor e como uma seqüência de momentos nos quais a pessoa se sente bem. É fácil preencher a vida com uma série de episódios efêmeros de bem-estar, como sair com os amigos ou beber um bom vinho. São diversões que podem trazer satisfação momentânea, mas na manhã seguinte a vida não estará melhor e não haverá como evitar que aconteçam coisas ruins. Todos sabemos que um dia vamos morrer, todos nós lembramos da perda de um amigo querido, de algum erro que cometemos, de dramas, traições ou doenças. A diferença entre o homem e outras criaturas está na capacidade que ele tem de usar suas habilidades cognitivas para remoer os erros e infortúnios do passado e temer as incertezas do futuro. Por isso o normal é sentir dor e sofrer.

Veja – Qual o problema em tentar evitar a dor?
Hayes – Ao fazermos isso, acabamos criando uma série de medos e fobias, que aumentam ainda mais o sofrimento. O conceito de que felicidade é como a ausência de sentimentos ruins nos leva a reagir à dor de uma maneira que limita nossa vida. Ou seja, que só piora as coisas. Isso nos deixa menos abertos a estabelecer novos relacionamentos, leva-nos a evitar lugares que tragam lembranças do passado ou situações desagradáveis. Dessa forma, perdemos a oportunidade de um envolvimento real com o que acontece a nossa volta. Isso também nos impede de ir atrás do que realmente queremos. Em casos extremos, como na depressão, quem tenta a todo custo evitar a dor começa a ficar entorpecido. Passa a não sentir nada, apenas um vazio profundo.

Veja – O suicídio é uma dessas formas de fuga da dor ou essa idéia é apenas um lugar-comum?
Hayes – Trata-se da explicação mais plausível na maior parte dos casos. Muitos suicídios são um último esforço para acabar com a própria dor. Em seis de cada dez casos os suicidas deixam escrito, em bilhetes, que não agüentavam mais sofrer. Há uma mensagem nisso tudo: evitar os sentimentos dolorosos é rejeitar a própria vida. Aceitá-los como parte da existência é a melhor atitude. Até onde sabemos, depois de mortos não sentimos mais nada. E não há vantagem nisso.
 
 
Leia a íntegra na revista VEJA
edição: 1945 de 01/03/2006