quarta-feira, 26 de outubro de 2011

auto-estima?

Afinal, o que é auto-estima?

 

Auto-estima é a sensação e a vivência do seu nível de adequação e aceitação diante dos desafios da vida!
Auto-estima = conseqüências da sua auto-imagem (como você se sente e se vê) + conseqüências da sua imagem percebida pelos outros (como os outros demonstram que vêem você).
Você não pode verdadeiramente amar ao que não conhece, por isso Sócrates continua atual: Conhece-te a ti mesmo!Depois de conhecer-se mais, prepare-se para enfrentar os desafios que separam a "pessoa" que você se acostumou a ser (com todas as ilusões, mecanismos de defesa e desculpas nobres), da "pessoa" que você pode efetivamente ser, com todas as suas múltiplas potencialidades.

Itens para compreender e melhorar sua auto-estima
• Auto-estima é uma avaliação sua sobre você mesmo – o assunto é você!
• Auto-estima é assunto sério, trate-o com seriedade e honestidade.
• Você não é como pensa ser ou como os outros pensam que você é. Dedique-se a se conhecer de verdade.
• Sua auto-estima total é a soma das parcelas de auto-estima que vem de todas as áreas de sua vida.
• Sua auto-imagem se altera quando você amadurece.
• Compare-se com seu próprio potencial, não com o dos outros.
• Quanto mais você se conhece, apesar do surgimento de imperfeições que você não reconhecia, maiores serão suas condições de estabelecer uma auto-estima saudável.
• Compreenda que você é potencialmente maior que sua história passada e presente. Dedique-se a realizar este potencial.
• Concentre-se em ser uma pessoa de valor e não de sucesso. Sucesso é opcional e relativo.
• Aprenda a exigir-se na medida certa – nem menos, nem mais que o possível.
• Compreenda que as opiniões dos outros, mesmo as das pessoas que você mais respeita, são subjetivas, são apenas opiniões. A melhor parte da história da Humanidade é escrita por pessoas que têm coragem de confrontar opiniões.
• Seja humilde para consigo mesmo – não se auto promova nem se auto destrua. Eduque-se!
• Não rejeite suas virtudes só porque você também tem defeitos.
• Encare as críticas como algo a seu favor e não contra você.
• Compreenda que você, assim como os outros, tem o direito de ser feliz e encontrará as condições para isso, apesar dos obstáculos.
• Acredite em você, mas não tenha pressa! Autoconfiança se constrói gradualmente.
• Se você quer ser melhor, aceite-se. Você não pode mudar o que não reconhece.
• Seja gentil com a sua natureza. Você levou anos para ser quem é e levará algum tempo para ser quem deseja ser.

Sintomas de problemas com a auto-estima
• Sentimento constante de inadequação e insuficiência.
• Sensação constante de falta de importância e valor.
• Presença constante de sentimentos julgados inaceitáveis.
• Sensação contínua de estar sendo ridículo.
• Fixação no papel de espectador passivo ou vítima constante dos acontecimentos.
• Presença constante de sensação de culpa e vergonha.
• Dúvidas freqüentes sobre sua capacidade de pensar, decidir e agir corretamente.
• Sentir-se indigno e não merecedor de suas conquistas.
• Sentir que não tem razões para ser amado.
• Sentimento de falta de controle sobre os aspectos mais importantes de sua vida.
• Medo agudo e permanente diante da necessidade de fazer escolhas.
• Falta de confiança em sua competência e idéias, mesmo diante dos menores desafios da vida.
• Fuga constante da felicidade.
• Dificuldade constante em assumir responsabilidades, especialmente as de maior duração.
• Sentimento de que nada de bom pode acontecer a você e que, se acontecer, não vai durar.
• Agir teatralmente, buscando sempre chamar a atenção para um valor que no fundo você sabe que não tem.
• Fantasiar continuamente sobre seus valores e conquistas.
• Agir como se tivesse algum privilégio, carisma ou poder especial e único.
• Julgar contínua e compulsivamente todos a sua volta com critérios muito rígidos, que você não aplica a si mesmo.

 

Carlos Hilsdorf

 


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"O Avarento guarda o seu Tesouro como se fosse seu; Mas teme Servir-se dele como se na Realidade pertencesse a Outrém." (Bion)

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Intolerância faz Síria Prender "A Primeira Psicanalista da Síria"

 

 

Intolerância faz Síria Prender "A Primeira Psicanalista da Síria"

 

Sábado 10 de setembro de 01:00 (ET Damasco), A psicanalista Rafah Síria NACHED foi presa pelos serviços de segurança sírios no aeroporto de Damasco, como ela estava prestes a embarcar em um vôo para Air France para Paris para assistir ao nascimento de sua filha. 


NACHED Rafah teve tempo suficiente para um breve telefonema para evitar que seus parentes nos segundos antes de sua prisão. 

 

Seu marido, Mohammad Faisal Abdullah, um professor de história antiga na Universidade de Damasco levado às pressas para o aeroporto, mas não conseguiu obter qualquer informação ou serviços para o aeroporto ou a polícia. 


Rafah NACHED , 66 anos, tem uma licenciatura em Psicologia Clínica da Universidade de Paris 7. 

 

É a primeira mulher a praticar a psicanálise na Síria e recentemente fundou a Escola de Psicanálise de Damasco, em conexão com os psicanalistas franceses e organizada em Novembro de 2010, o primeiro simpósio internacional sobre psicanálise em Damasco conferência de qualidade científica excepcional . 


Seu compromisso profissional sempre foi uma científica e humanitária, com exclusão de qualquer envolvimento político. Assim, o final de agosto, ela participou de reuniões entre cidadãos sírios de todas as persuasões para oferecer um espaço apolítico, aberto e multi-fé, em que verbalizar suas ansiedades e medos no clima de violência que assola atualmente o país. 


Rafah Nached está atualmente detido na prisão da Duma, um subúrbio de Damasco, em muito dures.

Ela  seria acusado de afetar a estabilidade do Estado, incitando revolta e derrubar o governo e não respeitar a lei e a ordem. 

 

É provável muitos anos na prisão. Ela sofre de problemas cardíacos graves e estamos muito preocupados com sua saúde. 


Apelamos ao Governo sírio para liberá-la. 

 

Ajude-nos ao assinar esta petição e transferi-lo para toda sua rede de amigos. sábado 10 de setembro, à uma hora da manhã (horário de Damasco), a Síria Psicanalista Rafah NACHED foi preso pelos serviços de segurança sírios na o aeroporto de Damasco, onde foi se preparando para embarcar em um vôo da Air France na gestão de Paris onde esperava para ajudar Sua Filha Dar à luz. 

 

No segundo tempo antes de sua prisão Rafah NACHED apenas tivemos que fazer uma chamada curta família imediata. Seu marido, Mohammad Faisal Abdullah, professor de História Antiga na Universidade de Damasco, correram para o objetivo do aeroporto não foi capaz de receber qualquer informação dos serviços ou a polícia sobre o paradeiro de sua esposa. 

 

NACHED Rafah, 66 anos, Psicanalista, HAS uma licenciatura em Psicologia Clínica pela Universidade de Paris 7.

 

 Ela é a primeira mulher psicanalista praticando na Síria. 

 

Ela recentemente fundou a Escola de Psicanálise em Damasco, junto com o psicanalista francês e em novembro de 2010 ela primeiro seminário internacional organizado de Psicanálise em Damasco. 

 

O seminário foi considerado excepcional de qualidade científica. 

 

Profissional tem sempre sido o compromisso de natureza científica e humanitária, com a exclusão de todas as implicações políticas. Malthus, em agosto passado, ela participou da organização de encontros entre os cidadãos da Síria do outro lado todas as jurisdições para oferecer-lhes um espaço no ano apolítica, aberto e multi-confessional, onde poderiam expressar angústias e seus medos nasceram no clima de violência que varre o Is That país. 

 

Rafah NACHED Is Now detidos na prisão da Duma, um subúrbio de Damasco, em condições adversas. 

 

Ela é acusado de promover agitação, a derrubada do governo e desrespeito à ordem pública. 

 

Ela terá muitos riscos se ficar  na prisão. Ela sofre de problemas de saúde e estamos muito preocupados com sua saúde. 

 

Conclamamos o governo sírio a libertar Rafah Nached.

 

 Ajude-nos assinando a petição e encaminhá-lo aos seus amigos e redes. 

 

27 de setembro de 2011






Fonte Consulta: IPA

http://www.lapetition.be/en-ligne/Liberez-Rafah-Nached-10402.html

domingo, 9 de outubro de 2011

Simplesmente Seja Feliz

SEJA FELIZ...

Seja Feliz

Você pode ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes, mas não se esqueça de que sua vida é a maior empresa do mundo.

Só você pode evitar que ela vá à falência.

Há muitas pessoas que precisam, admiram e torcem por você.

Gostaria que você sempre se lembrasse de que ser feliz não é ter um céu sem tempestades, caminhos sem acidentes, trabalhos sem fadigas, relacionamentos sem decepções.

Ser feliz é encontrar força no perdão, esperança nas batalhas, segurança no palco do medo, amor nos desencontros.

Ser feliz não é apenas valorizar o sorriso, mas refletir sobre a tristeza.

Não é apenas comemorar o sucesso, mas aprender lições nos fracassos.

Não é apenas ter júbilo nos aplausos, mas encontrar alegria no anonimato.

Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver a vida, apesar de todos os desafios, Incompreensões e períodos de crise.

Ser feliz não é uma fatalidade do destino, mas uma conquista de quem sabe viajar para dentro do seu próprio ser.

Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e se tornar um autor da própria história.

É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar um oásis no recôndito da sua alma e agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida.

Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos.

É saber falar de si mesmo.

É ter coragem para ouvir um "não".

É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta.

É beijar os filhos, curtir os pais e ter momentos poéticos com os amigos, mesmo que eles nos magoem.

Ser feliz é deixar viver a criança livre, alegre e simples que mora dentro de cada um de nós.

É ter maturidade para falar "eu errei".

É ter ousadia para dizer "me perdoe".

É ter sensibilidade para expressar "eu preciso de você".

É ter capacidade de dizer "eu te amo".

Desejo que a vida se torne um canteiro de oportunidades para você ser feliz…

Que nas suas primaveras você seja amante da alegria.

Que nos seus invernos você seja amigo da sabedoria.

E, quando você errar o caminho, recomece tudo de novo, pois assim você será cada vez mais apaixonado pela vida.

E descobrirá que…

Ser feliz não é ter uma vida perfeita.

Mas usar as lágrimas para irrigar a tolerância.

Usar as perdas para refinar a paciência.

Usar as falhas para esculpir a serenidade.

Usar a dor para lapidar o prazer.

Usar os obstáculos para abrir as janelas da inteligência.

Jamais desista de si mesmo!

Jamais desista das pessoas que você ama.

Jamais desista de ser feliz, pois a vida é um espetáculo imperdível.

 

E você é um ser humano especial!

 

Repassando: www.drluiz.com

 
"O Avarento guarda o seu Tesouro como se fosse seu; Mas teme Servir-se dele como se na Realidade pertencesse a Outrém." (Bion)

Você me completa”: sobre relacionamentos e incompletude


Você me completa": sobre relacionamentos e incompletude

Semana passada uma amiga me perguntou se era verdade que a gente sempre busca na pessoa com quem a gente se relaciona o nosso pai ou a nossa mãe.

Muitos amigos me fazem este tipo de pergunta por saberem que eu estudo psicanálise – e eu achei engraçado porque é muito curioso como ela é difundida na mídia, sempre de uma maneira muito determinista.

Já ouvi frases do tipo: "Meu pai é cafajeste, por isto só namoro cafajeste, Freud explica". E pronto: a pessoa se contenta com isto e para por aí, não se questiona, nem tenta mudar.

Quando minha amiga me fez esta pergunta, eu já tinha escrito boa parte do texto aqui para o PdH, mas a pergunta dela me fez questionar sobre o que seria legal falar para pessoas – que não são psicanalistas – sobre relacionamentos amorosos, pela visão da psicanálise.

E reescrevi o texto.

Em primeiro lugar, a resposta que dei a ela: sim, vamos buscar algo do nosso pai e da nossa mãe, do nosso familiar (aqui, no duplo sentido mesmo), do que nos constituiu.

E não, o que vamos buscar nunca é relacionado a nossa mãe e pai reais, mas sim à imagem que temos deles.

Nossa eterna incompletude

Cena clássica do filme Jerry Maguire. "You complete me"… Será mesmo?

Somos inseridos no universo social quando nascemos por pessoas, mas que para nós, quando bebês, exercem papéis de figuras – materna ou paterna.

A maneira como encaramos estas figuras é completamente única.

Expliquei para a minha amiga: se você entrevistar 5 irmãos, gêmeos quíntuplos, que nasceram juntos, foram criados pelo mesmo pai e pela mesma mãe e perguntar a cada um deles como eles veem seus progenitores, eu garanto que cada um vai descrevê-los de uma maneira diferente.

Isto porque, na medida em que nos relacionamos com os outros, esses outros vão nos marcar de maneira completamente subjetiva – e vamos levar estas marcas, nossas e particulares, para a vida.

Mas isto não quer dizer que estas marcas são imutáveis; a cada encontro nos deparamos e fazemos novos arranjos, releituras destas nossas formas de relacionar, mas sempre com influência daquilo que já vivemos.

Segundo a psicanálise, quando nascemos, passamos por um momento em que vivemos um estado de completude – mãe e bebê (e de novo, não estou falando da mãe real e sim de quem exerce esta função materna) vivem de forma simbiótica, como se fossem um.

E isto é imprescindível para a sobrevivência do bebê, pois o bebê humano nasce muito despreparado (se estamos vivos é porque alguém exerceu esta função). É necessário que a mãe se volte inteiramente para ele e atenda todas as suas necessidades, inicialmente, só biológicas.

Posteriormente, com os cuidados que recebe, com a voz, o olhar da mãe, o bebê cria uma demanda de amor, de ser amado e receber tudo daquela mãe – não só da ordem biológica, mas sim da ordem simbólica.

Porém, esta demanda vai ser frustrada, pois é impossível sustentar uma satisfação infinita e completa a esta demanda de amor.

Aquele estado de completude vai ser perdido para sempre.

E é importante que seja, pois a partir da falta dessa satisfação infinita é que o bebê vai se voltar para o mundo, se inserir socialmente.


A primeira vez que sua namorada o abandonou você ficou chorando em posição fetal?

É esta falta de completude, que nunca vai ser alcançada, pois não dá para retornarmos a este estado primitivo, que vai instaurar nosso desejo – que nada mais é nossa busca incessante por satisfação – e que nos coloca na vida, em movimento.

Tal desejo é único e por isto a maneira de levar a vida de cada um é única.

As relações amorosas também são, na verdade, movidas pelo nosso desejo.

Buscamos os modelos de relações que conhecemos, na maioria das vezes, de forma inconsciente. E aí acontece, muitas vezes, um desencontro: se meu desejo é único e do outro também é, como conciliar os desejos diferentes para ficarmos juntos?

Philippe Julien, no livro Abandonarás teu pai e tua mãe (2000), trata deste assunto.

Segundo Julien, para os pais conseguirem fazer com que seus filhos sejam educados para o mundo, eles devem passar aos filhos a lei do desejo, fundada na concepção de que não existe completude nem no ser humano, nem em suas relações; existem escolhas.

Para Julien, as relações conjugais são pautadas em três dimensões:

o amor, o gozo e o desejo.

O amor e suas ilusões

O amor é baseado no devotamento, na atenção, na idéia de constituir um 1 de 2.

O amor é da esfera do nosso imaginário, ou seja, daquilo que espero, imagino, que o outro tenha que me completa e se baseia naquelas marcas que trazemos conosco das nossas relações primeiras. É da ordem da imagem.

Hoje em dia, é o amor que é supervalorizado pela mídia, que retrata em filmes e novelas histórias impossíveis, nas quais a identificação com o outro é suficiente para se estabelecer uma relação duradoura.

A mocinha olha para o mocinho e – pimba!!! – se amam loucamente e se completam; e isto é suficiente para que sejam felizes para sempre.

Não estou dizendo que o amor não é importante para uma relação. Claro que é, pois este encantamento com o outro faz com as pessoas se abram para este outro.

Mas basear um relacionamento apenas nesta esfera é perigoso, já que o outro é sempre de carne e osso e, portanto, sempre diferente da imagem que fazemos dele.

Depois do arrebatamento passional, surgem frases como "Ele não era como eu imaginava" ou "No começo era diferente". Era diferente porque se baseava apenas na ilusão, na imagem – e ela, como Narciso teve a oportunidade de descobrir rapidamente no lago, é fugaz e trapaceira.


Quanto do outro é o outro e quanto é sua projeção?

O gozo que nos move

Para Julien, há dois tipos de gozo: o sexual, que é o gozo do corpo do outro e o não-sexual.

Gozo aqui não é o equivalente ao orgasmo, mas é um conceito psicanalítico que aponta para a energia psíquica que nos move, falando de uma maneira bem simplificada.

Mais ou menos assim: temos uma quantidade de energia, que fica no limite entre o físico e o psíquico, que precisa ser liberada o tempo todo – pela nossas ações, pensamentos e sentimentos – para manter o aparelho psíquico "estável", sem grande quantidade de excitação, pois, com muita excitação, sentimos desprazer.

Assim, cada um busca ações e maneiras de se relacionar no mundo de modo a provocar esta descarga de energia – que provoca alívio, mas muitas vezes dor também.

O sexo não deixa de ser uma das maneiras de liberação desta energia, mas existem muitas outras. O gozo sexual, por exemplo, não ocorre apenas no sexo, mas sim em todas as nossas ações que provocam uma descarga parcial desta energia.

Para Nasio, "o gozo é um lugar vazio de significantes" (p. 29), ou seja, algo do qual não se consegue falar exatamente, pois é da ordem do impossível.

Mas bons escritores e escritoras conseguem se aproximar da descrição do gozo, como Hilda Hilst, nesse trecho de A obscena senhora D (2001):

"A paixão é a grossa artéria jorrando volúpia, é a boca que pronuncia o mundo, púrpura sobre a tua camada de emoções, escarlate sobre a tua vida, paixão é esse aberto do teu peito e também o teu deserto" (p. 29)

Esta descrição fala do corpo. Ao ler, imediatamente você sente como é, embora sempre, na leitura, não dê para descrever exatamente as reações do corpo que sentimos neste gozo (que é esta energia nessa descrição de Hilda sobre a paixão).

Esta dimensão também é importante para uma relação, mas também não sozinha, já que o alívio provocado pelo gozo é o que nos move.

Mas Julien (2000) de novo fala que relacionamentos baseados nestas duas dimensões são (1) medíocres, amor por identificação ao outro; ou (2) subversivos, baseados apenas no gozo sexual.

O desejo e nossa falta


Eu, você e todos nós: sempre incompletos

Para Julien, "se o amor é dom daquilo que somos, o desejo é, ao inverso, dom daquilo que não temos e daquilo que não somos: é confissão da falta, do vazio" (p. 35).

O autor afirma que a lei do desejo "é a única que pode sustentar a diferença entre os sexos" (p.37). Esta diferença, ele ressalta, não é anatômica, nem de gênero. É a diferença no sentido de alteridade, ou seja, saber que o outro é diferente de você e conseguir valorizar isto.

E saber que a completude não existe, nem em nós mesmos, tampouco numa relação.

Neste sentido, Julien fala que, ao nos submetermos à lei do desejo, aceitando o diferente, o incompleto, podemos construir relações que se mantém – e sempre descobrir algo novo e diferente dentro destas relações.

Mas por que não nos submetemos sempre a ela? O autor afirma que é para evitar conflitos e transgressões das leis do bem e do dever, que implicam em sempre se mostrar como bons e perfeitos ou moralmente inabaláveis.

É aí que está o desafio: aceitar que o outro não é completo implica, primeiro, aceitarmos que não somos – olhar para dentro e ver as nossas dificuldades e a nossa falta. Ainda segundo o autor: "o desafio é ficar próximo do não-conhecido no outro e em si mesmo" (p.43).

Ítalo Calvino termina seu livro As cidades invisíveis (1990) com o seguinte trecho, que acho muito pertinente:

"O inferno dos vivos não é algo que será; se existe, é aquele que já está aqui, o inferno no qual vivemos todos os dias, que formamos estando juntos. Existem duas maneiras de não sofrer. A primeira é fácil para a maioria das pessoas: aceitar o inferno e tornar-se parte deste até o ponto de deixar de percebê-lo. A segunda é arriscada e exige atenção e aprendizagem contínuas: tenta saber reconhecer quem e o que, no meio do inferno, não é inferno, e preservá-lo, e abrir espaço."

Na sociedade atual, este olhar para dentro é bem difícil: primeiro, pela infinidade de afazeres que nos distraem; segundo, que a exigência de se mostrar perfeito e feliz o tempo todo dificulta ainda mais olharmos o que não é bonito e feliz – coisa que já é difícil de se fazer por si só. Assim, cresce a venda de livros de auto-ajuda, que só reforçam que a felicidade plena e a completude é possível. Mas a insatisfação também cresce, assim como o desentendimento nas relações.

Cada uma das dificuldades enfrentadas por um casal não é superada (se é que pode-se dizer superação) sem uma boa dose de sofrimento.

E sem uma boa dose de conversa. É o falar, argumentar e negociar que faz com que as escolhas do casal possam ser construídas.

Calma, meninos, não estou propondo a DR eterna! Mas a pontuação das diferenças é sempre necessária – e por meio da fala que chegamos a acordos, saídas, novos caminhos.

Neste sentido, a música popular brasileira, arraigada em concepções menos eruditas sobre o amor, muitas vezes dando voz a sabedoria popular, diz: "Pergunte ao seu orixá, amor só é bom se doer" (letra de "Canto de Ossanha", de Baden Powell e Vinicius de Moraes). Simples.

Porém essencial para pensar num amor fundado na diferença.


Porque, afinal, é com a diferença também que se pode sair da mesmice:
é por saber a dor, que se sabe aproveitar a felicidade.

E as pessoas esquecem-se das oposições na contemporaneidade, por temer abalar tudo aquilo que julgam estável. Tem de se ter a garantia, a certeza…

Mas certo mesmo é que não se pode ter certeza de nada com relação ao amor.

Marina Graminha Cury é Psicanalista

Psicóloga e especialista em Psicologia Hospitalar pela USP. É psicanalista em formação. Atua como psicóloga clínica em instituições e consultório particular e acredita que os livros de auto-ajuda deveriam ser queimados em praça pública.


Referências:

Calvino, Italo. As cidades invisíveis. São Paulo: Companhia das Letras, 1990.
Julien, Philippe. Abandonarás teu pai e tua mãe. Rio de Janeiro: Companhia de Freud, 2000.
Hilst, Hilda. A obscena senhora D. São Paulo: Globo, 2001.
Nasio, J D. 5 lições sobre a teoria de Jacques Lacan. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editora, 1993.


"O Avarento guarda o seu Tesouro como se fosse seu; Mas teme Servir-se dele como se na Realidade pertencesse a Outrém." (Bion)

sexta-feira, 17 de junho de 2011

O poder da Escuta

O poder da Escuta

O poder da “Escuta” é imprescindível para psicanalistas, psicoterapeutas, terapeutas, educadores e principalmente para estudante de psicanálise que deve desenvolver o poder da Escuta.

Mesmo que não vá exercer psicanálise em clínica analítica como uma ocupação diária ou ocupação laboral remunerada.

Desde inicio do seu estudo e de todo seu percurso psicanalítico, na sua formação em psicanálise, deverá desenvolver a escuta em sala de aula, nas dinâmicas em grupo, em seu estágio na prática restaurativa e multidisciplinar sob supervisão do seu analista.

Desenvolve-se muito na “Escuta” principalmente ao fazer sua “análise” pessoal não só onde o analista vai acolher a sua fala pela “escuta”; mas o permitirá e favorecerá condições para que o analisado desenvolva-se na arte da “Escuta”.

A escuta nos permitirá conhecer melhor a nós mesmos, para depois construída essa ponte “travessia”, nós tentarmos auxiliar o “outro” na sua travessia seja de sofrimento, angústia e aflições que na maioria das vezes o que se sabe que foi toda uma vida sem “escuta”.

A escuta é que nos mantém em equilíbrio no labirinto.

No Zen-Budismo, E em algumas religiões e filosofias a “Escuta” é o pilar de contato com a divindade.

É na escuta e com silêncio que se cria uma trilha ou um único caminho para se chegar à divindade, seja para atendimento de pedidos, preces ou orações.

É na postura de silêncio e humildade que a supomos serem “Escutadas” por um poder superior do bem e maior que todos através da fé.

É preciso na vida sempre se escutar, e primeiramente e para o aprendiz de psicanálise é preciso aprender a “Escutar-se” a si mesmo.

Escutar as autoridades e as leis.

Escutar os Mestres.

Escutar os Professores,

Escutar os Líderes Religiosos

Escutar nossos amigos.

Escutar nossos pais ou representantes dos mesmos.

E é somente nessa trilha, travessia da “Escuta” que vamos aprender a caminhar com equilíbrio e sabedoria para ver.

Assim nos permitimos nos conhecer cada vez melhor para poder auxiliar o nosso próximo.

Quando não se desenvolve a escuta, fica em evidência nossa impossibilidade e dificuldade de interagir para “escutar” . Por isso é imprescindível terapeutizar-se para aprendermos a “escuta”.

Aqui escutar é no sentido para “pensarmos e filosofarmos”.

Você sabe Escutar?

“Escutar” é deixar o outro falar livremente sem tentar impor a minha opinião, julgo ou visão de algo.

É essencial na sua formação analítica e a todo seu percurso psicanalítico.

A escuta nos ensina a ler e interpretar a linguagem do inconsciente.

É na “escuta” que aprendemos a ver os atos falhos, chistes, lapsos de memória e o uso da linguagem “antitética” das palavras.

Na “escuta” em que desejos reprimidos, recalcados ou melancólicos encontram uma travessia terapêutica sem contra-indicações ou efeitos colaterais embora não exista “análise” sem resistência ou algum sofrimento abstrato.

A escuta é uma arte que exige treinamento, disciplina e aprimoramento continuado que infelizmente nem sempre nos atemos para sua grande valia.

A escuta nos ensina a ver sempre através das palavras e gestos a linguagem do inconsciente.

Afinal “O Corpo Fala” e a escuta nos ensina a ver.

Embora a palavra seja o objeto da Psicanálise pelo qual o inconsciente pode se comunicar-se ou expressar-se. Sem a escuta do analista não existe a psicanálise.

Sem a escuta do aluno ao Mestre ou o professor não existe quase nenhuma aprendizagem.

É preciso aprender a escutar, e essa trilha muitas vezes é solitária e poucos de nós sabem escutar sem retrucar ou opinar uma palavra.

Onde no processo analítico a intervenção do analista numa “fala” sempre deveria ser para que o analisado se posicionar ou ver por outros horizontes.

O analista não dever julgar, recriminar, culpar a nenhum tipo de escuta.

É de suma importância da “fala” do analisado, que também deverá estar atento também a fala do psicanalista nas “sessões” como forma de auxiliar na travessia dos conteúdos do inconsciente do analisado.

Nas sessões de análise a “palavra/falada”, é importante, mas a escuta do analista deve estar afinada e fidelizada aos conteúdos seja o que for conteúdos reprimidos, recalcados, medos ou fobias que possam vir através da associação livre de idéias.

Essa é a máxima Freudiana, a escuta através da liberdade de associações livres de idéias, que oportuniza a “fala x escuta”.

É somente com muita dedicação e disciplina que podemos desenvolver o “Poder da Escuta”.

As doenças psicossomáticas ou reações somáticas simbólicas de nosso corpo desde que descartadas as possibilidades (clínicas, Infecciosas e orgânicas) nessas manifestações psicossomáticas só pode iniciar alguma forma de tratamento através da escuta.

No exercício de diversas profissões, cargos nós podemos, aperfeiçoar-se e amadurecer com respeitabilidade e credibilidade quando utilizamos a escuta para aprender a ver com sabedoria a praticidade de qualquer conhecimento.

"O primeiro dever do amor é escutar."
Paul Tillich

Filósofo Alemão (1886/1965)

Prof. Luiz Mariano é Psicanalista e Professor de Qualificação

Especialista em Psicossomática

Procurador do IBF vinculado ao Ministério da Justiça-MJ