sexta-feira, 17 de junho de 2011

O poder da Escuta

O poder da Escuta

O poder da “Escuta” é imprescindível para psicanalistas, psicoterapeutas, terapeutas, educadores e principalmente para estudante de psicanálise que deve desenvolver o poder da Escuta.

Mesmo que não vá exercer psicanálise em clínica analítica como uma ocupação diária ou ocupação laboral remunerada.

Desde inicio do seu estudo e de todo seu percurso psicanalítico, na sua formação em psicanálise, deverá desenvolver a escuta em sala de aula, nas dinâmicas em grupo, em seu estágio na prática restaurativa e multidisciplinar sob supervisão do seu analista.

Desenvolve-se muito na “Escuta” principalmente ao fazer sua “análise” pessoal não só onde o analista vai acolher a sua fala pela “escuta”; mas o permitirá e favorecerá condições para que o analisado desenvolva-se na arte da “Escuta”.

A escuta nos permitirá conhecer melhor a nós mesmos, para depois construída essa ponte “travessia”, nós tentarmos auxiliar o “outro” na sua travessia seja de sofrimento, angústia e aflições que na maioria das vezes o que se sabe que foi toda uma vida sem “escuta”.

A escuta é que nos mantém em equilíbrio no labirinto.

No Zen-Budismo, E em algumas religiões e filosofias a “Escuta” é o pilar de contato com a divindade.

É na escuta e com silêncio que se cria uma trilha ou um único caminho para se chegar à divindade, seja para atendimento de pedidos, preces ou orações.

É na postura de silêncio e humildade que a supomos serem “Escutadas” por um poder superior do bem e maior que todos através da fé.

É preciso na vida sempre se escutar, e primeiramente e para o aprendiz de psicanálise é preciso aprender a “Escutar-se” a si mesmo.

Escutar as autoridades e as leis.

Escutar os Mestres.

Escutar os Professores,

Escutar os Líderes Religiosos

Escutar nossos amigos.

Escutar nossos pais ou representantes dos mesmos.

E é somente nessa trilha, travessia da “Escuta” que vamos aprender a caminhar com equilíbrio e sabedoria para ver.

Assim nos permitimos nos conhecer cada vez melhor para poder auxiliar o nosso próximo.

Quando não se desenvolve a escuta, fica em evidência nossa impossibilidade e dificuldade de interagir para “escutar” . Por isso é imprescindível terapeutizar-se para aprendermos a “escuta”.

Aqui escutar é no sentido para “pensarmos e filosofarmos”.

Você sabe Escutar?

“Escutar” é deixar o outro falar livremente sem tentar impor a minha opinião, julgo ou visão de algo.

É essencial na sua formação analítica e a todo seu percurso psicanalítico.

A escuta nos ensina a ler e interpretar a linguagem do inconsciente.

É na “escuta” que aprendemos a ver os atos falhos, chistes, lapsos de memória e o uso da linguagem “antitética” das palavras.

Na “escuta” em que desejos reprimidos, recalcados ou melancólicos encontram uma travessia terapêutica sem contra-indicações ou efeitos colaterais embora não exista “análise” sem resistência ou algum sofrimento abstrato.

A escuta é uma arte que exige treinamento, disciplina e aprimoramento continuado que infelizmente nem sempre nos atemos para sua grande valia.

A escuta nos ensina a ver sempre através das palavras e gestos a linguagem do inconsciente.

Afinal “O Corpo Fala” e a escuta nos ensina a ver.

Embora a palavra seja o objeto da Psicanálise pelo qual o inconsciente pode se comunicar-se ou expressar-se. Sem a escuta do analista não existe a psicanálise.

Sem a escuta do aluno ao Mestre ou o professor não existe quase nenhuma aprendizagem.

É preciso aprender a escutar, e essa trilha muitas vezes é solitária e poucos de nós sabem escutar sem retrucar ou opinar uma palavra.

Onde no processo analítico a intervenção do analista numa “fala” sempre deveria ser para que o analisado se posicionar ou ver por outros horizontes.

O analista não dever julgar, recriminar, culpar a nenhum tipo de escuta.

É de suma importância da “fala” do analisado, que também deverá estar atento também a fala do psicanalista nas “sessões” como forma de auxiliar na travessia dos conteúdos do inconsciente do analisado.

Nas sessões de análise a “palavra/falada”, é importante, mas a escuta do analista deve estar afinada e fidelizada aos conteúdos seja o que for conteúdos reprimidos, recalcados, medos ou fobias que possam vir através da associação livre de idéias.

Essa é a máxima Freudiana, a escuta através da liberdade de associações livres de idéias, que oportuniza a “fala x escuta”.

É somente com muita dedicação e disciplina que podemos desenvolver o “Poder da Escuta”.

As doenças psicossomáticas ou reações somáticas simbólicas de nosso corpo desde que descartadas as possibilidades (clínicas, Infecciosas e orgânicas) nessas manifestações psicossomáticas só pode iniciar alguma forma de tratamento através da escuta.

No exercício de diversas profissões, cargos nós podemos, aperfeiçoar-se e amadurecer com respeitabilidade e credibilidade quando utilizamos a escuta para aprender a ver com sabedoria a praticidade de qualquer conhecimento.

"O primeiro dever do amor é escutar."
Paul Tillich

Filósofo Alemão (1886/1965)

Prof. Luiz Mariano é Psicanalista e Professor de Qualificação

Especialista em Psicossomática

Procurador do IBF vinculado ao Ministério da Justiça-MJ