terça-feira, 17 de março de 2015

NENHUM DISCURSO POLÍTICO NOS SALVARÁ E NEM OS DISCURSOS DOS "OUTROS"

O Gozo do Outro é o impossível.

Infelizmente nenhum discurso político ou “outros” tantos nos salvará de nosso real, visto que vivemos tempos que e o lugar do “Pai” simbólico está desqualificado e desimpoderado analiticamente. 

O mundo que era vertical se tornou horizontal e a humanidade ta meio desbussolada. (Jorge Forbes)

 O *real não é o mundo. (*Real na clínica de Lacan)  

É o real do sujeito, Não há nenhuma esperança de alcançá-lo por meio da representação. 

O real não é o universal para todos os sujeitos, é singular em sua angustia, desejo e gozo.

O sintoma na psicanálise é a partir de algo do real que não cessa de se escrever em nossos pensamentos, emoções e sensações atemporais: a pré-maturação, o desamparo e a morte angustiam todo sujeito.

"A hipótese do inconsciente, sublinha Freud, só pode se manter na suposição do Nome do Pai. E talvez seja certo que supor o Nome do Pai é Deus.

Por isso a psicanálise, ao ser bem sucedido, prova que podemos prescindir e repensar o nosso nome do Nome do Pai de cada sujeito.

“Podemos, sobretudo prescindir com a condição de nos servirmos dele.”
Estudos sobre (LACAN, 1975/76-2011, p.133).

A psicanálise é uma ciência e o discurso analítico é uma práxis da palavra do inominado saber de si mesmo.

Ótima leitura e reflexões a todos.

Luiz Mariano

quinta-feira, 5 de março de 2015

O Bebê que queria Morrer....

O Bebê que queria Morrer...

“A psicanalista, A mulher, A interpretação.

         O que vou lhes contar ocorreu na Maison Verte, instituição parisiense de acolhimento de crianças de zero a três anos, criada pela psicanalista Françoise Dolto.

Quando na juventude de minha formação psicanalítica, tive a oportunidade de passar algumas tardes naquele local, acompanhando o trabalho de Dolto, já, então, ícone da psicanálise dita infantil.

        Em uma tarde, um casal relativamente jovem chegou para a consulta com cara de desespero.

Traziam um bebê nos braços, o qual aparentava uma fraqueza importante.
Deveria ter uns três ou quatro meses de vida.

        Dolto, cheia de atenção vigilante e afetuosa, ficou sabendo dos pais que ao desespero da criança que não comia, razão por estar esquálida, somava-se a preocupação com o desemprego do pai, a sobrecarga da mãe, e as contas que não fechavam no mês.

        Assisti, em seguida, Françoise Dolto se dirigir diretamente ao bebê, sem qualquer atenção ao fator compreensão, e lhe explicar, olhos nos olhos, que ela, Dolto, entendia muito bem que ele não quisesse comer, uma vez que sua chegada poderia ser pensada como em má hora, e que o melhor talvez fosse desaparecer.

Contestou, no entanto, afirmando que ele estava enganado, pois sendo tão querido e esperado, sua morte precoce retiraria dos seus pais o único efetivo alento naquele momento difícil de vida.

E assim se despediu dos três – filho, mãe e pai – dando-lhes um retorno para a semana seguinte.

Quando saíram, Dolto me disse: - “Você vai ver só o que vai acontecer”.

        No segundo encontro, confirmando a previsão da analista, eram outras pessoas que estavam ali.

O bebê estava comendo, e bem.

        Ao final do atendimento, a doutora me falou: 

-“Você viu como os bebês falam?
 Você viu a prova?”.

Aí, para mim, foi demais. 

Com a delicadeza devida, contestei que não era que bebês falassem, mas que – como Lacan havia demonstrado no estádio do espelho...

– ao ela falar com o bebê, estava realmente falando a seus pais que, por conseguinte, tinham mudado sua posição e possibilitado a alteração sintomática.

        Dolto não me deixou avançar muito em minha peroração.

 –“Sim, sim – me retorquiu – eu também conheço o ‘seu Lacan’ e bastante bem.

Além de companheiros de toda uma vida, somos mesmo muito amigos. 

Agora, que ele o diga com o espelho, é interessante, quanto a mim, digo e mostro – como você viu – que os bebês compreendem e sabem falar”.

        Pano rápido. 

Jorge Forbes é Psicanalista e Escritor


* Meu comentário:

*  Dr. Jorge Forbes um dos melhores Psicanalista, Professor e de ilibada referência ética, da escrita e fala Psicanalítica da nossa Era Pós Moderna. Vale  "ouro" suas Palestras, Aulas, Livros e todas as falas para a pedagogia da Alma amoral do nosso pensar psicanalisante.

Françoise Dolto é um ensinamento consagrado da Psicanálise Infantil no mundo.

* www.drluiz.com    

segunda-feira, 2 de março de 2015

As 13 datas e tempos dos Relacionamentos

"As 13 datas e tempos dos Relacionamentos"

Alguns têm data de validade, um dia vence, um dia acaba.

Alguns vêm estragados e você tenta salvar e morre junto.

Alguns você não consegue devolver na data.

Alguns vêm com a data de validade ilegível.

Alguns estão embrulhados você não consegue tempo p/ desembrulhar.

Alguns vêm com defeito e é difícil de trocar.

Alguns são tóxicos nos adoecem o tempo todo.

Alguns são tão familiares que você nem lembra datas.

Alguns não têm remédio para mudar a data.

Alguns ti confundem a data de odiar e a data de amar.

Alguns duram só instantes e nem data tem.

Alguns só servem para devolver ao Édipo.

Alguns dizem que amor é assim mesmo,
feito de tempo e datas e não queremos acreditar.  

Alguns passam, e talvez algum pode ficar
 se houver singularidade na língua e ouvidos mudos.

 Não se preocupe na vida; 
Sempre haverá novos amores
 e novas datas. 






domingo, 1 de março de 2015

Sessões de Psicanálise

As sessões de Psicanálise

A terapia psicanalítica não é indicada para psicoses agudas, loucuras ou pacientes com diagnostico de comprometimento neurológico (clínico) na capacidade da fala, do pensar, do sentir remorso ou culpa por condições orgânicas (clínicas) ação de medicamentos ou de patologias que afetem a fala e o pensar do inconsciente.

Psicanálise não é terapia para “loucos” é indicada para tratamento de diversas neuroses desde sua teorização e prática freudiana e dos pós freudiana, é uma via de auto-conhecimento de si.
A Psicanálise é um caminho laico, singular, apolítico e amoral para autoconhecimento do desejo do seu desconhecido de si para si mesmo.

 A sessão de psicanálise parece ser construída de bobagens e falas soltas, mas é somente nessas falas soltas que o inconsciente vai criar uma via de confiança e dar se oportunidade de e ressignificar nossos traumas, resolver parte do Édipo e descatexizar nossos sintomas e queixas  
E tese a psicanálise não remove a neurose, sem neuroses nós vamos direto para “loucura ou algum grau de psicose”.

 A psicanálise não promete uma cura orgânica ou fisiológica que é objeto da medicina e outras formas de terapias.  O psicanalista é o intermediador diplomata da fala do inconsciente do sujeito que se se submete corajosamente às sessões de análise.

Na caminhada da permissão da “associação livre de idéias”, chistes, atos falhos, interpretação dos sonhos e outras técnicas da psicanálise coloquial e laica é que se ajudará ao sujeito em análise a remover o conflito, adoecimento em função da neurose, na medida em que haja transferências e insights nas sessões de análise e pós sessões.

O sujeito psicanalisado; nunca mais será o mesmo. 

E poderá sim viver com mais sanidade, saúde e felicidade porque aprende e empreende uma nova ética do seu e sentir do seu desejo.

E onde está esse sujeito da psicanálise.

É onde esta seu inconsciente sua história esquecida, recalcada e suas emoções reprimidas e seus sintomas e queixas seja no contexto familiar, social e do meio de trabalho.

Bem vindos à ética do pensar e do desejo...