terça-feira, 22 de abril de 2008

"Vocação para a Felicidade"

Vocação para a Felicidade
Carlos Drummond de Andrade

Não escreverei versos chorosos
cantando tristezas
infinitas,
amores impossíveis, saudades dolorosas,
paixões trágicas e não correspondidas.
Tenho a vocação para
a felicidade.
Ser feliz não me traz sentimento
de culpa.
Não preciso da tristeza
para justificar a
inutilidade da vida.

Não preciso morrer e ir ao céu para
encontrar a felicidade.
Quero-a e tenho-a neste espaço
terreno do
aqui e do agora.
A felicidade, tal e qual,
o amor está dentro de mim e
transborda em ternuras, em
melodias, em carinhos, em alegrias,
em cantos e encantos.
Sou feliz e não preciso me justificar.
Sorrio sem ver passarinho verde.
Não tenho medo de ser feliz.
Faço minha estrela brilhar
sem receio dos encontros, desencontros,
encantos e desencantos
que o amor me diz.

Contrariedades?
Eu as tenho!
E quem não as tem na vida secular?
Escassez de dinheiro?
Nem é bom falar.
Amores não correspondidos?
Separações?
Rejeições?
Saudades incuráveis?
Carinhos reprimidos, ternuras
guardadas, sem a contra parte do outro? Eu tenho aos montões.
Sou a rainha das perdas,
necessárias ao
meu crescimento.
Contudo quem não soube a sombra
não sabe a luz.

E num livro de matemática
existencial juntei todos esses problemas insolúveis,
com as respostas nas últimas páginas.
Mas pra que me debruçar sobre eles,
procurando a solução
se a própria vida me conduz a resposta final?
Sem medo de ser feliz vou por aqui e por ali...
Por onde os caminhos, as trilhas, os atalhos me levarem, traçando meu rumo.
Às vezes com alguma tristeza
mas quem disse que felicidade
é o contrário de tristeza?
Tristeza é só uma
momentânea falta de alegria!

É, amigo, amanhã
é sempre um novo dia
e quando a infelicidade
passar por aqui,
minhas malas estarão
prontas
para eu ir por ali.

quarta-feira, 9 de abril de 2008

" A diferença entre amor e paixão" - Psicologia

 
"A diferença entre amor e paixão"


    Uma grande amiga tinha vivido, durante três anos, um relacionamento muito
turbulento cheio de ciúmes, términos e voltas súbitas.
 
Onde o sofrimento era maior do que a  felicidade.
Onde o ciúme imperava.
 
Onde a insegurança era maior do que a certeza.
E como não podia ser diferente, a história chegou ao fim.
 
No auge do seu sofrimento ela me disse que a vida sem ele não tinha mais graça e
que nunca mais iria amar outra pessoa! 
Foi aí que eu perguntei se o que ela sentia por ele era amor de verdade ou uma daquelas
paixões avassaladoras que nos deixa sem rumo, sem chão, sem visão, sem identidade e
 que nos faz passar a gostar mais do outro do de nós mesmos.
Ela me respondeu, com toda certeza do mundo, que era amor verdadeiro.
 
Aquela resposta não me surpreendeu em nada, pois
quem nunca teve um relacionamento como este tão avassalador? Quem nunca cometeu uma loucura
por alguém por achar que aquela era pessoa da sua vida?
 
Quem nunca abriu mão do que mais gostava pra viver o que o outro mais gostava?
Quem nunca achou que se ele ou ela te deixasse a vida não valeria mais a pena?
 Muitas pessoa costumam acreditar que  isto é amor.
 Mas definitivamente não é.
 E digo com conhecimento de causa.
 Existe uma grande diferença entre paixão e amor.

   Paixão é euforia, amor é calmaria.
Paixão é rápida, amor é duradouro.
Paixão é súbita, amor é progressivo. Paixão é agressiva, amor é delicado.
Paixão é vendaval, amor é brisa. Paixão destrói, amor constrói.
 
Paixão vinga, amor perdoa.
Paixão é doença, amor é saúde. Paixão é dor, amor é alívio.
Paixão é dúvida, amor é certeza.
 Paixão é loucura, amor é cura.
O amor faz a gente
querer ser mais, querer aprender mais para poder trocar
com quem amamos novas lições de vida.
O amor ajuda a superar dificuldades enquanto que a paixão cria obstáculos.
A paixão é totalmente egocêntrica, passional, escandalosa.
 
O amor é cuidadoso, atencioso e cúmplice. Ele nos faz acreditar que a felicidade não está nas
mãos de outra pessoa e sim nas nossas mãos.
 Que só podemos ser felizes com alguém se conseguirmos ser felizes com nós mesmos.
    O amor é aceitar que o outro tem defeitos,
que somos diferentes, mas que podemos conviver com estas diferenças,
pois o que atrai duas pessoas é exatamente o que um tem e o outro não.
Há quem acredite que é necessário viver cegamente uma paixão já que as pessoas hoje em dia não se permitem mais sofrer.
 Mas quem disse que quem ama não sofre, não chora, não erra, não sente ciúmes e não se decepciona às vezes.

    Apesar da paixão ter mais contras do que prós em relação ao amor
ainda acho que não há vida sem um pouco de paixão. Portanto o melhor seria viver a
 vida apaixonadamente para
que possamos ter um amor de verdade!!!



autora: Dani Duarte

quarta-feira, 2 de abril de 2008

"Os Quatro Fantasmas"

"Os Quatro Fantasmas"
Martha Medeiros - Escritora e jornalista - RS

 

Só convivendo amigavelmente com a finitude,
a liberdade, a solidão e a
falta de sentido da vida é que conseguiremos
atravessar os dias de forma mais alegre.
Leiga, totalmente leiga
 em psicanálise, é o que sou.
Mas interessada como se dela
dependesse minha sobrevivência.
Para saciar essa minha curiosidade,
costumo ler alguns livros sobre
o assunto, e acabei descobrindo
 (não lembro através de qual autor, sinto muito)
as quatro principais questões que
assombram nossas vidas e que
determinam nossa
sanidade mental.

São elas:
1) sabemos que vamos morrer;

2) somos livres para viver como desejamos;

3) nossa solidão é intrínseca;

4) a vida não tem sentido.


Basicamente, isso.
Nossas maiores angústias e dificuldades
advém da maneira como lidamos com nossa finitude,
 com nossa liberdade, com nossa solidão
e com a gratuidade da vida.
Sábio é aquele que, diante
dessas quatro verdades, não se desespera.
 Realmente, não são questões fáceis.
A consciência de que vamos morrer
talvez seja a mais desestabilizadora,
mas costumamos pensar nisso
apenas quando há uma ameaça concreta:
o diagnóstico
de uma doença ou o avanço da idade.
As outras perturbações são mais corriqueiras.
Somos livres para escolher
o que fazer de nossas vidas,
e isso é amedrontador,
pois coloca a
responsabilidade em
nossas mãos.
A solidão assusta também, mas sabemos que
há como conviver com ela: basta que a
gente dê conteúdo à nossa existência,
que tenhamos uma vontade
incessante de aprender, de saber,
de se autoconhecer.
 
Quanto à gratuidade da vida,
alguns resolvem com religião,
outros com bom humor e humildade.
O que estamos fazendo aqui?
Estamos todos de passagem.
Portanto, não aborreça os outros
e nem a si próprio,
trate de fazer o bem e de se divertir, que já é um
grande projeto pessoal.
Volto a destacar: bom humor
e humildade
são essenciais
para ficarmos em paz.
Os arrogantes são os que menos
conseguem conviver com a finitude, com a
liberdade, com a solidão e com
a falta de sentido da vida.
Eles se julgam imortais, eles querem ditar
as regras para os outros,
eles recusam o silêncio e não vivem sem aplausos
 e holofotes,
dos quais são patéticos dependentes.
A arrogância e a falta de humor
 conduzem muita gente a um
sofrimento que poderia ser
bastante minimizado: bastaria que eles
tivessem
mais tolerância diante das incertezas.

Tudo é incerto,
a começar pela data da nossa morte.
Incerto é nosso destino,
pois, por mais que façamos escolhas,
elas só se mostrarão acertadas ou
desastrosas lá adiante, na hora do balanço final.
Incertos são nossos amores,
e por isso é tão importante
sentir-se bem mesmo estando só.
Enfim, incerta é a vida e tudo o que ela comporta.
Somos aprendizes, somos novatos, mas beneficiários
de uma dádiva: nascemos.
Tivemos a chance de existir.
 De se relacionar.
De fazer tentativas.
O sentido disso tudo?
Fazer parte. Simplesmente fazer parte.
Muitos têm uma dificuldade tremenda
em aceitar essa transitoriedade.
Por isso a psicoterapia é tão benéfica.
Ela estende a mão e ajuda a domar
nosso medo.
Só convivendo amigavelmente com
esses quatro fantasmas
- finitude, liberdade, solidão e falta de sentido da vida
- é que conseguiremos
atravessar os dias de forma
mais alegre
e desassombrada.
****
 
 
Muita Paz e Bem !!!
 
 
Luiz_Psycneurosciense_FRC
02/04/2008

                                                                                                                             

terça-feira, 1 de abril de 2008

ENTRE NESTE NOVO MUNDO - ÓTIMA REFLEXÃO

 
 
ENTRE NESTE NOVO MUNDO

ESTAS DEFESAS NOS PROTEGEM?
J.A. GAIARSA - Psiquiatra e Escritor
Acho que acontece o contrário; defendemo-nos de coisas excelentes,
fabricando uma casca protetora, verdadeira couraça..
 
Todos criamos cascas protetoras, para nos defender dos outros.
 
Bichos cascudos têm pouca mobilidade, e machucam os outros.
 
Uma velha tradição diz que o ser humano faz tudo para ter prazer na vida, e evitar a dor.
 
Verdade?

Normalmente não procuramos demonstrar o amor que sentimos, quando amamos.
 
Amor é ruim? Feio? Dói?

Também evitamos o choro, mesmo quando a vontade é grande.
 
Choro é feio?
 Dói?

A mulher e o homem apaixonados se encontram.
Tem vontade de pegar um na mão do outro, afagar o cabelo, abraçar, olhar nos olhos, puxar o nariz, brincar de faz de conta, manifestar ternura, contentemento, alegria, felicidade.
 
Mas em geral não fazem nada disso.
 
Tolhem os gestos mais espontâneos e ingênuos, que não são feios nem doem.
Dariam prazer?

De fato (e INFELIZMENTE) na hora das coisas boas ficamos cheios de dedos.
 
Não sabemos senti-las, muito menos nos entregar a elas.
E usamos desculpas para esconder nossa incapacidade. Dizemos:
- Não estava na hora.

- Ele não é a pessoa certa.
- O lugar não era adequado.
- O que iriam pensar?
- Não devo, não sou dessas.
Verdade que procuramos prazer
e evitamos a dor?

Acho que acontece o contrário; defendemo-nos de coisas excelentes, fabricando uma casca protetora, verdadeira couraça.
 
Os psicanalistas a chamam de defesa psicológica ou mecanismo de fuga ou proteção?
Toda casca faz do indivíduo um especialista?
 
Ele sempre responde as incertezas do mesmo jeito.
 
Por isso, torna-se muito capaz numa direção, e incapaz na outra.

Alguns exemplos: o desdenhoso sabe desdenhar espetacularmente, mas sua habilidade termina aí. O orgulhoso é especialista em colcar-se acima das coisas, e incapaz de vivê-las.
 
 O gozador tem grande capacidade em rir de tudo, porém, não sente nada de importante, já que tudo é risível. O sério julga o mundo sério demais e achata a vida.
 
Não sabe rir.
O displicente não leva nada a sério, então, não há nada que lhe interessa.
 
A ingênua diz com espanto nos olhos que tudo é novo, mesmo acontecimentos velhos de muitos anos. E não se enriquece com acúmulo das experiências.
 
O cobrador vive exigindo que as pessoas cumpram sua obrigação, com isso elimina a possibilidade (e risco) das respostas espontâneas.

O desconfiado está sempre desconfiado e afasta as coisas boas que interpreta como malévola.

A eterna vítima é técnica em queixar-se, portanto não se arrisca a viver uma situação agradável.
 
O Don Juan transforma a vida numa caçada à mulher, porém é incapaz de amar alguém.

O falador interminável teoriza sobre tudo e não vive, a vida é um dicionário.
 
Esses são só alguns exemplos de cascas. Pois há tantas....e todas dificultam a vida. Como se fossem óculos escuros, impossibilitando a visão do arco-iris.

O cavaleiro medieval, armado de imponente armadura, investe contra o índio nu. Casca e não casca. Quem vai ganhar?

Se for preciso passar por uma ponte estreita (ou seja, por um momento difícil) é quase impossível manter o equilíbrio com a armadura.
 
O índio ganha se surgir um perigo inesperado; como é que o cavaleiro se defenderá? Ele só sabe fazer as coisas de um jeito (é um especialista).
 
O índio ganha.
Se acontecer um empurrão (isto é, se as pressões sociais forem muitas), o cavaleiro não resiste e cai. O índio ganha.

Além disso, durante todo o tempo da luta, o encouraçado tem a respiração deficiente. Em conseqüência disso, ele pensa, sente e se mexe mal, pois a casca feita, na verdade, por tensões musculares que prendem, como uma roupa apertada, inibe todas as expansões.

Voltando aos exemplos, como o cavaleiro encouraçado, o desdenhoso, a vítima, o orgulhoso e os outros cascudos, especializados em suas defesas se movem, respiram, se sentem mal, vivem mal. Todo bicho muito cascudo,tartaruga, besouro, morre quando cai de costas.
 
Seria bom aprender esta lição. A casca oprime, limita e sufoca. Nos torna burro em todas as reações que fogem a nossa especialidade. Nos deixa tenso e sem reações de forma que deixamos a vida passar sem ralmente vivê-la, como se passa o tempo.


Autor:Dr.  José Angelo Gaiarsa - Psiquiatra e Escritor