domingo, 30 de novembro de 2014

Psicanálise é a ciência da Libertação Humana

“A psicanálise é, para mim, a ciência da libertação humana. 

Quem fala em liberdade humana fala sempre em comunicação e encontro. 

A psicanálise é,  portanto, a ciência da comunicação e do encontro. 

O trabalho psicanalítico visa a construção de um encontro entre duas liberdades. Isto significa que a psicanálise visa o encontro entre duas pessoas, já que o centro da pessoa é a liberdade.

 Não há liberdade sem abertura ao Outro, sem consentimento na existência do Outro como tal e enquanto tal.
 

Os distúrbios emocionais podem ser conceituados como limitações estruturais dessa abertura, implicando uma perda em disponibilidade com respeito ao Outro.
 

Se minhas ansiedades básicas exigem de mim que faça do Outro um instrumento do meu esquema de segurança,  já não posso aceitar o Outro em sua essência de ser-outro.
 

Vou inventá-lo à imagem e semelhança de meus temores, torno-me o eixo da referência ao qual o Outro deve referir-se e submeter-se.

A psicanálise, sendo um longo convívio humano antiautoritário, é um chamamento à liberdade e à originalidade do paciente e do analista, para que ambos assumam a alegria da comunicação autêntica”.
 

 O Outro é o que importa, antes e acima de tudo. 

Por mediação dele, na medida em que recebo sua graça, conquisto para mim a graça de existir.

É esta a fonte da verdadeira generosidade e do autêntico entusiasmo:  Deus comigo.

 O amor ao Outro me leva à intuição do todo e me compele à luta pela justiça e pela transformação do mundo. 

*Hélio Pellegrino era Psicanalista  ( in memorian)


Nasceu em Belo Horizonte, em 1924 e morreu no R.J em 1988. Foi Psicanalista , Escritor e Poeta brasileiro, célebre por sua militância de esquerda e por sua amizade com os  Fernando Sabino,  Paulo Mendes Campos  e Otto Lara Rezende.

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Gostar de Sofrer.
O psicanalista declara: -“O sujeito goza em seu sofrimento”.
O povo traduz: - “As pessoas gostam de sofrer”.
 Todo mundo sabe disso, usa a expressão com frequência, mas acha que é brincadeira por não ser possível, em sã consciência, alguém gostar de sofrer.

E, no entanto, isso é muito comum.
Como ninguém quer dar recibo, nem para si mesmo, do seu gosto do sofrimento, acaba incorrendo em uma prática dolorosa.
Não querendo ser descoberta, a pessoa intensifica suas queixas e dores para melhor justificar seu momento sofredor.

Assim, aquela que sofre pela velhice de um parente próximo, ou de uma doença grave, ou de uma perda importante, a cada dia, se surpreende com esse fato, como se fosse algo novo.

É um modelo geral que se aplica às mais diversas situações da vida.
Isso explica, em parte, o crescimento do diagnóstico de depressão.  Estamos vivendo uma epidemia de depressão.
A pessoa não está muito bem, anda triste, esquecida, dorme mal ou dorme muito, lá vem a explicação: está deprimida.

Entre não saber o que tem e aceitar um rótulo que todo mundo compreende e respeita, a pessoa se agarra ao segundo.

Assim foi com Maria. Ela não poderia ter outra coisa se não estar deprimida.
Com distrofia muscular nos braços e nas pernas, andando em cadeiras de rodas e dependente do seu marido cheio de saúde, o diagnóstico estava pronto só faltando o psiquiatra-psicanalista avalisar, medicar, e explicar como ela deveria melhor se resignar a seu estado depauperado. 

Mas não foi nada disso que ocorreu.

Na primeira consulta entraram os dois, Maria e seu marido. Era um homem de forte envergadura, vistoso, contrastante com o estado e o aspecto de sua mulher. Começada a entrevista, Maria mal falava, nem mesmo levantava a cabeça.
O analista perguntou se ela queria que o marido se retirasse. Ela não respondeu.
Ele, o marido, repetiu a pergunta. Frente ao insistente silêncio dela, afirmou o analista: - “Sim, ela quer que o senhor se retire”. Surpreso, ele saiu. Ato contínuo, ela levantou pela primeira vez a cabeça e declarou:
 - “Doutor, como é que alguém pode estar bem com um traste desses do lado?”. Começou a se queixar do traste que a cansava, pois, medroso de andar sozinho, a forçava a acompanhá-lo em suas visitas de vendedor.

Solicitada a contar a história de seus relacionamentos amorosos, com cara de desalento, explicou que aquele homem era o seu segundo marido e que tinha se separado do primeiro, pelo fato do anterior ser um traste maior ainda.

A repetição da nomeação “traste” levou à pergunta se o seu problema não seria a “trastite”, ou seja, a escolha repetitiva de trastes como objetos amorosos.

Ela abriu um sorriso radioso de confirmação do sintoma e vontade de falar a respeito. Seu tratamento começou assim, bem distante do sofrimento padronizável.

Moral da história: muitas pessoas se aferram a um sofrimento de alto valor social, para se justificarem em suas dificuldades.

Por isso gozam no sofrimento, perdendo a sua singularidade.

Cada um de nós chora ou sorri por detalhes irrelevantes aos olhos dos outros. Difícil é reconhecer e sustentar isso.

Dr. Jorge Forbes é Psicanalista e Escritor


Fonte consultada:Artigo publicado na revista IstoÉ Gente, julho de 2014.

terça-feira, 18 de novembro de 2014

Ao encontro do Verdadeiro Amor

“A instância do amor romântico na psicanálise só serve para se devolve-lo a sua origem o Édipo. Esse amor romântico se devolvido ao Édipo poderá resolver-se, solucionar-se lá no insabido. E é isso  é que vai permitir o sujeito em “análise”  se liberte de amores adoecidos e patológicos, livrar-se do seu romantismo imaginário,  narcísico em sofrimento edipiano. Assim após e nesse seu assujeitamento corajoso em sua análise; O amor romântico é  devolvido e tratado, se cura no Édipo. Diríamos que daí para frente o sujeito estaria apto, pronto, forte e independente para construir um ou mais amores no real do seu desejo e não no desejo do “outro”..

Prof. Dr. Luiz Mariano