domingo, 28 de dezembro de 2014

Comer Meleca do Nariz

Comer meleca do Nariz!

Recebi um vídeo pelo watsApp de um estudante de psicanálise no qual uma moça sentada no trem; comia compulsivamente meleca do seu nariz, no qual ele afirma que é um processo autofágico de fixação na fase oral.

Respondi que talvez sim ou talvez não.·.

Na psicanálise coloquial e sem dogmas morais e religiosos, toda a gama de representação de um sintoma não é uma regra geral.

E não serve como um uniforme onde se podem vestir as pessoas de forma igualitária dentro de um processo terapêutico de psicanálise adulta ou infantil para um diagnóstico de juízo de cada um.
Caso estejamos aqui falando de psicanálise ciência do inconsciente humano e não da ciência do comportamento ou das emoções humanas.

Há muito anos atrás dei aula uma escola rural, e meus pequenos alunos e alunas por vez ou outra comiam as melecas, cada um tinha um jeito de comer suas melecas.
Na época observei que comiam melecas, quando se atrasava um pouco o horário do intervalo (recreio) no qual era servida quase sempre uma suculenta sopa dos tempos da ditadura militar nessa escola a sopa era a salvação alimentar e de saúde dessas crianças.

Também tive pequenos alunos e alunas que comiam escondidos giz, chicletes colados debaixo das carteiras ainda de madeiras da época, alguns raspavam com as unhas lasquinhas de madeira ou do barro da parede da escola rural.

Por um lado essa comilança de coisas nada nutritivas e bizarras poderia ser um mecanismo de alivio de alguma ansiedade, medo ou angustia da pobreza e carência alimentar em que viviam essas crianças em seus núcleos familiares.

Mas por outro lado o inconsciente buscava a realização (substitutiva) simbólica para suprir uma emergente carência nutricional ou vitamínica dessas crianças.

Para a psicanálise infantil essa carência nutricional e vitamínica pode sim se iniciar nessas “crianças” já na gestação, na concepção.
Muitas dessas “mães” tiveram má alimentação que foi (alimentação carente em valores) nutricionais e vitamínicos para seu feto, para que seu bebezinho se se desenvolve plenamente saudável em seu útero.

São mães que não tiveram uma maternagem adequada, bem assistida tanto no aspecto alimentar, principalmente no aspecto do acolhimento afetivo familiar, apoio do pai e na época algumas “mães” nem sabiam o que era um pré-natal.

Essas “mães” tiveram seus bebes com essas carências, biopsicofamiliar então o ato de comer meleca em nível do inconsciente poderíamos chamar isso de uma espécie de memória celular neuropsicológica fetal.

Para a psicanálise o bebê ou a criança (sendo adulto) ele vai comer meleca no seu inconsciente, ele come a meleca do nariz na tentativa de salvar a si e a mãe desse perigo da carência nutricional, vitamínica e principalmente a falha de maternagem com acolhimento e toda preparação adequada para a chegada do bebezinho.

Visto que teço aqui meu comentário dentro de uma visão psicodinâmica do inconsciente baseado em minha experiência com a psicanálise infantil.
Não se trata aqui de uma “análise” terapêutica, mas sim de um norteamento por onde caminharia a “análise” de uma pessoa adulta que come melecas e outras coisas bizarras.

Na vida adulta muitos homens e mulheres, meninos e meninas desenvolvem quase sempre algum tipo alérgico, e isso no inconsciente está ligado à rejeição, a fronteiras, os fetos rejeitados na gestação pela mãe se tornam em bebês com algum tipo de alergia.

Nas famílias mais abastadas, lares fartos em alimentação os comedores de melecas foram rejeitados porque deixaram os corpos sarados e jovens das mães fora de forma ou da moda de cada época, ou porque foram muito cedo para as creches ou cuidados das babas entre 0 a 5 anos seguindo aqui o pensamento de Lacan.

Lembrando que estamos falando de “rejeição” inconsciente não necessariamente proposital ou por uma mãe má ou mãe bruxa.

Cada mãe têm seus motivos específicos seja cruel ou não para indesejar a gravidez e a gestação, dentre esses motivos podemos citar alguns a pobreza extrema, falta de apoio e acolhimento pelos familiares, presença de um pai viril para o sexo, mas fraco ou desqualificado para ocupar o lugar de pai que fica além do lugar do macho sexual.

Então com esse indesejo na gestação e uma maternagem falha, juntaremos a isso as tendências; a carga de memória genética de cada um, essa mãe pode sim ter muitos motivos para rejeitar (inconscientemente) esse feto e essa gestação.

Aliam-se também fatores predisposições culturais e de ideias religiosas de cada comunidade ou cultura local.
Por isso dificilmente uma mulher adulta ou moça gostaria desejaria comer meleca em público.

Mas nesse vagão de trem quem come a meleca de nariz não é a bela moça, mas sim a “criança ou o bebezinho que está dentro dessa moça”.
Esse deve ser o norteamento e o olhar da psicanálise; ao acolher um jovem ou adulto nessa situação.

A despeito dos aspectos clínicos, neurológicos e comportamentais, verdade é que para a psicanálise da infância a meleca do nariz nos remete a nossa primeira infância e para alguns autores isso pode vir da gestação.
Existe um significado para comer essas melecas e vários significantes que estão inconsciente, adormecidos e recalcados no na pessoa adulta.

Esses significantes podem ser inclusive ódio recalcado de alguém a quem se deva somente amar, mas o ódio e amor na psicanálise é uma linha muito fina e quase invisível e insabida.

Já tive inúmeros pacientes que relataram coisas bizarras que comiam ou beliscava em seus momentos de estresse ou de situação de carência afetiva que se arremete a busca de socorro inconsciente pela figura da mãe, já que o pai muitas vezes nem sempre existiu dentro da dinâmica; imaginário, simbólico e real.
Dr. Luiz Mariano
Psicanalista Clínico
Especialista Medicina Psicossomática e Neurociência Livre 
Ano: 20 de Atuação Profissional 

sábado, 13 de dezembro de 2014

A FÓRMULA DO AMOR ?

Será que descobrirmos a fórmula do Amor?
A ocitocina é um hormônio que uma vez liberado pelo cérebro com saúde e em saudável ambiente familiar, existe e estimulado tanto em homens e mulheres desde bebês.
Nosso primeiro contato com esse hormônio do amor é com a nossa mãe se inicia na primeira mamada, há pesquisas que ele pode se iniciar ainda na gestação quando a mãe têm uma boa maternagem, bons cuidados afetivos e clínicos durante a gestação e em todo seu pré natal *.
* Numa linguagem psicanalítica é o inicio da sanidade neurótica que é uma saída para o trauma do nascer e viver e a imunização gradativa contra a “psicose” infantil ou na vida adulta.
É na infância com a  estruturação mental psíquica do “futuro sujeito adulto” que se inicia o imaginário (sem linguagem ainda) se constrói o principio do prazer, ou melhor dizendo seja o bebezinho tem sua compensação imediata da vivência e do desconforto de estar fora da mãe e  do trauma do nascimento nas mamadas iniciais;  que deveria ser  um o ato do acolhimento essencial da maternagem liberando assim a ocitocina que vêm compensar esse desconforto simbólico de se estar fora da barriga da mãe.  
A ocitocina não vende em farmácia; mas seu benefício positivo para a saúde tanto física quanto mentalmente depende de cada sujeito. O lançamento da ocitocina no corpo promove fortes vínculos nos relacionamentos; pessoas com dificuldades repetitivas de vínculos afetivos têm mais cortisol no sangue que ocitocina; e descobre-se muito isso indo às sessões de análise voltando a primeira infância.
É uma boa sensação hormonal e uma vez libertados a partir do cérebro, as suas vantagens podem ser sentidas durante até duas semanas.
Embora sem comprovação clínica ou ainda científica se sujeitar a fazer psicanálise (ir para setting psicanalítico) pode abrir caminhos para liberação da ocitocina do sujeito em análise. O excesso de cortisona usada para bloquear as revivências de traumas da infância, maternagem e gestação de extrema carência afetiva e de assistência a saúde da mulher futura mamãe.
Para quem é obsessivo compulsivo ao extremo, tem algum tipo t.o.c, mania de limpeza ou mesmo uma leve mania de perfeição a imagem acima do piso é de adoecer veja se descobre.
Os pensamentos repetitivos, t.o.c., manias, ciúmes ou vivência de algum relacionamento de muita carência afetiva e patológica; libera uma descarga de cortisona em nosso organismo.
A ocitocina afeta nossa saúde e funcionamento do cérebro descrevo algumas não médicas e não clínica de como aumentar os seus níveis de ocitocina.
Como já sabemos os níveis de ocitocina no organismo são secretadas a partir do cérebro após o nascimento da criança e, particularmente, quando a mãe está amamentando em ambiente de acolhimento, paz e saúde.
O hormônio cria laços fortes entre a mãe e o bebê. * ver (Psicanálise Infantil)
Tanto a mãe quanto o pai ao sentir amor, carinho e cuidado para com o bebê e inicia-se espaço para ação e benefícios desse hormônio no cérebro.
A Ocitocina reestrutura neurotransmissores no cérebro criar mudanças positivas.
Muitos alegam que esse é o hormônio do “Amor”.
Talvez seja uma forma “clínica de se tipificar o amor.
Em minha opinião não é necessariamente o hormônio do: “Amor” até porque existe uma sabedoria psicanalítica para o amor em análise.
Mas a ocitocina é o hormônio que produz bem estar (prazer), talvez ele sim nos leve a termos condições de amar desinteressadamente algum dia sem sentir a falta.
Embora tenha sido muitas vezes referido como o hormônio do amor; porque a sua presença estimula boas e positivas relações familiares, sociais e de trabalho os sentimentos de respeito, amor, atração, carinho, proteção, bondade, excitação e cria boas relações entre familiares, amantes e amigos.
 A oxitocina é eficaz em reduzir os níveis de estresse, uma vez que reduz os níveis de cortisol que ocorrem naturalmente no corpo em nosso dia-dia ou desde nossa gestação e o nascimento.
O cortisol é liberado durante períodos de estresse e é responsável por nos fazer sentir desconfortáveis e com mal estar geral
Durante períodos de estresse.
O estresse faz com que nosso sistema imunológico abaixar e a falhar o que muitas vezes leva à doença após longos períodos de níveis de estresse elevados, longos períodos de muito cortisol.
Oxitocina neutraliza cortisol, diminuindo o seu volume no sangue, reduzindo assim os seus efeitos sobre o corpo, mente e de maneira geral estabiliza ou melhora a saúde.
Oxitocina também reduz a pressão sanguínea, que pode ser útil na prevenção de doenças cardíacas e outras patologias.
A ocitocina não está disponível como um medicamento de prescrição no presente.
Há estudos científicos no exterior realizados em ratos descobriram que a ingestão de comprimidos ou injetando a ocitocina tem um efeito muito curto prazo, antes de serem eliminados do corpo, também paliativamente sprays nasais foram também utilizados, mas novamente os efeitos são de curto prazo e, possivelmente, prejudicial.
A melhor fonte de ocitocina é segregada a partir do próprio cérebro.
Na seqüência cito alguns estimulantes naturais e sem contra-indicações que podem levar seu cérebro a maior liberação de ocitocina de forma natural:
Fazer caminhadas.
Se sujeitar a alguma psicoterapia ou mesmo a análise como um investimento para se conhecer-se melhor a si mesmo, aprendendo a lidar e conviver melhor com o “outro”
No caso das mulheres há possibilidade de amamentar seu bebê.

Na relação sexual prazerosa: A ocitocina é liberada durante o orgasmo, que é responsável por isso sentimos o arrebol quente que experimentamos depois do sexo há um aumento da ocitocina no corpo para duas vezes o seu nível normal.
Comer alimentos de conforto: Comer sua comida favorita, como chocolate, sorvete ou qualquer refeição que você realmente gosta vai liberar ocitocina
Ser gentil com os outros: Esse sentimento que você começa a sentir é quando você consegue ter dito ou feito algo de bom para outra pessoa de forma desinteressada e fraterna isso é devido à liberação de ocitocina.
Ter contato físico com os outros, como um abraço carinho, beijando e tocando todos a promove a liberação da ocitocina.
Massagem: Durante o relaxamento muscular e toque, a ocitocina é liberada.
Cercar-se de amigos aumenta a ocitocina, uma pessoa hostil e negativa diminui ocitocina.
Meditação ou Oração de acordo independente da religião ou fé de cada um: Meditar ou Orar diariamente aumenta a ocitocina principalmente quando temos mais a agradecer que pedir.
O tratamento com medicina alternativa tem sido comprovado para aumentar os níveis de ocitocina, que é por isso que pode ser tão eficaz em algumas pessoas como um tratamento para doenças. Embora desaconselhável ignorar exames clínicos periódicos e recomendações médicas
Havendo ocitocina no sangue há um efeito calmante sobre o corpo, isso tem sido usado em estudos científicos para reduzir os efeitos de abstinência experimentados por ratos sejam viciados em heroína, morfina, cocaína e metanfetamina.
Dependentes químicos ou alcoólatras são carentes de afeto infantil e amor.
A ocitocina reduz cravings que suprimem o apetite, levando à perda de peso.
Sua ansiedade o hormônio bodys antidepressivo natural.
  Quanto mais você dá, mais você recebe.
Ocitocina pode ter um efeito profundo sobre como você se sente e como você vê o mundo.
Ao se relacionarmos com os outros, o ser gentil e carinhoso é a chave para se sentir bem e prolongar a vida com sanidade e saúde.
A capacidade do cérebro a liberar a ocitocina é a chave para saúde, sanidade e viver uma vida com tempos com mais saúde e felicidade.

Prof. Luiz Mariano
M. D. Psicanálise Clínica Institucional
 Especialização Neurociência e Psicossomática

 "O Homem se esquece, a mulher se lembra de tudo, por isso amar é para aqueles que sem lembram um do outro, mas são esquecidos, re-significados muitas coisas que um fez ou deixou de fazer ao “Outro."

 Dr. Luiz Mariano