sexta-feira, 31 de outubro de 2014

O Desamor do Amor

“O DESAMOR DO AMOR.”


O evitar amar de novo, ou mesmo errar sempre no amor não é azar e nem é evitar envolver-se de novo para não sofrer novamente.
Isso pode-ser uma defesa, preservação e resistência que ao longo do processo analítico vai se descobrindo a quanto a pessoa pode estar sendo prejudicada e afetada em sua qualidade de vida e prazer por ter essa questão não resolvida.

Essa sutil defesa e preservação só serve para não tirar o  sujeito de sua imobilidade em seu narcisismo primário e ostracismo edipiano inconsciente.

A psicanálise é essa ciência arte do inconsciente que cria a possibilidade de tirar-nos de nosso ostracismo de modelos de relacionamentos ruins com a descoberta da pérola interior do amor de cada um de nós.

Nas neuroses há sempre uma  busca incessante e insatisfeita para o  tamponamento por figuras parentais e de vivências edipianas e  berçarias, é desse contexto que surge futuramente vários modelos de relacionamentos  na vida adulta com histórias de sofrimentos, ressentimentos repleto de repetições e processos de somatizações.

O amor do narcísico apenas necessita do semelhante para se re-afirmar em seu imaginário; como macho ou como fêmea, e isso para ele (ela) é tão importante para si; Saber o quanto é belo ou bela, *só não sabe porque e para quem ? * (complexo de Édipo)

O amar de um narcisista é um tanto quanto é auto-suficiente, orgulhoso.

E nesse caso o semelhante ou próximo é um mero mecanismo de me permitir ver a mim mesmo em duplicidade. (reforço) é uma tentativa de tamponar.

O Amar ou conviver com um narcísico (a) é mergulhar nesse lago e se afogar em sofrimento enquanto o amado (a) fica apreciando seu corpo, vaidade e pretensa beleza eterna vendo apenas seu  próprio reflexo e sua temporal.

Enquanto o Édipo e o narcisismo primário não estiverem curados, resolvidos terapeuticamente de alguma forma, não há nenhuma garantia de que a relação amorosa por mais que seja prazerosa e saudável que dure sem adoecimento ou desgaste emocional que a remete sempre a questões narcísicas e edipianas não fechadas e não resolvidas.

O narcísico gosta tanto de si que o ódio dele vai em direção ao semelhante disfarçado de muita educação, cuidado e sedução menos amor.

Sabe-se que não há prazer que valha a pena e que resista a crise transferencial negativa de um Édipo mal resolvido, não fechado dentro de um relacionamento a dois e quem dirá isso no clã familiar.

Os possessivos e ciumentos, fazem suas transferências edipianas e parentais que são de ordem de sofrimentos e somatizações terríveis quando não terapeutizadas e ressignificadas. 

O amor do narcísico é uma ferida aberta, e eis que ao mesmo tempo esse eu deseja a cura pelo amar, ele repugna o semelhante porque a cura lhe vai tirar de sua cegueira da beleza eterna que espera por alguém faltante ou faltoso no fechamento do édipo.

Esse “ostracismo” emocional narcísico só se permite enxergar a sua verdade; Só ele tem valor e só ele (a) se reconhece na relação em seu próprio ostracismo; e sempre usando o seu semelhante.

É tal como uma ostra que desconhece qual é o valor da sua pérola, porque vive sempre só olhando para si,  achando que é a única pérola do mundo,  desvalidando todas outras possibilidades de alguém amar além de si.
  
Para Lacan o inconsciente é o pensamento e a ação do “outro” por isso na tentativa de amar sempre há uma preocupação em controlar o que o “outro” pensa desse amor.

O gozo real só existe na instância do imaginário e não existe (sem a intervenção analítica) a possibilidade de um significante desse gozo.

No anseio neurótico de amor as pessoas se apaixonam, se casam, descasam e casam de novo porque acreditam em crenças e valores tais como Deus, valores morais e princípios que nos levam a essa busca desse êxtase maior., por não conseguir permanecer em seu labirinto neurótico sem a referência do “outro”. 

O amor é algo que deveria nos levar para além do pensar si, essa sensação de presença mágica de amar nos torna sujeitos únicos de desejos insatisfeitos, anseios e individualidade que quando não ressignificadas  e não valorizadas torna-nos  escravos e adoecidos de um amor patológico de algo  faltante que não sabe o que lhe falta.

Prof. Luiz Mariano M.D.
Ano: 20