quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012


Desistir ou Desejar
Porque desistimos ou não insistimos naquilo que iniciamos ou “desejamos”?
Você já se fez essa pergunta alguma vez?
Por que sempre desistimos das coisas que queremos tanto fazer ou mesmo que quero conhecer, cursar, trabalhar, viajar ou mesmo programar novas mudanças em minha vida.
E o que ainda é pior alguns quando estão a ponto de ter o seu “desejo” realizado simplesmente perdem o interesse, desistem e na maioria das vezes nem se preocupam com o tempo que “urge”.
Estamos refletindo aqui algo muito sério, como as pessoas chegam aos seus desejos ou desistem do mesmo como uma sinalização de “desconhecer-se a si mesmo”.
Psicanaliticamente dizendo grande parte de nós “desconhecemos” de fato nosso verdadeiro “Desejo” ou quando nos aproximamos do da meta do “desejo” disparamos algum “mecanismo de defesa e alguma instância de resistência que nos “afasta” do verdadeiro “meu” “Desejo”.
Isso tudo ocorre num plano inconsciente, onde enviamos um comando para não mudarmos nada, e muitos passam a viver uma vida de “desistências” e de “auto-sabotagens” a si mesmo.
Dependendo desta relação e de como nos “neurotizamos” nisso a nossa vida se torna um tormento ou mesmo prazer que explicita as nossas pulsões mesmo que seja de “tânatos” “morte” segundo Freud.
Desviar-se da rota, dos sonhos na maioria das vezes nem a própria pessoa “desistente” compreende ou entende por que disso.
A mesma faz tudo num processo quase que “automático sutil” onde nisso se auto - pune e se auto-sabota o tempo todo.
Alguns usam isso para obter algum ganho “secundário” e subliminar de afeto.
Exemplo o homem que se interessa por uma mulher e quando a tem ele já não sabe se ela é tão interessante assim como imaginava ser.
Muitos “Desejos” estão no mundo da “fantasia” e não no plano real de existência e de compromisso com meu afeto.
O Desejo é complexo, e quando “desejamos” na maioria das vezes idealizamos uma fantasia de mim “sujeito” desejante se realizando somente na presença de um “outro”.
E nem sempre minhas fantasias, “desejos” fazem parte do inconsciente e da individualidade desse “outro” e o pior esqueçamos esse “outro imaginário” também é um ser “desejante” e pode possuir individualidade e desejos também.
Quando se deseja ter um corpo mais saudável e achar que isso seria muito recompensador, mas você se vê fazendo tudo contra seu suposto “desejo”.
Uma moça que quer ter um relacionamento sério, mas se coloca para os homens de uma forma vulgar o que acaba atraindo tudo menos o tal compromisso que ela diz querer “desejar” tanto.
Por que o nosso desejo é tão almejado, e ao mesmo tempo temos atitudes que mal compreendemos que nos distanciam desse objeto desejo?
Será o medo de ser feliz? Ou submerso no “inconsciente” qual desconheço meus recalques, desconheço meu Édipo e por isso vivo uma vida de “desistências” e auto-sabotagens.
Queremos a felicidade, mas ela parece correr sempre na frente!
Ou mora num mundo invisível e inacessível.
Desejar não é tão simples assim, depende da estrutura da sua personalidade, da solução que dei ao meu Édipo.
Será que me conheço o suficiente para ser capaz de enfrentar desafios da vida sejam as perdas, “perdões” ou ganhos, de ordem emocional, familiar, social.
Ir ao encontro do que você diz querer tanto é importante. Faz-nos seres “gregários” mais humanizados, nos faz amadurecer e evoluir.
Porém só atingimos isso se nos “conhecemos a si mesmo”, ou melhor, dizemos se já mergulhamos em nossos conteúdos latentes “inconscientes”.
A estrutura “psíquica” de nossa personalidade que é “inconsciente” faz nós desistirmos dos “desejos” e usamos diversas estratégias para isso.
Na desistência inscrevo a “catexia” do afeto no corpo ou no comportamento.
Assim “adoeço-me” na medida em que me “permito” no adoecer.
Puno a mim e me auto-saboto, desisto de tudo.
O corpo adoece na catexia da emoção do afeto, da fala que não flui ou permite reelaborar a angustia, a aflição.
Seria mais ou menos assim!
- Ou você desiste no meio do caminho se distraindo com outras coisas de menos importância.
Ou faz pior quando tem a tal coisa desejada começa a desdenhá-la, porque talvez de fato não conheça e nem se situa como ser “desejante” que veio para a vida adulta como uma estrutura de personalidade bem resolvida em suas culpas, recalques e conflitos no Édipo.
A pessoa que nunca alcança o seu “Desejo” ou o desdenha quando o pega nas mãos se sente sempre infeliz, têm a sensação é que falta sempre algo.
Há uma sensação de enorme vazio.
E como nós “Humanos” temos dificuldade para lidar com os “vazios” e com a solidão, nos punimos, deprimimos, adoecemos até para ir se mortificando para novas experiências, novo amor, nova casa, novos relacionamentos etc.
Esse assunto por mais que se tente simplificá-lo é extenso e digno de estudo e análise fielmente continuada.
A pergunta é se isso acontece isso com você com qual freqüência?
Continue indo ou vá ao analista, evidente que não existe garantia de felicidade para sempre em lugar algum do mundo, seja em família, religião ou trabalho, mas a psicanálise é uma via segura de nos conhecer e descobrir que somos muitos mais fortes que “fracos e oprimidos”.
Não há lugar algum do mundo no qual poderemos ser mais feliz ou menos infeliz, se a instância da felicidade não vier de dentro de cada um.
A psicanálise é um caminho para nos conhecemos “Melhor” e quando nos conhecemos melhor, conseguimos transitar com mais liberdade, saúde e sanidade emocional nas relações entre o meu “eu” e o “outro” ou tantos “outros”.
Respeitar as diferenças com tolerância, respeitar a individualidade sem querer mudar o “outro”. Primeiro me reposicionar é somente assim, conseguiremos realizar nossos sonhos e transitar pela busca realização da perpetuidade do nosso constante “Desejo”.
Dr. Luiz Mariano
Doutor e Mestre em Psicanálise pela EPCRJ-RJ
American Word UniversityU.S.A. / UK Psychoanalytical Society-London
Procurador do IBF vinculado ao Ministério da Justiça – MJ