sábado, 5 de março de 2011

Conflitos Conjugais

A vivência e o tempo de cada relação “conjugal” fazem com que os laços afetivos fiquem bem enraizados e pré-estabelecidos até por razões inconscientes e da necessidade sutil de transferência de nossa infância ou vida uterina para o conjugue.

Nós achamos que amamos, mas na realidade não “amamos” na maioria das vezes apenas nos “apaixonamos” pela nossa fantasia ou ideação de amar.

Na fantasia, ou ideação afetiva algumas mulheres e homens se apaixonam por aquele que complemente a sua carência de amor.

Nessa arte e tentativa amar; os nossos desejos reprimidos e traumas da infância segundo Freud; tenham sido eles realizados ou não terão grande influência em nossas relações com o “outro”.

Assim, o outro praticamente fica com a responsabilidade às vezes que até “cruel” de nos tornar felizes nas 24 horas de cada dia.

O outro fica responsável por satisfazer a minha necessidade de ser amado (a) para assim mais ter amor e alegria que sentir. Até porque se tratando de Amor o “ter” vem de “fora” é paixão e o sentir o que vêm de “dentro” é amor.

Muitas vezes os conflitos conjugais de grande maioria dos casais é apenas um perpetuar do “passado de cada um” e nisso pode se construir mais ausência de fronteiras da realidade presente.

O casal entra nesse jogo de complementação. Sem se dar conta, de que a paixão confunde o “eu” e o “tu”, ameaçando a identidade, a individualidade de ambos.

A nossa estrutura psíquica “inconsciente” parece ficar estática por algumas repreensões e traumas da infância. “Muitos de nós paramos na Infância” mesmo sendo hoje adulta nossas neuroses e questões da infância estão no inconsciente.

Assim o casal cria um “espaço” próprio “individual” onde cada um sente o outro como “um pedaço de si”. Ficando encarregado de perpetuar e realizar seus sonhos antigos e frustrações.

Este “espaço” fantasmagórico meio que afetivo imaginário é também um meio neurótico exposto às 24 horas do dia à inúmeros riscos. Onde se houver os sentimentos de rompimento de confiança e decepção serão iminentes, caso o “outro” não corresponda às expectativas que nele foram projetadas ou fantasiadas.

As Fantasias estão para travessia e educação da infância. Os sonhos além de guardião do sono é o alento da Juventude. Já às alucinações é manjar para psicóticos e sociopatas.

A união de um casal pode funcionar como um “mecanismo de defesa” uma capa proteção que isola-nos de uma realidade que ainda não aceitamos ou lidamos com a mesma. Em algumas uniões conjugais estamos fixados e num estado de conforto, em um mundo estático que não evolui para nenhum dos dois.

Evidente que os conflitos serão resultantes da não “superação dos conteúdos do passado e da estruturação psíquica infantil” até porque durante a travessia dessa fala nas sessões de “análise” o indivíduo busca se atualizar e se adequar às suas neuroses e traumas de infância.

E como nem todos fazem “análise” ou saem do seu discurso de queixa dos conflitos, isso lhe acompanha ao longo da vida por falta de iniciativa ou prática fora do Divã do psicanalista.

Na relação conjugal “estática e viciada” os conflitos deixam exposto que cada um, quase que exige “psicopatologicamente” um do outro mais do que o mesmo pode ceder.

Assim indiretamente cada um se torna responsável e meio que culpado pelo que não foi resolvido na infância do outro.

A Inércia humana parece ser uma das leis ou regra básica da estrutura psíquica do inconsciente, com isso na “relação conjugal” os conflitos reprimidos e traumas, serão revividos com o peso do presente dentro da vida adulta.

O conjugue que desafiar ou trazer novos afetos, confronta o que há de estático (inconsciente) que aparentemente havia uma situação de “normalidade” ou de se estar num estado de “imutabilidade” até que esses desafios venham à tona.

Essa influência do inconsciente de cada “sujeito” gera uma passividade ilusória na vida do casal.

É como um grande lago parado que se esconde na verdade um mundo em seu interior.

E momentaneamente! Algo agita aquelas águas profundas e aparecem todos os tipos de monstros da infância.

O outro ser um “eu” e não um “nós” pode significar a perda do domínio e da posse, com sentimentos de rejeição e solidão. Assim, a individualidade pode ser uma ameaça para essas estruturas aparentemente imutáveis.

Nesse aparente jogo, nosso inconsciente parece estático, enquanto que os conflitos do dia a dia coloca o casal diante de alguma realidade que não podem ser resolvidas com as soluções que sempre foram usadas no passado.

Estão dessa forma, diante de situações de desafios e confrontos aguçam a criatividade. Um dos cônjuges nem sempre está pronto para o novo e pode traduzir novas atitudes como traição. Traição de um jogo que tem de ser jogado sempre da mesma forma.

A necessidade de amadurecer, crescer e de mudança é possível para qualquer “sujeito” não “psicótico” e que seja analisável.

não só nos casamentos mas em outros tipos de relações sociais e familiares esse vínculo “transferências” do passado de cada um nós.

A psicanálise diante desse dilema humano pode facilitar a travessia para o surgimento de um novo posicionamento do sujeito “eu”.

Isso poderá trazer uma excelente oportunidade de crescimento e maturidade para ambos.

Muito embora nossas carências antigas necessariamente não são tão negativas ou impossíveis de serem superadas. Essas carências podem integrar novas formas de estruturação psíquica ao serem confrontadas com as exigências do presente.

Inúmeros motivos podem levar um casal à terapia.

Por exemplo, os conflitos motivados pelas razões citadas acima.

Esta fase não é fácil, pois a descoberta deste “outro lado” do cônjuge pode despertar sentimentos de hostilidade, raiva e melancolia.

Embora hoje no holding dos diagnósticos e alguns tipo de tratamentos está na “moda” que tudo é depressão ou se não é será e é medicalisada.

Todo casal precisa e pode divisar novos horizontes para suas vidas, mas ambos precisam respeitar-se como indivíduos e “sujeitos” com liberdade de escolhas.

Toda mudança não é trair, Mudar é uma proposta de respeitar a si mesmo primeiro para assim poder respeitar o “outro”. Isso sim é crescimento e maturação para o Amor.

Esclarecendo aos leitores que nem todas às crises e conflitos conjugais são vindos da nossa infância ou do inconsciente de cada um de nós; embora a base estrutural psíquica segundo Freud está nas fases e na infância.

Há crises por questões morais, de fundamentação religiosa, crises da não aceitação de que imperfeição humana é inerente a cada um. Muito embora a mídia e os modismos nos iludam como ser: “homens ou mulheres” perfeitos (as) se consumirmos ou comprarmos A ou Z para ser felizes e belos sempre.

A travessia nas sessões de “Análise” pode ajudar a cada um, pensante, falante sonhador e sujeito responsável pelo seu “Amor” e pelo conhecer-se melhor a si mesmo para encontrar uma saída da estrada das paixões para a ponte da estabilidade do Amor próprio.

Luiz Mariano é Psicanalista

www.abmpdf.com