quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Os Efeitos Colaterais se a Infância do Adulto Morrer....

Quero Meu Balão Mágico de Volta


Não deixe sua Infância Morrer.
Tenho observado o quanto mudou a infância nos últimos tempos e na data comemorativa que foi o dia das crianças. Isso me levou a essa breve reflexão pela simples escuta e olhar psicanalítico. 
Passando por algumas lojas vi “pais”, tias e avós a se balançar como se a dançar-se “disfarçadamente dentro das lojas com musiquinhas “infantis” e ao mesmo tempo vi algumas crianças apáticas que nem tinham noção de que a música era aquela que tocava e a remetia a lugar nenhum”. 
Inclusive o interessante é que vi algumas “crianças” olharem para seus pais, tios ou avós com um olhar de reprovação ou indiferença na dancinha sutil daquelas músicas infantis.
Mas quando as músicas mais antigas e infantis paravam, e ouvia-se uma espécie de batida funk com letras “mais” agressivas e de revolta, aí nisso vi algumas crianças se sintonizarem ao ritmo dessas músicas e se voltarem com um olhar meio que “perverso” para seus pais e cuidadores naquele momento de presentes.
Isso deve ser coisa de Psicanalista mesmo ver e ouvir o que quase ninguém percebe. 
É estamos vivendo um tempo em que o abandono de valores e de coisas simples da nossa educação infantil familiar e isso vai nos arremetendo direto a um “vazio” sem ressignificação para nosso “Ego”. 
O “Ego” sem ressignificação e simbolização de boas referências e valores disciplinares parentais pode talvez levar-nos sim a alguma forma de “psicose ou psicopatia” sublimada em algum momento de confronto, de falta, de luto ou de perda em nossa vivência. 
“Observei que o quanto uma nova batida musical seja eletrônica ou funk pode levar a criança a sublimar sua “revolta e a revelar” sua insustentabilidade afetiva” das aparentes e boas relações familiares e afetivas entre a infância e o mundo dos adultos. 
Hoje temos uma geração de “crianças” alienadas a jogos virtuais e tendo livre acesso a perfis e redes sociais, locais que na maioria das vezes nem pais e educadores não possuem acesso e nem a senha.
Pergunto aos pais e educadores vocês conhecem os contatos e amigos das Redes Sociais de seus filhos?
Hoje temos crianças que abandonam sua infância para se vestirem ou se travestirem de jogadores famosos ou para dançarem e cantarem como modelo ideal de adultos famosos que passam a imagem de (felizes) e isso tudo com consentimento e cumplicidade dos pais.
Vivemos uma “era” de Crianças que não imitam mais os seus pais e familiares como referência de educação, disciplina e respeito, mas de “crianças” que imitam a artistas “imaginários” porque no real até o ser “artista” é apenas uma mera representação e não o real do sujeito que se veste de artista. 
Parece que a “fama e o status” vêm para suplantar aos próprios pais e educadores, são poucas as crianças que “querem” se vestir e se parecer com seus pais. 
A grande maioria prefere se “vestir” como artistas, jogadores ou cantores (as), preferem se vestir de forma “totêmica” para se identificar com algumas tribos “urbanas”. 
Esse tipo de comportamento e outras coisas mais bizarras é que permite essa infiltração nas lacunas e vazios deixados desocupados pela educação e presença dos pais ou seus representantes simbólicos na criação dessas crianças ou filhos (as). 
O abandono da infância parece algo irrevogável e bem aceitável sem questionamentos por pais, educadores, religiosos e familiares.
E me pergunto se teremos um mundo mais justo, humanizado, menos violento e com mais sanidade; Se nossas “crianças” estão sendo criadas dentro dessa geração da falta de acolhimento e da indiferença ao sentimento do “outro”.
“No real ninguém e quase mais ninguém se importa com ninguém, porque o mundo virtual me remete a preguiça para não repensar nada do que sinto.”
Nossa infância está conectada ao “virtual” imaginário das redes sociais e jogos a maioria dessas crianças estão sem a presença da mediação dos seus pais e educadores. 
Hoje são muitas as crianças conectadas ao mundo através das redes sociais onde nem pais, educadores e a justiça têm acesso a seus conteúdos e nem suas senhas. 
É preciso aos pais, educadores e juristas repensar essa permissividade de conexão ao mundo virtual de nossas crianças, onde a maioria dos pais e educadores não tem acesso às essas redes sociais e aos jogos virtuais. 

São raros e poucos os pais que sabem que está na rede de amigos virtuais de seus filhos.
E por conta dessa “ausência” de pais como mediadores nestas redes virtuais; são inúmeros os casos de abusos, crimes e pedofilias facilitados pelas redes sociais. 
É preciso repensar até onde é saudável na construção do “Ego” infantil do sujeito pode se permitir a entrada em territórios sem a mediação e a presença de pais, educadores e religiosos.
As crianças estão “preenchendo” vazios e lacunas deixados pelos seus pais e educadores. 

Esses “espaços” são facilmente preenchidos por letras musicais, por vestimentas, e por redes virtuais onde na rede social posso pensar e me expressar sem a mínima possibilidade de não repensar nada.
Na vida só vai existir o “repensar” se houver alguém para fazer essa ponte de mediação com um olhar imparcial de cuidado, para dar as crianças esse ponto de referência. 
As crianças que não necessariamente vão para análise para resolver as neuroses de adultos.
Mas as mesmas são até vítimas das “neuroses” de adultos do próprio clã familiar ou parental.
É preciso se fazer “presente” nessa mediação dentro do clã familiar para que nossas crianças aprendam que têm que aprender a pontuar interpretar e confrontar cada necessidade, pedido e desejo para se sentir inserido no mundo moderno. 
“Na educação onde há disciplina e mediação haverá sanidade para construção do “Ego” infantil saudável mesmo que sendo neurótico, somente assim haverá possibilidade de Amor e Respeito ao próximo”.
“Mas onde não houver nada disso haverá a grande probabilidade de psicoses e psicopatias” para todo tipo de desordem humana. 
Prof. Luiz Mariano M.D.

terça-feira, 8 de outubro de 2013

A Angustia e a Resistência para o Saber e Amar"


“A Angustia e a Resistência para o Saber e Amar”

Embora na psicanálise quase nada seja “objetivo” racional ou consciente neste artigo oportunizo-me escrever-lhes uma reflexão de nossas vidas e acho que muito de nossa angustia  “inconsciente”  é também uma forma de resistência ao amar e ao saber; Saber de um novo caminho; aonde vamos descortinando à medida que nos permitimos ler e “pensar” a vasta literatura psicanalítica freudiana e lacaniana que nos leva a repensar nossa própria vida.

Para muitos de nós mudanças como: uma casa nova, trocar de carro, trocar de amor, mudar escola, mudar para outra empresa, mudanças de regras e normas no ambiente de trabalho ou religioso geram angustia e resistência.

Mesmo a mudança de cargo ou às vezes mudança para outra cidade ou até país tudo isso nos envolve num processo de angustia e resistência.

Na psicanálise até mesmo simples eventos pode nos fazer entrar em processo de sofrimento neurótico e devido à resistência.

Para nós “neuróticos” que pretensamente achamos que somos bem normais o fato de abraçar o novo implica; em abandonar algumas idéias, se envolver com novos paradigmas, às vezes é preciso esfacelar preconceitos morais e religiosos.

E esse é um momento humano de muita crítica, inércia e nós somos na maioria das vezes muito críticos quando nos defrontamos com possibilidades de sairmos da nossa inércia para novos paradigmas do pensamento humano.

Qualquer mudança na rotina confortável passa ideia ao nosso inconsciente que temos que sair da nossa inércia do “Pensar” repetitivo, das nossas expectativas emocionais “repetitivas” e usuais diárias, isso por si já gera angustia e resistência.

Não é muito fácil lidar com o universo dos pensamentos e emoções humanas, e quando nos dispomos a lançar-se nessa nova empreitada a expectativa de mudanças gera onda de angustia e resistência. Isso nos dá uma sensação de ir para o encontro com o desconhecido e com isso ficamos se sentindo incapacitados,  insatisfeitos, infelizes e resistentes.

Isso vale também para a receita dos que buscam o saber  coloquial da psicanálise. Quem não se angustiar e não tiver resistências por enfrentar em sua análise não pode se autorizar nunca psicanalista.

A angustia acompanha a humanidade desde os tempos adâmicos e pré-históricos ela é a responsável por nos colocar em movimento, para o progresso e desenvolve da nossa criatividade como humanos.

Mas quando nossa “angustia” não nos coloca em movimento, ela nos estaciona na inércia mental do pensar criando inúmeras possibilidades de adoecermos em nossos sintomas.

É normal e comum que alguns candidatos ao percurso de psicanálise tenham essa “angustia”, alguns pacientes de “análise” também podem oportunizar que sua  “angustia” no processo analítico poderá ser pontuada, interpretada e confrontada para permitir o sujeito em “análise” faça uma ressignificação do seu viver e do seu pensar.

No coletivo, muitos de nós agimos de forma imprudente e às vezes quando somos críticos e negativos podemos liquidar a nossa raposa. Fazendo aqui a referência lenda da raposa e o lenhador que foi apresentado em módulo do curso de psicanálise.

Agimos de forma extremista para com o sujeito que nos leva para uma luz de algo desconhecido de nossa Alma,  que desnude o real do nosso desejo desconhecido ou tamponado.

Descobrimos na psicanálise, que nem sempre “desejo” é desejo de amar; e que muito de nosso desejo pode ser desejo de vingança, ódio e de falta edipiana.

A Psicanálise é a ciência “arte” de repensar tudo que já foi pensado do “sujeito” que se “sujeitar” a análise.

A Psicanálise é algo que tira-nos nosso “aparente sossego”. Ela tira-nos do nosso habitáculo (resistente e protegido) do comum e do diário.

Com isso nos coloca em movimento de encontro a nossa própria Alma sem nos vincular a alguma religião, a psicanálise desloca  nossos “pensamentos” do inconsciente para a fala.

A psicanálise nos põe a repensar e ressignificar nossos ódios e nossos amores.

A Psicanálise é uma entrada “solitária” em nossa “Alma” não num sentido religioso ou místico. Mas ao fazer “análise” o sujeito cria um caminho para descobrir onde residem suas “verdades que nem sempre são tão verdades” porque elas podem ser ressignificadas.

O sujeito em análise aprende a simbolizar seus sintomas pela fala e falando é que vai oportunizar ao seu inconsciente revelar-se sem a necessidade da posteridade da culpa, punição ou a justificativa que somos fruto do pecado por isso necessitamos de salvação.

Lacan fala que para irmos a “análise” é necessário que o nosso “sujeito” se desconstrua. E em análise, isso acontecerá gradativamente nas sessões, mas exige tempo muita coragem, dedicação.

Nós temos muito medo daquilo que nos encaminhe para encarar a nossa faltar ou oque falta-nos, esse é o medo de muitos o medo do “insabido” do mim mesmo.

A Psicanálise é uma travessia onde descubro quem sou eu, e para isso a priori temos que vencer a nossa resistência e a nossos afetos de questões parentais e do Édipo.

A psicanálise é um caminho incerto, subjetivo e desafiador da verdade “insabida e improvável” de cada um de nós.

Ela nos leva, a saber, que cada um de nós é responsável por seu próprio destino e verdade.

Nesse “percurso” psicanalítico será permitido a escutadores degustar o saber do sabor do pós angustia.

A Psicanálise não é uma nova religião e nem uma filosofia, porém ela pode-nos da uma nova chance para nosso “pensar e sentir” criando possibilidade de mudanças para sua vida ressignificando nosso pensar e nosso amar e ser amado (a).

Evidente nem sempre haverá tanta clareza e racionalidade no percurso da análise, a “análise” é sempre complexa e subjetiva.

Alguns às vezes preferem se afastar, estar cegos  pontos de “recusar-se” a vivenciar uma espécie de maldição desconhecida que a literatura da Psicanálise parece nos lançar sobre nosso sujeito que estava “estático suposto saber do Outro”.

O processo de análise pode ser sim dolorido e desconfortável mas só no  mundo do nosso pensamento.

Não é nada fácil saber que tenho que reparar mais em minhas ações, meus pensamentos, em minhas emoções, afetos que até então pareciam estar todos certos (de sua razão) em sua rota de ódios certeiros e amores errados.

A análise leva o “sujeito” a descortinar que saber de “eu” nem é tão doce e nem tão azedo que não possa ser suportado e ressiginificado.

Com isso olhar e meu julgar severo para com o “Outro” é errante.

Porque errante?

Porque na “Psicanálise Lacaniana” quem é o “Outro” o outro sou “Eu” mesmo que sou refratário do meu sujeito em “carência e falta” responsabilizo a imagem do “Outro” pela minha falta, pela minha relutância em não admitir a mim mesmo que não posso ser o julgador do mundo, julgador do Mestre, julgador das religiões, julgador das escolas, julgador das pessoas.

Julgar o “Outro” é oportunizar afastar-me do meu julgamento que me condena não pelo “Outro”, mas por mim em minha falta edipiana.  

Se afastar do saber psicanalítico, vai nos dar a sensação de se afastamos de algum tipo de maldição prévia em nossa vida.

O saber do coloquial de Psicanálise é esse saber que sugere fazer muitas mudanças e a maioria de nós não gosta de mudanças reais, mas sim de mudanças de máscaras, mudanças de salas e sempre falando do outro e não do meu real do sujeito.

A maioria de nós não gosta ou temos suficiente força para efetivar mudanças de que cada um de nós precisa.

Na psicanálise em todo seu percurso as mudanças mais significativas e sensatas, quase nunca viram pela lei do menor esforço, do menor preço e do caminho mais curto. 

E ao afastar-me de “Mudanças em Mim” na psicanálise isso é resistência e é rejeitar-me para um novo saber do meu “Eu”.

Um novo saber que não me agrade, como descobrir que posso não agradar a sempre meus (Pais) ou como eles me agradariam ou criticariam meus “outros” na minha Infância. 

Quem cresce sob. O olhar da crítica negativa bloqueará sua mente a qualquer novo saber pelo gozo da crítica dos “Outros” seja esse outros: O mestre, o professor, o Juiz, a Lei ou até a Presidenta da República.

A crítica negativa na maioria das vezes não esclarece nada e não nos leva a lugar nenhum que não ao recalque do sujeito.

Esse lugar do sujeito em “análise” é um lugar do vazio e da “falta” na estrutura psíquica de cada um de nós.
Na psicanálise lacaniana o sujeito é desconstruído para aprender a lidar com o bem e o mal.

Na psicanálise freudiana o sujeito se defrontará com suas neuroses para aprender a viver de forma em que suas representações neuróticas não derivem em sintomas que desgastem a sua sanidade, saúde e prazer.

Falta sempre algo para cada um de nós.

E para justificar essa falta, me utilizo da crítica negativa para chamar a atenção, e buscar inclusive aliados que representaram a “minha falta” para mim (Édipo).

 A travessia da psicanálise serve para me tirar da mesmice da rotina e me por a andar entre desconhecidos e estranhos do meu próprio inconsciente.

Não é à toa que pessoas diferentes têm respostas diversas e diferentes a gama e possibilidade de mudanças.

Reconhecer o valor do ambiente e saber se ele tornou-se familiar é extremamente pessoal. Depende da sua história particular naquele contexto, das suas experiências, das suas memórias formadas ali, enfim, do valor associado ao que se está deixando.

Para uns, deixar para trás uma escola onde se era oprimido pode ser um alívio; para outros, que conviviam bem, pode ser um abandono forçado do que foi a segunda casa.

Se as lembranças despertarão saudade ou, ao contrário, a sensação de “já vai tarde”, é simplesmente reflexo das experiências pessoais de cada um. (Recalque x Édipo).

Mas a resposta ao novo também depende do que temos como bagagem de nossa infância e berço, também é dessa instância que vêm nossas resistências insabidas.

Freud mudou o pensamento humano quando inventou a que há possibilidade do inconsciente (existir) e que sua estrutura id, ego e superego têm muita influência na vida de cada um de nós. Freud se utilizou de lendas e mitos para justificar a dinâmica do inconsciente humano através das histórias, lendas e seres mitológicos.
“A mitologia na psicanálise é uma forma de sublimar de dizer a “verdade” humana com menos azedo” de modo que a mesma não pode ser encarada de forma nua e crua, porque não aceitaríamos e não compreenderíamos muitas verdades em nossa civilização se não fossem os mitos, os símbolos e as parábolas.

Lacan diz que somos seres simbólicos que nos inscrevemos através da fala, e Lacan nos oportuniza a possibilidade de pensar e filosofar a psicanálise descortinando os complexos familiares.

Um dos requisitos para conhecer essa “Verdade que pode libertar-nos de nossos; medos exagerados, nossas culpas e livrarmo-nos das constantes auto-sabotagens é acolher os pensamentos e sentimentos “esquecidos e recalcados” em “análise”.

Assim vamos descobrir o quanto somos fortes e nos permitimos ser enfraquecidos pelo medo, pela culpa e nos punimos no desamor.

Permita apenas que a “análise” seja seu momento de associação livre que o leve ao reencontro consigo mesmo.

E se a porta da “angustia” bater, abra não para alimentar o adoecimento, ou a inércia do penar para os sintomas, mas coloque-se em movimento e ponha seus sintomas para falar e repensar.

A angústia (em análise) é para dar asas necessárias para “neurótico” saber que seu inconsciente pode permitir-lhe voar em liberdade, sem medo, sem culpa para a possibilidade da felicidade.
Com o passar do tempo verá que a maturidade do pensar abrirá novos caminhos e esperança para seu ser emocional amar melhor e ser saudável para uma vida feliz.  

O neurótico necessita da “angustia” para amar e busca a simbolização do seu “Amor” no seu imaginário, nisso ele sofre, adoece e faz seus sintomas para sobreviver para seu “amor ou ser amado”.

“O psicótico não busca seu “amar ou amor” porque não o têm em sanidade infantil parental e lhe falta o imaginário do “neurótico”, para o psicótico fica faltante os símbolos do neurótico dos “objetos” para o amor e “amar” por isso ele aparenta não necessitar de ser amado” e isso o remete direto a um “Real” na sua psicose.

O Psicopata não é objeto de “análise” terapêutica e provavelmente ele nunca poderá amar porque só pode amar quem sente angustia, culpa e remorso.  

Prof. Dr. Luiz Mariano
M.D. Psicanálise Clínica



Fonte de Consulta e bibliografia recomendada:

“Freud Conflito e Cultura”  – Michael S. Roth - Editora Zahar

“Estilos do Xadrez Psicanalítico”  – Editora: Imago

“Os Complexos Familiares”  – Lacan – Editora Zahar

LACAN, Jacques. O Seminário – Livro 3 – As psicoses. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor. 1985.


segunda-feira, 19 de agosto de 2013

O Ciúme é Veneno

O Ciúme

É o Veneno Residual do Édipo Para Nossos Relacionamentos

Apesar de muitas pessoas acreditarem que o ciúme é o tempero da paixão ou do amor, devemos lembrar que até o uso de tempero tem contra-indicações e o desconhecimento da medida pode intoxicar, no nosso caso aqui intoxicar as emoções, destruir a auto-estima.

E saiba-se também que o tempero que é bom para uns pode ser veneno ou até causar alergia emocional e ser letal para outros.

O ciúme no sentido analítico coloquial não é de cuidado com o “outro”, mas o de cuidado com a minha “posse” com a aproximação de algum outro que não faça parte desse meu “objeto primevo/faltante” de paixão ou amor.
Quem convive com um ciumento (a) tem que ter cuidado, e estar sempre alerta.
Já tive pacientes que desenvolveram no casamento,  síndrome do pânico, pelo fato de ter que estar sempre alerta as suas vestimentas, a quem a olhava, a quem a cumprimentava, algumas delas desenvolveu a síndrome do pânico como mecanismo de defesa e de sobrevivência ao marido e namorado que era possessivo ciumento.

E cada mulher pode reagir de forma diferenciada e sublimada ao ataque de um ciumento.

A grande certeza é que algumas agressões emocionais, psicológicas repetitivas e intensas e até físicas podem produzir toda uma gama de sintomas e cicatrizes para sempre, impedindo a pessoa de ter relacionamentos saudáveis e prazerosos.
A angustia que o “Ciumento” sente pode ser originaria de fatos muito mais complexos da sua estrutura psíquica dentro do seu clã familiar e advém de suas origens e aqui vamos dispensar comentários ou detalhes quanto à possibilidade de influências radicais de alguma cultura ou de alguns dogmas religiosos.

Para o ciumento o fato de pensar ou imaginar a possibilidade de perda, perda de vista, perda afetiva, perda em meu pensamento ou o extremo que é a perda do controle do “acho” que é meu (Objeto) amor, isso pode me levar ao comportamento hostil; agressivo e alguns partem de fato para as chantagens emocionais, morais e inclusive são violentos.

Ao longo de quase vinte anos atendendo, senhoras, mulheres, mães e jovens pude perceber o quanto estavam adoecidas e somatizadas por conviverem e suportarem por anos o convívio dentro de um relacionamento psicopatológico com algum ciumento.  

Mas então se declaro meu “Amor” ao “Outro” como posso em fração de segundo passar a “Odiar” alguém que amo.

Primeiro deveríamos compreender que a distância psicanalítica da instância do Amor e do Ódio é de apenas um (pingo) um ponto. Até porque grande maioria dos ciumentos são narcísicos.

O sujeito ciumento mesmo que "neurótico" pode passear a seu favor pela psicose, psicopatia para manter-se ciumento porque seu “objeto” de ciúmes não é tão completo e perfeito como seria simbolicamente sua primeva mãe.

Só que na maioria das vezes o sujeito “Ciumento” não quer admitir isso e muitos fogem de qualquer possibilidade de mudanças, ajuda religiosa, algum tipo de psicoterapia ou mesmo sujeitar-se a fazer análise.

 O ciúme, para alguns relacionamentos pode parecer normal ou corriqueiro, mas não é; o ciúme pode ser uma psicopatologia abstrata de nossa Alma e suas origens estão em nossa criação, infância e complexo de Édipo.

Lacan psicanalista francês já dizia que “Amar é Dar o que não se têm A quem não o Quer.”

O fato de declarar minha paixão ou declarar meu amor a alguém não significa que essa pessoa (objeto) dessa minha paixão ou amor, tenha a obrigação o dever de corresponder de imediato a todos meus desejos, demandas afetivas da minha imaginação ou de meu “objeto/primevo faltante”.

Normalmente a referência que tenho de que; Quem tem que corresponder a todos meus desejos e necessidades estão muito ligados ao seio maternal e nossa mãe simbólica.

Os ciumentos “Homens” sua demanda e conflito simbólico é com a figura e o seio da “Mãe”.

As ciumentas sua demanda simbólica e conflituosa é pela autoridade do “falo” isso é com a figura de pai e algumas vezes para atingir e rivalizar a “Mãe”.

Ainda temos mais um agravante a esse fator que digno de análise; é achar um ponto de equilíbrio o que é bem raro e difícil. Pois essa simbolização necessária de “Pai e Mãe” ainda há de se investigar se esse “Pai e Mãe” foram ou são excessivamente presentes e excessivamente faltantes no complexo de Édipo.

Se forem “pais” que deram muitos presentes e foram ausentes, ou se a “mãe” por muitas vezes desautorizou e desqualificou o pai simbólico dessa “criança”, Infelizmente a muitas que nem nomeiam o “Pai”.

Dentro do clã familiar é preciso relembrar como foi à divisão dessa afetividade se foi positiva ou negativa. Como no clã familiar estavam às posições dos irmãos e irmãs, quase sempre teremos histórias daqueles que tiveram demais e de menos.  

Alguns “ciumentos” sempre se justificam: - Dizem só saber amar assim, com ciúmes.

Mas quando se sujeitam a análise e com o tempo eles descobrem que estão em busca de algo “faltante” e que toda sua fúria e ataque de ciúmes é uma forma de descontar em quem se ama o seu objeto/primevo “faltante”.

Os ciumentos conseguem vigiar diuturnamente a pessoa que ama, alguns até obtém um prazer “perverso” procedendo e criando situações, para correr o risco imaginário de serem traídos. 

Embora na psicanálise clínica; a traição não justifica o ciúme e vice e versa. 

Alguns casais, mesmo após separarem-se por conta do ciúme, continuam cultivando intrigas, brigas como se ainda a outra pessoa ainda fizesse parte de sua vida, nesses casos mesmo que se “casem” de novo as crises irão continuar nos "próximos relacionamento" e o pior é serem inclusive repassadas aos filhos como modelo de "que amar" é assim.

Para casais assim; cada possibilidade de reencontro dá pra perceber que o mal possessivo do “outro” ainda está aí presente.

São incapazes de desfazerem-se do “direito de posse” do “outro” que na realidade seu real objeto é faltante e remendo do resíduo de seu Édipo não está resolvido.

Na psicanálise coloquial às vezes vamos na contramão do que se pensa do que se acha que é amar e ser amado.

Achar que o amor a tudo tolera do outro dentro de um relacionamento é enganar-se a si mesmo e alvejar sua saúde e Alma para sempre.

A paixão pode nos fazer suportar, e diante de algumas “paixões” ficamos sem auto-estima, ficamos cegos e indefesos. Nisso o ciumento faz com que seu “objeto” de amor suporte todo tipo de maus tratos em nome de um pretenso “Amor” macabro.

A instância sublime do “Amor” fica para alguns como algo inatingível e não autorizado, ou que não me permito. Quem acha que ama e convive com um ciumento, depois de algum tempo de análise vai descobrir que nunca foi de fato amada ou amado.    

Só pode realmente “Amar” quem se permite a felicidade sem a necessidade do “Outro” só ama quem confia naquilo que sente mesmo estando sozinho (a).
Só pode realmente amar quem respeita a si mesmo e quem têm auto-estima.
Na maioria das religiões, filosofias e crenças o “Amor” é uma fonte positiva e abundante de equilíbrio, prazer e saúde e não uma fonte carente, seca e macabra.

Nenhum tipo de agressão ou maus tratos pode ser visto com algo que é “ótica de que amar é assim”.

Pois se assim pensarmos e agirmos a humanidade estará fadada a desaparecer, seremos seres sem alma, adoecidos e sem prazer algum.

O sujeito ao sujeitar-se a “análise” psicanalítica coloquial poderá descobrir que o real do seu desejo nem sempre foi ou será amar e ser amado por questões que não foi ressignificadas em seu Édipo.

Na análise continuada algumas questões esquecidas de nossa sexualidade infantil, revendo algumas referências da nossa criação saberemos que agentes invisíveis criam muitos de nossos sintomas inorgânicos e somatizações atuais.

Ao sujeitar-me a análise gradativamente enfrentarei o “desconhecido do meu Ser; O desconhecido do meu desejo” nessa “travessia” haverá pontuação, interpretação e confrontação que pode levar o sujeito a ressignificação do seu sintoma e do seu calço neurótico.

Lacan diz que na maioria das vezes para existir uma análise o sujeito em análise vai passar por uma desconstrução.

Freud afirma que fica forte uma pessoa que está segura de ser amada.

Asseguro que ninguém poderá conhecer a instância do amor se permitindo ser vítima da sagacidade do ciúme.   

Prof. Dr. Luiz Mariano / Psicanalista Clínico 
Coordenador do Percurso Multidisciplinar Livre de Psicanálise da ABMP-DF & Parcerias 



quinta-feira, 25 de julho de 2013

O Sujeito na Psicose

* "O REAL DO PSICÓTICO É O IMAGINÁRIO DO NEURÓTICO"
* Prof. Luiz Mariano M.D.
          A loucura é uma manifestação que pode acometer diferentes pessoas em qualquer momento da sua história de vida. Nesse aspecto, a psicose se apresenta como uma cisão do contato com a realidade em que o sujeito visa preservar o afeto das situações conflituosas.
Com base nesse estudo, o seguinte artigo objetiva promover uma reflexão teórica acerca da psicose, bem como discutir sobre as visões da psiquiatria e da psicanálise acerca do tema.
Para tanto, realizou-se um estudo bibliográfico a fim de obter tais respostas que se mostraram relevantes para o conhecimento científico e a consolidação da psicologia enquanto ciência.
A loucura é uma manifestação que pode acometer qualquer indivíduo em diferentes momentos e lugares.
Portanto, pode atingir sua máxima quando o ponto afetado cinde com a realidade a fim de preservar o afeto das situações conflituosas e mal resolvidas, tal como ocorre na psicose.
No que concerne a psicose, o seu aspecto principal se caracteriza por meio de uma perda de contato com a realidade, dependendo da intensidade, a perda pode se apresentar com maior ou menor intensidade.
A psicose começa quando o sujeito relaciona-se com objetos e coisas que não existem no aspecto real, isto é, podem mudar seus pensamentos, atitudes, convicções em nome de ideias absurdas ou ilógicas para o mundo, no mesmo passo que a realidade clara e patente significa pouco ou nada para o paciente.
Um dos sintomas principais desses pacientes é o delírio, de modo que esse comportamento se configura como uma convicção incompreensível e inabalável diante de alguma situação rotineira que pode ser ampliada ou distorcida de acordo com a visão do psicótico, outras sintomas podem ser alucinações, discurso desorganizado, comportamento desorganizado.
Psicose e Reflexões Teóricas
De início, quando se fala em psicose vem-nos à mente as questões vinculadas aos delírios e alucinações, que são de acordo com Checchinato (1988) apud  Freud: “estruturas tão normais e com as mesmas funções na psicose como o sonho no comum dos mortais”.
Portanto, tratando-se de um paciente psicótico, devemos inicialmente acolher seus delírios, deixar de lado a censura, pois ainda de acordo com o mesmo autor por mais confuso que o delírio possa ser, ele é uma tentativa de cura, uma reconstrução.
Para a psicanálise, a função do delírio é encobrir uma realidade rejeitada, de tal modo, o mesmo é uma realização de um desejo, que não pode ser postergado ou substituído. Por isso, cabe ao profissional, investigar o fator que desencadeou essa rejeição, visto que é imprescindível que essas lacunas sejam preenchidas a fim de possibilitar a construção de novos significados e explicações.
Para complementar a questão do delírio, é válido mencionar a ideia de Nasio (2001) falando de Schreber caso trabalhado por Freud, relacionado a um homem bem sucedido profissionalmente que adoeceu inicialmente com ideias hipocondríacas, após com ilusões sensórias, estupor alucinatório, etc.
Schreber inseriu o delírio, as histórias vinculadas à figura de Deus, desvirilização do seu corpo justamente para dar sentido a uma experiência de desmoronamento, tentando restituir o vínculo perdido com o mundo externo.
Desse modo, entende-se que esse processo de reconstrução delirante, e de tal modo, um reinvestimento libidinal progressivo, ou seja, tentar dar sentido a uma experiência que outrora se caracterizou como insuportável.
Checchinato (1988) apud Macedo traz a contribuição de que a análise não seria a tomada de consciência, e sim um lugar onde o paciente possa falar, um processo de reconhecimento, onde um sujeito pode advir.
A Partir da Ótica Psiquiátrica
Sabe-se que a medicina começou a tratar os loucos reclusos como objeto de investigação e estudo.
A partir desse material de observação, surge um novo saber: a psiquiatria.
A psiquiatria passou a se responsabilizar pela loucura e a maneira inicial como realizou isso foi através da internação e do enclausuramento.
Naquele período ofertava-se, portanto, um tratamento para a doença, tratamento esse de fundamentos morais (OLIVEIRA, 2003).
De acordo com o DSM-IV - Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais (1995), visa propor regras para o entendimento da esquizofrenia, bem como a presença de alucinações, delírios, discurso desorganizado, comportamentos amplamente desorganizados etc.
No âmbito da psiquiatria as psicoses são divididas em dois grandes grupos: delirantes crônicas, que abrangem a esquizofrenia (possuindo quatro subtipos: hebefrênica, paranóide, simples e catatônica) e as afetivas (cujo representante principal é o transtorno bipolar).
Um Ponto de Vista Psicanalítico
De acordo com Nasio (2001) toda psicose é uma doença de defesa, é uma luta constante onde o indivíduo constrói variadas questões (delírios, alucinações) para não se deparar com uma dor insuportável, não há possibilidade de troca, ficando o sujeito estagnado, rejeitando radicalmente fragmentos da realidade, que geralmente lhe expõe o furo.
Nasio (2001) falando que a psicose permitiu compreender o funcionamento normal da vida psíquica diz que:
O narcisismo é uma concentração da libido no eu, que priva o psicótico de qualquer vínculo com o mundo.
A energia libidinal que superinveste o eu passa, então, a não mais ser empregada para produzir uma fantasia, como no neurótico, mas a desencadear um delírio de grandeza.(p.38).
Na psicanálise o trabalho com o sujeito psicótico deve considerar o discurso e o posicionamento subjetivo desse paciente.
De modo que consiga entender a angústia do paciente e compreender a sua posição frente às questões cruciais da sua existência.
No texto “Neurose e Psicose” (1923-1925), Freud aponta uma diferença básica entre neurose e psicose:
“a neurose é o resultado de um conflito entre o ego e o id, ao passo que a psicose é o desfecho análogo de um distúrbio semelhante nas relações entre o ego e o mundo externo”. (Freud,1923/1925, pág 189).
Nessa perspectiva, a psicanálise utiliza-se de suas técnicas e métodos para acolher esse sujeito por algum tempo, e com base nessa escuta, postular uma hipótese diagnóstica que possa localizar a estrutura desse indivíduo, seja ela neurótica, psicótica ou perversa. A  partir dessa localização, é possível traçar uma linha de abordagem e de trabalho com esse paciente.
Checchinato (1988) apud Macedo traz a contribuição de que a análise não seria a tomada de consciência, e sim um lugar onde o paciente possa falar, um processo de reconhecimento, onde um sujeito pode advir.

É de suma importância citar esse aspecto, pois o trabalho com psicóticos é complexo, pois o paciente deve passar assumir seu desejo, constituir-se como um ser desejante, que ele fale sobre sua vida, delírio e não mais seja falado.

Considerações Finais
As discussões empreendidas nesse artigo, pautadas na investigação do sujeito na psicose, fomenta os estudos para esclarecimento da psicose a partir do ponto de vista psicanalítico e psiquiátrico, bem como a partir das reflexões teóricas que abrange esse estudo. Desse modo, entende-se que a psicose pode se enquadrar a partir de um emaranhado de sintomas, como também no momento em que os conflitos alcançam seu auge. Assim, esse trabalho permitiu visualizar muitas questões vinculadas ao universo psíquico do sujeito, bem como os dinamismos e conflitos do psiquismo. Nesse sentido, a leitura e reflexão sobre a psicose é de grande relevância científica visto que aumenta o senso clínico e contribui para a construção do saber acerca da loucura e suas manifestações.
Alex Barbosa Sobreira de Miranda

Departamento de Psicologia.


Faculdade de Ciências Médicas. Universidade Estadual do Piauí (UESPI). Teresina, PI, Brasil.

Fonte Consultada: http://artigos.psicologado.com/psicopatologia/transtornos-psiquicos/o-sujeito-na-psicose#ixzz2ZznfRkzr 



segunda-feira, 1 de julho de 2013

Reflexão Psicanalítica: Neurótico x Psicótico

                                          “O Real do Psicótico é o imaginário do Neurótico”

                                                 Prof. Luiz Mariano M.D. Psicanálise Clínica   

PSICOTERAPIAS BREVES - 2001

TRABALHO APRESENTADO EM 2001  PSICOTERAPIAS BREVES          Este trabalho terá   como objetivo mostrar a economia em se ter como práti...