quinta-feira, 25 de julho de 2013

O Sujeito na Psicose

* "O REAL DO PSICÓTICO É O IMAGINÁRIO DO NEURÓTICO"
* Prof. Luiz Mariano M.D.
          A loucura é uma manifestação que pode acometer diferentes pessoas em qualquer momento da sua história de vida. Nesse aspecto, a psicose se apresenta como uma cisão do contato com a realidade em que o sujeito visa preservar o afeto das situações conflituosas.
Com base nesse estudo, o seguinte artigo objetiva promover uma reflexão teórica acerca da psicose, bem como discutir sobre as visões da psiquiatria e da psicanálise acerca do tema.
Para tanto, realizou-se um estudo bibliográfico a fim de obter tais respostas que se mostraram relevantes para o conhecimento científico e a consolidação da psicologia enquanto ciência.
A loucura é uma manifestação que pode acometer qualquer indivíduo em diferentes momentos e lugares.
Portanto, pode atingir sua máxima quando o ponto afetado cinde com a realidade a fim de preservar o afeto das situações conflituosas e mal resolvidas, tal como ocorre na psicose.
No que concerne a psicose, o seu aspecto principal se caracteriza por meio de uma perda de contato com a realidade, dependendo da intensidade, a perda pode se apresentar com maior ou menor intensidade.
A psicose começa quando o sujeito relaciona-se com objetos e coisas que não existem no aspecto real, isto é, podem mudar seus pensamentos, atitudes, convicções em nome de ideias absurdas ou ilógicas para o mundo, no mesmo passo que a realidade clara e patente significa pouco ou nada para o paciente.
Um dos sintomas principais desses pacientes é o delírio, de modo que esse comportamento se configura como uma convicção incompreensível e inabalável diante de alguma situação rotineira que pode ser ampliada ou distorcida de acordo com a visão do psicótico, outras sintomas podem ser alucinações, discurso desorganizado, comportamento desorganizado.
Psicose e Reflexões Teóricas
De início, quando se fala em psicose vem-nos à mente as questões vinculadas aos delírios e alucinações, que são de acordo com Checchinato (1988) apud  Freud: “estruturas tão normais e com as mesmas funções na psicose como o sonho no comum dos mortais”.
Portanto, tratando-se de um paciente psicótico, devemos inicialmente acolher seus delírios, deixar de lado a censura, pois ainda de acordo com o mesmo autor por mais confuso que o delírio possa ser, ele é uma tentativa de cura, uma reconstrução.
Para a psicanálise, a função do delírio é encobrir uma realidade rejeitada, de tal modo, o mesmo é uma realização de um desejo, que não pode ser postergado ou substituído. Por isso, cabe ao profissional, investigar o fator que desencadeou essa rejeição, visto que é imprescindível que essas lacunas sejam preenchidas a fim de possibilitar a construção de novos significados e explicações.
Para complementar a questão do delírio, é válido mencionar a ideia de Nasio (2001) falando de Schreber caso trabalhado por Freud, relacionado a um homem bem sucedido profissionalmente que adoeceu inicialmente com ideias hipocondríacas, após com ilusões sensórias, estupor alucinatório, etc.
Schreber inseriu o delírio, as histórias vinculadas à figura de Deus, desvirilização do seu corpo justamente para dar sentido a uma experiência de desmoronamento, tentando restituir o vínculo perdido com o mundo externo.
Desse modo, entende-se que esse processo de reconstrução delirante, e de tal modo, um reinvestimento libidinal progressivo, ou seja, tentar dar sentido a uma experiência que outrora se caracterizou como insuportável.
Checchinato (1988) apud Macedo traz a contribuição de que a análise não seria a tomada de consciência, e sim um lugar onde o paciente possa falar, um processo de reconhecimento, onde um sujeito pode advir.
A Partir da Ótica Psiquiátrica
Sabe-se que a medicina começou a tratar os loucos reclusos como objeto de investigação e estudo.
A partir desse material de observação, surge um novo saber: a psiquiatria.
A psiquiatria passou a se responsabilizar pela loucura e a maneira inicial como realizou isso foi através da internação e do enclausuramento.
Naquele período ofertava-se, portanto, um tratamento para a doença, tratamento esse de fundamentos morais (OLIVEIRA, 2003).
De acordo com o DSM-IV - Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais (1995), visa propor regras para o entendimento da esquizofrenia, bem como a presença de alucinações, delírios, discurso desorganizado, comportamentos amplamente desorganizados etc.
No âmbito da psiquiatria as psicoses são divididas em dois grandes grupos: delirantes crônicas, que abrangem a esquizofrenia (possuindo quatro subtipos: hebefrênica, paranóide, simples e catatônica) e as afetivas (cujo representante principal é o transtorno bipolar).
Um Ponto de Vista Psicanalítico
De acordo com Nasio (2001) toda psicose é uma doença de defesa, é uma luta constante onde o indivíduo constrói variadas questões (delírios, alucinações) para não se deparar com uma dor insuportável, não há possibilidade de troca, ficando o sujeito estagnado, rejeitando radicalmente fragmentos da realidade, que geralmente lhe expõe o furo.
Nasio (2001) falando que a psicose permitiu compreender o funcionamento normal da vida psíquica diz que:
O narcisismo é uma concentração da libido no eu, que priva o psicótico de qualquer vínculo com o mundo.
A energia libidinal que superinveste o eu passa, então, a não mais ser empregada para produzir uma fantasia, como no neurótico, mas a desencadear um delírio de grandeza.(p.38).
Na psicanálise o trabalho com o sujeito psicótico deve considerar o discurso e o posicionamento subjetivo desse paciente.
De modo que consiga entender a angústia do paciente e compreender a sua posição frente às questões cruciais da sua existência.
No texto “Neurose e Psicose” (1923-1925), Freud aponta uma diferença básica entre neurose e psicose:
“a neurose é o resultado de um conflito entre o ego e o id, ao passo que a psicose é o desfecho análogo de um distúrbio semelhante nas relações entre o ego e o mundo externo”. (Freud,1923/1925, pág 189).
Nessa perspectiva, a psicanálise utiliza-se de suas técnicas e métodos para acolher esse sujeito por algum tempo, e com base nessa escuta, postular uma hipótese diagnóstica que possa localizar a estrutura desse indivíduo, seja ela neurótica, psicótica ou perversa. A  partir dessa localização, é possível traçar uma linha de abordagem e de trabalho com esse paciente.
Checchinato (1988) apud Macedo traz a contribuição de que a análise não seria a tomada de consciência, e sim um lugar onde o paciente possa falar, um processo de reconhecimento, onde um sujeito pode advir.

É de suma importância citar esse aspecto, pois o trabalho com psicóticos é complexo, pois o paciente deve passar assumir seu desejo, constituir-se como um ser desejante, que ele fale sobre sua vida, delírio e não mais seja falado.

Considerações Finais
As discussões empreendidas nesse artigo, pautadas na investigação do sujeito na psicose, fomenta os estudos para esclarecimento da psicose a partir do ponto de vista psicanalítico e psiquiátrico, bem como a partir das reflexões teóricas que abrange esse estudo. Desse modo, entende-se que a psicose pode se enquadrar a partir de um emaranhado de sintomas, como também no momento em que os conflitos alcançam seu auge. Assim, esse trabalho permitiu visualizar muitas questões vinculadas ao universo psíquico do sujeito, bem como os dinamismos e conflitos do psiquismo. Nesse sentido, a leitura e reflexão sobre a psicose é de grande relevância científica visto que aumenta o senso clínico e contribui para a construção do saber acerca da loucura e suas manifestações.
Alex Barbosa Sobreira de Miranda

Departamento de Psicologia.


Faculdade de Ciências Médicas. Universidade Estadual do Piauí (UESPI). Teresina, PI, Brasil.

Fonte Consultada: http://artigos.psicologado.com/psicopatologia/transtornos-psiquicos/o-sujeito-na-psicose#ixzz2ZznfRkzr