sexta-feira, 17 de abril de 2015

O PENSAMENTO NA PSICANÁLISE E O SINTOMA


"O Pensamento psicanalítico vai muito mais além que a teoria ou a prática clínica ele se oferece como um instrumento para repensar o Mundo e o repensar em nós mesmo no antes e depois de tudo. O pensamento Psicanalítico tem grande utilidade, pois quebra o nosso narcisismo do Pensar, e isso nos auxilia no “Connhece-te a ti Mesmo"  



O Sintoma em Psicanálise

A ortodoxia serve para aprendermos a teoria e a leitura psicanalítica para novos pensares e “pesares”.
Mas na prática a ortodoxia pode ser meio esterilizante para uma psicanálise pós moderna*, hoje precisamos mais de acolhimento a ética do desejo que de diagnóstico. 
A leitura e estudos dos ensinamentos de Freud que fez Lacan foram "essa liberdade de tratar um autor até recriá-lo diante da possibilidade de novos pensares e pesares".
·         Meus comentários *
·         Comentário do autor: (Nasio)  aborda neste (livro)  os grande s temas lacanianos.

Para Lacan os verdadeiros pilares da teoria psicanalítica de Jacque s Lacan:
"O inconsciente é estruturado como u ma linguagem"
  • “O inconsciente do sujeito analisável revela quem ele é para o Outro e não para Si”
Nesse livro enigmáticos em sua formulação axiomática, tais princípios fornecem a Nasio o ponto de partida par a o esclarecimento da tríade sintoma, ­saber­, gozo, básica na teoria lacaniana.
Sempre interligando a trama teórica pelo fio fecundo da experiência clínica.
Nasio consegue reproduzir neste livro o mesmo estilo que consagrou seu Lições sobre os 7 conceitos cruciais
Que é para nós (Psicanalistas) é um sintoma?
O sintoma é, propriamente falando, um evento na análise, uma das imagens através das quais a experiência se apresenta.
Nem todas as experiências analíticas são sintomas, mas todo sintoma que se manifesta no correr da análise constitui uma experiência analítica.
A experiência é um fenômeno pontual, um momento singularmente privilegiado que marca e baliza o percurso de uma análise.

A experiência é uma série de momentos esperados pelo psicanalista, momentos fugazes e, além disso, ideais, tão ideais quanto os pontos na geometria. No entanto, a experiência não é somente um ponto geométrico abstrato
A face empírica, eu diria até sensível, uma face perceptível pelos sentidos, que se apresenta como o instante em que o paciente diz e não sabe o que diz.
É o momento do balbucio, ali onde o paciente gagueja, o instante em que ele hesita e sua fala se subtrai.

Dizem que os psicanalistas interessam­ se pela linguagem, e eles são erroneamente assemelhados aos lingüistas.
Erroneamente, porque os psicanalistas não são lingüistas.

Os psicanalistas certamente se interessam pela linguagem (inconsciente), mas se interessam unicamente no limite em  que a linguagem tropeça.

Ficamos atentos aos momentos em que a linguagem se equivoca e a fala derrapa.
Exemplos (paciente relata seu sono ao analista):

Tomemos um sonho, por exemplo: atribuímos mais importância à maneira como o sonho é contado do que ao sonho em si; e não apenas à maneira como é contado, mas, principalmente, ao ponto exato do relato em que o paciente duvida e diz: "Não sei... não me lembro mais... talvez... provavelmente..."* (Mecanismo de censura onírica uma espécie de defesa do real) inadmissível.

É a esse ponto que chamamos experiência, a face perceptível da experiência: um balbucio, uma dúvida, uma palavra que nos escapa. (Lapsos de memória, Chiste, Atos falhos e esquecimentos (Freud).

A teoria analítica postula, efetivamente, que, no momento em que o paciente é ultrapassado por seu dito, surge o gozo*.

Por quê? Que é o gozo? Deixemos momentaneamente de lado essa pergunta, para voltar a ela quando abordarmos o segundo princípio, sobre a inexistência da relação sexual.
Vamos trabalhar, por enquanto, o conceito de sintoma, e enveredemos pelo caminho do primeiro princípio, que, como veremos, afirma que o inconsciente é um saber estruturado como uma linguagem. O inconsciente.

Formulemos novamente a pergunta:
Que é um sintoma?

Sabemos, comumente, que o sintoma é um distúrbio que causa sofrimento e remete a um estado doentio do qual constitui a expressão.

Mas, em psicanálise, o sintoma nos surge de maneira diferente de um distúrbio que causa sofrimento: ele é, acima de tudo, um mal­ estar que se impõe a nós, além de nós, e nos interpela.

 Um mal­ estar que descrevemos com palavras singulares e metáforas inesperadas.
Mas, quer seja um sofrimento quer uma palavra singular para dizer o sofrimento, o sintoma é  antes de tudo, um ato involuntário, produzido além de qualquer intencionalidade e de qualquer saber consciente. É um ato que menos remete a um estado doentio do que a um processo chamado inconsciente. O sintoma é, para nós, uma manifestação do inconsciente

Sintoma reveste­ se de três características
1). A primeira é a maneira como o paciente enuncia seu do sintoma sofrimento, os detalhes inesperados de seu relato e, em particular, suas palavras ditas de improviso.
Penso, por exemplo, numa analisada que me comunicou sua angústia ao atravessar pontes e disse: "É muito difícil eu ir, não consigo, a menos que esteja acompanhada...
As vezes, consigo atravessar sozinha, quando vejo do outro lado da ponte a silhueta de um policial ou de um guarda uniformizado..."
Pois bem, nesse caso, é o detalhe do homem uniformizado que me interessa, mais do que a angústia fóbica em si.

2º A segunda característica do sintoma é a teoria formulada pelo analisando para compreender seu mal­ estar, pois não há sofrimento na análise sem que a pessoa se pergunte por que está sofrendo.
Assim como Freud destacava a presença, nas crianças, de uma teoria sexual infantil, constatamos que o paciente também constrói sua teoria inteiramente pessoal, sua teoria de bolso, para tentar explicar seu sofrimento.
O sintoma é um acontecimento doloroso, sempre acompanhado da interpretação, pelo paciente, das causas de seu mal­ estar.
Ora, isto é fundamental.

 Tão fundamental que quando, numa análise, nas entrevistas preliminares, por exemplo, o sujeito não é espicaçado por seus próprios questionamentos, quando não tem idéia da razão de seu sofrimento, cabe
Teoria de Jacques Lacan Signo Significante (Si) ­«*­ SINTOMA Saber inconsciente (S2) • A maneira de exprimir meu sofrimento • A teoria sobre a causa de meu sofrimento • O analista faz parte de meu sintoma Gozo.

 O inconsciente é estruturado como uma linguagem Não existe relação sexual então ao psicanalista favorecer o surgimento de uma "teoria", levando o paciente a se interrogar sobre si mesmo.

Mas, à medida que, na análise, o paciente interpreta e diz a si mesmo o porquê de seu sofrimento, instala ­se um fenômeno essencial: o analista se transforma, progressiva e imperceptivelmente, no destinatário do sintoma.
Quanto mais explico a causa de meu sofrimento, mais aquele que me escuta torna ­se o Outro de meu sintoma.

3º Vocês têm aí a terceira característica do sintoma: o sintoma conclama e inclui a presença do psicanalista.

Modifiquemos os termos e formulemos isso de outra maneira: a característica principal do sintoma, na análise, é que o psicanalista faz parte dele.

Numa análise já bem encaminhada, o sintoma fica tão ligado à presença do clínico que um faz lembrar o outro: quando sofro, lembro ­me de meu analista; e, quando penso nele, o que me volta é a lembrança de meu sofrimento.

O psicanalista, portanto, faz parte do sintoma. É esse terceiro traço do sintoma que abre as portas para o que chamamos transferência analítica e distingue a psicanálise de qualquer psicoterapia.

Justamente, se vocês me perguntassem o que é a transferência em psicanálise, uma das respostas possíveis consistiria em defini-­la como o momento particular da relação analítica em que o analista participa do sintoma do paciente. 
(Na participação do sintoma haverá as transferências que podem ser (positiva, negativas e eróticas).

* Deixando esclarecido ao leitor e público em geral que tratar de “erotismo ou sexualidade na “Psicanálise” não significa necessariamente o tratar de envolvimento ou relação sexual objetal. (ou orgasmo).

Todo “objeto” em sessões de “Psicanálise” são “imaginários e pertencem a neurose da linguagem inconsciente de cada sujeito em sua análise*.

O Terapeuta/Psicanalista gradativamente nas sessões vai ocupar o lugar do (sujeito do suposto saber).
E isso que Lacan denomina de sujeito­ suposto ­saber. A expressão sujeito­ suposto­ saber não significa, unicamente, que o analisando suponha que seu analista seja detentor de um saber a respeito dele.

Para o paciente (analisado), não se trata tanto de supor que o analista sabe, mas de supor, principalmente, que ele está na origem de seu sofrimento, ou de qualquer acontecimento inesperado.

Quando sofro, ou então, diante de um acontecimento que me surpreende, lembro ­me a tal ponto de (conversa e escuta do meu analista), que não posso evitar perguntar a mim mesmo se ele não é uma das causas disso.  

Numa análise em curso, por exemplo, determinado paciente declara: "Desde que comecei a vir aqui, tenho a impressão de que tudo o que acontece comigo está relacionado com o trabalho que estou fazendo com você."

Uma mulher grávida nos diz: "Eu engravidei, mas tenho certeza de que minha gravidez está diretamente ligada à minha análise."

Mas, que significado a Teoria de Jacques Lacan.
O psicanalista é o “Outro”  do sintoma fica "diretamente ligada a minha análise"?

Significa que, de um certo ponto de vista, o analista seria o pai espiritual da criança, a causa do acontecimento. O fato de o analista fazer parte do sintoma significa, pois, que ele está no lugar da causa do sintoma.

Por isso, a expressão lacaniana sujeito ­suposto­ saber significa que o analista assume, inicialmente, o lugar de destinatário do sintoma * (passa em alguns casos a ser inclusive culpado), e depois, mais adiante, o de causa dele.

DR. LUIZ MARIANO

Fonte de Consulta Referências:
Cinco  Lições Sobre a Teoria de Jacques Lacan (J.D.Nasio) ZAHAR

Psicanálise a Clínica do Real (Jorge Forbes) MANOLE