terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

FILHOS SEM O NOME DO PAI (LACAN)


“Somos uma Nova geração de Filhos Sem o Nome do Pai”

Nome Pai (Lacan)
(Nome da lei, Nome do Interditor do desejo incestuoso, Nome da Instância do grande “Outro” sem o nome do “Pai” ou a ausência da sua inscrição com "isso" o  desejo de  incesto pode se transformar em (pulsão de Morte) por isso sempre haverá perversão sexual e violência.

Dr. Luiz Mariano M.D. Psicanálise Clínica

Violência e Psicanálise

Temos acompanhado estarrecidos a violência cada vez maior à nossa volta. 
Requintes de crueldade bestiais, culminando quase sempre com a morte das vítimas indefesas. 
Essa mesma banalização da morte, onde queimar corpos, dizimar famílias, o uso de armas de fogo sofisticadas, a disseminação da droga, choca-nos profundamente. 
Mais recentemente, a criança de seis anos, que morreu arrastada pelo carro roubado por marginais, presa ao cinto de segurança. 
Não há palavras que cubram ou possam explicar tais ações.
Diante desse "real" dos fatos, resta-nos apenas um absurdo inexplicável, que está totalmente fora da lógica que aprendemos como social. 
Escrever sobre o assunto aqui, nesse gigantesco laço social que é a Internet, é um desejo de compartilhar com os amigos a busca de um sentido qualquer para o que ora vivenciamos. 
Vamos passo a passo: 
-Desde criancinhas, já temos presentes pulsões sexuais circulando por nossos corpos.
A busca de satisfação dessas pulsões é constante, a obtenção do prazer, não importa por que meios. 
-Estruturalmente, instaura-se uma lei simbólica para nós, que a psicanálise denomina Nome-do-Pai, lei esta, que vem interditar a obtenção desse prazer maior, tornando-nos aptos a circular no que acima denominei de social.

-Circular nesse social, quer dizer, fazer uso da palavra, pertencer a um discurso que possa nomear nossos desejos e outros, já que a satisfação completa fica para sempre perdida a partir da interdição, da lei.

-É a partir daí, que se faz possível conviver, trabalhar, amar, enfim, organizar os grupos sociais de uma forma "aceitável". 
-O não comprometimento com essa lei, o Nome-do-Pai, implica na psicose.
A saber, são os sujeitos que se situam fora de um discurso.
Para eles, não houve a interdição, não houve o corte fundamental que os introduzisse-nos tais laços sociais. 
-Não precisa ser necessariamente o próprio pai do sujeito, a figura a vir instaurar essa lei.
Basta apenas que seja alguém evocado pela figura da mãe, um nome suficientemente forte e capaz de se interpor à obtenção do prazer maior.

-Esse Nome-do-Pai é continuamente simbolizado na sociedade, através da figura de dirigentes, juízes, autoridades em geral.
Eles estão sempre presentes, lembrando-nos que há barreiras, há proibições, há interdições, há coisas que não podemos fazer. 
O que temos observado porém, é que essas figuras têm sido falhas, ausentes, não suficientemente fortes para fazer valer os contornos dos limites permitidos.

O PAI biológico não tem podido estar presente à criação de seus filhos.
Por motivos sociais inúmeros, que não nos cabe aqui ressaltar. 
A nação tem estado à deriva, sem um PAI, sem a LEI. 
Os partidos políticos representariam ao povo, o PAI acessível, o PAI interlocutor, dividindo a célula grande (o país) em pequenas células (os partidários eleitores).
E lá, numa instância maior, fariam se representar em nossas reivindicações e desejos, em suma, em nosso bem estar e seguranças. 
O que vivenciamos ultimamente não está apenas aquém disso, mas sim, estamos absolutamente abandonados à própria sorte (violência, miséria, etcs). Falta-nos esse PAI, falta-nos a proteção, a credibilidade, e o pior, a própria figura de um chefe/imagem identifica tória de cidadania e respeito.
A horda vai se formando de SEM LEI, SEM TERRA, SEM TUDO, e se avoluma
Uma grande psicanalista francesa, Collete Soller, já se referiu ao termo: "UMA MASSA ESQUIZOFRENIZADA".
Nossa indignação e o não entendimento, provêm certamente do que me referi acima: tentamos entender no registro simbólico (fomos submetidos à lei), dentro de um discurso outro, totalmente incompreensível a "bestas" enfurecidas. 
Estamos impotentes, simplesmente porque o famoso olho-por-olho ou dente-por-dente não cabe no nosso discurso socializado. 
Resta-nos esperar pelo PAI dirigente honesto, pelo PAI que faz cumprir a lei, pelo PAI que restaure uma imagem de respeito e dignidade. 

Rita Guimarães é Psicanalista