quarta-feira, 10 de junho de 2009

O Prazer é Meio baiano

HEDONISMO

("O Prazer é Meio Baiano")

Hedonismo

(Dicionário Houaiss):

"doutrina filosófica que encara o prazer e a
felicidade como bem supremo.

Dedicação ao prazer como estilo de vida."


Eu li em um dos livros do Ruy Castro que,

ainda mais legal do que unir o útil ao agradável,

é unir o agradável ao agradável.

A exaltação do desfrute.

Há tempos venho ruminando sobre isso.

Conheço muitas pessoas que vão ao cinema, a boates e

restaurantes e parecem eternamente insatisfeitas.

Até que li uma matéria com a escritora Chantal Thomas na revista

República e ela elucidou minhas indagações internas com a seguinte frase:

"Na sociedade moderna há muito lazer e pouco prazer".

Lazer e prazer são palavras que

rimam e se assemelham no significado,

 mas não se substituem.

É muito mais fácil conquistar o lazer do que o prazer. Lazer é assistir a um show,

cuidar de um jardim, ouvir um disco, namorar, bater papo.

Lazer é tudo o que não é dever. É uma desopilação.

Automaticamente, associamos isso com o prazer:

se não estamos trabalhando, estamos nos divertindo.

Simplista demais.

Em primeiro lugar, podemos ter muito prazer trabalhando,

é só redefinir o que é prazer.

O prazer não está em dedicar um tempo programado para o ócio.

 O prazer é residente.

Está dentro de nós, na maneira

como a gente se relaciona com o mundo.

 

Chantal Thomas aborda a idéia de que o turismo, hoje,

tem sido mais uma imposição cultural do que um prazer.

As pessoas aglomeram-se em filas de museus e fazem reservas com

meses de antecedência para ir comer no lugar da moda, pouco desfrutando disso tudo.

Como ela diz, temos solicitações culturais em demasia.

 É quase uma obrigação você consumir o que está em evidência.

E se é uma obrigação, ainda

que ligeiramente inconsciente, não é um prazer.

 

Complemento dizendo que as pessoas estão fazendo

turismo inclusive pelos sentimentos,

 passando rápido demais pelas
experiências amorosas, entre elas o casamento. Queremos provar

um pouquinho de tudo, queremos ser felizes mediante uma novidade.

O ritmo é determinado pelas tendências de comportamento,

que exigem uma apreensão veloz do universo. Calma.

O prazer é mais baiano.

O prazer não está em ler uma revista,

mas na sensação de estar aprendendo algo.

Não está em ver o filme que ganhou o Oscar,

mas na emoção que ele pode lhe trazer.

Não está em faturar uma garota,

 mas no encontro das almas.


Está em tudo o que fazemos sem estar

atendendo a pedidos.

Está no silêncio, no espírito,

está menos na mão única e mais na contramão.

 O prazer está em sentir. Uma obviedade que merece

ser resgatada antes que a gente

comece a unir o útil com o útil,

 deixando o agradável pra lá.